Uma história triste e duas versões conflitantes: a do jornalismo e a da História

Vi muitas coisas estranhas, tristes e constrangedoras lendo os Arquivos Digitais da Revista Veja dos anos 60 e 70. Mas nada parecido com o que vocês vão ler abaixo.

Aqui, não se trata de fulanizar a crítica, voltando a responsabilizar o editor da publicação na primeira metade dos anos 70, o jornalista Mino Carta, pelo alinhamento da publicação com o regime militar. Esse atrelamento ficou bem descrito e demonstrado nos posts anteriores que compõem a série Especial Ditadura. Como esses posts já foram igualmente objeto de critica e de uma explicação do editor, darei agora um passo adiante.

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Calúnia X Calúnia

Por Lúcio Flávio Pinto, em Cartas da Amazônia

“Em outro país, um jornalista com o meu passado não sofreria as calúnias”, lamenta-se Mino Carta na última edição da sua revista Carta Capital, respondendo aos ataques de que se declara vítima por parte dos jornalistas Fábio Pannunzio, Demétrio Magnolli e Reinaldo Azevedo.

A polêmica entre os três jornalistas e Mino está acesa e já tem bastante protagonista para dispensar minha participação. Mas esse lamento e o que Mino disse para justificar a invocação do seu nome como escudo motivam meu aparte na discussão.

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Agradecimento

Agradeço aos leitores Big Head e Jotavê, que prontamente atenderam ao desafio do Blog e produziram  resenhas sobre as edições de Veja nominadas por Mino Carta com o propósito de demonstrar que não houve atrelamento da revista sob sua supervisão ao governo Médici. Os texto estão disponíveis para a consulta e a crítica na página principal do blog.

As conclusões de ambos, como eu previa, divergem frontalmente. Nelas estão contidos elementos de crítica e informação que certamente irão contribuir para ampliar a abordagem do que se passou na imprensa no ambiente tenso dos anos 60/70.

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Desafio ao leitor II: A reencarnação do servilismo, pelo leitor Big Head

Resenha produzida pelo leitor Big Head sobre as edições de Veja que Mino Carta cita para provar que não houve atrelamento da revista aos governos militares.

Crescimento econômico alicerçado na explosão do consumo e na fartura do crédito.

 Copa do Mundo.

 Críticas virulentas à imprensa por parte do governo.Anestesia ufanista.

Pra frente, Brasil!

Quem reclama “se volta contra sua pátria, na estratégia do quanto pior melhor”, diz o presidente.

 “Mino, o chefe quer uma imprensa livre, mas com responsabilidade” – diz um assessor.

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Desafio ao leitor: não houve atrelamento de Veja à Ditadura, pelo leitor Jotavê

Contribuição do leitor Jotavê em resposta ao desafio do Blog, que solicitou a dois comentaristas muito ativos uma resenha das edições de Veja que Mino Carta evoca como prova de que não houve atrelamento da revista à ditadura militar brasileira.

O primeiro número da revista Veja tem um caráter emblemático. Sinaliza claramente — no tom, no estilo e no conteúdo de suas matérias — a linha editorial que Mino Carta pretendia imprimir ao semanário. A matéria de capa fala sobre o esfacelamento do bloco soviético e o fracasso da economia planificada. Na seção de política nacional, o foco recai sobre uma ação repressiva da polícia contra estudantes universitários em Brasília, alegando (ao menos na superfície do texto) que houve excessos “dos dois lados”. Se retiramos a revista de seu contexto original, a impressão que fica é a de uma revista conservadora, subserviente mesmo à orientação marcadamente anticomunista da ditadura e leniente diante da brutalidade cada vez maior e mais descontrolada do aparato militar de repressão. Inserida em seu contexto original, no entanto, o retrato que emerge é completamente diverso.

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Desafio aos leitores

Quero fazer um convite aos dois leitores mais ativos da área de comentários do blog: Big Head e Jotavê. Os dois têm uma visão política antagônica e duelam vigorosamente em torno das questões abordadas neste espaço.

Gostaria que ambos lessme as edições de Veja apontadas por Mino Carta como prova de que não houve alinhamento à ditadura militar brasileira. Estão no Arquivo Digital de Veja. As edições são as de número 1 (com a foice e o martelo na capa, de 11/09/68) e 66 (sobre a tortura, de 10/12/69).

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Algumas poucas palavras sobre Mino Carta

Achei até elegante o texto de Mino Carta.

Elegante e vazio.

Faltou explicar por que  ele escreveu o que escreveu em Veja, permitiu que escrevessem o que coonestou como editor da revista, condição que o obrigava a responder por toda a publicação.

Faltou justificar os elogios à “tranquilizadora” OBAN, à demora da ditadura em registrar a prisão dos que iriam morrer e até o enaltecimento ao “Ame-o ou Deixe-o”.

Houve uma impropriedade no uso da palavra “calúnia”. Ela descreve um tipo penal. E o problema é de natureza ética e moral.

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Mino Carta apresenta jusitificativas para o injustificável: a bajulação à ditadura

Mino Carta, em editorial da revista Carta Capital

“Mino Carta é um chato, se pudesse reescreveria os Evangelhos. Inimigo do regime, Geisel o detestava, mas não tinha rabo preso.” De um depoimento de João Baptista Figueiredo, gravado em 1988 durante um churrasco amigo e divulgado após a morte do último ditador da casta fardada.

No final de 1969, esta capa foi o maior desafio de Veja à ditadura, mas já a da primeira edição dera problemas

É do conhecimento até do mundo mineral que nunca escrevi uma única, escassa linha para louvar os torturadores da ditadura, estivessem eles a serviço da Operação Bandeirantes ou do DOI-Codi. Ou no Rio, na Barão de Mesquita. E nunca suspeitei que a esta altura da minha longa carreira jornalística me colheria a traçar as linhas acima. Meu desempenho é conhecido, meus comportamentos também. Mesmo assim, há quem se abale a inventar histórias a meu respeito. Alguém que, obviamente, fica abaixo do mundo mineral.

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Como a equipe de Mino Carta na Veja comemorou o 6º aniversário do golpe de 64

Reinaldo Azevedo

“Como é de conhecimento do mundo mineral, quem fez a VEJA, quando podia ser lida, foi o Mino Carta. O Robert(o) [Civita] lia a Veja na segunda feira, depois de impressa, porque o Mino não deixava ele dar palpite ANTES de a revista rodar.”

A afirmação acima é de Paulo Henrique Amorim, amigo de Mino Carta, e, surpreendentemente, trata-se de uma verdade. Mino, com efeito, fazia o que achava melhor. Seu patrão só ficava sabendo na segunda-feira. A sua ditadura unipessoal na revista acabou no começo de 1976. A ditadura no Brasil ainda duraria muito tempo.

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Comissão da Verdade — Os arquivos demonstram o que Mino Carta fez em verões passados. Ou: O entusiasta da ditadura e da Oban

Reinaldo Azevedo

Paulo Henrique Amorim, o notório, de braços dados com Mino Carta, da mesma estatura, escreveu ao menos uma verdade na vida para exaltar o seu amigo, a saber:

“Como é de conhecimento do mundo mineral, quem fez a VEJA, quando podia ser lida, foi o Mino Carta. O Robert(o) lia a Veja na segunda feira, depois de impressa, porque o Mino não deixava ele dar palpite ANTES de a revista rodar.”

De fato, nunca houve dúvidas de que era Mino quem mandava. Era Mino quem decidia. A função de patrão, para ele, era pagar as contas de seu brilho incomparável.

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Como os “cães de guarda” da imprensa ladravam para a caravana da ditadura passar em 1970

Do nada, um certo site da nova, novíssima esquerda, começa a derramar posts em série sobre a ditadura brasileira. Chama de “cães de guarda” dos milicos os jornalistas que apoiaram descaradamente a ditadura militar brasileira. O nome desse site é Conversa Afiada. Poderia se chamar mesmo Conversa Fiada, uma vez que seu editor, Paulo Henrique Amorim, foi um dos mais dóceis cãezinhos de guarda da ditadura nos anos 70. Para o desespero dele, não é difícil demonstrar.

Alguns leitores bem-intencionados têm se mostrado surpresos com a série de revelações. Acreditavam, de bom coração, na sinceridade de PHA em sua defesa do governo Lula, do governo da Dilma, do governo FHC, … até de gente como o Zé ‘empate’ Dirceu, na sua retórica a favor dos pobres e oprimidos. Acreditavam até que PHA nasceu na esquerda. Até que ele agora é líder do movimento negro.

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Paulo Henrique Amorim esconde entrevista em que Mino diz que agiu como mercenário

Cadê o vídeo ? O pato comeu!...

Paulo Henrique Amorim não deve ter gostado de ver Mino Carta dizendo que agiu como mercenário em dado período de sua vida profissional. Ninguém gosta mesmo. No ano passado, ele foi um dos poucos blogueiros que escreveram a respeito da entrevista que Mino concedeu a Antônio Abujamra.  E foi certamente e único que suprimiu a gravação do programa Provocações, da TV Cultura, de sua página na internet.

O post,  publicado no dia 31 de março de 2011, continua lá. Mas não faz nenhuma referência aos desatinos do entrevistado. Se quiser conferir, o endereço é http://www.conversaafiada.com.br/video/2011/03/31/mino-pig-implorou-pelo-golpe-militar/ . Tente clicar sobre o vídeo. Tudo o que você vai conseguir ver é a mensagem “este vídeo foi removido pelo usuário” que aparece na reprodução acima.

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O dia em que Paulo Henrique Amorim confrontou a ditadura para… Enaltecer a ditadura!

Paulo Henrique Amorim esconde o seu passado. Até mesmo quando ele tenta revelá-lo. Por exemplo, em seu site, Conversa Afiada, ele faz um longo retrospecto de seus empregos e feitos passados. A certa altura, ele conta que entre 1970 e 1974, foi editor de Economia da Revista Veja. E acrescenta, orgulhoso, referindo-se a si próprio na terceira pessoa: “Recebe o ‘Prêmio Esso’ de reportagem Econômica por um trabalho na Veja sobre a distribuição de renda.” Bonito. O site do Prêmio Esso confirma. Ganhou CR$ 5 mil (para os mais jovens, cinco mil cruzeiros, a moeda de então) pela reportagem “A renda dos brasileiros”, publicada na edição de 7/6/1972.

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A edição em que Mino Carta pugnou pela pena de morte para os “terroristas”

Prometi ontem publicar a íntegra da edição da revista Veja nº 54. Ela chegou às bancas em 17 de abril de 1969, ao fim de uma semana agitada pelo sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick e pela adoção da pena morte, que seria apicada contra os “terroristas” — termo usado para qualificar a guerrilha de esquerda. A edição constitui um importante documento histórico. Revela como jornalistas se dispunham a prestar apoio aos mais cruéis métodos de perseguição e constrangimento  na luta suja contra a subversão.

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Sob Mino,Veja defendeu em editorial a pena de morte, o banimento e a prisão perpétua dos “subversivos” em 1969

“Syzeno Sarmento, Jarbas Passarinho, Garrastazu Médici, Orlando Geisel, Albuquerque Lima, Lyra Tavares – entre meia dúzia de personalidades que aparecem na capa desta edição pode estar um novo presidente da República. Além destes, há muitos outros nomes de prestígio e responsabilidade que, por sua própria projeção, ganham condições de candidatos a candidato.”

Era assim, de forma elogiosa e subserviente, que Mino Cara assinava (literalmente) a Carta de Leitores como editor da revista Veja, em 17/9/1969, quando especulava sobre quem substituiria Artur da Costa e Silva, o marechal abatido por uma trombose em agosto daquele ano e, desde então, substituído no poder por uma junta militar. Na reportagem, intitulada “Discute-se a sucessão”, Mino defendia medidas horripilantes. Não, não era a revista que ele editava que defendia os atos que serão narrados a seguir. A confiar no seu admirador, que com ele trabalhava à época, Mino escondia a revista dos patrões, para poder escrever nela o que bem entendesse. Paulo Henrique Amorim escreveu solene em seu blog: “Como é conhecimento do mundo mineral, quem fez a Veja, quando podia ser lida, foi o Mino Carta. O Robert(o) lia a Veja na segunda feira, depois de impressa, porque o Mino não deixava ele dar palpite ANTES de a revista rodar.” Acreditamos nele. E o que Mino escreveu ou mandou escrever na reportagem? Leiam a seguir:

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Eles por eles: Mino Carta por Mino Carta

Não vou tecer nenhum comentário. Você assiste, você analisa, você conclui, depois você comenta, se quiser. A entrevista, concedida a Antônio Abujamra no ano passado, está dividida em três partes. Quando uma acaba, começa a  outra automaticamente.

Imprensa Golpista: Como os editores de Veja comemoram o sexto aniversário da “Revolução” de 64

Reprodução do livro "A Vida Quer é Coragem, de Ricardo Amaral

Dilma enfrenta seus algozes com dignidade...

A foto acima, descoberta pelo jornalista Ricardo Amaral e publicada em seu livro “A Vida Quer é Coragem”, é o emblema de um dos período mais tristes da história brasileira. Aos 22 anos de idade, a militante Dilma Rousseff enfrenta a corte militar com altivez  e dignidade — enquanto seus algozes, envergonhados, escondem o rosto. Os signos aí expostos denotam de maneira contundente o embaraço moral reservado aos que tinham, por ofício, o dever de defender (ainda que no contexto das instituições golpeadas) a ditadura brutal que se instalara no País seis anos antes.

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Bajulação, ausência de crítica, subserviência e propaganda da ditadura. Era assim a Veja de Mino Carta e PHA em 1970

1º de julho de 1970. Naquele dia, quando chegou às bancas a edição de número 95 da Revista Veja, o País ainda purgava o delírio coletivo produzido pela conquista da Taça Jules Rimet na Copa do México. Em 12 página recheadas de fotos ufanistas, Veja pintou um quadro magnífico da situação política do País, enalteceu o patriotismo do presidente de então, o General Emílio Garrastazu Médici, e teceu loas à propaganda oficial.

Nas três reportagens publicadas sobre o assunto,  nenhuma menção à tortura, às prisões arbitrárias e aos desaparecimentos. O objetivo implícito do material editado não poderia ser outro que não o de promover a ditadura, o ditador e seus ditames.

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O doce vai para Paulo Henrique Amorim. Acertou em cheio o nome do autor do texto de Veja que só não chamou Médici de bonito

Vários leitores do Blog acertaram o nome do autor da “Carta ao Leitor” da edição 95 de Veja. Oliveira Neto, Cláudio e Álvaro foram os primeiros. Mas o doce prometido no post “Imprensa Golpista: quem, afinal, apoiou a ditadura militar brasileira ?” vai para o ínclito Paulo Henrique Amorim. Em seu blog, o apresentador do bispo Edir Macedo afirmou hoje (clique aqui e aumente a audiência do site dele se quiser beber na fonte):

“Como é conhecimento do mundo mineral, quem fez a Veja, quando podia ser lida, foi o Mino Carta. O Robert(o) [Civita, dono daEditora Abril] lia a Veja na segunda feira, depois de impressa, porque o Mino não deixava ele dar palpite ANTES de a revista rodar”.

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