Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the tag “PCC”

PM espera Dia dos Pais tenso. Presos são escalados para retaliar policiais no “saidão” pelo PCC

O Dia dos Pais será tenso para a Polícia Militar do Estado de São Paulo. Há dois meses em guerra com o crime organizado, a corporação recebeu informes de que o PCC prepara uma série de atos de retaliação para os quais estariam sendo escalados criminosos que conseguirem o direito de sair dos estabelecimentos penitenciários no privilégio erroneamente conhecido como “indulto temporário”.

Uma fonte da inteligência policial declarou ao Blog do Pannunzio que o PCC está distribuindo tarefas aos presos que irão às ruas. Haveria, segundo essa fonte, uma lista com nomes de PMs que devem ser executados pelos detentos que estarão nas ruas. Quem não cumprir a “tarefa” sofrerá retalizações ao regressar ao sistema. As “penas” impostas iriam das sevícias à eliminação física.

“Em contrapartida, a PM já avisou a vagabundagem que para cada PM morto serão ‘zerados’ seis vagabundos”, afirma a fonte do Blog do Pannunzio.

Criminosos põem fogo em mais um ônibus em São Paulo

Criminosos incendiaram mais um ônibus, no fim da noite desta quinta-feira, no Capão Redondo, na zona sul de São Paulo. Segundo informações da Polícia Militar, dois menores foram responsáveis pelo ataque. Os dois pararam com um carro em frente ao ônibus e exigiram que os cerca de 40 passageiros descessem.
Em seguida, os dois atearam fogo no veículo, que ficou destruído. Ninguém ficou ferido e a dupla fugiu. Moradores da região afirmam que a ação foi um protesto contra a morte de cinco pessoas na região. Agora já são onze em uma semana.
Também na noite de quinta-feira, um policial militar que estava de folga foi atacado por criminosos. Ele seguia de moto pela Avenida Teotônio Vilela, em Interlagos, também na zona sul, quando foi abordado por dois criminosos armados em uma moto. O policial reagiu e baleou os dois.
O comando da PM decidiu que haverá policiais militares à paisana dentro dos ônibus em São Paulo para tentar conter os ataques. Apesar dos ataques aos ônibus, contra as bases da PM e as mortes de policiais em dias de folga, o comando afirma que não existe relação entre os casos. E que a violência é uma reação às ações da polícia contra crimes como roubo de caixas eletrônicos e tráfico de drogas.

Beba na fonte: Criminosos põem fogo em mais um ônibus em São Paulo – O Globo.

Da Argentina, secretário diz que SP está sob controle

O dia começou ontem com a notícia de 6 ônibus queimados em 24h, temor de novos ataques e uma notícia: o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, estaria na Argentina para assistir ao primeiro jogo da final da Libertadores, entre Boca Juniors e Corinthians, seu time do coração, cujo brasão tem tatuado no peito. De dia, ninguém no governo confirmava a informação. Até que às 20h30 ele ligou para o Estado.

Alô, secretário?

Sim. Estou ligando porque todo mundo está telefonando, querendo saber onde eu estou. Até o Estadão. Estou na Argentina. Estou há seis anos no governo. Passei todos esses seis anos sem tirar férias ou folga. Pela primeira vez, tirei licença de dois dias. Licença oficial, que deve ser publicada amanhã (hoje) no Diário Oficial. Estou por telefone em contato com os comandos das duas polícias.

Mas e a situação em São Paulo, secretário?

Está sob controle. Se houvesse qualquer risco real à segurança, nas ruas ou nos presídios, eu teria cancelado a viagem. O que existe é uma onda de boatos e casos isolados que estão sendo investigados pela polícia e os autores desses crimes, presos. Estou a três horas de avião de São Paulo. Em caso de emergência, posso pegar um avião e voltar rapidamente.

Mas, secretário, as pessoas estão preocupadas.

Todos estamos. Mas eu repito: mesmo de folga, estou em contato com todos, por meio do telefone, de e-mail. Acompanho a situação. Mas há pessoas que têm o interesse em desestabilizar a segurança e exploram essa informação. Fiz tudo dentro da legalidade. Pedi autorização e licença.

Beba na fonte: Da Argentina, secretário diz que SP está sob controle – saopaulo – versaoimpressa – Estadão.

Geraldo Alckmin, o nome da crise da segurança paulista

“Quem enfrentar a polícia vai levar a pior”.

A frase, em tom de ameaça, é do governador Geraldo Alckmin, em mais um exercício retórico para justificar o injustificável: a crise aberta na segurança de São Paulo pela política de execuções sumárias que equiparou a ROTA, o tal grupo de elite da PM paulista, a um grupo fardado de extermínio.

Comércio fechado, intranquilidade da população, escolas paradas, ônibus incendiados, policiais mortos. Índices que, apesar de descaradamente manipulados, já não conseguem mais ocultar o crescimento vigoroso das estatísticas da criminalidade. Esta é a realidade decorrente da opção do governo pela violência desmedida de seus policiais.

Por tudo isso, fica claro que quem está levando a pior não é a polícia, é a população. É ela que tem sido sacrificada em seus direitos fundamentais, suprimidos pelo pavor e pelo pânico que se espalham e ameaçam todos os segmentos da sociedade. Todos sofrem com isso. A classe média, enclausurada em casa pelos arrastões nos restaurantes, a periferia, sujeita à humilhação do toque de recolher.

Na origem do problema está a execução a sangue-frio de um bandido vinculado ao PCC, morto covardemente depois de torturado na beira erma de uma rodovia após cinco companheiros terem sido abatidos pela ROTA numa chacina que ficou conhecida como “crime do Bar Barracuda”. Foi essa execução sumária, ocorrida há um mês, que despertou a fúria adormecida do PCC, organização que despudoradamente, e a despeito de todas as evidências, o governo paulista nega existir.

É impressionante o esforço das autoridades para maquiar a origem da crise. Esforço que ficou evidente a partir do momento em que a máquina da segurança pública tentou de todas as maneiras “arredondar” o flagrante dos jagunços assassinos da ROTA para evitar a prisão dos pistoleiros fardados — o que só não ocorreu graças à ação determinada do Ministério Público, que impediu a fraude no registro da ocorrência.

É impressionante a desfaçatez com que o mesmo governo trata o sofrimento da população. Enquanto os bandidos matam policiais, incedeiam ônibus e cerceiam o direito de ir-e-vir das pessoas, o comandante do Exército de Brancaleone em que se transformou a polícia paulista se dá ao desplante de abandonar seu QG para ir assistir a um jogo de futebol em Buenos Aires. Mais do que como ironia, a ausência soa como escárnio.

Mas Antônio Ferreira Pinto, o secretário para quem o Corinthians é mais importante do que a guerra travada nas ruas de São Paulo, é apenas uma peça no tabuleiro montado por seu chefe, o governador Geraldo Alckmin. Se há um responsável pelo caos e pela violência disseminados pela truculência da polícia, é Geraldo Alckmin o nome a ser apontado. É ele quem mantém, coonesta e legitima a política do extermínio adotada pela SSP.

Sem ter como responder concretamente ao descontrole nas ruas, Alckmin recorre às bravatas. Com uma polícia acuada pelo crime organizado e vitimizada pela falta de limite ao emprego da força bruta, as bravatas ecoam como cinismo, estupidez em estado bruto.

Quem está levando a pior não são os bandidos. São as pessoas honestas. Alienar-se e perder a racionalidade, aderir incondicionalmente à truculência, não vai salvar São Paulo do crime. Persistir no erro só vai fazer com que a população fique cada vez mais refém de organizações como o PCC.

Após novos ataques, viações tiram ônibus das ruas e comércio fecha

ANDRÉ CARAMANTE E AFONSO BENITES

Ônibus queimados, viações recolhendo veículos, comércio fechado com medo de saques e protesto de moradores que ficaram a pé.

Os casos de violência em São Paulo, principalmente nos extremos das zonas sul e leste, aumentaram nos últimos dias -no Capão Redondo, 11 pessoas foram mortas em seis dias.

Desde sexta, o policiamento foi reforçado após o assassinato de seis PMs. No fim da noite de ontem, a falta de transporte coletivo em alguns bairros era reflexo dos ataques ocorridos no dia anterior.

Na noite de anteontem, as empresas Sambaíba e Transcooper retiraram os ônibus das ruas após três veículos terem sido queimados por criminosos nas zonas norte e sul.

A falta de transporte causou protesto de usuários, que chegaram a fechar a avenida Cruzeiro do Sul (na zona norte). No total, dez ônibus foram atacados desde o dia 13.

Na região do Sacomã e da Vila das Mercês (zona sul), perto de onde um ônibus foi queimado antes, a polícia orientou comércios e escolas a fechar para evitar saques.

A cena se repetiu ontem à tarde, apesar de a PM afirmar que a situação era tranquila.

Por volta das 22h de ontem, um grupo de 20 homens incendiou um ônibus em Ferraz de Vasconcelos (na Grande São Paulo). Segundo a PM, ninguém ficou ferido.

LOJAS FECHADAS

“Tive que buscar minha filha mais cedo porque o pessoal ouviu dizer que teve toque de recolher. Mesmo sabendo que não era verdade, fui, com medo”, disse o taxista Luis Bravo.

Sem dar explicações, a empresa ViaSul recolheu parte dos ônibus na região.

A polícia investiga se as mortes de PMs e os ataques a ônibus estão ligados ao grupo criminoso PCC (Primeiro Comando da Capital). A polícia suspeita que as ações são uma retaliação à operação da Rota que deixou seis mortos, em maio, e à transferência de um dos chefes da quadrilha para um presídio de segurança máxima.

Para o secretário-adjunto da Segurança Pública, Jair Burgui Manzano, as mortes dos policiais e os ônibus queimados são “eventos isolados”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Após novos ataques, viações tiram ônibus das ruas e comércio fecha – 28/06/2012.

PCC queima três ônibus. Enquanto isso, o secretário de segurança vai a Buenos Aires ver o Coringão

Ainda não terminou a retaliação do PCC contra a execução, pela ROTA, de um dos membro da facção criminosa. Na últimas 24 horas três ônibus foram incendiados. A população, que já estava intranquila, agora também é prejudicada pela redução da frota que serve a periferia de São Paulo.

Enquanto isso, o secretário de Segurança Pública Antônio Ferreira Pinto está em Buenos Aires para assistir ao jogo do Coringão contra o Boca Juniors.

Será que é falta do que fazer por aqui ?

São Paulo sob ataque. SSP alertou autoridades, mas continua negando informação ao povo

Pelo menos uma unidade da Polícia Militar foi atacada nesta sexta-feira supostamente por bandidos ligados ao Primeiro Comando da Capital, a oganização que hierarquizou e comanda o crime organizado na maior cidade do País. Até agora, chega a seis o número oficial de policiais assassinados nos últimos dez dias. Mas o número pode ser bem maior. Cinco deles  morreram em circunstâncias que evidenciam execuções pontuais — eram tidos como honestos, estavam de folga e não vestiam fardamento (apenas uma das vítimas trajava o uniforme da PM).

A Secretaria de Segurança Pública nega, mas o serviço reservado da PM já alertou autoridades dos três Poderes do estado de São Paulo de que se trata de um ataque do PCC. Os alvos seriam “autoridades em geral”, e não apenas policiais envolvidos em milícias e grupos de extermínio. Todos os destacamentos foram colocados em prontidão, com a escala de folgas suspensa neste fim-de-semana. O mesmo aconteceu com a Polícia Civil. Mas  até agora a secretaria de Segurança Pública continua negando para a população que São Paulo esteja sob ataque.

A ação é uma vingança do “partido”, palavra que policiais e bandidos usam para se referir ao PCC, pela execução de seis integrantes da facção que agiam na Zona Leste no dia 29 de maio. Uma das vítimas foi sequestrada por uma viatura da ROTA e levada até um local ermo na beira da Rodovia Ayrton Senna, onde foi espancada e assassinada friamente. Uma testemunha que morava próximo ao local acionou o plantão policial e denunciou o crime.

Oficiais da Corregedoria da PM e do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) da Polícia Civil ainda tentaram “arredondar” o flagrante e evitar a prisão dos PMs assassinos. A tentativa fracassou graças à presença de promotores de justiça do Grupo Especial de Controle da Atividade Policial (GECEP) do Ministério Público paulista. Anderson Minhano, o homem que foi executado na beira da rodovia, teria sido assassinado pelos PMs porque era suspeito de ter matado um policial.

A reação do PCC acontece após um período de trégua de três anos. O “partido”, segundo fontes da própria polícia, teria mudado a orientação para a realização de vinditas. Ao invés de promover grandes ataques, como os que se verificaram em 2009, agora prefere execuções pontuais. As ameaças, no entanto, já conseguiram parar escolas e fazer o comércio baixar as portas. São uma reação ao recrudescimento da violência policial, politica que tem sido sustentada pelo secretário de Segurança Antônio Ferreira Pinto.

As primeira informações sobre a iminência do ataque chegaram ao serviço reservado da PM há cerca de dez dias. Uma carta foi apreendida na cela onde estava preso Roberto Soriano, na penitenciária de segurança maxima de Presidente Venceslau. Ele é conhecido como “Tiriça”, um dos líderes da facção criminosa. Nessa carta havia nomes de policiais militares que deveriam ser justiçados, instruções para o tráfico e uma menção ao crime do Bar Barracuda, que foi incenado por criminosos na madrugada passado. O preso foi transferido para o presídio de Presidente Bernanardes, onde permanece confinado e isolado no regime diferenciado em uma solitária.

O Blog repassa aos seus leitores o mesmo alerta que a SSP vem fazendo para as autoridades. A ordem é evitar deslocamentos desnecessários e permanecer em casa até que se consiga dimensionar corretamente  o que está acontecendo.

Execuções de PMs podem ser retaliação do PCC

São Paulo está às voltas com uma nova onda de terror. Três policiais militares foram assassinados nos últimos sete dias — o número de execuções pode chegar a 7, dependendo da fonte. Seria uma retaliação do PCC contra a execução sumária de um dos integrantes da facção criminosa pela ROTA, o “grupo de elite”da PM paulista.

A ação da ROTA foi denunciada pelo Blog do Pannunzio, assim como as primeiras ameaças de retaliação feitas pelo PCC, que mandou baixar as portas do comércio e impediu o funcionamento de escolas da Zona Leste de São Paulo.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo nega relação entre o assassinato de policiais e a política de extermínio levada a efeito pela tropa de choque da corporação. Não é de estranhar. O secretário Antônio Ferreira Pinto tem se empenhado na defesa do emprego da violência pela PM. É dele que a corporação deve cobrar responsabilidade pela retaliação.

Ferreira Pinto deu ordens expressas do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa para dificultar ao máximo o acesso do MP e da imprensa ao inquérito instaurado para apurar o comportamento dos PMs que executaram o traficante que supostamente teria ligações com o PCC. Tem movido uma cruzada contra o Ministério Público, que investiga excessos cometidos pela tropa. E conseguiu que o promotor do Juri encarregado da investigação decretasse segredo de justiça sobre o inquérito, privando a sociedade de saber o  que se passa.

Apesar da negativas formais do secretário, é clara a preocupação da polícia com os ataques do PCC. De acordo com fontes da própria polícia, a organização criminosa, que promoveu uma série de atos terroristas há três anos, mudou a tática. A ordem agora não é mais fazer ataques de grande porte que gerem comoção — é fazer ações pontuais, no molde das execuções de PMs que se verificaram esta semana.

Caso a vingança fique comprovada, estará mais uma vez provado o axioma segundo o qual violência se paga com violência.

Triste, nesse contexto, é a viuvez das mulheres dos soldados mortos, a orfandade de seus filhos e o recrudescimento da sensação de insegurança que apavora a população paulistana. Uma conta salgada demais a ser paga pela doutrina da vciolência da Secretaria de Segurança Pública do governador Geraldo Alckmin.

ROTA também está apreensiva com ameaças do PCC

Apesar das negativas do governo paulista, os temores de um ataque do PCC para vingar a execução de seis integrantes da facção criminosa são compartilhados pela própria ROTA, o “grupo de elite” da PM paulista que matou os bandidos. Um dos mortos foi executado friamente por soldados do batalhão num local ermo na Rodovia dos Imigrantes, na divisa entre São Paulo e Guarulhos.

O documento que reproduzo é um ofício enviado pela delegada-titular do 103º Distrito Policial ao seccional da área. Foi repassado a todas as unidades da Polícia Civil da Zona Leste da cidade.

O que se lê aqui é o alerta de um soldado da ROTA sobre a presença de bandidos do PCC portando ostensivamente armas no bairro de Guaianazes, informação obtida de outros policiais da corporação.

É muito diferente do que o governo estadual vem dizendo — que a tensão na região é produto de meros boatos.

A polícia já se acautelou. Faltava apenas avisar a população para que esta se acautele também.

Bairro da Zona Leste está em pânico por causa de ameaças do PCC

Relato da leitora do blog que assina como Jade. É quase um pedido de socorro.

Hoje estava sendo medicada no AMA de S.Miguel Paulista quando a polícia evacuou o prédio, mandou que médicos e o pessoal da enfermagem tirassem os jalecos, Ssó ficaram no prédio as pessoas que, como eu, estavam recebendo medicação e seus acompanhantes.Funcionários do AMA nos disseram que era por causa do PCC.

Do lado de fora ficou uma viatura da PM fazendo a segurança do local. Uma escola próxima segurou todos os alunos que estavam para sair, tamanha a quantidade de policiais na rua. Fizeram entrar os que aguardavam para ingressar no período da tarde. Agora à noite, uma escola municipal próxima ao 63º DP (Vila Jacuí) teve suas aulas interrompidas por volta das 21h45. Informaram  que receberam ‘ordens’ para liberar os alunos porque não era para ter ninguém na rua e na escola após às 22h00.

Se isso tudo que aconteceu é ‘boato’ como dizem uns, me pergunto: aonde vai a segurança do trabalhador, das pessoas de bem? Se o tal PCC não existe mais, está fraco, por que isso vem acontecendo com a população?

PCC apavora Zona Leste de SP. Escolas e comércio baixaram as portas. Segurança tucana continua um lixo

Milhares de alunos sem aulas, professores apavorados, pais em desespero, comerciantes fechando as lojas. É o que está acontecendo desde ontem em Cidade Tiradentes, um dos bairros mais pobres e populosos da Zona Leste de São Paulo.

A onda de pânico foi deflagrada pelo Primeiro Comando da Capital, o PCC, em represália às execuções levadas a efeito por bandidos fardados da ROTA na noite da última segunda-feira. Seis pessoas foram mortas supostamente por resistir à abordagem das equipes da PM. A polícia informou que o grupo era formado por 14 integrantes do PCC que estariam discutindo o resgate de um preso de um presídio paulista.

Os PMs chegaram a informar as seis mortes antes que pelo menos uma delas tivesse acontecido. Um dos suspeitos, no entanto, foi colocado no camburão de uma viatura e levado até um local ermo, onde foi executado. A execução foi testemunhada por uma mulher, que chegou a gravar a cena na camera de seu celular. Como o arquivo não foi salvo, o telefone foi apreendido para ser periciado.

A testemunha ligou para o COPOM para denunciar a execução. O som dos tiros é claro na gravação do telefonema. Em seguida, o morto foi levado novamente para o carro da polícia e seu corpo foi transportado até  o bar em que os suspeitos foram abordados.

PCC promove retaliação aterrorizando a população

Doze horas depois da chacina, bandidos ligados ao PCC decretaram toque de recolher em vários bairros da Zona Leste. Em Cidade Tiradentes, os alunos foram dispensados das últimas aulas da tarde. O “partido” prometia promover atentados contra alvos policiais e também a população civil.

Hoje pela manhã as ameaças foram reiteradas. Em função disso, os alunos foram liberados mais cedo. Na Escola Estadual Fernando Pessoa as aulas foram interrompidas às 11h30. Os professores do turno da manhã saíram apressadamente. A escola permaneceu sem atividades no turno da tarde. Alunos e professores não apareceram. Muitos pais, desesperados, tiveram que faltar ao trabalho por não terem com quem deixar seus filhos.

O comércio, da mesma forma, se acautelou. Lojas baixaram as portas. Os funcionários foram dispensados. Os comerciantes reclamam do prejuízo decorrente da paralisação dos negócios.

A SSP e a tolerância às ações violentas

A população atribui a culpa pelo clima de pavor ao governador Geraldo Alckmin, cujo governo tem sido marcado pela tolerância à truculência da PM e pela proteção a policiais que desconhecem limites para sua atuação. A política de segurança, gerida pelo secretário Antônio Ferreira Pinto, tem se pautado pela permissividade para com a violência policial e até a proteção a assassinos que ostentam a farda da PM.

O caso desta segunda-feira é apenas mais um a ilustrar estatísticas pavorosas. Somente este ano, quase 200 pessoas foram executadas ou feridas pela PM em ações registradas como “resistência seguida de morte ou lesões corporais”. O GECEP — Grupo Externo de Controle da Atividade Policial do Ministério Público paulista –, desconfiado da manipulação das estatísticas da criminalidade, criou um banco de dados próprio e passou a investigar os assassinatos cometidos por PMs. Os números são aterradores.

Enquanto a fiscalização recrudesce, as afrontas não cessam. Ontem à tarde, mais de 20 viaturas da ROTA cercaram o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil de São Paulo enquanto era lavrado o flagrante contra os assassinos da corporação. A pressão não surtiu efeito graças à presença dos procuradores.

A ação dos comandantes para dar proteção a soldados e oficiais delinquentes é visível. Prova disso é o engavetamento dos Relatórios de Inteligência produzidos pelo DHPP com informações comprometedoras sobre várias ações violentas. Os chamados RELINTs apontavam o envolvimento de policiais com traficantes, execuções levadas a efeito por ordem do PCC e até a montagem de farsas como o atentado ao prédio da corporação ocorrido em 2009. Foram engavetados por ordem direta do secretário Antônio Ferreira Pinto. Os autores de vários crimes permanecem nas ruas, armados, sem que nada os tenha molestado apesar da gravidade das denúncias.

A permanência de Ferreira Pinto à frente da segurança pública é um mistério. Durante sua gestão, ele centralizou em seu gabinete a correição da polícia civil, mas deixou os crimes da PM a cargo da Corregedoria da corporação. A diferença no tratamento dispensado às duas polícias (civil e militar) provocou uma crise sem precedentes.

Ferreira Pinto também foi o responsável pelo engavetamento do primeiro procedimento administrativo instaurado contra os delegados que conduziram a desastrada Operação Pelada. Eles despiram à força uma escrivã acusada de concussão. O caso só veio à tona depois que o Blog do Pannunzio e a Rede Bandeirantes divulgaram imagens da cena insólita com as humilhações e as sevícias impostas à escrivã.

Ferreira Pinto mandou chamar os delegados a seu gabinete e os cumprimentou pela operação.

Assista à reportagem em que Sandro Barboza mostra como a SSP de SP age para acobertar PMs do PCC

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Secretaria de Segurança Pública de SP acoberta PMs corrompidos pelo PCC

O repórter Sandro Barboza mostrou agora há pouco, no Jornal da Band, algo estarrecedor: a Secretaria de Segurança Pública de são Paulo  estaria acobertando policiais militares que trabalham para o PCC — Primeiro Comando da Capital — apesar da farta documentação  produzida pela Divisão de  Inteligência do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) dando ciência do envolvimento de parte da tropa com a organização criminosa.

Os primeiros documentos divulgados hoje revelam que, embora informado de que PMs fazem jornada dupla como gendarmes do “Partido” (é assim que eles se referem ao PCC), o Secretário de Segurança Pública Antônio Ferreira Pinto mandou engavetar investigações sem que ninguém fosse punido.

O Departamento de Inteligência do DHPP vem produzindo informações sobre corrupção e crimes cometidos por policiais militares há muito tempo. Apesar de indicarem os desvios de conduta, os relatórios produzidos (chamam-se RELINTs – Relatório de Inteligência) não provocaram a abertura de inquéritos policiais e foram ocultados do Ministério Público, contrariando o que manda a lei, embora tenham sido encaminhados formalmente ao gabinete de Ferreira Pinto.

O secretário, egresso da PM, tem sido acusado  de transigir com excessos dos soldados enquanto aperta o torniquete da corregedoria  contra os policiais civis. No ano passado, ele atuou deliberadamente para arquivar a chamada Operação Pelada, denunciada por este blog e pelo repórter Sandro Barboza  no Jornal da Band (dentro de instantes vou publicar um post relembrando o caso).

Um dos investigadores da equipe do DHPP, entrevistado pelo repórter da Band, foi taxativo: segundo ele, o secretário foi informado dos crimes atribuídos aos PMs. Foi dele a decisão de arquivar os relatórios.

O caso conhecido hoje decorreu das investigações do assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva. Ele morreu em maio do ano passado dentro do campus da USP. Dois ladrões, Irlan Graciano Santiago, conhecido como Queirós, e outro mencionado apenas como  Lanlan, assumiram o crime e declinaram as razões: o estudante teria reagido ao assalto. O crime teve enorme repercussão e provocou o aumento do policiamento ostensivo na USP. A responsabilidade pelas rondas foi delegada ao 16º BPM.

Ao investigar esse crime, policiais civis do DHPP descobriram que Lalan e Queirós haviam se envolvido em outro assassinato. Eles executaram, a mando do PCC, um ladrão chamado Fernando Alvez de Oliveira, companheiro de “partido”. A execução foi determinada pelos chefes do PCC na favela San Remo, conhecidos como Irmão Peu, Irmão Caveira e Irmão Túlio. A  favela fica ao lado da USP. A vítima teria se desentendido com os líderes do PCC por causa da partilha de uma carga roubada de reagentes químicos que seriam utilizados para o refino de cocaína.

Ao investigar as conexões entre os cinco bandidos, o DHPP descobriu que os assassinos “sempre sempre praticaram roubos no interior da USP sem gerar consequências de maiores gravames, podendo ser reconhecidos pelas suas diversas e impunes ações dentro dos portões da Cidade Universitária”, conforme o RELINT nº 8/2011. A explicação para a impunidade: sua “periculosidade, as “fortes relações com o PCC ” e “por pagarem semanalmente elevados valores aos policiais militares que atuam na região”. Encaminhado ao gabinete do secretário Ferreira Pinto, esse relatório mereceu o mesmo destino de muito outros — a gaveta.

A afirmação de que policiais militares recebiam propina de bandidos que agiam dentro da USP não gerou nenhuma consequência. Apesar de alertado, o secretário nada teria feito para elucidar a denúncia. E ainda ampliou a participação do batalhão dos PMs sob suspeita na área de atuação dos bandidos que, supostamente, pagavam a eles por proteção e imunidade.

Certo é que os bandidos pareciam tão tranquilos que eram vizinhos de muro do batalhão — e ali mesmo, num beco lindeiro ao destacamento, desenvolviam sua atividade principal, o tráfico de drogas. As facilidades eram tão grandes que eles mantinham uma “biqueira”  (boca de fumo, ponto de venda de drogas) a poucos metros de distância do 16º BPM.

Não se sabe se o governador Geraldo Alkmin foi ou não comunicado por seu secretário dos problemas na vizinhahnças do Palácio dos Bandeirantes. A despeito de ter feitos várias tentativas de entrevistar autoridades do governo paulista — o secretário Ferreira Pinto e o próprio governador entre elas — o repórter da Band não conseguiu nenhuma fonte disposta a responder suas indagações.

O impacto da revelação é enorme. Diz respeito à próprio segurança de Alkmin. O 16º BPM é o responsável também pelo policiamento do bairro onde estão situados o gabinete e a residência oficial do governador. O  Morumbi, que concentra boa parte do PIB paulistano, tem sido sobressaltado diariamente por notícias de roubos a residências, a maior parte cometida com o uso de excessiva violência.

Talvez o desprezo aos relatórios de inteligência ajude a explicar a onda de violência que assola o reduto mais nobre da Zona Oeste de são Paulo. Se policiais recebem dinheiro para acobertar ladrões que atuam na maior universidade do País, não há como não inferir a possibilidade de que outras ações delituosas, praticadas por esses mesmos bandidos, não tenham sido igualmente protegidas pela ação da quadrilha encastelada na PM.

De acordo com o ex-Secretário Nacional Antidrogas Walter Mayerovitch, a descoberta de Sandro Barboza deixa a nu uma perspectiva assustadora: a de que o PCC, vitaminado pela corrupção que contamina a PM paulista, já tenha se imiscuído no Estado, contratando bandidos de farda para o cometimento de crimes que antes eram perpetrados por bandidos sem farda.

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