Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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Ao menos 14 tenentes-coronéis da PM paulista ganham acima do teto constitucional*

Coube ao Tenente-Coronel Almir Ribeiro, comandante do 2° Batalhão de Choque, o maior salário entre todos os oficiais da segunda maior patente da Polícia Militar paulista no mês de junho. De acordo com o site da transparência do governo do estado, ele recebeu R$ 142.174,50 brutos. O salário líquido foi de R$ 131.669,94.

Em segundo lugar aparece o nome do  Tenente-Coronel Antônio Carlos Artêncio. Ele recebeu R$ 127.844,24 de pagamento bruto no mês de junho. Excetuando-se os descontos, o rendimento líquido foi de R$ 123.275,48.

Outros 12 oficiais receberam salários superiores ao teto constitucional, que é de R$ 26,7 mil. O número equivale a menos de 1% da tropa que, segundo o portal do governo estadual, é composto por 1058 tenentes-coronéis. Mas a soma dos vencimentos desses oficiais comprometeu o equivalente a 6,2% do total aos tenentes-coronéis em junho,  RS 15,126 milhões.O motante pago aos policiais que receberam acima do limite legal foi de R$ 938,32 mil.

Excluindo os casos anômalos, a média salarial para o posto de tenente-coronel foi de R$ 14,49 mil reais.

O Blog do Pannunzio questionou a Secretaria de Segurança Pública por email sobre as razões que justificam os valores pagos acima do teto, mas ainda não obteve resposta. Verbas rescisórias, indenizações e outras pendências decorrentes de decisões judiciais podem inflar episodicamente os salários em eventos que não têm recorrência.

De outro lado, apenas um dos 165 delegados de classe especial, os chamados “cardeais” da Polícia Civil, recebeu valores incompatíveis com o que determina a legislação. De acordo com informações do portal, Djahy Tucci Jr. recebeu R$ 27.716,75 no mês retrasado. A média de salário dos cardeais, excetuando-se a única anomalia aparente, foi de R$ 17.116,13

Abaixo, a relação com os nomes dos oficiais e os valores pagos em junho aos oficiais da PM que receberam acima do teto.

NOME POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO PATENTE SALÁRIO BRUTO DESCONTOS SALÁRIO LIQUIDO
ALMIR RIBEIRO
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
142.174,50
15.275,03
131.669,94
ANTONIO CARLOS ARTENCIO
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
127.844,24
14.000,86
123.275,48
AIRSON DA CONCEICAO VIEIRA
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
86.375,64
17.059,46
56.095,96
CID ROCHA JUNIOR
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
78.263,39
16.913,57
49.756,79
SEBASTIANA APARECIDA PINHEIRO
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
72.301,24
17.453,66
46.101,95
CLAUDIO DE OLIVEIRA ROCCO
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
65.339,56
17.925,32
42.338,22
MARCELO GOMES MANOEL
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
62.098,43
17.500,16
40.996,14
HERALDO RANAURO
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
47.229,29
17.146,79
39.494,99
ANTONIO BATISTA DE FARIA
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
43.683,32
13.684,90
38.037,65
BENEDITO DONIZETI MARQUES
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
57.753,80
18.447,53
36.108,83
JOAO GRZYBOWSKI
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
40.806,33
17.423,73
35.548,30
MAURO PASSETTI
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
47.340,04
16.349,24
33.062,30
REYNALDO DE ALMEIDA CHAGAS
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
39.027,13
11.545,13
21.944,76
ANTONIO CARLOS PERROTTA
POLICIA MILITAR ESTADO SAO PAULO
TCEL PM
28.087,50
18.725,00
21.443,75
* O título original deste post era “Ao menos 14 coronéis da PM paulista ganham acima do teto constitucional”. A informação sobre a patente estava incorreta. Na verdade, os coronéis da PM que receberam acima do teto constitucional são 96, assunto abordado em outro post. Todos os demais dados, que  dizem respeito aos soldos para o posto de tenente-coronela da PMSP, estão corretos e não sofreram retificação. 

PMs Selvagens e furiosos

Os telejornais da Rede Globo mostraram ontem uma cena de selvageria e barbárie. Depois de dominar uma quarilha de ladrões e evitar um sequestro-relâmpago no Rio de Janeiro, policiais militares levaram os bandidos até um terreno baldio e atiraram contra a perna de um deles. O bandido estava dominado e sem nenhuma possibilidade de se defender.

Foi uma agressão brutal, covarde e desmedida. Os policiais, que poderiam ter encerrado o episódio como heróis, foram à lama, equipararam-se aos bandidos que haviam acabado de prender. O ímpeto dos pitbulls descontrolados só foi desmascarado graças à ação de um cinegrafista amador que filmou toda a cena de barbárie.

Antes que os repórteres tivessem notícia da gravação, uma equipe da emissora entrevistou os PMs na delegacia. O comandante da operacão concedeu uma entrevista gabando-se do revide à “injusta agressão” que teria culminado com um tiro na perna do bandido em um tiroteio que jamais ocorreu. Como é praxe em eventos como esse, nenhum dos inúmeros policiais envolvidos se levantou para denunciar a fraude dos colegas truculentos.

As cenas exibidas pela Globo apenas reiteram as denúncias de que a PM, mal instruída, mal formada e também mal paga, costuma adotar métodos de justiçamento e segue aplicando penas duríssimas — entre eleas a morte sumária — a quem bem entende.

Em São Paulo, cenas parecidas culminaram com a morte do suposto bandido Anderson Minhano em 29 de abril passado. Uma guarnição da ROTA, após a chacina de cinco suspeitos traficantes, sequestrou um deles no bairro da Penha, na Zona Leste do São Paulo, levou-o até a margem erma de um rodovia, torturou, humilhou e finalmente executou o prisioneiro a sangue frio.

Embora não houvesse câmeras registrando a ação bárbara, uma senhora, moradora de um barraco próximo ao local da execução, testemunhou o assassinato e comunicou ao COPOM. Na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, para onde os jagunços da ROTA foram levados depois de detidos, houve um notável esforço da Corregedoria da PM para evitar a prisão em flagrantes dos PMs assassinos.

Já estava decidido que seria lavrado o flagrante apenas do sargento da viatura que levou o corpo de Anderson ao hospital onde o óbito foi registrado. Como o sargento tinha um álibi por não ter participado diretamente do assassinato, os três colegas assassinos sairiam livres e responderiam a processo nas ruas, onde certamente voltariam a atuar como justiceiros e a ameaçar a sociedade. O plano só não funcionou porque o Ministério Público interveio e mandou mudar a combinação, autuando os verdadeiros criminosos de farda.

Execuções e atitudes de justiçamento se repetem por todo o País. Tendem a se tornar mais frequentes com o clamor da sociedade, acuada pelo aumento da criminalidade e descrente do sistema judicial. Isso faz com que muita gente aprove ações desse tipo na crença de que “bandido bom é bandido morto”, frase que se transformou em emblema da ROTA dos anos Maluf.

A consequência da imposição da barbárie por quem deveria proteger a sociedade tem feito estragos terríveis e irreversíveis como a morte do publicitário Ricardo Aquino, ocorrida no dia 18 de julho. Ou do adolescente Bruno Viana, morto em Santos depois que policiais assassinos dispararam 25 tiros contra o carro em que ele seguia por não ter obedecido ao sinal para parar em uma blitz.

Em todos os casos, salta aos olhos o esforços dos pitbulls fardados para maquiar a cena do crime, inventar confrontos que jamais existiram e justificar o ímpeto assassino de  soldados e oficiais que agem de maneira selvagem e furiosa.

A repetição desses registros trágicos revela, com uma incrível assertividade, que o extermínio sistemático se transformou em método de ação das polícia militares. Nas ruas,  as equipes que deveriam zelar pela reparação da ordem pública só fazem produzir catástrofes. São ações tão despudoradas e atrevidas, feitas à luz do dia ou acobertadas pela escuridão dos becos, que parecem ter a aprovação ao menos velada dos comandos.

De onde sai tanta selvageria ?

É certo que as atitudes homicidas desses policiais são aplaudidas por uma parcela da população que deseja se vingar da opressão do crime organizado, que enxerga apenas a morte como punição para quem envereda pelo mundo do crime. E parece não restar dúvida de que existe uma complacência do comando desse animais selvagens travestidos de policiais militares.

O resultado está aí para quem quiser ver: o recrudescimento dos índices de criminalidade, da brutalidade dos criminosos para eliminar testemunhas que possam identificá-los e o aumento da sensação de desproteção de quem depende da polícia para enfrentar a rotina de violência que os governos não conseguem controlar.

O quadro que se instalou é terrível também para os policiais, que têm sido vítimas de assassinatos seletivos engendrados por bandidos organizados pelos líderes de agremiações como o PCC, que se transformou em “partido” na periferia conflagrada de São Paulo.

Os números que brotam das estatíticas morbidas da ação policial demonstram com uma clareza cristalina que a imposição do terror dos grupos fardados de extermínio não fará outra coisa que não agravar o problema. Por isso, passou da hora de botar uma focinheira nos pitbulls que agem em nome da imposição da violência legítima.

Essa faculdade não nasceu para subjugar o cidadão,  justiçar as vítimas dos bandidos ou vingar a sociedade. Não há solução fora do respeito à lei e da substituição da ação truculenta pelo exercício da inteligência.

Como o método da vingança e do justiçamento parecem estar arraigados dentro da cultura da ação policial, talvez não haja outro remédio senão extinguir as PMs e fundí-las com as polícias civis, colocando o braço armado ostensivo do Estado sob um único comando a serviço da sociedade, e não contra ela.

PMs de Osasco são presos acusados de matar 2 jovens

Cinco policiais militares do 14º Batalhão, em Osasco (Grande São Paulo), foram presos ontem sob a suspeita de matar dois jovens e simular um tiroteio para tentar justificar o crime.

O tecelão Cesar Dias de Oliveira e o repositor Ricardo Tavares da Silva, ambos de 20 anos, foram mortos no bairro do Rio Pequeno, zona oeste de São Paulo, fora da área de atuação dos PMs de Osasco.

Os amigos trabalhavam com carteira assinada e não tinham passagens pela polícia.

Cinco testemunhas ouvidas pela Polícia Civil disseram que os policiais, fardados, estavam no Rio Pequeno em dois carros descaracterizados na madrugada do dia 1º.

Os jovens foram baleados, cada um com um tiro, quando estavam na moto de Oliveira. Eles ficaram caídos na calçada até que um carro oficial da PM chegou ao local para ajudar os PMs que estavam nos carros sem identificação.

Uma das testemunhas disse à polícia ter ouvido quando um dos PMs do carro oficial disse aos outros: “Vocês fizeram uma merda e agora terão de corrigir”.

Após a frase, segundo a testemunha, um dos PMs pegou um rádio, começou a atirar para o alto e a dizer que estava em um tiroteio com dois homens em fuga em uma moto.

Os jovens foram colocados nos carros da Polícia Militar e levados para um hospital em Osasco, distante 12 km de onde estavam. Oliveira chegou ao local com cinco tiros; Silva, com três.

Foram presos os PMs Marcelo Oliveira de Jesus, Raphael de Arruda Bom, Cringer Ferreira Prota, Denis da Costa Martins e Raphael Salviano Silveira. A reportagem não localizou advogados deles.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – PMs de Osasco são presos acusados de matar 2 jovens – 31/07/2012.

Menina leva tiro na cabeça em ação policial no Guarujá

Uma adolescente de 13 anos foi baleada na cabeça durante uma ação policial no Guarujá (a 86 km de São Paulo, na noite de anteontem.

Dois policiais militares do 21º Batalhão disseram à Polícia Civil que, durante um patrulhamento, foram recebidos a tiros ao entrar na favela Prainha. Testemunhas, porém, afirmaram que os PMs já chegaram atirando.

A estudante Noemi de Souza Rodrigues, 13, foi atingida na cabeça. A bala não perfurou o crânio da menina. Ela foi levada a um pronto-socorro e recebeu alta horas depois.

“Falta preparo para esses policiais. Minha filha poderia ter morrido”, disse a auxiliar de limpeza Iracema de Souza, 29, mãe de Noemi.

Na favela, os PMs apreenderam um revólver, uma pistola e 660 gramas de maconha.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Menina leva tiro na cabeça em ação policial no Guarujá – 28/07/2012.

Segurança, eleições e ideologia

O Blog do Pannunzio tem veiculado uma série de matérias sobre a violência policial em São Paulo. A preocupação  com o tema começou em 18 de fevereiro do ano passado, quando uma equipe da Corregedoria da Polícia Civil despiu à força uma escrivã acusada de concussão. O blog veiculou as imagens da desastrada e arbitrária prisão em flagrante e cobrou das autoridades providências para punir os delegados que protagonizaram o escândalo.

Desde então, o atual secretário de Segurança Antônio Ferriera Pinto vem deixando claro seu apoio a atitudes como aquela, que extrapolam o limite legal de atuação de policiais sob comando de sua pasta. Ele chegou a cumprimentar os policiais que prenderam a escrivã e relutou em demitir a corregedora Maria Inês Trefiglio, que dias depois do episódio vir a público foi defenestrada do cargo de confiança que ocupava pelo governador Geraldo Alckmin.

No dia 29 de maio passado, um episódio trágico revelou que as arbitrariedades continuavam sendo cometidas com o propósito de promover uma “faxina” a partir da eliminação física de pessoas com ou sem passado criminal. O caso ficou conhecido como a chacina do Bar Barracuda, em que uma equipe da ROTA, após a matança de cinco supostos traficantes, sequestrou, torturou e assassinou covardemente, em local ermo e distante da ocorrência, um homem sobre quem pesava a suspeita de ter assassinado um policial.

Esse episódio desatou uma reação do crime organizado desde sempre negada pela Secretaria de Segurança Pública. A partir de então, nove policiais militares foram executados brutal e covardemente pelos criminosos, em ações pontuais caracterizadas por assassinatos seletivos adredemente planejados. Todos eles estavam descaracterizados e foram pegos em horário de folga.

Na sequência dos acontecimentos, chacinas e “caravanas da morte” viraram lugar-comum na crônica policial, fazendo com que os índices de criminalidade disparassem em São Paulo. O resultado do enfrentamento só fez produzir mais e mais crimes, fazendo com que a sociedade se sinta cada vez mais enclausurada em bunkers domésticos  para fugir à sanha da violência.

Com a agudização da crise, os posts sobre o assunto se tornaram mais frequentes e as cobranças, mais rigorosas. Isso fez com que a maior parte dos leitores manifestasse, na área de comentários, opiniões divergentes da do editor deste blog. A despeito disso, as opiniões e as críticas continuam sendo veiculadas, até agora praticamente sem a necessidade de tornar a moderação mais rigorosa. Até o momento, apenas dois comentários injuriosos foram vetados.

Ocorre que muitos leitores, inclusive alguns que acompanham o blog há muito tempo, têm suspeitado de que o foco nos problemas da segurança paulista tem razões ocultas, de natureza eleitoral ou ideológica, o que absolutamente não é verdade. Desde seu nascimento, o Blog do Pannunzio adota uma postura crítica em relação aos abusos de qualquer natureza — morais, éticos, legais, de autoridade. O alvo do blog não é um governador, um governo, um partido. O alvo é o arbítrio, venha ele de onde vier.

A vida humana é o maior bem jurídico sob tutela do Estado. Nos dias de hoje, em São Paulo, há uma clara inversão de valores. Em nome da eliminação do crime organizado, muitos são os que acham que a polícia pode se arvorar o direito de aplicar sumariamente a pena de morte em que lhe convém. Foi o caso inequívoco do publicitário Ricardo Prudente,  morto porque furou um blitz policial. Foi o caso também do adolescente Bruno Vianna, morto em Santos pelo mesmo motivo. No incidente, três outros jovens saíram feridos a bala.

Não há coincidência entre as postagens e o cronograma eleitoral. Há, sim, coincidência com o recrudescimento da violência, pelo qual as autoridades constituídas têm o dever de responder. Deixar para abordar o morticínio somente após as eleições, pleito reiterado pelos eleitores tucanos, equipara-se ao casuísmo defendido pelos mensaleiros que só admitem ver o maior escândalo político da história do País ser julgado depois que o  voto tiver sido depositado na urna.

Apesar de considerar a política de segurança pública do atual governo uma lástima, o blog reconhece que o governador Geraldo Alckmin tem méritos em outras áreas. E, quando for o caso, sinto-me à vontade para elogiar o que merecer elogios e continuar criticando o que entendo ser incompatível com o respeito humano e a democracia.

O blog não está sozinho nessas críticas. Há uma parte da sociedade que, mesmo acuada, consegue ainda discernir que menos truculência e mais inteligência sem dúvida levariam a um resultado melhor na gestão do confronto entre a violência legítima e o crime organizado. Observe-se a posição do Ministério Público Federal. O posicionamento de ontem, em sintonia com diversas entidades que defendem os direitos humanos, é a melhor prova de que o embate ultrapassou todos os limites do suportável — e que tem surtido apenas efeitos deletérios, sem que se possa vislumbrar nada a não ser mais sangue no horizonte da guerra entre PM e bandidos.

Comando da PM é conivente com grupos de extermínio, afirma Inteligência da Polícia Civil

48% das vítimas de grupos de extermínio formados por policiais militares não têm passado criminal. A informação está contida em um estudo realizado pelo serviço de  inteligência do Departamento de Proteção à Pessoa da Polícia Civil de São Paulo. O levantamento, feito no ano passado, analisa 70 ocorrências, que resultaram em 152 mortes — todas com características de execução sumária e suspeita de participação de policiais militares.

A maior parte dos crimes — 55 , correspondentes a 78,6% dos casos — ocorreu na região da Quarta Seccional da Polícia Judiciária, na Zona Norte de São Paulo. A região é a mesma onde a última “caravana da morte” eliminou seis pessoas na madrugada de quarta para quinta-feira passadas.

O levantamento do DHPP demonstra que as vítimas do grupo são majoritariamente do sexo masculino (91%). Entre os que se sobreviveram aos ferimentos a bala, apenas 18% têm anotações em folha corrida. 82% jamais passaram por uma delegacia.

Os alvos dos grupos de extermínio com pendências criminais são preferencialmente pessoas acusadas de roubo (27%), tráfico (23%) e furto (15%). Em 39% dos casos não foi possível identificar a causa das execuções. Entre os motivos apontados para os demais, 20% foram cometidos por vingança, 13% foram justificados como “limpeza”, outros 13% foram catalogados como decorrentes de abuso de autoridade e 15% foram motivados por cobranças do trafico ou das quadrilhas que exploram o jogo ilegalmente.

Chama a atenção no levantamento a anotação de que armas e munição de uso exclusivo da Polícia Militar  foram utilizadas em 46 das 152 mortes analisadas. Exames balísticos demonstraram que os disparos foram feitos de uma mesma arma — um fuzil calibre .556. E em 11 execuções foi identificado o uso de uma arma comum, de calibre .40 ou .38.

Assasinos continuam impunes

O Blog do Pannunzio teve acesso ao conteúdo de um Relatório de Inteligência produzido pelo DHPP sobre a atuação do principal grupo de extermínio. Ele aponta o soldado PM Valdez Gonçalves dos Santos como chefe da quadrilha. O PM é acusado de matar pelo menos 23 pessoas e ferir outras 17. Mas o número de vítimas, de acordo com uma fonte que pede o anonimato, pode ultrapassar 50.

O relatório da Polícia Civil afirma que os grupos de extermínio são compostos “por policiais militares especializados em vitimar egressos,  toxicômanos  e  praticantes de pequenos delitos, com conivência e suporte da instituição policial militar, sempre havendo guarida de policiais militares fardados, que corroboram para a “ higienização social”, e “limpeza da área”.”

O relatório também revela os métodos dos assassinos:  ”Policiais militares em serviço agem com extremada truculência no labor policial, e mais, praticam desmandos, silenciam insurgentes e exterminam seus desafetos, utilizando-se da modalidade de atuação delitiva conhecida nas dependências militares como “caixa dois”.

O “caixa-dois” seria a tática segundo a qual um dos três integrantes de uma viatura desce do carro da PM, se descaracteriza e passa a orientar e executar os assassinatos.  De acordo com o RELINT, isso é feito para que o PM “possa livremente exaurir seus escopos criminosos, eximindo-se de responsabilizações por estar ficticiamente no interior da viatura policial militar, trabalhando, mas estando, na realidade, praticando extermínio”.

Os apontamentos da Inteligência do DHPP dão conta de que “para tais despropósitos ilícitos, contam com apoio integral de outros milicianos em serviço  e fruem uma estrutura organizada, onde costumeiramente emprega-se o peculiar modus operandi, sendo que policiais militares de serviço tocaiam a vítima, verificando a melhor oportunidade para a ação dos exterminadores, sendo que posteriormente os algozes abordam a vítima utilizando-se de vestimentas pretas, balaclavas e pistolas de calibre nominal .380 ou .9mm”.

A ação  dos policiais envolvidos, de acordo com as informações do RELINT, vai muito além do assassinato de seus alvos:  ”Além de monitorarem a vítima, também dão guarida à fuga dos algozes, bem como manipulam o local de ocorrência, recolhendo estojos e projéteis, lavando o sítio de prática criminosa, afugentando, ameaçando e coagindo testemunhas”.

Os investigadores da Polícia Civil a cargo do relatório afirmam que a ação é conhecida e apoiada pelo comandado da PM e também por empresários. “Obtivemos informações de que não bastasse a velada conivência do comando da polícia militar no brutal saneamento social, interessada na extinção de ações criminosas e na consequente queda de estatísticas criminosas, há também  o favorecimento da iniciativa privada, tendo em vista que comerciantes das adjacências remuneram os milicianos, incentivam o abate criminoso e dão guarida aos “ninjas”, como são conhecidos os policiais militares sancionadores da pena de morte”.

O Blog do Pannunzio solicitou informações à Secretaria de Segurança Pública sobre que providências foram adotadas a partir desse relatório e também sobre a situação funcional do Soldado Valdez, mas ainda não obteve resposta.

‘Corporação não vai se acovardar’, escreve comandante da PM no Facebook

Camilla Haddad

O coronel Roberval Ferreira França, comandante da Polícia Militar de São Paulo, que não tem se pronunciado publicamente sobre os últimos episódios envolvendo a corporação, divulgou nesta quinta-feira, 26, em sua página do Facebook uma carta sobre o trabalho da tropa. No texto, o oficial cita que a PM “é uma das mais bem preparadas e ativas polícias do país”. Diz, ainda, que neste ano a corporação teve mais de 50 policiais assassinados “covardemente” e outros 5 mil estão inválidos. O coronel termina o comunicado dizendo que a corporação não vai se acovardar.

Nos últimos dias a PM tem participado de uma série de ocorrências que levantaram polêmicas: na noite do dia 18, o publicitário Ricardo Pridente de Aquino, de 38 anos, foi morto com tiros na cabeça por dois soldados e um cabo. A equipe afirmou que houve uma perseguição pelas ruas de Pinheiros, na zona oeste, e que o publicitário não teria obedecido a ordem de parada, já que trafegava em alta velocidade. Os soldados Luis Gustavo Teixeira, de 27 anos, e Adriano Costa da Silva, 26, e o cabo Robson Tadeu do Nascimento Paulino, 30, estão detidos no Presídio Romão Gomes.

Na mesma noite, Bruno Vicente de Gouveia, de 19 anos, foi baleado e morto por PMs em Santos, na Baixada Santista. Ele e mais cinco amigos passavam de carro pelo morro da Nova Cintra, onde era feita uma abordagem policial, quando o motorista decidiu acelerar e fugir porque não tinha carteira de habilitação. A atitude deu início a uma perseguição que só acabou com bloqueio policial no morro São Bento. Os PMs deram mais de 25 tiros no carro em que os jovens estavam.

Nessa quarta-feira, 25, O Ministério Público Federal (MPF) afirmou que pretende entrar com uma ação civil pública pedindo o afastamento do comando da Polícia Militar alegando a perda do controle da situação.

Beba na fonte: ‘Corporação não vai se acovardar’, escreve comandante da PM no Facebook – saopaulo – saopaulo – Estadão.

Alckmin admite ‘meses difíceis’ e diz que não há relação entre crimes

Caio do Valle

Não existe ligação entre o assassinato de seis pessoas na madrugada desta quinta-feira, 26, na cidade de São Paulo e a emboscada sofrida por um policial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), na noite de segunda-feira, 23. Pelo menos é essa a avaliação feita pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

“Não há uma relação, provavelmente, entre um caso e outro, entre esses assassinatos. A polícia já está trabalhando”, afirmou ele na manhã de hoje.As mortes desta madrugada ocorreram nas regiões vizinhas do Jaçanã e Tremembé, na zona norte. Já o policial de 28 anos foi baleado, há três dias, no Jaçanã, quando voltava para casa. Isso reforça a suspeita de que os dois crimes possam estar relacionados. O agente de polícia sobreviveu e foi levado para a UTI.

Alckmin também admitiu que São Paulo enfrenta “meses difíceis” no que tange à violência. “Nós enfrentamos meses difíceis, especialmente o mês de junho e o mês de julho.”

Em seguida, o governador comparou a situação do Estado com o restante do País. “Analisando a série histórica, nós vamos verificar que nós saímos de 35 homicídios por 100 mil habitantes há 10, 11 anos para 10,3 no primeiro semestre deste ano. O Brasil tem 26 homicídios por 100 mil habitantes. Claro que não estamos satisfeitos e, por isso, o trabalho vai aumentar.”

De acordo com ele, a polícia está agindo “firme” no combate ao tráfico de drogas. “Inclusive, em cima das chamadas biqueiras, que são a ponta do tráfico. Houve uma reação grande das quadrilhas, do crime organizado.”

Beba na fonte: Alckmin admite ‘meses difíceis’ e diz que não há relação entre crimes – saopaulo – saopaulo – Estadão.

Procurador diz que PM ensina a usar violência e pede mudanças ao governo de São Paulo

No portal UOL

Em audiência pública realizada na tarde desta quinta-feira (26) na sede do Ministério Público Federal de São Paulo, o procurador da República Matheus Baraldi Magnani disse que aguarda uma imediata resposta do governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), para reprimir a violência de policiais na segurança. Caso contrário, Magnani afirma que irá protocolar um pedido para que o comando da Polícia Militar seja substituído.

Ontem, o MPF já adiantou que pretendia entrar com uma ação civil pública pedindo o afastamento do comando alegando “perda do controle da situação”.

Beba na fonte: Procurador diz que PM ensina a usar violência e pede mudanças ao governo de São Paulo – Notícias – UOL Notícias.

A reversão da curva da criminalidade e a intervenção no comando da PM

O Procurador Federal Mateus Magnani deve anunciar nesta quinta-feira que ingressará com uma ação civil pública para tentar forçar o governador Geraldo Alkcmin a trocar todo o comando da PM. A notícia surge num momento crítico para a segurança dos paulistas em geral e dos paulistanos em particular. Depois da vitoriosa redução dos índices de criminalidade conquistada nos governos anteriores, a política do extermínio do atual bota a perder todo o esforço despendido no passado.

É alarmante o aumento de 22% nos homicídios dolosos na cidade de São Paulo quando se cotejam os dados do segundo trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado. O levantamento, feito pela própria Secretaria de Segurança Pública, apenas quantifica algo que se pode sentir nas ruas: o pavor de viver numa cidade em que só se distinguem algumas ações da polícia e do crime organizado pelo uniforme de quem dispara a arma.

A crítica não tem por objetivo generalizar o estigma de que todos os policiais são maus. Mas está calçada na observação da estatística e nas declarações desastrosas dos comandante que dão ordens para que seus soldados adotem a lógica do crime organizado com a justificativa de exterminá-lo.

Nesse sentido, vale a pena ouvir o que têm a dizem entidades como o Movimento Nacional dos Direitos Humanos. Segundo seu coordenador, Rildo Marques de Oliveira, “há uma quantidade injustificável e enorme de pessoas mortas pela PM em crimes com características claras de execução sumária — com tiros na nuca de vítimas imobilizadas e incapazes de se defender”.Segundo o MNDH, pelo menos 11 adolescentes foram assassinados desta forma nos últimos dois meses.  Na sequência das execuções, invariavelmente os documentos das vítimas desaparecem e seus corpos dão entrada nos IMLs como indigentes.

“Há claramente uma política higienista, política de extermínio. Temos informações de que em vários batalhões têm sido formados grupos de extermínio” afirma Rildo Oliveira, certo de que as ações são autorizadas e orientadas pelos comandos.

Essas são as evidências que, uma vez apresentadas em audiência pública na tarde de hoje, vão embasar o pedido de intervenção na segurança pública paulista.

A medida tem tudo para não prosperar. Sua drasticidade equivaleria a uma uma desautorização sem precedentes na história. Mas a denúncia, diante da gravidade do que se suspeita estar acontecendo, vem em boa hora.

É preciso que o governo do estado atente para as consequências deletérias desse retrocesso, que devolveu à ROTA os estigmas dos anos Maluf em plena gestão tucana.

De outro lado, como apontam os dados que brotam da SSP, autorizar o extermínio de supostos criminosos não fez senão acirrar o problema.A despeito da matança desumana, nunca, nos últimos 18 meses, São Paulo foi uma cidade tão perigosa, com pessoas tão acuadas — agora também por quem deveria proteger a sociedade.

Se os números de sua política não dizem nada ao governador Geraldo Alkcmin, talvez a justiça Federal possa obrigá-lo a entender que a Lei de Talião da SSP não pode e não deve suplantar a Constituição brasileira.

Soldado da Rota sofre ataque na zona norte de São Paulo

O soldado Anderson Andrade de Sales, de 28 anos, das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar Rota, levou três tiros de fuzil às 21h de segunda-feira, 23, quando voltava do trabalho para a sua casa, no Jaçanã, zona norte da capital. Ele está internado no Hospital da Polícia Militar, na Água Fria, zona norte,  e, segundo a PM, seu quadro é estável. O soldado está consciente, aguardando no quarto para realizar uma cirurgia no fêmur, com fratura exposta por conta de um tiro. Os outros disparos pegaram no braço e na clavícula.De acordo com a PM, a emboscada aconteceu na Rua Flor de Ouro. Sales estava sozinho em seu EcoSport, quando foi fechado por um Uno. Os bandidos – a quantidade não foi informada – desceram e o balearam, fugindo em seguida. Os tiros foram disparados de um fuzil calibre 5.56.A Corregedoria da Polícia Militar investiga o caso junto com a Polícia Civil.  A PM informou que o soldado está na Rota desde 2010. O caso foi registrado no 73 ºDP Jaçanã.

Beba na fonte: Soldado da Rota sofre ataque na zona norte de São Paulo – saopaulo – saopaulo – Estadão.

Suspeito é baleado e morto por polícia em São Bernardo

RICARDO VALOTA

Um suspeito, ainda não identificado, teria atirado contra policiais militares da Força Tática, por volta das 19 horas de quinta-feira, após ser perseguido e parado na Rua Beira-Rio, no Parque São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. O homem ocupava um Polo prata roubado, de placas DRO 9488, de São Bernardo do Campo.

Mesmo encaminhado para o pronto-socorro central municipal, o suspeito não resistiu e morreu. No boletim registrado no 1º Distrito Policial de São Bernardo, pelo delegado Rodrigo Augusto Davi, não consta a arma que o ocupante do veículo portava no momento do suposto confronto com a PM.

Anhanguera

Por volta das 19h45 da quinta-feira, dois homens foram abordados por policiais rodoviários na pista sentido capital da Rodovia Anhanguera, no quilômetro 23,4, região de Perus, na zona norte de São Paulo.

Segundo o boletim de ocorrência registrado no 33º Distrito Policial, de Pirituba, um dos suspeitos portava uma arma de brinquedo e teria feito um movimento que levou os policiais militares a pensar que fosse atirar.

O suspeito foi baleado e morreu. O corpo foi preservado pelos policiais até a chegada da perícia. O segundo suspeito abordado, identificado como Uelinton Rubens da Costa, foi detido no local e levado para a delegacia.

Beba na fonte: Suspeito é baleado e morto por polícia em São Bernardo – geral – geral – Estadão.

‘Ele era tudo o que eu tinha’, diz mulher de publicitário morto por PMs

Fabiano Nunes e Isadora Peron

Uma execução. É assim que Maria Alice Prudente de Aquino e Silva, de 72 anos, tia de Ricardo Prudente de Aquino, descreve a morte do sobrinho por policiais militares. Indignada, ela culpou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, pelo assassinato. “Como um governo não consegue treinar a sua polícia? Só espero que isso nunca aconteça com os filhos deles, que devem ter a mesma idade e devem ter crescido frequentando os mesmos lugares.”

Três disparos foram dados a curta distância e dois deles acertaram a cabeça do publicitário
A publicitária Lélia Pace de Aquino, de 35 anos, viúva do empresário, disse que o episódio é um pesadelo. “Ele era minha família. Era tudo o que eu tinha. Não sei como vou continuar.”

Para Lélia, a versão da polícia de que o marido foi perseguido precisa ser investigada. Segundo ela, o carro de Aquino foi encontrado perto do meio-fio, como se tivesse sido estacionado, algo que dificilmente ocorreria se estivesse em alta velocidade.

Amigos e parentes também não acreditam na hipótese da fuga. “Ele era uma pessoa do bem, não teria por que fugir de uma abordagem policial. Está tudo muito esquisito”, disse Tsuli Marimatsu, amiga do casal.

A irmã do publicitário, Fernanda de Aquino, disse ter medo de dar declarações por causa da PM. A prima Cláudia Sacramento também não acredita na versão da polícia. “Tudo o que a gente sabe é especulação. Não tenho como dizer alguma coisa. A única versão que nós temos é a dos policiais que foram presos.” Após deixar o IML na tarde desta quinta-feira, 20, as duas foram ao 14.º DP (Pinheiros) fazer boletim de ocorrência, pois só haviam recuperado a carteira de identidade de Aquino. “Todos os outros pertences – carteira, cheques, sumiram”, disse Fernanda.

Visita. Na manhã desta quinta, o tenente da PM Gilberto Evangelista, integrante do 23.º Batalhão da PM, a mesma unidade dos policiais responsáveis pela morte do empresário, esteve na casa da vítima. “Ele disse que não era uma visita oficial, mas que estava envergonhado com o que aconteceu e pediu desculpas”, afirmou Tsuli. Evangelista permaneceu no apartamento, na Vila Madalena, por dez minutos. Parentes e amigos protestaram contra a ação da PM.

Ao deixar o local, a mãe da vítima, Carmen Sacramento, não quis falar com a imprensa. “Você quer que eu diga o quê? Que eu vou sentir muito a falta dele?” Carmen afirmou, no entanto, que sempre vai lembrar que foi muito amada pelo filho.

Beba na fonte: ‘Ele era tudo o que eu tinha’, diz mulher de publicitário morto por PMs – saopaulo – saopaulo – Estadão.

Em Santos, PM persegue carro e mata jovem

Duas horas depois de o empresário Ricardo Prudente de Aquino ser morto pela PM no Alto de Pinheiros, zona oeste paulistana, policiais militares mataram, com um tiro na cabeça, Bruno Vicente de Gouveia e Viana, 19, também durante perseguição.

Ao lado de cinco amigos, Viana estava em um Gol, que foi perseguido por PMs em Santos (a 85 km de São Paulo), por volta da 0h15 de ontem.

Além dele, uma garota de 15 anos -que foi internada em estado grave- e um jovem de 20 também foram baleados pelos policiais na ação.

A perseguição, conforme relatos dos policiais militares à Polícia Civil, começou porque o motorista do Gol, um homem de 28 anos, não obedeceu a uma ordem de parada.

Os PMs disseram acreditar que o veículo era usado em um sequestro-relâmpago. Afirmaram, ainda, que, em determinado ponto da perseguição, tiros foram disparados de dentro do carro na direção dos veículos da polícia.

Por isso, ainda na versão dos policiais, eles atiraram 25 vezes no Gol. Os três jovens baleados pelos PMs estavam no banco traseiro do carro. Nenhum policial foi ferido durante o suposto tiroteio.

VERSÕES

Depois de parar o carro a tiros, os PMs levaram os três jovens baleados ao hospital, mas Viana não resistiu ao ferimento na cabeça e morreu.

Os policiais também apresentaram à Polícia Civil uma arma de brinquedo e um revólver calibre 22 que, segundo eles, foi usado para atirar contra os veículos da PM.

Ao ser interrogado pela Polícia Civil, o motorista do Gol afirmou que tentou fugir da ação policial porque não tinha carteira de habilitação.

Tanto o motorista quanto os outros dois ocupantes que não foram baleados disseram à Polícia Civil que ninguém atirou. Afirmaram, ainda, que o revólver apresentado como encontrado no Gol não pertencia a nenhum deles.

PRISÕES

Após analisar as versões dos policiais e das pessoas que estavam no Gol e sobreviveram aos tiros, a Polícia Civil prendeu em flagrante os quatro policiais militares que atiraram contra o veículo.

Exames de balística determinarão quem foi o policial que atirou contra Viana.

Parentes dos jovens disseram ter sido informados por eles de que Viana não havia sido atingido por nenhum tiro durante a perseguição. Na versão deles, o tiro que o matou foi dado pelos PMs com o veículo já estacionado.

Depois de assumir o erro na morte do empresário Aquino e pedir desculpas publicamente à família da vítima, o comandante-geral interino da Polícia Militar paulista, coronel Hudson Camilli, defendeu a ação dos PMs no litoral. Segundo ele, os policiais agiram dentro da lei.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Em Santos, PM persegue carro e mata jovem – 20/07/2012.

‘A gente espera que a PM nos defenda, não nos mate’

“Não se aborda uma pessoa com um tiro”, afirmou a artesã Claudia Sacramento, 44, prima de Ricardo Prudente de Aquino.

Ela disse que a mulher da vítima, Lelia de Aquino, foi avisada pela Polícia Civil na madrugada de ontem de que seu marido teria se envolvido “num acidente de carro”.

Na delegacia, soube que ele já estava morto.

Folha – Como a família vê essa ação da polícia?
Cláudia Sacramento – Não se aborda uma pessoa com tiro, não é dessa forma que você tem que agir. Se quer parar [o carro], pode atirar num pneu, em qualquer coisa, não na cabeça para matar.
Não tem como receber [a notícia] de uma forma boa. A gente espera que a polícia que está aí fora defenda a gente e não nos mate. A conduta deles é a pior possível, não é a conduta de um ser humano que está aí e que eu pago para que ele me defenda.

O que a família espera?
Esperamos que a polícia possa punir esses policiais. É a única coisa, queremos justiça, porque amanhã pode ser o filho, o primo, o irmão de outras pessoas. Eu não gostaria que o policial agisse assim nem com um marginal nem com alguém que não tem passagem [pela polícia] e está apenas voltando para casa.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – ‘A gente espera que a PM nos defenda, não nos mate’ – 20/07/2012.

PM erra, mata empresário e pede desculpas

GIBA BERGAMIM JR. E ANDRÉ CARAMANTE

O empresário Ricardo Prudente de Aquino, 39, foi morto por policiais militares com dois tiros na cabeça anteontem à noite, quando, segundo a PM, fugia de um cerco no Alto de Pinheiros, área nobre da zona oeste paulistana.Ao menos sete tiros foram disparados pelos policiais -todos de curta distância, conforme análise preliminar da perícia. Os PMs disseram ter confundido o telefone celular de Aquino com uma arma.O empresário voltava em seu Ford Fiesta da casa de um amigo, em Alphaville Barueri, na Grande SP, quando, afirma a polícia, ignorou ordem de parar feita por PMs próximo à rua Natingui, na Vila Madalena zona oeste.Carros e motos da PM se envolveram na perseguição, que durou cerca de dez minutos e terminou na avenida das Corujas, em trecho com pouca iluminação e muitas árvores. Segundo a polícia, o carro de Aquino chegou a ser perdido de vista até ser interceptado pela Força Tática.Dois soldados e um cabo foram presos em flagrante e indiciados sob suspeita de homicídio doloso com intenção.No Fiesta, havia quatro estojos deflagrados de pistola.40 -o que reforça que os disparos foram de muito perto. Também foram achados no carro o celular da vítima -no assoalho- e 50g de maconha. De acordo com a polícia, ninguém testemunhou o crime.REPERCUSSÃOO caso gerou grande repercussão, o que fez um tenente da PM ir à casa do empresário, na Vila Madalena -ele pediu “perdão” aos familiares e disse “estar envergonhado”. O tenente é do mesmo batalhão dos PMs envolvidos.Mais tarde, o comandante-geral interino da PM paulista, coronel Hudson Camilli, pediu desculpas publicamente à família de Aquino e à sociedade, embora tenha dito que, “tecnicamente”, a operação dos PMs “foi correta”.O episódio também levou o governador Geraldo Alckmin PSDB a emitir nota lamentando a morte e a convocar o secretário da Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, para reunião. O secretário não falou sobre o caso.O advogado dos policiais, Fernando Capano, disse que o clima de tensão vivido pelos PMs nos últimos meses, quando oito deles morreram em crimes com características de encomendado, pode ter influenciado o comportamento deles na abordagem.Para ele, embora o desfecho tenha sido “trágico e triste”, os PMs agiram “no estrito cumprimento do dever”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – PM erra, mata empresário e pede desculpas – 20/07/2012.

Extermínio: Em apenas quatro horas, polícia mata 8 suspeitos na Grande SP

ANDRÉ CARAMANTE

A onda de violência iniciada há um mês na Grande São Paulo, quando policiais militares de folga passaram a ser alvo de atentados e mortos, teve um novo capítulo entre a noite de quinta e a madrugada de ontem: em quatro horas, oito suspeitos foram mortos por PMs em seis ocorrências.

Em todos os casos, a versão dos policiais para as mortes é a mesma: eles faziam patrulhamento, desconfiaram de veículos, deram ordem de parada e houve fuga, perseguição e tiroteio.

Em nenhuma das seis ocorrências, duas delas envolvendo a Rota, PMs se feriram.

Um dos mortos é suspeito de ter atirado contra uma base fixa da PM em Parelheiros, bairro da zona sul paulistana.

O saldo das mortes em quatro horas ficou bem acima da média diária registrada entre janeiro e maio deste ano no Estado, segundo a Corregedoria da PM -1,7 ao dia.

A letalidade policial no mesmo período, neste ano, subiu 4,5% em relação ao ano passado: 268 mortos contra 256 em 2011.

“Existe omissão por parte dos responsáveis pela Segurança Pública em São Paulo. Por isso, é difícil responder ao certo o que acontece atualmente. Mas é certo que a polícia está matando mais e isso pode indicar uma falta de controle dentro da PM. Estamos em um período do tudo pode”, disse Guaracy Mingardi, pesquisador da FGV e ex-diretor da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

A recente onda de violência em São Paulo começou há um mês, após a morte de sete PMs na segunda quinzena de junho, todos de folga e em crimes com características de homicídios encomendados.

No período, 15 ônibus foram incendiados e cinco bases da Polícia Militar, atacadas.

Setores de inteligência das polícias investigam se mortes de PMs e de civis na Grande São Paulo, desde o mês passado, são consequência de uma guerra entre quadrilhas de traficantes, de policiais militares ou se foram encomendadas por integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Na madrugada de quinta, seis homens encapuzados mataram oito pessoas em Osasco, também na Grande São Paulo. Nesse caso, a polícia trabalha com várias hipóteses -desde briga entre traficantes até o envolvimento de PMs.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Em apenas quatro horas, polícia mata 8 suspeitos na Grande SP – 14/07/2012.

Bandidos acabam de executar mais um policial em São Paulo

Um policial militar foi morto agora há pouco por dois motociclistas no bairro do Pacaembu, um dos mais nobres de São Paulo. A execução aconteceu agora há pouco na rua Almirante Pereira Guimarães, na altura no número 200. O local fica a cerca de 500 metros da sede da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

O policial estava à paisana. Ele descia a rua com uma agenda na mão quando os dois assassinos o abordaram. Um dos criminosos desceu e disparou seis tiros. Ferido, o homem ainda tentou correr, mas logo perdeu as forças  e caiu.

Ainda não há dados sobre a identificação da vítima. A informação de que é da PM foi dada pelo soldado que atendeu a ocorrência. A viatura que esteve no local ainda tentou levar o homem para um hospital, mas ele já havia morrido.

Este é o décimo policial executado pelo crime organizado. É a primeira vez que uma execução ocorre longe da periferia conflagrada de São Paulo.

A Secretaria de Segurança Pública ainda não admitiu claramente a gravidade da situação e continua negando que essas mortes estejam sendo engendradas pelo PCC, organização cuja existência é negada pela cúpula da SSP.

Alô Secretaria da (in)Segurança Pública: quem está ganhando a guerra ?

É um placar funesto. Foram seis mortos do lado do crime organizado (um deles executado friamente por policiais da ROTA) contra nove policiai abatidos pelo PCC. Quem está ganhando a guerra ?

Na noite passada, dois bandidos foram mortos. Um deles, de acordo com a versão da PM, tentou lançar uma granada contra uma viatura policial. Temos, então, 9 X 8 para o crime organizado.Mas também houve mais uma base policial atacada. E os ônibus continuam sendo incendiados.

Repito a pergunta: quem está ganhando a guerra ?

O carro do presidente do Tribunal de Justiça foi cercado por bandidos. Um chefe de Poder, apesar de sua escolta pessoal, foi atacado. Quem está ganhando a guerra ?

As mortes seletivas de policiais militares continuam acontecendo. Os PMs estão assustados e amedrontados. Saem para trabalhar sem a expectativa de voltar. Ninguém sabe quais são os critérios do crime organizado para a escalação dos que irão morrer. Com uma tropa acuada, quem está ganhando a guerra psicológica do crime ?

A população sobrevive apavorada em meio a uma aumento drástico dos índices de criminalidade. O transporte público é prejudicado, aumentam as dificuldades para ir ao trabalho.

A classe média se tranca em casa, evita restaurantes que podem ser alvo dos arrastões. Gasta fortunas construindo fortalezas eletrônicas para se precaver da ação dos bandidos.

Comerciantes são impedidos de trabalhar. Escolas dispensam alunos ao menor sinal de que mais uma vez o toque de recolher foi decretado na periferia.

Quem está perdendo a guerra ?

El Pais, da Espanha, vai escancarar ação da PM nas UPPs cariocas


O jornal espanhol El Pais vai veicular uma reportagem sobre o combate ao crime nas Unidades de Polçiia Pacificadora do Rio de Janeiro. Um fotógrafo a serviço do periódico acompanhou uma operação da polícia que resultou em um policial ferido pelos bandidos da Favela São Carlos no dia 7 do mês passado. As cenas registradas são impressionantes.
Na chamada da matéria especial, o jornal antecipa que “muitos vêm as UPPs como uma solução provisória que visa acobertar a violência”, e aposta que tudo voltará a ser como antes quando passarem os jogos olímpicos de 2016.

Beba na fonte: clique aqui para ler a matéria no site do El País

Após novos ataques, viações tiram ônibus das ruas e comércio fecha

ANDRÉ CARAMANTE E AFONSO BENITES

Ônibus queimados, viações recolhendo veículos, comércio fechado com medo de saques e protesto de moradores que ficaram a pé.

Os casos de violência em São Paulo, principalmente nos extremos das zonas sul e leste, aumentaram nos últimos dias -no Capão Redondo, 11 pessoas foram mortas em seis dias.

Desde sexta, o policiamento foi reforçado após o assassinato de seis PMs. No fim da noite de ontem, a falta de transporte coletivo em alguns bairros era reflexo dos ataques ocorridos no dia anterior.

Na noite de anteontem, as empresas Sambaíba e Transcooper retiraram os ônibus das ruas após três veículos terem sido queimados por criminosos nas zonas norte e sul.

A falta de transporte causou protesto de usuários, que chegaram a fechar a avenida Cruzeiro do Sul (na zona norte). No total, dez ônibus foram atacados desde o dia 13.

Na região do Sacomã e da Vila das Mercês (zona sul), perto de onde um ônibus foi queimado antes, a polícia orientou comércios e escolas a fechar para evitar saques.

A cena se repetiu ontem à tarde, apesar de a PM afirmar que a situação era tranquila.

Por volta das 22h de ontem, um grupo de 20 homens incendiou um ônibus em Ferraz de Vasconcelos (na Grande São Paulo). Segundo a PM, ninguém ficou ferido.

LOJAS FECHADAS

“Tive que buscar minha filha mais cedo porque o pessoal ouviu dizer que teve toque de recolher. Mesmo sabendo que não era verdade, fui, com medo”, disse o taxista Luis Bravo.

Sem dar explicações, a empresa ViaSul recolheu parte dos ônibus na região.

A polícia investiga se as mortes de PMs e os ataques a ônibus estão ligados ao grupo criminoso PCC (Primeiro Comando da Capital). A polícia suspeita que as ações são uma retaliação à operação da Rota que deixou seis mortos, em maio, e à transferência de um dos chefes da quadrilha para um presídio de segurança máxima.

Para o secretário-adjunto da Segurança Pública, Jair Burgui Manzano, as mortes dos policiais e os ônibus queimados são “eventos isolados”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Cotidiano – Após novos ataques, viações tiram ônibus das ruas e comércio fecha – 28/06/2012.

Coronel que liderou massacre de Eldorado dos Carajás é preso no Pará

Carlos Mendes

Dez anos após a condenação e depois de perder todos os recursos judiciais para anular a sentença, o coronel da Polícia Militar do Pará, Mário Colares Pantoja, e o major José Maria Oliveira, acusados de liderar o massacre de Eldorado dos Carajás, no qual 19 trabalhadores sem-terra foram mortos pela PM em 1996 durante a desobstrução de uma rodovia, terão de cumprir desde esta segunda-feira, 7, a pena em regime fechado.

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Pantoja, condenado a 228 anos, apresentou-se espontaneamente no Centro de Recuperação Especial Anastácio das Neves, uma penitenciária para policiais e ex-policiais localizada em Santa Isabel, a 45 km do centro de Belém.

Oliveira, que pegou 158 anos e quatro meses, não se apresentou porque alega ainda não ter sido notificado pelo juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Belém, Edmar Pereira. A ordem é conduzir o major para a mesma penitenciária onde se encontra o coronel. “Se ele for notificado, irá recorrer. Houve uma decisão do ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, no nosso entendimento, ainda não foi publicada. Portanto, não há transitado em julgado, e cabe recurso”, explicou o advogado Arnaldo Gama, defensor de Oliveira.

O processo contra os militares transitou em julgado em abril e o STJ determinou ao Tribunal de Justiça do Pará que a sentença fosse imediatamente cumprida. Pantoja, segundo um policial, disse ao apresentar-se na penitenciária que lamentava a ausência do ex-governador Almir Gabriel no processo que o condenou. O coronel sustentou, durante o julgamento, que Gabriel exigiu que a estrada bloqueada pelos sem-terra fosse “liberada de qualquer maneira” pela PM.

O ex-governador alega que o comando da PM, à época, tinha plena autonomia para tomar decisões. O coronel Fabiano Lopes, que era o comandante-geral, porém, não foi indiciado. Pantoja e Oliveira afirmam que ficaram “sozinhos” no episódio.

O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Pará, Ulisses Manaças, disse que a prisão dos oficiais, “embora tardia”, veio reparar um fato “emblemático para o movimento e para os direitos humanos no Brasil”. Segundo Manaças, a ordem de prisão poderá ter reflexo na impunidade que protege outros crimninosos que atuam no campo no Pará.

A morte dos 19 agricultores foi um dos episódios mais sangrentos da luta pela terra no país. A rodov ia PA-150 foi ocupada por 1,5 mil trabalhadores rurais que reivindicavam a desapropriação de fazendas da região para distribuição aos clientes da reforma agrária. Pelotões da PM de Marabá e Parauapebas, com um total de 155 homens, segundo depoimentos, chegaram ao llocal do bloqueio atirando. Os sem-terra atacaram com paus e pedras. Resultado: 19 mortos e 66 feridos.

via Coronel que liderou massacre de Eldorado dos Carajás é preso no Pará – politica – politica – Estadão.

Execução sumária é a pena imposta a policiais que investigam grupos de extermínio da PM paulista

Não deixe de assistir à reportagem de Sandro Barboza exibida hoje no Jornal da Band. É estarrecedora. Revela o castigo supremo imposto aso policiais que ousam investigar os grupos de extermínio formados dentro da Polícia Militar de São Paulo: a execução sumária.

É essa polícia assassina que zela pela segurança da população indefesa de São Paulo.

Diante das revelações, nenhuma palavra do governador Geraldo Alckmin nem do secretário de Segurança Pública Antônio Ferreira Pinto. Egresso da PM, Ferreira Pinto tem sido sistematicamente acusado de engavetar relatórios de inteligência produzidos pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil.

Daqui a pouco, volto para comentar o assunto.

Assista à reportagem em que Sandro Barboza mostra como a SSP de SP age para acobertar PMs do PCC

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=BMNHj1FAxrg[/youtube]

Secretaria de Segurança Pública de SP acoberta PMs corrompidos pelo PCC

O repórter Sandro Barboza mostrou agora há pouco, no Jornal da Band, algo estarrecedor: a Secretaria de Segurança Pública de são Paulo  estaria acobertando policiais militares que trabalham para o PCC — Primeiro Comando da Capital — apesar da farta documentação  produzida pela Divisão de  Inteligência do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) dando ciência do envolvimento de parte da tropa com a organização criminosa.

Os primeiros documentos divulgados hoje revelam que, embora informado de que PMs fazem jornada dupla como gendarmes do “Partido” (é assim que eles se referem ao PCC), o Secretário de Segurança Pública Antônio Ferreira Pinto mandou engavetar investigações sem que ninguém fosse punido.

O Departamento de Inteligência do DHPP vem produzindo informações sobre corrupção e crimes cometidos por policiais militares há muito tempo. Apesar de indicarem os desvios de conduta, os relatórios produzidos (chamam-se RELINTs – Relatório de Inteligência) não provocaram a abertura de inquéritos policiais e foram ocultados do Ministério Público, contrariando o que manda a lei, embora tenham sido encaminhados formalmente ao gabinete de Ferreira Pinto.

O secretário, egresso da PM, tem sido acusado  de transigir com excessos dos soldados enquanto aperta o torniquete da corregedoria  contra os policiais civis. No ano passado, ele atuou deliberadamente para arquivar a chamada Operação Pelada, denunciada por este blog e pelo repórter Sandro Barboza  no Jornal da Band (dentro de instantes vou publicar um post relembrando o caso).

Um dos investigadores da equipe do DHPP, entrevistado pelo repórter da Band, foi taxativo: segundo ele, o secretário foi informado dos crimes atribuídos aos PMs. Foi dele a decisão de arquivar os relatórios.

O caso conhecido hoje decorreu das investigações do assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva. Ele morreu em maio do ano passado dentro do campus da USP. Dois ladrões, Irlan Graciano Santiago, conhecido como Queirós, e outro mencionado apenas como  Lanlan, assumiram o crime e declinaram as razões: o estudante teria reagido ao assalto. O crime teve enorme repercussão e provocou o aumento do policiamento ostensivo na USP. A responsabilidade pelas rondas foi delegada ao 16º BPM.

Ao investigar esse crime, policiais civis do DHPP descobriram que Lalan e Queirós haviam se envolvido em outro assassinato. Eles executaram, a mando do PCC, um ladrão chamado Fernando Alvez de Oliveira, companheiro de “partido”. A execução foi determinada pelos chefes do PCC na favela San Remo, conhecidos como Irmão Peu, Irmão Caveira e Irmão Túlio. A  favela fica ao lado da USP. A vítima teria se desentendido com os líderes do PCC por causa da partilha de uma carga roubada de reagentes químicos que seriam utilizados para o refino de cocaína.

Ao investigar as conexões entre os cinco bandidos, o DHPP descobriu que os assassinos “sempre sempre praticaram roubos no interior da USP sem gerar consequências de maiores gravames, podendo ser reconhecidos pelas suas diversas e impunes ações dentro dos portões da Cidade Universitária”, conforme o RELINT nº 8/2011. A explicação para a impunidade: sua “periculosidade, as “fortes relações com o PCC ” e “por pagarem semanalmente elevados valores aos policiais militares que atuam na região”. Encaminhado ao gabinete do secretário Ferreira Pinto, esse relatório mereceu o mesmo destino de muito outros — a gaveta.

A afirmação de que policiais militares recebiam propina de bandidos que agiam dentro da USP não gerou nenhuma consequência. Apesar de alertado, o secretário nada teria feito para elucidar a denúncia. E ainda ampliou a participação do batalhão dos PMs sob suspeita na área de atuação dos bandidos que, supostamente, pagavam a eles por proteção e imunidade.

Certo é que os bandidos pareciam tão tranquilos que eram vizinhos de muro do batalhão — e ali mesmo, num beco lindeiro ao destacamento, desenvolviam sua atividade principal, o tráfico de drogas. As facilidades eram tão grandes que eles mantinham uma “biqueira”  (boca de fumo, ponto de venda de drogas) a poucos metros de distância do 16º BPM.

Não se sabe se o governador Geraldo Alkmin foi ou não comunicado por seu secretário dos problemas na vizinhahnças do Palácio dos Bandeirantes. A despeito de ter feitos várias tentativas de entrevistar autoridades do governo paulista — o secretário Ferreira Pinto e o próprio governador entre elas — o repórter da Band não conseguiu nenhuma fonte disposta a responder suas indagações.

O impacto da revelação é enorme. Diz respeito à próprio segurança de Alkmin. O 16º BPM é o responsável também pelo policiamento do bairro onde estão situados o gabinete e a residência oficial do governador. O  Morumbi, que concentra boa parte do PIB paulistano, tem sido sobressaltado diariamente por notícias de roubos a residências, a maior parte cometida com o uso de excessiva violência.

Talvez o desprezo aos relatórios de inteligência ajude a explicar a onda de violência que assola o reduto mais nobre da Zona Oeste de são Paulo. Se policiais recebem dinheiro para acobertar ladrões que atuam na maior universidade do País, não há como não inferir a possibilidade de que outras ações delituosas, praticadas por esses mesmos bandidos, não tenham sido igualmente protegidas pela ação da quadrilha encastelada na PM.

De acordo com o ex-Secretário Nacional Antidrogas Walter Mayerovitch, a descoberta de Sandro Barboza deixa a nu uma perspectiva assustadora: a de que o PCC, vitaminado pela corrupção que contamina a PM paulista, já tenha se imiscuído no Estado, contratando bandidos de farda para o cometimento de crimes que antes eram perpetrados por bandidos sem farda.

Intrigas, arapucas e camas-de-gato: assim correm os dias na SSP-SP

Um inferno. É assim que os espectadores definem o clima na sede da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. A tensão crescente entre as polícias civil e militar e, mais acima, nas relações entre o governador Geraldo Aclkmin e o secretário Antônio Ferreira Pinto dão o mote do  delicado momento político. Egresso do Ministério Público e da Polícia Militar, Ferreira Pinto tem sido responsabilizado por manobras políticas desastradas para tentar sobreviver às tempestades que cercam a pasta desde a posse do governador, em janeiro último.

“A batata do secretário foi colocada no forno quando a casa do ex-secretário Saulo de Castro foi assaltada; assou quando se descobriu que ele havia sido informado, por ofício, dos abusos dos corregedores [que despiram na marra uma escrivã] e nada fez para puni-los; e agora está gratinando com a revelação do vídeo em que ele aparece vazando informações para derrubar o Túlio Kahn, um dos homens de confiança de Alckmin”, disse uma fonte ao Blog do Pannunzio.

A tentiva de caracterizar a série de trapalhadas como “manobras da banda podre da polícia civil” não prosperou. No Bandeirantes, Ferreira Pinto tem sido responsabilizado pelo aumento das hostilidades entre policiais militares e civis. O governador teme que a radicalização possa provocar uma situação de caos e descontrole caso a promessa de uma greve dos agentes e delegados ganhe corpo e se efetive. “Ninguém sabe o que poderia acontecer numa situação como essa, já que as duas corporações estão no limiar do ódio recíproco”, assevera a fonte.

Alckmin, por seu turno, está encurralado entre a necessidade de substituir seu assessor mais problemático e a inconveniência de fazê-lo agora. “Isso poderia parecer capitulação diante das afrontas dos policiais civis”, pondera o informante do Blog. “O problema é que essa situação acaba gerando ainda mais instabilidade”.

O estopim da crise remonta ao mês de agosto de 2009. Foi quando o atual secretário, que havia sido recentemente transferido da Secretaria de Administração Penitenciária para a SSP, editou o decreto nº 54.710, que subordinou a Corregedoria da Polícia Civil diretamente a seu gabinete. “Foi um erro. Assim, Ferreira Pinto passou a assumir toda a responsabilidade também pelos excessos dos corregedores”, avalia a fonte.

O decisão do secretário foi tomada para que ele se acercasse de que todo o rigor seria empregado na apuração de desvios de conduta praticados por policiais civis. Mas logo pipocaram denúncias que Ferreira Pinto estaria ciente dos excessos cometidos na “limpeza” da Polícia Civil sem nada fazer para contê-los.

O caso que gerou mais comoção foi denunciando por este Blog (leia aqui) e pela Rede Bandeirantes há três semanas: a imposição de sevícias morais à escrivã V.F.L.S., acusada de concussão. Ela foi algemada e despida à força nas dependências do 25º DP por uma equipe de corregedores.

O escândalo resvalou no Secretário, que conseguiu administrá-lo quando exonoerou, a contragosto, a corregedora-geral Maria Inês Trefiglio Valente. Mas as sequelas do episódio ainda são como feridas abertas pelo onus político imposto ao governo estadual. Antes de sair, ela afirmou, de maneira incisiva, que o secretário havia sido informado do caso. Testemunhas do episódio asseguram que Ferreira Pinto chegou a cumprimentá-la pela ação destemperada de seus homens. Nada disso foi esquecido.

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Paradoxalmente, casos ainda mais rumorosos protagonizados por policiais militares permanecem impunes. O mais notório envolve 14 PMs da ROTA, a temida tropa de choque paulista, que plantaram drogas em um galpão na Zona Leste da cidade em outubro de 2009. Assim como no caso da escrivã, a farsa da ROTA também filmada — não por corregedores, e sim por cameras de segurança que os PMs localizaram, mas não conseguiram destruir.

O video, que teve trechos amplamente divulgados pela imprensa no fim do ano passado, pode ser integralmente assistido acima. Apesar do registro das imagens, até hoje um Inquérito Policial Militar se arrasta enquanto os policiais permanecem em atividade, como se nada tivesse acontecido.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, 13PMs que participaram da fraude foram afastados das ruas. Estariam agora prestando serviços internos enquanto aguardam a conclusão do IPM . Mas a própria SSP admite que pelo menos um deles, o sub-tenente Helder Antônio de Freitas, comandante de uma das três viaturas que estiveram no barracão, já foi reincoporado às patrulhas. O assesor que atendeu o Blog afirmou que a reincorporação aconteceu porque “não há evidências claras de que tenha participado diretamente da operação”.

O Blog do Pannunzio solicitou, na quinta-feira da semana passada, informações à assessoria de imprensa da SSP sobre a data do afastamento dos policiais,  mas ainda não obteve resposta.

O Secretário de Segurança Pública Antônio Ferreira Pinto foi informado por ofício, pelo comando da PM, dos nomes de todos os policiais plantadores de drogas. Em seguida, encaminhou, também por ofício, os nomes dos PMs à justiça, como se pode ver no destaque ao lado.

O Blog teve acesso ao inquérito que corre em segredo de justiça. E decidiu não publicar os documentos na íntegra para não molestar o direito de defesa dos envolvidos, a despeito da convicção de que apenas criminosos perigosos poderiam protagonizar cenas como essas.

O que chama a atenção quando os dois casos são comparados é a diferença no rito adotado em processos contra policiais civis e militares. A escrivã seviciada pelos corregedores foi expulsa da Polícia civil menos de 15 meses após ter sido presa em flagrante. Os PMs, no entanto, permencem trabalhando e recebendo do Estado, apesar das evidências cabais dos  crimes gravíssimos por eles cometidos.

Quando forem a julgamento, fatalmente serão condenados por tráfico de drogas e abuso de autoridade. Só essa presunção  já justificaria seu isolamento de um tropa que não está imune aos péssimos exemplos de companhias assim tão deletérias.

Não cabe aqui responsabilizar o secretário pela diferenças no rito. Mas há evidências de erros políticos absurdos que deram causa a todo o movimento de confrontação que se vê hoje nas delegacias de São Paulo.

Antônio Ferreira Pinto, apesar das trapalhadas das últimas semanas, é considerado por todos um homem honrado. Enfrentou com coragem a máfia do DETRAN, atuou com firmeza para extirpar funcionários públicos corruptos das corporações que têm como prerrogativa o exercício da vilência legítima. Salvo os que acreditam apenas na manipulação dolosa das estatísticas da violência, é notório o reflexo da limpeza da polícia  sobre os índices de criminalidade, que foram drasticamente reduzidos nos últimos anos.

Suas credenciais, no entanto, não lhe dão o direito de acobertar exorbitâncias como a Operação Pelada. Também não é aceitável que um assessor direito do governador traia a confiança do chefe e busque resolver nos jornais aquilo que deveria fazer de ofício — caso da demissão de Túlio Kahn da Coordenadoria de Análise e Planejamento. Tudo isso contribui apenas para acirrar o corporativismo e as desconfianças das duas instituições que, desde sua formação, foram marcadas por diferenças aparentemente insanáveis.

Ainda estão frescas na memória dos paulistanos as cenas de horror e a violência que eclodiram no entorno do Estádio do Morumbi em outubro de 2.008, quando a tropa de choque tentou conter uma manifestação de policiais civis em greve que ameaçavam sitiar o Palácio dos Bandeirantes. Dois anos e meio atrás, a selvageria de ambas as partes produziu mais de duas dezenas de feridos.

Hoje, com o clima de conturbação agravado pelas insatisfações com a política salarial, ninguém sabe qual seria o saldo de um confronto como aquele. E, acredite, as condições para a repetição da tragédia anunciada estão dadas. Há tanta gasolina dispersa no ar que a menor fagulha poderá provocar uma explosão de efeitos inimagináveis.

Com a animosidade crescente, cabe ao governador Gerlado Alckmin resolver com celeridade o problema. É difícil imaginar uma sobrevida longa no cargo do atual secretário Antônio Ferreira Pinto. É de fato um homem honrado. Mas não demonstrou a menor habilidade para lidar com as suscetbilidadades.

Há que se considerar também que Ferreira Pinto é parte de um espólio político indesejável legado do governo anterior, de José Serra, do qual o atual governador ainda não conseguiu se livrar. Entre o governador atual e seu antecessor, como se sabe, há diferenças que ultrapassam os limites da simples divergência e extrapolam os da animosidade civilizada. De certa forma, a guerra não declarada entre delegados e coronéis é um subproduto da guerra fratricida no ninho tucano.

Do outro lado, acuada e assustada, a sociedade espera ações que possam devolver a tranquilidade à rotina da segurança. O que o cidadão que vive em são Paulo espera das autoridades que elegeu para representá-lo é competência para resolver os problemas, e não que seus melindres agravem os temores e ajudem a inflar ainda mais a situação de insegurança de uma das metrópoles mais violentas do planeta.

O que não é possível é admitir que o governo cruze os braços aguardando que delegados batam continência para os coronéis e que coronéis prestem continência a delegados, dada a cultura de desconfiança que permeia as relações entre as duas corporações.  Muito menos aceitável ainda é ver o governo imóvel, catatônico, enquanto as duas polícias caminham a passos largos para o confronto iminente.

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