Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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Reincidência

Dora Kramer

Foi preciso o Supremo Tribunal Federal pregar à testa de João Paulo Cunha o carimbo de corrupto para o PT se dar conta da inadequação de ter como candidato a prefeito um réu em processo criminal.

Foram necessários nove contundentes votos de condenação por corrupção passiva e peculato para que o deputado pensasse em desistir de buscar absolvição “de fato” junto ao eleitorado de Osasco.

Antes disso estava tudo normal. Três ministros gravaram manifestações de apoio para o horário eleitoral. Míriam Belchior, do Planejamento, lugar tenente da presidente da República, emprestou seu aval considerando “muito importante eleger João Paulo” para dar continuidade ao “modo petista de governar”.

Pepe Vargas, do Desenvolvimento Agrário, ligou o futuro da cidade à eleição do réu: “Com o governo Lula e agora com a presidente Dilma estamos transformando o Brasil. Com uma prefeitura aliada ao governo federal podemos fazer ainda mais. Por isso, em Osasco, vote em João Paulo Cunha”.

Aldo Rebelo, do Esporte, externou seu apoio ao “companheiro e amigo” com “muita honra e orgulho” pela trajetória de “serviços prestados aos interesses de Osasco e do Brasil como vereador, deputado estadual, deputado federal e presidente da Câmara”.

Pois foi preciso o Supremo demonstrar com todos os efes e erres que antes dos interesses nacionais e regionais João Paulo defendia a causa própria para que o PT passasse a considerá-lo um peso em cima do palanque.

Agora aparecem os engenheiros de obra pronta dizendo o quanto haviam alertado para a impropriedade da candidatura, atribuindo o gesto temerário à vontade de João Paulo que tinha a “máquina” na mão.

Ora, sobre vontades no PT dão notícias mais precisas as candidaturas de Dilma e Fernando Haddad. Quem tem “querer” ali é Lula, que, se alguma preocupação com as aparências tivesse, teria feito João Paulo se recolher.

Mas, não viu nada demais em seu partido concorrer com um réu munido de desculpas esfarrapadas e da certeza na impunidade. Diga-se em sua defesa, porém, que o ex-presidente não chegou a essa conclusão sozinho, baseado em coisa alguma.

A sustentar-lhe a impressão de que votos podem perfeitamente transitar numa esfera à parte do mérito, inclusive no tocante aos bons costumes, há o pouco caso do eleitorado quanto à ficha dos candidatos.

Lula mesmo foi reeleito no calor do escândalo do mensalão e do caso dos “aloprados”, pegos em flagrante de compra de dossiê contra seu principal adversário.

Severino Cavalcanti elegeu-se prefeito no interior de Pernambuco depois de sair da presidência da Câmara por corrupção (como sucessor de João Paulo), José Roberto Arruda recebeu mandatos de deputado e governador carregando pesadas acusações às costas e vários mensaleiros denunciados em 2005 voltaram à atividade pelo voto em 2006.

Beba na fonte: Reincidência – politica – versaoimpressa – Estadão.

Chupa, PT!

O Partido dos Trabalhadores, em seu passado remoto, já encarnou a esperança de moralização da política. Quem não se lembra da CPI da Corrupção do governo FHC, das inúmeras denúncias contra governantes e partidos adversários, da atuação cidadã de gente como José Genoíno, dos vazamentos seletivos durante as CPIS ? Dava gosto ver aqueles jovens egressos do sindicalismo, dos movimentos sociais, atuando em Brasília.

Hoje, à luz do que jorra do STF, o que se percebe é um enorme logro. Da mesma natureza do que um certo Demóstenes Torres protagonizou recentemente. Mas em proporções gigantescas. O que o PT fez assim que assumiu o poder, que agora vai sendo assentado como sentença condenatória, foi criar um grupo com expertise em corromper, ser corrompido, tungar dinheiro de empresas públicas, aliciar malfeitores na iniciativa privada e subornar parlamentares. Uma máquina de desviar dinheiro público.

Metaforicamente, pode-se dizer sem compaixão que o PT é o Demóstenes Torres dos partidos.

Mas não foi só isso. O partido também tentou forjar uma nova cultura — aquela segundo a qual roubar do erário para alimentar seu voo político não é crime, é virtude.

No ambiente degenerado dessa nova cultura, parecia normal um presidente da Câmara Federal, terceiro na linha sucessória, receber propina para contratar fornecedores de serviços; mandar a mulher ao banco para botar a mão no bereré; apoderar-se do esforço coletivo traduzido em impostos para saciar a índole corrupta de congressistas safados; a privatização despudorada da atividade política em benefício dos aliados de ocasião amealhados no varejo da baixa política.

Foi o que se ouviu ao longo dos sete anos que transcorreram entre a denúncia e a sentença: o Mensalão não existiu, o Mensalão está por provar-se, o Mensalão é uma invenção da mídia golpista para derrubar Lula.

O produto dessa cultura está aí para quem quiser ver. Obras paradas, ameaçadas pelo que contêm de desvios. Escândalos recorrentes que paralisam a máquina. Gente doente sem médico e hospital. Estradas esburacadas que produzem meia centena de milhar de mortos a cada ano. Os tiriricas da vida, que desonram e desabonam a política. E eleitores venais, tanto quanto os políticos que elegem, que tentam se apropriar de um naco do butim em troca do voto consagrador.A reeleição de gente como o sentenciado João Paulo Cunha, que teve o desplante de aceitar a condição de candidato na iminência de ser condenado pela Corte Constitucional.

Vai levar duas gerações para que o estrago moral produzido por Lula e seus companheiros possa ser mitigado por práticas limpas. Ao desinformado que vota, o que acontece agora em Brasília só vai ser integralmente compreendido daqui a muito tempo — talvez por seu filho ou neto. E sempre haverá os asseclas dos ladrões que vão continuar bradando que tudo não passou de uma conspiração burguesa para criminalizar o primeiro governo realmente democrático da história deste país, uma miragem fruto da paranoia coletiva burguesa contra o projeto sacrossanto de apropriação do Brasil pelo crime organizado.

Tomem-se como exemplos as intervenções de um Cândido Vaccarezza e os coices da BESTA, os blogues pagos com dinheiro do contribuinte para disseminar a lassidão moral e ética do potentado de Lula.

Não se diga que o que está afirmado aqui é generalização. No corpo do processo, há centenas de testemunhas ilustres cuja função partidária era confundir os julgadores com argumentos que sabe-se falaciosos. Gente ilustre que assinou termo de depoimento jurando que José Genoíno não tratava das finanças do partido que presidia; que José Dirceu não mandava no PT depois de assumir a Casa Civil; e que não houve os tais ‘atos de ofício’, ou a prova inconteste do efeito da propina em atos com a assinatura dos gatunos.

O PT merece a sentença. Porque o saco de gatunos em que se transformou tentou legititimar o roubo, conspurcar a consciência do parlamento, fraudar a legitimidade da representação política. Não era apenas a atuação voluntariosa dos clandestinos da institucionalidade investidos de cargos no primeiro escalão da República. Era um esquema orgânico, hierarquizado, que abusou da máquina em nome de uma causa absolutamente reprovável, como agora se reconhece.

Por tudo isso, talvez não haja expressão mais adequada para comemorar as condenações do que a sugerida pelo leitor Pedro Paulo:

“Chupa, PT!”

CPI e julgamento do mensalão travam arrecadação do PT

O julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal e a CPI do Cachoeira travaram a arrecadação do PT para as eleições municipais de outubro, disse ontem o presidente do partido em São Paulo, Edinho Silva.

A dificuldade para obter doações foi debatida em reunião da cúpula do partido com o ex-presidente Lula.

Segundo Edinho, o ambiente criado pela investigação dos dois escândalos -ambos ligados a esquemas de financiamento ilegal de campanhas políticas- levou insegurança ao empresariado.

O petista negou ligação entre a seca financeira e a crise mundial. “Ao contrário, a economia do Brasil está indo muito bem. Existe uma situação, por conta deste ambiente político que o país vive, talvez uma certa insegurança do empresariado”, disse.

“Estamos com uma CPI em andamento e com um processo de julgamento [do mensalão] em andamento. Evidente que não é um ambiente de tranquilidade na política.”

O presidente estadual do partido ressalvou, no entanto, que a falta de contribuições “não tem paralisado” candidaturas petistas “em lugar nenhum”. “Vamos fazer campanha com aquilo que o partido conseguir arrecadar.”

O secretário de Finanças do PT, João Vaccari, também foi chamado para o encontro com Lula e confirmou as dificuldades de caixa. “A resposta das pessoas [doadores em potencial] é que elas estão pensando, avaliando”, disse.

O candidato do PT em São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que o problema também afetaria os concorrentes.

“A informação que eu tenho é que tem havido atraso no cronograma [de arrecadação]“, disse. “É meio geral, não é só PT. Todos os partidos, de certa maneira, estão sinalizando que está havendo uma dificuldade.”

De acordo com prestação parcial de contas entregue à Justiça Eleitoral, Haddad gastou R$ 11,2 milhões no primeiro mês de campanha. A arrecadação foi de R$ 2,3 milhões.

O tesoureiro Chico Macena disse, na ocasião, que a diferença era normal e que o partido conseguirá quitar as dívidas até a eleição.

O presidente do PT, Rui Falcão, disse acreditar que o julgamento do mensalão não terá impacto nas doações.

(BERNARDO MELLO FRANCO)

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – CPI e julgamento do mensalão travam arrecadação do PT – 21/08/2012.

Eleições: em 17 capitais, PT só é protagonista em 2

Após um mês de campanha eleitoral, as candidaturas do PT não decolaram na maioria das capitais do país. Das 17 onde tem candidatura própria, o partido só é líder, por enquanto, em Recife e Goiânia, e mostra-se competitivo em Belo Horizonte, Rio Branco e Salvador, onde está na segunda colocação nas pesquisas eleitorais.
Nas demais capitais brasileiras, os petistas aparecem, até agora, como coadjuvantes, na terceira, quarta ou até quinta posições. Apesar do cenário desfavorável, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal cabo eleitoral destas eleições, não tem manifestado disposição ou saúde para socorrer a maioria desses candidatos, o que tem frustrado muitos petistas que apostam na sua participação para virar o jogo. Lula tem se queixado de um inchaço na região da garganta e do retorno da bursite.
O diagnóstico dos líderes da sigla é que o partido poderá encolher nas capitais do país após os resultados nas urnas este ano.
O número de candidatos petistas em capitais em 2012 já é inferior ao do pleito de 2008, quando o partido lançou 19 postulantes. Atualmente, o partido controla seis prefeituras de capitais: Fortaleza, Palmas, Porto Velho, Recife, Vitória e Rio Branco.
Lula subirá nos palanques de Haddad, Patrus e Costa
A presença do ex-presidente Lula em palanques está assegurada, até agora, somente nas campanhas de seus ex-ministros Fernando Haddad (São Paulo), Patrus Ananias (Belo Horizonte) e Humberto Costa (Recife). Das três campanhas, a de São Paulo é a que inspira mais cuidados. Pesquisa Ibope, divulgada sexta-feira, mostrou o petista com 6% das intenções de voto, amargando o quarto lugar. José Serra (PSDB) tem 26% e Celso Russomanno (PRB), 25%.
Exames que Lula fará amanhã no Hospital Sírio-Libanês vão definir seu grau de engajamento em campanhas pelo país. Mas assessores já adiantaram que ele não poderá atender todos os pedidos de ajuda recebidos de candidatos.
Por enquanto, o que está previsto é a primeira gravação para o programa de Haddad no horário eleitoral gratuito esta semana. Semana passada, ele fez uma sessão de fotos com cerca de 120 postulantes a prefeito do PT e de partidos aliados. Todos passaram o dia num hotel na capital paulista esperando a vez para registrar uma imagem com Lula.
Estavam nesse périplo os candidatos a prefeito Fernando Mineiro (Natal), Vander Loubet (Campo Grande), Lúdio Cabral (Cuiabá), Adão Villaverde (Porto Alegre), Alfredo Costa (Belém), Fátima Cleide (Porto Velho), Elmano de Freitas (Fortaleza) e Washington Oliveira (São Luís). São os petistas com pior desempenho nas capitais. Villaverde aparece nas pesquisas mais recentes com cerca de 3% da intenções de voto. Em Natal, Mineiro, estacionado em 5%, também não se mostra competitivo.
Apesar das restrições impostas a Lula pela saúde debilitada, candidatos propagam em seus redutos eleitorais que terão sua presença na campanha. Washington Oliveira, que com 6% nas pesquisas em São Luís, postou no Twitter que Lula garantiu participação.
— O ex-presidente Lula me disse que viria a São Luís — disse, otimista, Oliveira.
A maioria tem esperança na participação do ex-presidente para alavancar as candidaturas. O senador Wellington Dias, que concorre em Teresina, explica o motivo do assédio:
— Há um sentimento de saudade muito forte da população. A simples presença dele já ajudaria muito.
Em situação mais confortável como líder das pesquisa em Recife, Humberto Costa conta com, pelo menos, três visitas de Lula na cidade.
— Eu gostaria que ele participasse de eventos de rua, mas vamos ver o que é possível construir — afirmou.

Beba na fonte: Eleições: em 17 capitais, PT só é protagonista em 2 – O Globo.

Censura em massa: PT quer proibir termo ‘mensalão’ e trocar por ‘ação penal’

Advogados do PT querem proibir a imprensa de usar a palavra “mensalão”. Em reunião nesta sexta-feira, 3, em São Paulo, cerca de 30 advogados decidiram que tomarão “providências jurídicas”, para que seja utilizada a designação “Ação Penal 470″, quando se referir ao suposto pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio político ao governo Lula.

O coordenador jurídico do PT, Marco Aurélio de Carvalho, disse que a palavra “mensalão” exprime juízo de valor pejorativo. Sua principal queixa é contra o uso feito pela TV Globo e pela Globo News, “que muitas vezes escrevem a palavra até em negrito”. E completa: “Uma concessão pública não deveria divulgar teses, apenas informações para o público”.

A preocupação é com a repercussão do julgamento nas eleições. Primeiro tentarão resolver a situação com a mídia. Se não funcionar, entrarão na Justiça.

Beba na fonte: PT quer censurar termo ‘mensalão’ e trocar por ‘ação penal’ – politica – versaoimpressa – Estadão.

Petistas já discutem perdão para Dirceu

O ex-ministro José Dirceu quer mais do que uma absolvição no julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal. Se for inocentado, vai cobrar do Congresso sua anistia política para poder voltar a disputar eleições já em 2014.

Como teve seu mandato de deputado federal cassado por causa do envolvimento no escândalo e acabou perdendo os direitos políticos, o petista só poderia voltar a se candidatar a partir de 2015. A tese da anistia pode beneficiar também Roberto Jefferson (PTB) e Pedro Corrêa (PP), que também perderam seus mandatos na esteira do escândalo.

No ano de 2005, além dos três parlamentares cassados, o Congresso viu quatro deputados renunciarem para não perderem seus direitos políticos. Outros cinco envolvidos foram absolvidos pelo plenário da Câmara.

A pretensão de pedir a anistia para voltar à vida pública não é escondida pelo petista. “A anistia é um desejo, mas não há nenhum plano concreto”, afirma a assessoria de Dirceu, ressaltando que seu foco, no momento, é o julgamento no STF. Aliados, porém, já definem o desejo como um “direito” do colega.

“Se fosse ele, eu pleitearia. Se eu saio inocentado num processo como esse, por que teria de continuar com os direitos políticos cassados?”, questiona o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP). “Se eu dissesse que o Zé não gostaria de voltar, estaria mentindo, até com a Presidência da República ele sonha, o que é legítimo para qualquer dirigente político”, complementa Devanir.

Na Câmara, já está em tramitação um projeto pedindo a anistia dos três cassados no escândalo do mensalão. De autoria do ex-deputado Ernandes Amorim (PTB-RO), a proposta argumenta que a pena é injusta porque outros parlamentares mencionados no esquema foram absolvidos. O projeto chegou a ser incluído na pauta da Comissão de Constituição e Justiça em novembro de 2011, quando João Paulo Cunha (PT-SP) presidia o colegiado. Cunha também é réu no STF, mas foi absolvido pelos pares em plenário. Ele acabou retirando a proposta da pauta.

Beba na fonte: Petistas já discutem perdão para Dirceu – politica – politica – Estadão.

Sorrisos amarelos

Eliane Cantanhêde

Não se sabe se é para rir ou para chorar, mas o que os candidatos e os principais líderes e candidatos do PT vão fazer durante todo o mês de agosto, enquanto o julgamento do mensalão vai expor ao país os podres do partido? Aliás, quando se fala dos principais líderes, fala-se dos atuais. Os antigos encabeçam a lista de 38 réus.

Lula saiu da toca ontem, a três dias do início do julgamento, como quem não quer nada: não viu, não ouviu, não soube nem quer saber. Num hotel em São Paulo, tirou fotos com mais de cem candidatos de cidades consideradas prioritárias pelo PT. Depois do clique coletivo, os individuais -de 30 segundos a um minuto para cada um.

Enquanto isso, Dilma cuidava dos preparativos finais da cerimônia da entrada triunfal da Venezuela no Mercosul, que será hoje, em Brasília, com Hugo Chávez estrelando e com participações especiais de Cristina Kirchner e José Mujica. Foto para as primeiras páginas nos jornais da véspera do julgamento histórico. Aliás, como seria mensalão em espanhol? El mensalón? Chávez vai dizer que el mensalón nunca existiu?

E os candidatos, como é que vão se virar? Fernando Haddad, em São Paulo, precisa muito aparecer, para poder crescer e sair dos atuais 7% das pesquisas antes do início do horário eleitoral gratuito -que é sua grande chance, ou grande esperança.

Mas como vai aparecer, com o noticiário tomado por entrevistas e documentos de procuradores, advogados, réus? Difícil alguém se interessar por programa fajuto de candidato com um filmaço desses na TV, dia e noite. O mensalão é como um fantasma que paira não só sobre o governo Lula, mas, especialmente agora, sobre a foto de Lula com candidatos, das gentilezas de Dilma com Chávez, das pedaladas de Haddad, às voltas com “um chopes e dois pastel” num bairro onde ele nunca pisara antes.

Agosto começa com Lula, Dilma e Haddad se esforçando para sorrir. Mas sorrindo amarelo.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Sorrisos amarelos – 31/07/2012.

PT organiza novo ato de apoio a Delúbio Soares

A menos de uma semana do início do julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), o PT fará amanhã novo ato de apoio a seu ex-tesoureiro Delúbio Soares, em São Paulo.

O encontro é promovido pelo diretório zonal do partido na Vila Mariana (zona sul). Segundo organizadores, será fechado à imprensa e deve reunir cerca de 50 militantes.

Nos últimos dias, petistas receberam convites para o ato enviados pelo candidato a vereador Roberto Casseb, que integra a ala majoritária da sigla, a Construindo um Novo Brasil.

Amigo de Delúbio, ele disse que não daria entrevista sobre o assunto. Afirmou que o ato será fechado e que desejava que fosse mantido em sigilo.

O ex-tesoureiro petista é um dos 38 réus do processo do mensalão, que começará a ser julgado na próxima quinta-feira pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, ele integrava o núcleo político da quadrilha e operava um esquema ilegal de pagamento a parlamentares em troca de apoio ao governo Lula.

Delúbio chegou a ser expulso do PT após as revelações do ex-deputado Roberto Jefferson, mas foi aceito de volta.

A defesa dele admite prática de caixa dois, mas nega o suborno a parlamentares.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – PT organiza novo ato de apoio a Delúbio amanhã, em São Paulo – 27/07/2012.

Advogado de Delúbio diz que ele agia a mando do PT

Advogado principal da banca que defende Delúbio Soares no processo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Arnaldo Malheiros Filho rejeita a tese de que a culpa de todos os malfeitos é do ex-tesoureiro da legenda na época do escândalo. Malheiros diz que seu cliente era apenas um executor de decisões colegiadas da Executiva do PT, rebatendo a tese de defesa de José Genoino, presidente à época do partido. Os advogados de Genoino sustentam que ele só cuidava das questões políticas e Delúbio das questões financeiras, como os empréstimos de R$ 55 milhões contraídos por Marcos Valério em nome do PT. É a mesma linha da defesa de José Dirceu, que alega não ter tratado de dinheiro do partido quando ocupava a Casa Civil no primeiro mandato do governo Lula.
O GLOBO: O senhor está preparado para, em uma hora na tribuna, convencer o pleno do Supremo da inocência de Delúbio?
ARNALDO MALHEIROS FILHO: Acho que cada um tem o seu papel. O Ministério Público vai acusar. O meu papel é conseguir mostrar o que existe e o que não existe contra Delúbio da melhor maneira possível. E que a partir daí a Justiça seja feita. Se eu não confiasse na Justiça não perderia meu tempo indo lá fazer essa defesa. Espero fazer um bom trabalho. Essa é a missão que tenho.
O que o senhor considera o ponto fraco para Delúbio: as provas existentes ou a pressão da opinião pública pela condenação?
MALHEIROS: Provas contra ele, eu não achei nenhuma. Me preocupa um pouco a politização do julgamento, que acho que não seja um bom caminho para os ministros. Quem está nesse cargo está acostumado a decidir sem ligar para a pressão da opinião pública.
O Delúbio vai entregar alguém ou assumir que fez tudo sozinho?
MALHEIROS: Desde o primeiro momento na CPI, o Delúbio nunca mudou sua versão. E não tem mais oportunidade de falar. Quem fala agora sou eu. O que precisa ficar claro é que nem ele assumiu tudo sozinho nem acusou ninguém. O perfil, o caráter do Delúbio não permite que seu dedo endureça. Ainda mais agora.
Dirigentes do PT naquela época, réus do mensalão, não querem jogar a culpa nele? O advogado de Genoino diz que seu cliente cuidava da parte política e Delúbio da financeira…
MALHEIROS: Ninguém do partido poderia decidir isso sozinho (conseguir o dinheiro para saldar as dívidas da campanha de 2003). Todas as decisões eram do colegiado, da Executiva. Nem sei se José Dirceu era da Executiva naquela época. Acho que, como ministro, se licenciou do partido. Mas Genoino era o presidente. Delúbio não tomava decisões. Era o executor das decisões da Executiva nacional do PT.
O seu cliente vai sustentar que agiu como um soldado do PT?
MALHEIROS: Ele não disse que fez tudo sozinho, nem se negou a assumir suas responsabilidades. Delúbio não quer ser julgado pelo que não fez. Mas sempre assumiu tudo que fez, que manipulou as contas do caixa dois da campanha.
Delúbio acha que pode ser condenado? Como está o espírito dele nessa fase pré-julgamento do Supremo?
MALHEIROS: Ele é um homem tranquilo. Sempre se comportou de forma muito calma e tranquila e continua assim. Continua trabalhando na imobiliária, se confortando no seio da família. Delúbio não é de reclamar de nada. É um cliente muito bom. Nas nossas conversas ele demonstra uma confiança total em mim. Deu a sua versão dos fatos e agora diz: aceito o que acharem que for melhor para mim e pronto.
Ele pode sair como o único condenado do mensalão?
MALHEIROS: Não arrisco prognósticos. A pior situação para ele é ser condenado. Mas nunca me debrucei sobre essa possibilidade. Eu sempre trabalho com a perspectiva de que Delúbio será absolvido.

Beba na fonte: Advogado de Delúbio Soares diz que ele não tomava decisões – O Globo.

PT prepara vídeo para se desvincular do mensalão

ERICH DECAT

Temendo um possível impacto do julgamento do mensalão nas eleições, o presidente do PT, Rui Falcão, gravará um vídeo amanhã em que tentará desvincular o ação no STF (Supremo Tribunal Federal) do partido.

A iniciativa ocorrerá a seis dias do início do julgamento, marcado para 2 de agosto.

“O que foi discutido é que a mensagem mostre que o julgamento não é do PT, mas das pessoas [rés no processo]“, disse o secretário nacional de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR).

O vídeo deve ser postado no site da sigla logo após a gravação que ocorrerá na sede do partido, em São Paulo.

Segundo a Folha apurou com integrantes da cúpula do partido, Rui Falcão também deve dizer que não há provas contra os réus e que, se o julgamento se ativer aos fatos, eles serão absolvidos.

O presidente do PT rebaterá ainda as acusações da Procuradoria-Geral da República de que houve uso de verba pública no esquema. E vai reiterar o argumento petista de que não houve compra de votos a favor dos projetos de interesse do governo Lula.

O texto a ser lido no vídeo ainda não foi concluído, mas vem sendo costurado para servir como resposta à crescente demanda nos últimos dias por parte da imprensa sobre o episódio.

Após a gravação, a ideia de Falcão é deixar o tema de lado e responder apenas a “questões pontuais” que surgirem ao longo do julgamento. Na próxima semana, ele tem agenda prevista no Nordeste (Bahia, Ceará e Piauí).

Ao longo dos últimos três meses, o petista já recorreu pelo menos duas vezes a vídeos para se pronunciar sobre o caso do mensalão.

Em abril, ele defendeu a criação da CPI do Cachoeira para investigar o então senador (que acabou cassado) Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – PT prepara vídeo para se desvincular do mensalão – 26/07/2012.

PT sugere à Justiça adiar julgamento do mensalão

Estimulado por integrantes da cúpula do partido, três coordenadores do setor jurídico do PT de São Paulo entraram ontem com representação na Justiça Eleitoral para tentar convencer os ministros do Supremo Tribunal Federal da “inconveniência” de julgar agora o mensalão.

No ofício, encaminhado à presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Cármen Lúcia, que também é ministra do STF, os petistas dizem ser “inoportuno” a ocorrência do julgamento no período eleitoral.

“Tem-se o pior dos mundos: a judicialização da política e a politização do julgamento”, diz o texto, que acrescenta: “É duplamente inoportuno marcar um julgamento criminal na véspera da eleição, em pleno curso da campanha. Sacrificam-se os direitos individuais e desequilibra-se o pleito, do qual o Supremo Tribunal Federal se transformará no principal protagonista”.

O documento foi elaborado por Marco Aurélio Carvalho, coordenador jurídico do PT e ex-sócio do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).

O julgamento do mensalão, marcado para começar no próximo dia 2, decidirá o futuro de 38 réus, incluindo toda a ex-cúpula nacional do PT e o ex-ministro José Dirceu, um dos principais líderes do partido.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – PT sugere à Justiça adiar julgamento do mensalão – 26/07/2012.

Por Perillo, PSDB se equipara ao PT

As enroladas transações envolvendo um imóvel, pagamentos triangulares e malas de dinheiro expuseram as entranhas de um sistema de corrupção introjetado na máquina goiana. O protagonismo do governador Marconi Perillo parece agora indelével. Quanto mais tenta explicar a transação envolvendo a venda de sua casa, mais complicado fica entender o negócio sem enveredar por suspeitas mais do que bem fundamentadas de que ali houve corrupcão.

A CPI do Cachoeira pegou Perillo. É evidente demais que os tucanos não percebam que perderam a primeira batalha na guerra de morte congressual. O bicheiro nomeava gente no governo, mantinha em seu bolso boa parte dos oficiais da PM, tinha influência inequívoca na corte goiana.

E fazia negócios com o próprio governador — dissimulados por uma teia de fantasmas e laranjas voluntariosos.

Ao invés de assumir a derrota e entregar os anéis de Perillo, o PSDB adotou a mesma estratégia que os petistas usam para defender o indefensável: negar o óbvio. Assim como o PT nega o Mensalão (negaria o Holocausto por José Dirceu se fosso preciso), agora é o PSDB, acuado, que aparece na cena para tentar salvaguardar uma posição perdida no tabuleiro da política nacional.

Ao espernear, o PSDB confere a Lula uma vitória com sabor de goleada. Primeiro porque a CPI parece ter cumprido uma de suas tarefas: a de rifar Marconi Perillo, a quem o chefão petista não perdoa por ter dito publicamente que o ex-presidente sabia do Mensalão.

Segundo, por igualar no fosso moral as duas legendas.

Para sempre, vai ficar a possibilidade do bordão ensaiado “Vossa Excelência não moral para falar de nós”.

E não tem mesmo!

Prefeito de Palmas corre risco de ser expulso do PT

Diante do vídeo que mostra o prefeito de Palmas (TO), o petista Raul Filho, negociando com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a cúpula do PT vai insistir que o prefeito nunca foi um quadro histórico do partido. A estratégia é tentar isolá-lo, deixando claro que seu envolvimento com o contraventor não faz o PT sangrar.

A tendência é que Raul Filho seja expulso da legenda depois da abertura de processo na Comissão de Ética do partido. Parte da direção do PT defende que esse processo seja concluído somente depois das eleições municipais de outubro.

Flagrado em conversa com Cachoeira em 2004, Raul Filho depõe hoje na CPI para explicar suas relações com o grupo. No depoimento, os petistas não pretendem blindar seu correligionário. Pelo contrário: a tática será frisar que Raul Filho é uma figura de menor importância dentro do partido. A ideia é não dar “munição” para a oposição atacar os petistas, que querem deixar o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), permanentemente na berlinda sob a acusação de envolvimento com o esquema de Cachoeira.

No processo de “desconstrução da imagem” do prefeito de Palmas, integrantes da direção nacional do PT fazem questão de lembrar que Raul Filho já passou por legendas como a Arena, o PFL, o PSDB e o PPS, antes de desembarcar no partido, em 2003, com as bênçãos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2004, Raul foi eleito prefeito de Palmas pela primeira vez.

Petistas rememoram ainda que, em abril do ano passado, Raul Filho e sua mulher, a deputada estadual Solange Duailibe, chegaram a ser expulsos do PT pelo Diretório Estadual do Tocantins, sob alegação de infidelidade partidária: ambos apoiaram a candidatura de João Ribeiro, do PR, ao Senado, contra o petista Paulo Mourão. Mas em junho, a direção nacional suspendeu a decisão, anulando a expulsão.

No depoimento previsto para esta terça-feira, 10, o PT não armou nenhum esquema para defender Raul Filho. A avaliação de parte dos petistas é que o prefeito “tem culpa no cartório”. “Vamos ouvir o que ele tem a falar”, disse o líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP). “Ele tem que dar explicações. Mas todos os indicativos são de que ele não está envolvido com a organização criminosa”, afirmou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

O prefeito de Palmas será o último a depor na CPI do Cachoeira, antes do recesso parlamentar, que começa na semana que vem. Das seis convocações aprovadas em reunião administrativa da CPI, na semana passada, Raul Filho foi o único a ter seu depoimento agendado.

A cúpula da comissão deixou para agosto os depoimentos mais polêmicos: Fernando Cavendish, dono da Delta; Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit); e Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ligado ao PSDB e ex-diretor da Dersa, empresa responsável pela manutenção das estradas paulistas.

Beba na fonte: Isolado no PT, prefeito de Palmas corre risco de ser expulso após depoimento – politica – versaoimpressa – Estadão.

Cadê os 30% de petisas no eleitorado de SP ?

Fernando Haddad é um cara simpático. Parece bem-intencionado. É bonitão, causa furor entre as mulheres por onde passa. Mas não consegue transformar sua simpatia em votos. Está atolado no ridículo percentual de pouco mais de 5% desde que sua candidatura foi imposta pelo ex-presidente Lula.

Diz um dos bordões da política que o eleitorado petista representa 30% dos eleitores paulistanos. Pergunto: onde estão esses 30% que não aparecem nas pesquisas ?

Podem dizer que a pergunta é extemporânea. Deveria ser feita mais à frente, quando a campanha já tiver sido embalada pela propaganda na televisão. É verdade que só o início da propaganda eletrônica vai definir o cenáio. Mas o tabuleiro já está montado. E, ao contrário do que se passa com o postulante petista, os demais já começaram a ver suas curvas eleitorais sofrendo os efeitos da reflexão dos eleitores.

Não se pode atribuir a estagnação inicial de Haddad à falta de divulgação de sua candidatura. Embora seja ainda pouco conhecido da população, o ex-ministro já foi exposto em várias oportunidades criadas por seu patrono Lula. O Programa do Ratinho, por exemplo, foi mais do que uma peça de campanha — foi campanha desabrida endereçada ao público que se supõe cativo das peripécias de Lula, as classes D e E. Mas não se nota nenhum efeito de tradução desse esforço inicial em votos.

Há algumas possibilidades que devem ser consideradas nas especulações sobre os motivos. A primeira delas é a de que talvez Lula não seja mais o cabo eleitoral que se supunha. As bobagens que tem feito, o excesso de intromissão nas definições partidárias, o culto à sua própria personalidade podem ter provocado um estrago enorme nos poderes mágicos do Midas eleitoral que conseguiu transformar Dilma em Presidente da República.

O erro mais crasso com certeza foi o acordo com Maluf, algo que não se explica por um minuto e meio a mais na televisão. O simbolismo da fotografia conseguiu afastar Erundina da campanha depois que Marta Sulicy já havia abandonado os palanques petistas. Ambas foram apartadas de Haddad pelas intromissões de Lula, restando para a criatura a fatura decorrente dos erros do criador.

Mas é possível que o motivo que leva o eleitorado suposto do PT a evitar repetir uma declaração de voto diante do pesquisador seja outro: vai longe o tempo em que o PT era uma legenda democrática, que respeitava a decisão de suas bases antes que seus caciques conseguissem impor sua vontade.

Isso faz toda a diferença. Um partido é a soma de suas partes. O PT não é o PT por sua história — que foi rasgada muitas vezes –, mas é a soma da força de seus militantes. Desgastada pelo mandonismo, essa militância certamente não terá mais o ânimo dos pleitos passados.

O PT de hoje em nada se parece com o PT antes do Poder. A rigor, é um partido exatamente como o PMDB. Encontra-se matizado por denúncias de corrupção que se generalizam em todos os níveis. Há escândalos envolvendo petistas onde quer que o partido tenha chegado ao Poder. E há também a pressão e a expectativa pelo julgamento do Mensalão.

Nesse processo de transformação, chama a atenção o pragmatismo de posições defendidas por próceres partidários como o vereador Antônio Donato, presidente do PT no município de São Paulo. Ao justificar a aliança entre Lula e Maluf, ele disse simplesmente que esse é o jogo, e que suas regras devem ser aceitas por quem se dispõe a jogá-lo.

É preciso lembrar que a história do PT foi construída numa aguerrida luta anti-hegemônica. Uma luta contra o sistema, de confrontação às regras, que justificou sua criação e o suesso de sua proposta inicial. Foi essa a estratégia que terminou por levar o partido ao poder dez anos atrás.

O PT dos dias atuais nem de longe lembra o partido em seu período de amadurecimento. À promessa de uma revolução sobrepôs-se a adesão fisiológica. Ao foco na esquerda, o deslocamento para o centro. O PT hoje tem muito mais do PSD de Tancredo e Ulisses do que do partido operário forjado no sindicalismo dos anos 80. Está muito focado no Diário Oficial, com suas nomeações e liberações indecorosas, do que nos genuínos interesses da sociedade.

Talvez por isso o atoleiro estatístico em que se encontra a candidatura Haddad deva ser interpretado não como um o sintoma de uma dificuldade conjuntural, mas como sinal de um declínio estrutural.

É possível que a militância do PT não reconheça mais seu partido. Entre aqueles 30% que justificavam o bordão deve haver muitos que não se conformam com a degeneração moral da legenda, a fuga de seus quadros e o esvaziamento da pauta ética. É possível mesmo que não haja mais esses 30%.

Aferir quanto sobrou da militância autêntica só vai ser possível quando as urnas forem abertas. Mas uma coisa é certa a esta altura: mesmo que consiga suplantar as dificuldades do momento eleitoral, há algo estranho acontecendo nas hostes petistas.

Que sirva como alerta. Nenhum projeto de poder pode desprezar seus próprios fundamentos. Para quem tinha o PT como causa, talvez já não haja mais causa a defender.

Inferno astral

Ao abandonar o PT depois de mais de 20 anos de militância, o deputado federal Maurício Rands, um dos bons quadros do Congresso, confirmou que o partido vive um inferno astral.

Rands saiu atirando contra a cúpula nacional, pela “pretensão de impor, a partir de São Paulo, um candidato à Frente Popular e ao povo de Recife”. E se aliou ao PSB.

Além de irritar petistas e socialistas, a fome do PT e a vontade de comer do governador Eduardo Campos explodiram a aliança do PT com o PSB em capitais importantes: Belo Horizonte, Recife e Fortaleza.

Campos anda caladão, mas o deputado e ex-ministro Ciro Gomes, também do PSB, disse em entrevista publicada ontem o que Roberto Jefferson já dizia ao denunciar o mensalão, e o PMDB, o PDT e o PC do B dizem em privado: “O PT quer vassalagem. Eles só querem o ‘vem a nós’”.

Luiza Erundina, do PSB, se rebelou e renunciou à vice na chapa do PT depois da foto do cafuné de Maluf no candidato de Lula em São Paulo, Fernando Haddad, já abandonado pela petista Marta Suplicy.

Dilma não gosta desse tipo de política, tem desprezo pelos políticos e mandou dizer que não vai participar da campanha. Acredite no recado quem quiser, porque ela será o grande trunfo de Haddad em São Paulo e já está metida até o pescoço na crise PT-PSB. Até porque é o pescoço dela em 2014 que está em jogo.

BH é um bom “case”: o PT lança Patrus Ananias; Aécio fica com a reeleição de Márcio Lacerda, do PSB; Kassab, que apoia Serra em São Paulo, negocia com Dilma a adesão do PSD a Patrus; o PSD local dá de ombros e fica com Aécio-Lacerda.

Nessa lambança governista, o PMDB fala pouco e age muito. Onde o PSB se afasta do PT, o PMDB se aproxima. Onde Eduardo Campos assusta, Michel Temer acalma. Política é para profissionais.

Ah! E o julgamento do mensalão no Supremo nem começou…

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Inferno astral – 06/07/2012.

PT terá dificuldades para a eleição nas dez maiores capitais

O PT enfrentará uma dura batalha para conseguir sair das eleições de outubro controlando qualquer uma das dez maiores cidades do país. Com a definição de Patrus Ananias como candidato em Belo Horizonte, os petistas passaram a ter nomes próprios em sete delas. Mas, se há três semanas a situação geral parecia alvissareira, hoje o quadro é sombrio. O único candidato do partido que lidera as pesquisas em uma dessas capitais é o senador Humberto Costa, em Recife, mas lá ele terá de enfrentar o candidato do governador Eduardo Campos (PSB), com aprovação popular que já chegou a 90%, e que está construindo uma aliança com quase uma dezena de partidos que antes estavam com o PT.
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Por isso, Costa não deverá contar com apoio de parte significativa de seus correligionários, ainda magoados com a retirada do nome do atual prefeito, João da Costa, que foi impedido pela direção nacional do partido de disputar a reeleição.
Em São Paulo, o petista Fernando Haddad só agora chegou aos 8% de intenção de voto, ainda distante dos 30% do tucano José Serra. Terá contra si na campanha as máquinas da prefeitura de Gilberto Kassab e do governo de Geraldo Alckmin, ambos aliados de Serra. Para completar, ainda que Lula continue sendo apontado como principal eleitor na cidade, sua capacidade de influência vem se reduzindo nos últimos meses.
O cenário é parecido em Belo Horizonte. Com a ruptura sacramentada no fim de semana, o PT terá pela frente a missão de fazer Patrus Ananias superar os pesos das máquinas da prefeitura e do governo de Antonio Anastasia para derrotar o prefeito Márcio Lacerda, que lidera as pesquisas com grande folga. E o senador Aécio Neves, patrono da candidatura de Lacerda, é apontado nas últimas pesquisas como o principal eleitor na cidade.
No Rio, o partido firmou uma aliança com o prefeito Eduardo Paes e indicou para vice o vereador Adilson Pires. O mesmo ocorreu em Manaus, onde o partido indicou o vice da candidata do PCdoB, senadora Vanessa Grazziotin, e em Curitiba, com vice na chapa de Gustavo Fruet (PDT). Em Porto Alegre, o partido lançou o deputado estadual Adão Villaverde, que tem menos de 10% das intenções de voto, em um cenário de polarização entre as candidaturas do atual prefeito José Fortunati (PDT) e da deputada Manuela D’Ávila (PCdoB), os dois com mais de 30% das intenções de voto.
Em Salvador e Fortaleza, que com Recife formam as três maiores capitais nordestinas, o cenário também é incerto. Se dois anos atrás o governador Jaques Wagner (PT) se reelegeu com 63% das intenções de voto, hoje sua popularidade já não é tão grande. É nesse cenário que o candidato do PT, Nelson Pellegrino, enfrentará seu principal adversário, o deputado ACM Neto, que lidera com folga as pesquisas.
Em Fortaleza, por sua vez, o PT também viu o PSB se descolar de sua candidatura e, assim, ficou sem apoio do governador Cid Gomes. O petista Elmano Freitas, escolhido pela prefeita Luizianne Lins para sucedê-la, amargava entre 1% e 2% na pesquisa Ibope divulgada em maio. A gestão de Luizianne vem sendo mal avaliada.
— Em Belo Horizonte, Recife e Fortaleza, a situação só chegou a esse ponto pelas divergências internas do PT. O PT vem sendo vítima de suas próprias divergências e incompreensões. Eles demoraram meses para definir seus campos — avalia um ex-aliado.
Em Belém, o candidato petista será o deputado estadual Alfredo Costa, que está mal nas pesquisas e não anima nem mesmo os correligionários de lá. Pela frente, ele tem candidatos fortes. O líder das pesquisas é o ex-petista Edmílson Rodrigues (PSOL), seguido do candidato de Jader Barbalho, José Priante (PMDB) e do candidato do governador Simão Jatene, Zenado Coutinho (PSDB).

Beba na fonte: PT terá dificuldades para a eleição nas dez maiores capitais – O Globo.

PSB antecipa plano presidencial após atritos com PT

O afastamento do PT nas disputas municipais pode antecipar para 2014 o projeto do PSB de lançar o presidente do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, na disputa pelo Palácio do Planalto, plano antes previsto para 2018.

A tese da candidatura própria já ganhou novos adeptos no PSB, no embalo do fortalecimento da liderança nacional de Campos e do rompimento de parcerias com o PT no Ceará, em Pernambuco e em Minas. Dirigentes socialistas dizem que está em curso o processo de libertação do PT, que sempre pede apoio, mas resiste a apoiar aliados.

“O resultado das eleições deste ano pode determinar nossa alforria antes de 2018″, prevê, otimista, o deputado Júlio Delgado (MG), um dos poucos membros da cúpula socialista que assumem em público a queixa generalizada diante da resistência dos petistas em apoiar aliados.

Beba na fonte: PSB antecipa plano presidencial após atritos com PT – politica – politica – Estadão.

PT e PSDB: nada a ver com você

Por Francisco Câmpera

Fala-se muito das diferenças dos principais partidos brasileiros, o PT e o PSDB, mas comenta-se pouco sobre as semelhanças. Começa da origem de cada um. Os seus supremos líderes lutaram contra a ditadura militar. Lula liderando as greves das indústrias no ABC e Mário Covas e Franco Montoro, já falecidos, juntos com Fernando Henrique Cardoso marcaram trincheira no PMDB. Lula criou o PT e o trio lançou o PSDB. O projeto de ambos era chegar ao poder.

Os tucanos foram mais ágeis e espertos, os líderes eram mais experientes e pragmáticos. Covas procurou se diferenciar em 1989, quando era candidato à presidente, com o discurso intitulado “Choque do Capitalismo”. O objetivo era conquistar a classe média e afastar a imagem de esquerdista que ele tinha. Lula fez o mesmo com a “Carta Aberta aos brasileiros”, divulgada antes das vitoriosas eleições de 2002.

Os dois partidos tiveram sucesso ao chegar ao topo do poder. FHC consolidou o Real; organizou o Estado ao criar leis como a de Responsabilidade Fiscal; modernizou órgãos vitais como a Receita Federal, cada vez mais eficiente para arrecadar os altos impostos. Apesar das polêmicas privatizações, mais parecidas com doações, a economia ficou mais forte e dinâmica. E por fim criou os programas sociais que depois mudaram de nome no governo Lula, como o Bolsa Família. Lula não ficou para trás, pelo contrário, o sucesso foi ainda maior. Primeiro teve a coragem de dar continuidade à linha econômica, contra tudo o pregava antes, assim como FHC pediu para esquecer o que escreveu. Na área social reduziu a pobreza a tal ponto de ser reconhecido internacionalmente por entidades importantes como a ONU.

Se nos méritos os partidos se diferenciam mais em relação às prioridades, aproximam-se nos vícios do poder. Cada um tem a presunção da verdade e não gostam de ser criticados, algo tão natural e saudável na democracia. Quando isso acontece, costumam atacar a imprensa e instituições que ousam apontar os defeitos.

O pior e que não difere um milímetro um do outro são os financiamentos de campanha. Nisso eles são igualzinhos, idem, cara-metade, espelho, alma gêmea…Basta ver a declaração de doações das campanhas. Os principais financiadores são idênticos, destacando-se os bancos, construtoras, e grandes empresas que têm negócios com o Estado. Vejam que as mega empreiteiras nunca foram colocadas para fora das obras do governo quando explodiram escandâlos, mas a novata Delta logo foi defenestrada. O lastro político dela é menor do que as demais. A cara de pau da CPI do Cachoeira foi tão grande que dono da Delta sequer foi convocado. A CPI malogrou porque bateu à porta de vários partidos.

A semelhança entre o PT e PSDB é tanta que até as maracutaias se parecem. Os programas para salvar os bancos de ambos governos são nebulosos. Os petistas atacaram o Proer de FHC, que gastou bilhões para salvar os bancos.

Agora sob a gestão petista a salvação dos bancos ficou mais sofisticada; está acontecendo por meio do FGC – O Fundo Garantidor de Crédito, sob o argumento que o dinheiro vem de um fundo administrado pelos bancos privados. Assim o Panamericano e outros bancos pequenos e médios foram socorridos pelo fundo, como o Matone, comprado por outro banco; o Original, pertencente ao JBS, que por sua vez recebeu dinheiro do BNDES, para virar líder global no ramo frigorífico. No mercado financeiro afirma-se abertamente que estes bancos não valem nem a metade do valor que foram vendidos com respaldo do FGC e do governo.

Nunca na história deste país” os banqueiros lucraram tanto, portanto, o FGC não iria contrariar os “cabeças” desta solução mágica. Quando os detalhes desta nebulosa história vierem à tona, talvez o PROER vai virar fichinha.

Os petistas respondem pelo mensalão, assim como os tucanos têm o seu em Minas, inexplicável do mesmo jeito. No governo FHC também houve a comprovação da compra de votos para o Congresso aprovar a reeleição. Na época a Folha contou o que aconteceu, numa premiada reportagem do jornalista Fernando Rodrigues, mas o PSDB até hoje não deu explicações convincentes. FHC assim como Lula não sabia de nada.

As alianças dos nobres tucanos sociais-democratas (como gostam de ser chamados) e os revolucionários petistas (eles adoram este rótulo) também são difíceis de convencer. Basta dizer que o PFL velho de guerra e de escândalos continua firme com o PSDB e até o Maluf conseguiu fazer Lula malufar.

Idiotas somos nós que ainda discutimos quem é melhor: petistas ou tucanos. Não se trata apenas do jogo eleitoral para levantar recursos. A questão é grana, o dinheiro não tem partido! Os nobres se aproveitam deste jogo para enriquecer e assim atrasam o progresso do Brasil e promovem a miséria de milhões de pessoas. Com tanta corrupção o país nunca vai se tornar uma verdadeira potência.

Os tucanos e petistas decentes que ainda restam deveriam sim se unir, porque apesar dos defeitos, os dois partidos talvez sejam os menos piores. Separados eles dependem do partidecos de aluguel, de Malufes da vida, e o mostrengo Frankestein do PMDB, sigla que reúne feudos onde ninguém manda e todos querem ganhar. Mas isso parece impossível porque os dois partidos disputam o mesmo espaço de poder. Como se vê, PT e PSDB têm tudo a ver, mas nada a ver com você eleitor.

Francisco Câmpera, jornalista, trabalha na Tv Band

Nem eles aguentam: 2 em cada 3 dos petistas rejeitam apoio de Maluf

BERNARDO MELLO FRANCO

O apoio do deputado Paulo Maluf (PP-SP) ao petista Fernando Haddad é rejeitado por 62% dos eleitores de São Paulo, mostra pesquisa concluída ontem pelo Datafolha. Entre os que declaram preferência pelo PT, a reprovação da aliança chega a 64%.

Este é o primeiro levantamento a medir o impacto da união patrocinada pelo ex-presidente Lula, que abriu crise na campanha petista e levou a ex-vice Luiza Erundina (PSB) a abandonar a chapa.

Os números indicam que a foto com Maluf pode prejudicar Haddad na corrida à prefeitura. A maioria dos entrevistados (59%) disse que não votaria num candidato apoiado pelo ex-prefeito. Outros 12% seguiriam sua indicação, e 26% seriam indiferentes.

“A rejeição ao apoio de Maluf é muito alta e pode vir a ser determinante na eleição. Agora temos que ver como isso será explorado na campanha”, diz o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino.

A pesquisa mostra que 70% dos eleitores ainda não sabem quem Maluf apoiará na eleição municipal. Só 17% sabem que ele apoia Haddad.

A desistência de Erundina, em protesto contra a aliança do PT com o adversário histórico, teve ampla aprovação popular: 67% dos eleitores disseram que ela “agiu bem”. Outros 17% reprovaram a atitude, e 16% não opinaram.

Outra má notícia para Haddad é que a influência de Lula segue em queda. Hoje, 36% dos eleitores dizem que o apoio do ex-presidente os faria escolher um candidato. O índice era de 49% em janeiro, e cai a cada pesquisa.

Mesmo assim, Lula permanece como o principal cabo eleitoral da disputa. Segundo o levantamento anterior, concluído no último dia 14, o apoio da presidente Dilma Rousseff influía no voto de 28%. O aval do governador Geraldo Alckmin era decisivo para 29%, e o do prefeito Gilberto Kassab, para 12%.

SERRA LIDERA

A pesquisa mostra que o cenário geral da eleição permanece estável. Serra oscilou um ponto percentual para cima e lidera a corrida com 31% das intenções de voto.

Como a margem de erro da pesquisa é de três pontos para mais ou para menos, ele se mantém no mesmo patamar.

Em segundo lugar aparece o ex-deputado Celso Russomanno (PRB), que oscilou três pontos para cima e agora aparece com 24%. Ele tem crescimento constante desde janeiro, quando tinha 17%.

Haddad interrompeu a trajetória de alta. Ele oscilou dois pontos negativamente e continua em terceiro lugar, com 6%. O mesmo aconteceu com Soninha Francine (PPS).

Também registraram 6% o deputado Gabriel Chalita (PMDB) e o vereador Netinho de Paula (PC do B), que deixou a disputa anteontem para apoiar Haddad. Quando a pesquisa foi registrada, ele ainda era pré-candidato.

Paulinho da Força (PDT) tem 3%, e Carlos Giannazi (PSOL), 1%. Os demais pré-candidatos não pontuaram. Nulos e brancos somam 11%, e 5% não opinaram.

O Datafolha ouviu 1.081 eleitores na capital paulista entre os dias 25 e 26. A pesquisa foi registrada no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) sob o número 87/2012.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – 64% dos petistas rejeitam apoio de Maluf – 27/06/2012.

PT reforça tropa de choque na CPI e PMDB esvazia bancada

No Blog do João Bosco Rabelo

O PT reforçou a bancada na CPI do Cachoeira, substituindo o deputado Sibá Machado (AC) pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Ricardo Berzoini (SP). Berzoini é ex-presidente do PT, integrante do Diretório Nacional e um dos nomes de projeção da legenda.
Na direção contrária, o PMDB mantém a bancada esvaziada na comissão. O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), segue indiferente aos apelos do governo para preencher, com pesos pesados, as quatro vagas de suplentes na comissão. Até agora, o único indicado é o senador Benedito de Lira (PP-AL), aliado de Renan.
Desde o início dos trabalhos, chamou a atenção o fato de que os petistas escalaram seus principais atacantes para o jogo, enquanto os peemedebistas entraram em campo com o time reserva.
Agora o PT receia uma ofensiva do presidente da CPI, senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB), por causa da disputa em Campina Grande, na Paraíba, reduto eleitoral da família dele. Os petistas romperam a aliança de oito anos com o PMDB no município – o segundo maior e pólo econômico do Estado – e decidiram apoiar Daniella Ribeiro (PP), que é irmã do ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro (PP). A atuação do ministro foi decisiva para levar o PP – e seu tempo de TV – para a coligação de apoio a Fernando Haddad em São Paulo.
O PT atua na CPI com seus principais atacantes: os deputados Candido Vaccarezza (SP), Paulo Teixeira (SP), e Odair Cunha (MG). Vaccarezza foi líder do governo, Teixeira foi líder da bancada e assumiu a vice-presidência da CPI. Cunha é vice-líder do governo e relator dos trabalhos. Agora entrou Berzoini, reforçando o time.
Pelo Senado, o PT escalou o líder do governo no Congresso, José Pimentel (CE), o ex-líder da bancada Humberto Costa – que também é relator do processo contra Demóstenes Torres (GO) no Conselho de Ética – o atual líder da bancada, Walter Pinheiro (BA), e Delcídio Amaral (MS), que foi presidente da CPI dos Correios.
Em contrapartida, nenhum dos caciques do PMDB compõe a CPI. Pelo Senado, Renan Calheiros escalou Ciro Nogueira (PP-PI, pelo bloco PMDB-PP-PV), e dois suplentes, Paulo Davim (PV-RN) e Sérgio Souza (PMDB-PR). Souza é suplente da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann (PT-PR). O destaque são os “emergentes”, Vital do Rêgo Filho, que preside a comissão, e Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Pela Câmara, atuam Luiz Pitiman (PMDB-DF) e Iris de Araújo (PMDB-GO), que é adversária política de um dos alvos da investigação, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Beba na fonte: PT reforça tropa de choque na CPI e PMDB esvazia bancada – João Bosco – Estadao.com.br.

PT teme que acordo eleitoral influa na CPI

Eugênia Lopes

O PT rompeu com o PMDB do senador Vital do Rêgo, presidente da CPI do Cachoeira, e apoiará Daniela Ribeiro (PP), irmã do ministro Aguinaldo Ribeiro (Cidades), à Prefeitura de Campina Grande, na Paraíba. A decisão foi comunicada nesta quarta-feira, 20, pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão.

Vital do Rêgo ficou irritado e, agora, os petistas temem que essa insatisfação acabe refletindo no dia a dia dos trabalhos conduzidos pelo senador na CPI.

Reduto eleitoral da família Rêgo, Campina Grande é comandada há oito anos por Veneziano Rêgo (PMDB), irmão do senador, com o apoio do PT. Mas, a pouco mais de três meses das eleições, a cidade acabou se transformando moeda de troca pelo apoio do PP do deputado Paulo Maluf (SP) à candidatura do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Para acalmar Vital do Rêgo, o PT se comprometeu a apoiar sua candidatura ou a de seu irmão ao governo da Paraíba em 2014.

Depois de oito anos ao lado do PMDB, os petistas decidiram se aliar à candidatura de Daniela Ribeiro à Prefeitura de Campina Grande em retribuição ao empenho de Aguinaldo Ribeiro nas negociações com Maluf , que acabaram levando o PP a apoiar Haddad em troca de um cargo no Ministério das Cidades. O PT indicou Peron Japiassu como vice-prefeito na chapa encabeçada por Daniela. “O fato de o ministro Aguinaldo Ribeiro ter ajudado a resolver a questão da eleição em São Paulo tem que ser levado em conta”, disse o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP). Além dele e de Rui Falcão, o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), participou da reunião para formalizar a retirada de apoio ao PMDB da Paraíba.

Líder no Senado. Paralelamente aos acordos que estão sendo firmados para as eleições municipais, o PT também está preocupado com reflexos na CPI da eventual saída do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), do cargo.

Seria mais uma vaga a ser preenchida pelo PMDB, que não indicou os quatro suplentes a que a sigla tem direito na CPI. A avaliação é que o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), “puxou o freio de mão” na CPI, apesar dos apelos para que as vagas sejam preenchidas.

Beba na fonte: O Estado de S. Paulo | politica – PT teme que acordo eleitoral influa na CPI.

Rudá Ricci: Erundina, a última petista

Erundina deixou todos petistas constrangidos. Fez o que qualquer petista histórico faria. O PT dos anos 1980, não este pragmático, sem cor, sem cheiro, sem forma. Praticamente matou a candidatura de Haddad. Só uma reviravolta para colocar a militância engajada (da zona leste e sul) na rua.
Os pragmáticos, do PT e PSB, estão furiosos e jogam a culpa na escolha do nome da ex-prefeita. Não se importam com programa ou ideologia. Se importam com vitória, com cálculo de votos. Assim, pautados pela popularidade, se tornam conservadores, fiéis escudeiros do status quo, justamente porque não querem mudanças fundamentais, mas apenas se tornarem populares. Um atalho para a construção da hegemonia gramsciana. Em Gramsci, havia diálogo e costura de múltiplos interesses. Mas o pragmatismo petista de hoje é rebaixado. Não procura costurar interesses a partir de um programa. Faz o contrário: constrói seu programa a partir do cálculo de força eleitoral. Cede. Se rebaixa. Na verdade, não se preocupa com programa algum. Eleito, administra e sai a cata de programas que tenham algum sentido estatal-desenvolvimentista, o que sobrou do modo petista de governar. Aquele modo petista, mesmo difuso e confuso, tinha uma inspiração de transformação social, plasmada no slogan “inversão de prioridades”. O participacionismo, outra marca do início dos governos petistas, foi abruptamente abandonado. O motivo parece óbvio: não há como abrir a participação dos de baixo se os cálculos eleitorais exigem acordos com as elites coronelistas de sempre.
Erundina é a última petista. O que deve incomodar profundamente os caciques do PSB e do PT.

Beba na fonte: RUDÁ RICCI: Erundina, a última petista.

Prefeito do Recife ganha na Justiça direito de disputar a reeleição

No Blog do Noblat

Francisco Julião de Oliveira Sobrinho, juiz da 3a Vara Civil do Recife,  mandou o Diretório Municipal do PT homologar a candidatura à reeleição do prefeito João da Costa.

O juiz entendeu que foi válida a prévia realizada pelo partido em 20 de maio último onde João da Costa derrotou por quase 600 votos de diferença o deputado federal Maurício Rands.

A Executiva Nacional do PT anulou a prévia que ela mesma patrocinara. Alegou que haviam votado militantes que não estavam aptos. E marcou data para uma nova prévia.

Rands desistiu de enfrentar João da Costa pela segunda vez às vésperas da nova prévia.

A Executiva Nacional do PT então decidiu que o candidato a prefeito seria o senador Humberto Costa.

A candidatura de Humberto foi homologada pelo Diretório Municipal.

O juiz considerou indevida a interferência da Executiva Nacional. A prévia, segundo ele, “cumpriu todas as normas do regulamento9 de prévias do PT”.

Cabe recurso da decisão do juiz. O PT poderá entrar com ação nesse sentido junto ao Tribunal de Justiça do Estado.

Beba na fonte: Prefeito do Recife ganha na Justiça direito de disputar a reeleição – Ricardo Noblat: O Globo.

Intelectuais ligados a PT se calam sobre aliança

ntelectuais ligados ao PT silenciaram ontem sobre a aliança com o deputado Paulo Maluf (PP-SP) na eleição paulistana e as críticas que culminaram com a saída de Luiza Erundina da vice na chapa de Fernando Haddad.

Secretária da gestão Erundina na prefeitura (1989-1992), a filósofa Marilena Chauí se negou a falar: “Não vou dar entrevista, meu bem. Não acho nada [da aliança]. Nadinha. Até logo”.

Também egresso da equipe de Erundina e hoje no governo federal, o economista Paul Singer defendeu a candidatura de Haddad, mas disse que não se manifestaria sobre o apoio de Maluf.

“Não tenho interesse em tornar pública qualquer opinião. Vai ficar entre mim e mim mesmo”, afirmou.

Também não quiseram fazer comentários os intelectuais Antonio Cândido, Gabriel Cohn e Eugênio Bucci.

Já o sociólogo Emir Sader, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), disse não ver novidade no apoio, uma vez que o PP é da base aliada federal.

“O fundamental é derrotar a ‘tucanalha’ em São Paulo. Eu posso gostar ou não do Maluf, mas vou fazer campanha para o Haddad do mesmo jeito”, disse.

No Twitter, ele criticou a saída da deputada do PSB da chapa: “A Erundina sabia do apoio do Maluf quando aceitou ser candidata a vice. Então, por que aceitou?”

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Intelectuais ligados a PT se calam sobre aliança – 20/06/2012.

Erundina sai e agrava crise na campanha de Haddad

Um dia depois da feijoada que selou o apoio do deputado Paulo Maluf (PP-SP), o pré-candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, perdeu a sua vice. A deputada Luiza Erundina (PSB-SP), 77, abandonou ontem a chapa em protesto contra a aliança com o ex-rival.

A decisão agrava a crise na campanha petista, que passou a enfrentar cobranças de sua própria militância e terá que correr em busca de um substituto para a ex-prefeita.

Em reunião com a cúpula do PSB em Brasília, Erundina disse que não aceitava a ligação com Maluf, a quem acusou de corrupto e aliado da ditadura militar.

Ela reclamou das fotos do ex-prefeito ao lado de Haddad e do ex-presidente Lula, que articulou o acordo para ampliar o tempo de TV de seu afilhado em 1min35s.

Lula e o presidente do PSB, Eduardo Campos, deram aval ao rompimento. Disseram a aliados que a permanência da vice causaria mais problemas a Haddad que sua saída.

“Se ela permanecesse, seria crise todo dia. Ela seria sempre questionada sobre a presença de Maluf. Seria um ponto permanente de instabilidade”, afirmou Campos.

A ex-prefeita disse ao portal G1 que deixa a chapa, mas vai “continuar apoiando a candidatura” de Haddad.

O petista acompanhou o encontro à distância e soube do desfecho por telefone. Ele lamentou a saída de Erundina, mas disse que ela já sabia da negociação com Maluf ao ser anunciada como sua candidata a vice, na sexta-feira.

“Estou muito confortável com o telefonema do Eduardo [Campos], embora lamente a decisão da companheira Erundina”, afirmou Haddad. “Eu não gostei. Gostaria que ela permanecesse.”

Ele disse não se arrepender da aliança com o ex-prefeito e repetiu o argumento de que o PP integra a base de apoio ao governo Dilma Rousseff.

“Como um partido que apoia o governo federal pode não servir para nos apoiar no plano municipal? Não faz o menor sentido do ponto da democracia moderna.”

Antes de se reunir com Erundina, Campos consultou Haddad sobre a hipótese de retirar a indicação da vice. O petista disse que desejava a permanência dela e pediu ao aliado que a convencesse de aceitar o acordo com o PP.

A ex-prefeita ficou irredutível e reconheceu que sua permanência causaria novos problemas à campanha.

Haddad disse não ter um “plano B” para substituir a socialista. Só descartou um vice do PP de Maluf. À noite, eram cotados o advogado Pedro Dallari e a deputada Keiko Ota, ambos do PSB. Corria por fora o ex-jogador Marcelinho Carioca, suplente de deputado pela sigla.

O PC do B, que indicou a deputada estadual Leci Brandão, será consultado.

O vereador Juscelino Gadelha (PSB) lamentou a saída de Erundina, mas disse que a posição dela foi minoritária no partido. “Vamos fazer campanha com o Maluf, sem problema nenhum.”

(BERNARDO MELLO FRANCO, DIÓGENES CAMPANHA, MÁRCIO FALCÃO E CATIA SEABRA)

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Erundina sai e agrava crise na campanha de Haddad – 20/06/2012.

Os dois PTs

Publicado na Revista Época

Como o julgamento do mensalão, as acusações contra a Delta na CPI do Cachoeira e as eleições municipais dividiram o partido entre a turma de Lula e a turma de Dilma

ALBERTO BOMBIG

Uma linha divide a estrela do PT. Seu nome: mensalão. De um lado, estão os acusados no maior escândalo de corrupção do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, como José Dirceu e José Genoino. De outro, os integrantes do governo de Dilma Rousseff, que querem distância da banda enrolada do partido. Alguns membros do Partido dos Trabalhadores já levantam a tese dos “dois PTs”. O PT de Lula e o PT de Dilma. O primeiro lado é o defendido pelo ex-presidente, que, no afã de proteger seu legado, operou nos bastidores para adiar o julgamento do mensalão. Agora que foi marcado, ele tenta minimizar os prejuízos dos “réus companheiros”. Na outra ponta, a presidente Dilma e seu governo sabem que só têm a perder com o envolvimento com o “outro lado”. O PT de Lula, afinal, é o passado. O de Dilma é o futuro.

O PT de Dilma... (Foto: Ruy Baron/Valor/Folhapress, Ueslei Marcelino/Reuters e Valterci Santos/Ag. Gazeta do Povo)

Há outros sinais da divisão no PT. A atitude da senadora Marta Suplicy na campanha eleitoral deste ano em São Paulo expôs as fragilidades do centralismo nas decisões petistas. Preterida em favor de Fernando Haddad, Marta decidiu enfrentar Lula. Assim, deixava claro a Dilma com qual dos dois PTs pretende ficar. Outro indício foi o desconforto de Lula com a atitude do governo federal, que deixou que a CPI do Cachoeira – incentivada por Lula contra os interesses da presidente da República – quebrasse os sigilos da empreiteira Delta. O PT, com isso, quase perdeu o controle da comissão. O cochilo, segundo ÉPOCA apurou, embute a estratégia de uma ala do governo: jogar aos leões a empreiteira líder em obras e negócios no Programa de Aceleração do Crescimento. Lula quase saiu do sério. Ele não chegou a reclamar diretamente com Dilma, mas externou seu desconforto a auxiliares e parlamentares de sua confiança. “A relação entre Lula e Dilma não chegou a azedar, mas deu uma esfriada”, afirmou um deles a ÉPOCA.

Os que acreditam na tese do partido rachado dizem que a linha divisória entre os dois PTs ficará mais clara a partir de agosto, quando o Supremo Tribunal Federal começar a julgar o mensalão. Ao contrário de Lula, Dilma planeja se manter afastada do processo e cogita participar de campanhas de candidatos petistas a prefeito somente no segundo turno, após o fim do julgamento. A tese petista sobre o mensalão sustenta que o esquema envolvia apenas sobras de campanha de 2002 e liga o escândalo a disputas eleitorais. Dilma teme associar sua imagem às disputas e não quer nem ouvir falar em palanque.

... e o PT de Lula (Foto: Eraldo Peres/AP, Alan Marques/Folhapress (2), Antonio Gauderio/Folhapress e Marques/Folhapress )

Em privado, petistas com cargo na gestão Dilma já admitem um resultado desfavorável aos eminentes réus do partido no julgamento: o ex-ministro José Dirceu, o deputado João Paulo Cunha (SP), o ex-tesoureiro Delúbio Soares e o ex-presidente do PT e ex-deputado José Genoino (SP). A eventual condenação de todos eles poderá significar, ao menos em termos simbólicos, a reprovação do governo Lula no campo da ética. Essa possibilidade tem levado Lula a se alinhar com os réus numa campanha por sua absolvição.

Já em 2005, no auge do escândalo, o então líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, chegou a propor uma “refundação” do partido. Sete anos depois, a chance parece ter ressurgido na esteira da popularidade de Dilma. Hoje ministro da Educação, Mercadante passou décadas ao lado de Lula, como um de seus gurus para a economia. Agora é só elogios à presidente.

De volta a São Bernardo do Campo, seu berço político na Grande São Paulo, e mesmo em tratamento contra um câncer na laringe, Lula aceitou se ocupar da política partidária miúda. Dilma e seus auxiliares petistas ficaram ainda mais distantes da atividade, que a presidente diz detestar. “Lula voltou à articulação política numa situação nova. Antes, usava uma pressão indireta sobre as escolhas partidárias. E ganhava na maioria das vezes. Agora, usa o intervencionismo direto”, diz o cientista político Lincoln Secco, da Universidade de São Paulo e autor do livro História do PT. “Isso revela duas coisas: ele tem um poder muito maior no PT, mas isso tem custos políticos que nem sempre pode controlar. Vide o caso paulistano: ele impôs o candidato, Haddad, e acabou com as prévias. Mas há um setor do partido que simplesmente não entrou na campanha até agora.”Com Lula à frente das negociações, o PT de Dilma sentiu-se desobrigado de negociar eleitoralmente com os líderes petistas e dos partidos aliados. O movimento é bom para Dilma, uma ex-pedetista que só adotou o PT em 2000. Assim, ela se afasta ainda mais da turma do mensalão. Ao lado dela, instruídos a não perder tempo com conversas políticas, atuam, além de Mercadante, os ministros petistas Gleisi Hoffmann (Casa Civil), José Eduardo Martins Cardozo (Justiça), Guido Mantega (Fazenda), Giles Azevedo (chefia de gabinete), Fernando Pimentel (Desenvolvimento Econômico), Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Paulo Bernardo (Comunicações).

Em sentido oposto, Lula manobrou para vetar a indicação do prefeito do Recife, João da Costa, à reeleição. Também costurou alianças com antigos aliados de partidos “faxinados” por Dilma após algum escândalo, como o PCdoB e o PP de Paulo Maluf. “A relação mudou. Em primeiro lugar, Dilma tem sido muito mais dura com auxiliares acusados de desvios éticos. Em segundo, embora seja do PT, ela não tem história na sigla. Nunca havia sido candidata a nada. A relação do partido com ela é mais fria”, diz Secco.

Por enquanto, ninguém aposta num confronto aberto entre Lula e Dilma, ungida por ele para assumir o comando do país. Mas os choques recentes são reais e cada vez mais frequentes. A presidente era contra a criação da CPI do Cachoeira, instalada para investigar o bicheiro Carlos Augusto Ramos. Estava disposta a atuar contra a CPI, mas perdeu a disputa com o antecessor. Deu o troco ao vetar a indicação de Cândido Vaccarezza (PT-SP), fiel escudeiro de Lula, para a relatoria.

O deputado Vaccarezza acabaria flagrado ao celular enviando uma mensagem ao governador do Rio de Janeiro, o peemedebista Sérgio Cabral. Prometia blindagem absoluta a Cabral nas investigações. Vaccarezza queria o apoio do PMDB para acuar a imprensa com a comissão. Não conseguiu e deixou os governistas fragilizados. Poucos dias depois, em 30 de maio, a CPI quebrou o sigilo da empreiteira Delta (braço operacional do esquema de Cachoeira) em âmbito nacional durante toda a era Lula (2003-2010). Lula queria a Delta longe do foco da CPI que ele mesmo ajudou a criar. Mas o feitiço do feiticeiro ameaça ter vida própria. Na quinta-feira passada, governistas comandados pelo líder Jilmar Tatto (PT-SP) conseguiram uma vitória e postergaram a convocação de Fernando Cavendish, ex-homem forte da Delta. Mesmo assim, a CPI examinará as contas da Delta e poderá convocá-lo no futuro.

O deputado federal André Vargas (PT-PR) nega haver tempo ruim com o Planalto. “Nas relações com o Congresso e o PT, Dilma é diferente de Lula. Mas ela encampa os símbolos do partido e da gestão do ex-presidente. Os estilos são diferentes, e temos de entender isso”, diz Vargas. Verdade, mas algo mais os difere. Lula é pressionado pelo tempo, algo que Dilma, na primeira metade de seu primeiro mandato, tem de sobra. No discreto embate da presidente contra o lulismo, o tempo está de seu lado.

Maluf ameaça deixar Serra e se aliar a PT

DANIELA LIMA E VERA MAGALHÃES

Irritado com o PSDB, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) ameaça abandonar as negociações por uma aliança com o candidato dos tucanos à Prefeitura de São Paulo, José Serra, e embarcar na campanha do principal adversário dele na eleição municipal, o petista Fernando Haddad.

O apoio do PP a Serra era dado como certo, mas as relações do PSDB com o PP azedaram e Maluf decidiu intensificar contatos com a campanha petista.

O PP é dono quarto maior tempo de propaganda no rádio e na TV, com cerca de 1min30. Esse é o maior cacife do partido. Sua adesão renderá ao PT ou ao PSDB a hegemonia na propaganda eleitoral, objeto de desejo das duas siglas.

As negociações com os tucanos travaram em dois pontos: Maluf, que foi atraído para o PSDB pelo governador Geraldo Alckmin exige mais espaço no governo estadual.

Ele já controla a CDHU, a companhia de Habitação do Estado, mas passou a exigir há cerca de um mês a troca do comando da Secretaria de Habitação, órgão ao qual a estatal é subordinada.

Maluf trava uma batalha com o chefe da pasta, o secretário Silvio Torres, que o pepista acusa de ter cerceado os seu indicado na CDHU.

Alckmin havia prometido solucionar o impasse na pasta após as eleições. O governador conversou ontem com o pepista, antes de viajar para os Estados Unidos, para acalmá-lo. Serra prometeu ao PP a Secretaria Municipal de Habitação e a Cohab.

O outro ponto de atrito é a exigência de uma aliança na chapa de vereadores. O PP quer a coligação, mas, a contragosto de Serra, parte da direção do PSDB resiste à ideia (leia mais abaixo).

Insatisfeito, Maluf procurou o PT. Seu principal interlocutor em São Paulo, Jesse Ribeiro, esteve com Haddad e ouviu do petista uma promessa de participação na Secretaria Municipal de Habitação, caso seja eleito.

Os petistas também teriam acenado com mais cargos para o deputado no Ministério das Cidades, que já é comandado pelo PP.

Com duas propostas, Maluf emitiu sinais dúbios. Anteontem, em encontro com o vice-presidente da República, Michel Temer, teria acenado fechar com Haddad.

Já aos tucanos, disse que, com Luiza Erundina (PSB) na vice de Haddad, o acerto com o PT estava descartado.

À Folha Maluf disse que o PP não tomou decisão e que só anunciará o aliado na segunda. “Não fui visitar o Lula no hospital, como chegaram a dizer. Não falei com ele nos últimos dias”, afirmou.

Ribeiro endossou a versão, mas atacou o PSDB. “O compromisso com o Alckmin é 2014. Em 2012 estamos livres. O PSDB nos tratou como sublegenda, como se tudo já estivesse acertado.”

Colaborou DIÓGENES CAMPANHA de São Paulo

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Maluf ameaça deixar Serra e se aliar a PT – 15/06/2012.

PSB bate martelo e será o 1º partido a apoiar Haddad

FÁBIO ZAMBELI

O PSB será o primeiro partido a oficializar o apoio a Fernando Haddad (PT) na corrida pela prefeitura paulistana.

O comunicado formalizando a aliança deve ser feito até amanhã pelo governador Eduardo Campos (PE) e o ex-ministro Roberto Amaral, principais dirigentes da sigla, a Lula, padrinho da candidatura de Haddad, e Rui Falcão, presidente nacional petista.

Campos e Amaral dirão à cúpula do PT que a decisão independe das articulações entre os dois partidos para Recife e Fortaleza, que se arrastarão até o final do mês.

Os socialistas, que integram a base de sustentação a Dilma Rousseff, pretendem usar o discurso de que o acordo se faz necessário pelo fato de a eleição em São Paulo ter “caráter nacional”.

Na interpretação da direção do PSB, a coalizão haddadista será a única capaz de sustentar um projeto “progressista e de centro-esquerda” para a capital paulista.

O pacto dará ao pré-candidato do PT cerca de 1min20s de tempo de TV no horário gratuito. Haddad está perto de atrair ainda o PC do B, que também compõe o bloco de apoio ao governo Dilma.

A convenção que sacramentará a chapa liderada pelo ex-ministro da Educação está marcada para o dia 30.

Ainda assim, o petista terá menos tempo que seu principal adversário, José Serra (PSDB), na TV. O tucano já anunciou alianças com quatro partidos -DEM, PSD, PR e PV- e deve formalizar acordo com o PP amanhã.

Embora a indicação do vice não seja fator condicionante para o PSB, figuram em lista que circula no QG petista nomes como o da deputada Luiza Erundina e do reitor da UniNove, Eduardo Storópoli.

Em São Paulo, o PSB integra as bases de sustentação ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) e ao governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Ambos tentaram conduzir o partido à campanha de Serra, sem sucesso. Num segundo movimento, trabalharam para que o PSB optasse por candidatura própria, indicativo aprovado pela direção paulistana no dia 31 de maio.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – PSB bate martelo e será o 1º partido a apoiar Haddad – 12/06/2012.

Petista diz que quer evitar ‘armadilha’ do julgamento na CPI

CATIA SEABRA E GABRIELA GUERREIRO

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), participou ontem pela primeira vez de uma reunião do PT para definição de estratégia na CPI do Cachoeira. Ele recomendou que o partido não “caia na armadilha” de discutir o mensalão.

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), depõe à comissão hoje e diz ser vítima de tentativa de revanchismo. Petistas veem no tucano um dos responsáveis por elevar a pressão contra Lula na época do mensalão.

“Se eu estivesse na CPI, me orientaria pelo inquérito [contra Perillo, por suas relações com Cachoeira]. Que eu saiba, ele está sendo investigado pela Polícia Federal, o Lula não está. Não foi o Lula quem o acusou”, disse.

A oposição diz que o PT tenta usar a CPI para desviar o foco do julgamento do mensalão, marcado para começar em 1º de agosto.

Em entrevista à Folha ontem, Perillo disse que Lula, incentivador inicial da comissão, deve atuar como estadista e não interferir na CPI para tentar prejudicá-lo.

“Esse discurso não dura meia hora na CPI”, afirmou o vice-presidente da CPI, Paulo Teixeira (PT-SP). Para ele, Perillo deverá enfrentar uma “pedreira” na comissão.

A assessoria do relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG), produziu material para ser usado contra o governador tucano. São cinco suspeitas: enriquecimento ilícito, caixa dois de campanha, nomeações para o governo de Goiás de indicados por Cachoeira, venda de uma casa para Cachoeira e licitações com indícios de favorecimento.

Um dos principais focos será questionar a suspeita da venda por Perillo de uma casa para Cachoeira.

O governador nega ter negociado com o empresário, que acabou sendo preso no imóvel pela Polícia Federal, no dia 29 de fevereiro deste ano, após deflagração da Operação Monte Carlo.

O PT decidiu partir para o confronto hoje contra Perillo, mesmo depois de o PSDB ter proposto um pacto de não agressão. Já o PMDB deverá ter uma atuação mais amena.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Petista diz que quer evitar ‘armadilha’ do julgamento na CPI – 12/06/2012.

Tucanos recorrem à base do governo para blindar Perillo na CPI

CATIA SEABRA

Preocupado com o impacto na imagem do partido, o PSDB recorreu à base do governo Dilma na tentativa de blindar o governador de Goiás, Marconi Perillo, amanhã em seu depoimento à CPI do Cachoeira. Após acenar com um pacto de não agressão ao PT, que na quarta terá o governador Agnelo Queiroz (DF) na comissão, o tucanato apelou para o PMDB.

Ainda sem sinal de acordo entre os dois, PT e PSDB buscam munição para um confronto. Segundo integrantes da CPI, apesar de dividido sobre sua atuação, o PT tende a ir para o ataque. Assessores do relator, Odair Cunha (MG), se dedicavam à coleta de material contra Perillo.

O tucano Fernando Francischini (PR), por sua vez, passou o feriado em Brasília para se preparar para o depoimento de Agnelo. Os dois partidos só baterão o martelo sobre a estratégia na tarde de hoje. Qualquer que seja o desfecho, não há como conter todos os membros da CPI.

Já o PMDB tende a concordar com a adoção de um tom leve, mesmo tendo que controlar deputados que têm Agnelo e Perillo como desafetos.

“Estou fora do país para escapar de telefonemas. Mas tentarei ser justo”, disse Luiz Pitiman (PMDB-DF), que foi exonerado por Agnelo.

Com participação do senador Aécio Neves (PSDB), o senador Cássio Cunha Lima e o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo, atuaram na operação para a blindagem de Perillo, que vai procurar membros da CPI hoje. “Queremos um ambiente de civilidade”, disse Cunha Lima.

No PT, o deputado Cândido Vacarezza é um dos que defendem que a investigação se restrinja à organização criminosa. “Perillo comprou a casa com o dinheiro do Cachoeira? Se sim, a CPI deve investigar. Se não, não é problema nosso”, disse ele, reconhecendo que o clima deverá ser de polarização.

A voracidade do PT pode aumentar caso Perillo se apresente como alvo de revanche do PT por causa do mensalão. “Ele vai querer usar o mensalão politicamente. E o PT vai perguntar tudo que está no inquérito”, avisou o vice-presidente da CPI, Paulo Teixeira (PT).

Além de denúncias contra Perillo, o PT trabalhará para limitar o depoimento de Agnelo aos temas da CPI, poupando-o de questões sobre a Anvisa. “Poucos se dedicaram à passagem dele pela Anvisa. Daí podem sair surpresas”, ameaça Francischini.

Advogado de Agnelo, Luís Carlos Alcoforado diz que “não há possibilidade de o governador recorrer ao direito de ficar em silêncio”.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Tucanos recorrem à base do governo para blindar Perillo na CPI – 11/06/2012.

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