Maluf ameaça deixar Serra e se aliar a PT

DANIELA LIMA E VERA MAGALHÃES

Irritado com o PSDB, o deputado Paulo Maluf (PP-SP) ameaça abandonar as negociações por uma aliança com o candidato dos tucanos à Prefeitura de São Paulo, José Serra, e embarcar na campanha do principal adversário dele na eleição municipal, o petista Fernando Haddad.

O apoio do PP a Serra era dado como certo, mas as relações do PSDB com o PP azedaram e Maluf decidiu intensificar contatos com a campanha petista.

O PP é dono quarto maior tempo de propaganda no rádio e na TV, com cerca de 1min30. Esse é o maior cacife do partido. Sua adesão renderá ao PT ou ao PSDB a hegemonia na propaganda eleitoral, objeto de desejo das duas siglas.

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PSB bate martelo e será o 1º partido a apoiar Haddad

FÁBIO ZAMBELI

O PSB será o primeiro partido a oficializar o apoio a Fernando Haddad (PT) na corrida pela prefeitura paulistana.

O comunicado formalizando a aliança deve ser feito até amanhã pelo governador Eduardo Campos (PE) e o ex-ministro Roberto Amaral, principais dirigentes da sigla, a Lula, padrinho da candidatura de Haddad, e Rui Falcão, presidente nacional petista.

Campos e Amaral dirão à cúpula do PT que a decisão independe das articulações entre os dois partidos para Recife e Fortaleza, que se arrastarão até o final do mês.

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Petista diz que quer evitar ‘armadilha’ do julgamento na CPI

CATIA SEABRA E GABRIELA GUERREIRO

O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), participou ontem pela primeira vez de uma reunião do PT para definição de estratégia na CPI do Cachoeira. Ele recomendou que o partido não “caia na armadilha” de discutir o mensalão.

O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), depõe à comissão hoje e diz ser vítima de tentativa de revanchismo. Petistas veem no tucano um dos responsáveis por elevar a pressão contra Lula na época do mensalão.

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Tucanos recorrem à base do governo para blindar Perillo na CPI

CATIA SEABRA

Preocupado com o impacto na imagem do partido, o PSDB recorreu à base do governo Dilma na tentativa de blindar o governador de Goiás, Marconi Perillo, amanhã em seu depoimento à CPI do Cachoeira. Após acenar com um pacto de não agressão ao PT, que na quarta terá o governador Agnelo Queiroz (DF) na comissão, o tucanato apelou para o PMDB.

Ainda sem sinal de acordo entre os dois, PT e PSDB buscam munição para um confronto. Segundo integrantes da CPI, apesar de dividido sobre sua atuação, o PT tende a ir para o ataque. Assessores do relator, Odair Cunha (MG), se dedicavam à coleta de material contra Perillo.

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Mão pesada

ELIANE CANTANHÊDE

Todos os prefeitos, governadores e presidentes em primeiro mandato têm, com raras exceções, o direito, ou o privilégio, de concorrer à reeleição. Menos o prefeito de Recife, João da Costa, do PT.

Parte do PT, parte da Frente Popular e a cúpula nacional petista alegam que sua gestão é mal avaliada e que ele, apesar do cargo, está praticamente empatado com o ex-governador Mendonça Filho, do DEM.

Esquecem-se de que João da Costa lidera, na prática, as pesquisas e que, nas últimas eleições, Mendonça sempre largou bem, mas não levou.

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Após críticas, PT muda tom e diz esperar Marta em SP

DIÓGENES CAMPANHA E BERNARDO MELLO FRANCO

Depois de deixar clara a insatisfação com Marta Suplicy, que boicotou o ato de lançamento da campanha de Fernando Haddad no sábado, o PT mudou o tom e adotou discurso diplomático para tentar convencê-la a ajudar seu pré-candidato em São Paulo.

Ontem, o ex-presidente Lula, o presidente nacional do partido, Rui Falcão, e o próprio Haddad elogiaram a senadora e disseram ainda esperar seu apoio na eleição.

“A Marta vai participar com o mesmo carinho, a mesma força com que eu vou”, disse Lula, em aparição ao lado do prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), que tentará a reeleição.

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Pagot na revista Época: Vela só para a campanha petista

Durante a campanha eleitoral de 2010, o petista José de Filippi Junior, responsável por arrecadar dinheiro para a então candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, procurou Luiz Antônio Pagot, então diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura Terrestre (Dnit), em busca de ajuda para conseguir doações. Pagot disse a ÉPOCA que Fillipi pediu a ele que buscasse recursos junto a entidades do setor da construção civil e forneceu o número de contas bancárias. Como diretor do Dnit, Pagot tinha sob sua responsabilidade cerca de R$ 10 bilhões para gastar em milhares de obras em rodovias, executadas por empresas dessa área. Pagot tinha acesso privilegiado a diretores dessas empresas.

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Pagot na Isto É: uma vela para o PT, outra para o caixa-dois do PSDB

Desde o início do ano, o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) Luiz Antonio Pagot tem prestado consultoria em projetos de navegação fluvial. Os negócios vão bem, mas a incursão no setor privado ainda não foi suficiente para apagar a mágoa que guarda pela maneira como deixou o governo, no rastro do escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes. Casado, pai de uma filha, o economista, que é oficial reformado da Marinha, considera-se um técnico competente, de confiança, e diz que nutria pelo governo uma fidelidade quase canina.

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Planalto quer se manter longe da crise

Vera Rosa e Tânia Monteiro

Preocupada com o acirramento dos ânimos às vésperas do julgamento do mensalão, a presidente Dilma Rousseff disse que o governo não entrará na briga entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

Dilma avalia que a situação é perigosa, tem potencial de estrago que beira a crise institucional nas relações entre Executivo e Judiciário, e transmitiu esse recado na conversa mantida nesta terça-feira, 29, com o presidente do STF, Ayres Britto. O encontro durou uma hora e dez minutos, no Planalto.

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PT convoca militantes a defender Lula de ‘manobra’

O presidente do PT, Rui Falcão, conclamou a militância do partido a “ficar atenta” e associou o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a uma suposta manobra para desmoralizar a sigla e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em vídeo divulgado ontem na internet, o dirigente diz que o relato de Mendes sobre a conversa em que Lula teria pedido apoio para adiar o julgamento dos réus do mensalão “já foi desmentido”.

O ex-presidente afirmou que a versão do magistrado é “inverídica” e negou intenção de interferir no tribunal.

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Todos querem Maluf

No Blog da Júlia Duailib

Dono do quarto maior tempo de TV no horário eleitoral gratuito, o PP passou a ser cortejado por petistas e tucanos. O líder do partido no Estado, deputado Paulo Maluf, foi procurado há cerca de um mês tanto pelo pré-candidato do PSDB, José Serra, quanto pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, que esteve na casa de Maluf, no Jardim Europa, com outros dois petistas.
Os tucanos já dão como certo o apoio de Maluf a Serra. Nas tratativas, uma das sinalizações feitas pelos tucanos foi a Secretaria da Habitação (com a Cohab junto). Ontem, em jantar na casa do deputado Fabio Ramalho (PV-MG), vizinho de Maluf em Brasília, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto, e os deputados Cândido Vaccarezza e Carlos Zarattini voltaram a insistir na aliança com o PT.
O PP pretende anunciar a decisão em 15 de junho.

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Fim de sigilo da Delta põe PT e PMDB em crise

Eugênia Lopes

O PT e o PMDB estão em pé de guerra depois de o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), ter defendido a quebra do sigilo bancário da Delta Construções em nível nacional e de seu principal acionista, Fernando Cavendish.

Diante da crise, Cunha optou nesta quarta-feira, 23, pela cautela. Mas o deputado confidenciou a correligionários que fez uma reavaliação da blindagem da empreiteira e que, diante das evidências, não tem como evitar que as investigações recaiam sobre a Delta nacional e seu proprietário.

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Segredos de Cavendish preocupam PT e seus aliados

Otávio cabral e Daniel Pereira

É absolutamente previsível a explosão que pode emergir de uma apuração minuciosa envolvendo as relações de uma grande construtora, no caso a Delta Construções, e seus laços financeiros com políticos influentes. A empreiteira assumiu o posto de líder entre as fornecedoras da União depois de contratar como consultor o deputado cassado José Dirceu, petista que responde a processo no Supremo Tribunal Federal (STF) no papel de “chefe da organização criminosa” do mensalão. Além disso, consolidou-se como a principal parceira do Ministério dos Transportes na esteira de uma amizade entre seu controlador, Fernando Cavendish, e o deputado Valdemar Costa Neto, réu no mesmo processo do mensalão e mandachuva do PR, partido que comandou um esquema de cobrança de propina que floresceu na gestão Lula e só foi desmantelado no ano passado pela presidente Dilma Rousseff. A empreiteira de Cavendish é dona da maior fatia das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e tem contratos avaliados em cerca de 4 bilhões de reais com 23 dos 27 governos estaduais. Todo esse império começou a ruir desde que a Delta foi pilhada no epicentro do escândalo envolvendo o contraventor Carlos Cachoeira. Se os segredos de Cachoeira são dinamite pura, os de Cavendish equivalem a uma bomba atômica. Fala, Cavendish!

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TV Globo diz que não exibirá programa do PT

PAULO GAMA

A TV Globo afirmou ontem que não exibirá as propagandas partidárias do PT previstas para entrar no ar a partir de hoje. A decisão põe em risco a estratégia petista para dar visibilidade ao pré-candidato do partido a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, antes do horário eleitoral gratuito, em agosto.

Em nota, a TV diz que seguirá “determinação da Justiça Eleitoral para que os partidos entreguem a documentação dos programas partidários com o prazo de 15 dias de antecedência a sua exibição”.

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Promotoria usará júri de Celso Daniel contra o PT

SILVIO NAVARRO E DANIEL RONCAGLIA

A condenação de mais três acusados pela morte do prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel (PT) será usada pelo Ministério Público no julgamento de outra ação que corre na Justiça, vinculando o crime a um suposto esquema de corrupção do PT.

A Justiça aceitou a denúncia da Promotoria que tem como réus o partido e o atual ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência). A acusação é de desvio de R$ 5,3 milhões dos cofres de Santo André para financiar campanhas do PT.

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MP reafirma tese de crime político no caso Celso Daniel

O Ministério Público de São Paulo sustenta que o assassinato do ex-prefeito de Santo André, no ABC Paulista, Celso Daniel, foi um crime com motivações políticas. A tese foi reafirmada nesta quarta-feira pelo promotor Márcio Augusto Friggi de Carvalho. Segundo ele, os cinco réus que vão a julgamento a partir desta quinta-feira, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, foram contratados com o objetivo de matar o prefeito petista, a mando do empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra. Daniel foi sequestrado no dia 18 de janeiro de 2002 em uma estrada rural de Juquitiba. Ele dividia um caminhonete de luxo com Silva, que foi ignorado pelos sequestradores. Dois dias depois, Daniel foi encontrado morto com oito tiros e sinais de tortura.
De acordo com o MP, os dois estariam envolvidos em um esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em licitações de coleta de lixo e transporte público. Os recursos desviados seriam utilizados para financiar a campanha política do PT naquele ano. Daniel teria rompido com o empresário quando descobriu que ele desviava os recursos em benefício próprio. Sentindo-se ameaçado, o empresário contratou o grupo de Dionísio de Aquino Severo, assassinado em abril do mesmo ano, para matar Daniel, simulando um crime comum de sequestro. Outras seis pessoas ligadas ao caso, entre elas testemunhas e um policial que participou das investigações, foram mortas ou morreram em condições suspeitas nos últimos dez anos.
Sombra não será julgado nesta quinta-feira. Seus advogados entraram com diversos recursos no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e no Supremo Tribunal Federal (STF), que acabaram adiando o julgamento do empresário. Vão a julgamento José Edílson da Silva, Itamar Messias Silva Santos, Elcyd Oliveira Brito, Rodolfo Rodrigo dos Santos Oliveira e Ivan Rodrigues da Silva. Em depoimentos que constam no inquérito, eles negam a autoria ou apresentam a versão de uma emboscada, destinada a um empresário do setor hortifrutigranjeiro, que acabou chegando a Daniel por acaso. Apenas Elcyd de Oliveira Brito, o “John”, que dirigia um dos veículos que interceptou Daniel, deu outra versão. Para os promotores, ele chegou a declarar que o alvo do grupo sempre foi o prefeito e que o sequestro havia sido combinado por Dionísio com uma terceira pessoa.
_ Esse depoimento dele consta nos autos. Vamos ver se ele mantém essa versão ao júri. Só assim para o instrumento da delação premiada ter efeito
– disse o promotor.
O advogado de Elcyd, Adriano Neves Lopes, não dá detalhes sobre o que será dito para o júri.
_Temos duas linhas de defesa preparadas.
Na investigação conduzida pela Polícia Civil, o assassinato de Daniel é tratado como um crime comum, sem conotação política.
_ A Polícia fez um grande trabalho na identificação da autoria do crime, em dois meses. O Ministério Público já tinha informações anteriores ao crime sobre corrupção na prefeitura. Em um trabalho de dois anos, reunimos diversas provas que mostram que houve um crime político – disse o promotor.
De acordo com o promotor, Daniel sabia sobre os desvios que beneficiavam seu partido. Para o MP, até R$ 100 mil eram desviados por mês no esquema. O atual ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, na época assessor da prefeitura, seria o responsável por ficar
com o dinheiro desviado da prefeitura, de acordo com o MP. Ele e o PT respondem a uma ação de improbidade administrativa na Comarca de Santo André. A assessoria de imprensa do ministro informou que ele nega as acusações e não iria mais se manifestar sobre o caso.
No total, 13 testemunhas foram arroladas para o júri, todas de defesa. A expectativa é de que o julgamento acabe na sexta-feira.

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Fatos e fitas

ELIANE CANTANHÊDE

Se alguém está entendendo a aliança entre Fernando Collor e o PT para transformar a CPI do Cachoeira em CPI da imprensa, por favor, explique. “Se a mídia quer guerra, vai ter guerra”, ameaça um senador petista, segundo o Painel. Afinal, quem quer guerra?

O impeachment de Collor foi por causa da imprensa, do PT ou dos dois? Será que ele não tinha culpa no cartório nem ficou isolado no Congresso e na sociedade?

O mensalão foi fruto da imaginação coletiva da imprensa? Ninguém estava comprando e vendendo votos no Congresso e nos partidos? E nunca houve “aloprados”?

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Petistas reagem mal às declarações do procurador-geral da República

Os integrantes da CPI se surpreenderam com o tom adotado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. A avaliação unânime era de que as declarações tendem a piorar o clima, que já não era bom, entre Gurgel e os integrantes da comissão. Principais defensores da convocação, os parlamenares do PT reagiram agressivamente. Integrante da CPI, o ex-líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), foi áspero:
— Acho melhor o procurador explicar para a sociedade por que ele não denunciou o Demóstenes e os outros implicados. Quero crer que ele não estivesse imbuído da disputa eleitoral. Porque se ele tivesse denunciado o Demóstenes, ele não teria sido eleito senador. Ele não tem autoridade para mandar recado para o PT, ele escondeu a operação Vegas. Ele tem que deixar de ser arrogante. Porque para ficar de pé essa explicação dele, só com o carro do filme do Spielberg (De volta para o futuro) — reagiu.
O deputado Paulo Teixeira, que na terça-feira foi um dos principais defensores da convocação do procurador, também foi duro:
— Ele acabou politizando um tema que não tem o caráter político que ele deu. É fundamental o pronunciamento dele para explicar o fato de ter paralisado a Operação Vegas. Queremos respeitosamente as explicações dele. Acho que a postura dele demonstra desrespeito com o conjunto de CPI — disse.
Tidos como dois dos mais independentes parlamentares da CPI, os senadores Pedro Taques (PDT-MT) e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) mantiveram-se nesta quarta-feira contrários à ida do procurador.
— Estão querendo transformar na CPI do procurador. Esse não é foco da CPI, o foco determinado. O foco determinado são as relações de Cachoeira com parlamentares e a empresa Delta — defendeu Taques.
Randolfe preferiu não entrar no mérito das declarações de Gurgel, mas vê necessidade de esclarecimentos, ainda que sem a presença do PGR:
— Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Tenho sido um dos maiores defensores da não convocação do procurador, ainda acho que há um impedimento constitucional, mas a partir do depoimento de ontem (terça-feira), acho que há razões para que ele preste esclarecimentos — afirmou.
Para Onyx Lorenzoni (DEM-RS), a convocação do procurador não deve ser feita no momento. Ele diz que a melhor opção é fazer uma consulta, a qual Gurgel poderá responder por escrito. Caso essas explicações não sejam satisfatórias, aí será preciso discutir o que fazer
— Do ponto de vista institucional, não devemos servir a alguns, trazendo o procurador-geral. Porque isso criaria um conflito institucional, como vários expuseram, porque tira dele o poder de investigador. É inegável que um conjunto de parlamentares quer desde o início chamar o procurador. Uma aliança curiosíssima, entre Collor e parlamentares do PT. O PT e o governo querem fazer da CPI um instrumento de vendetta. Nós não podemos ser inocentes úteis.

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Procurador diz que críticos tentam proteger mensaleiros

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que as críticas que sofre de integrantes da CPI do Cachoeira por não ter investigado o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) em 2009 são feitas por quem tem “medo do julgamento do mensalão”.

Sem citar nomes, Gurgel, responsável por acusar réus do processo, disse ser “compreensível” que pessoas que buscam proteger ou que são “ligadas a mensaleiros” queiram atacá-lo e também a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), que serão responsáveis por julgar o caso.

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Parodiando Calligaris: O partido moralizador

Colaboração do leitor do Blog que assina como “Big Head”

O PT era oposição até que ganhou as eleições de 2002.

Seu capital político e sua popularidade foram adquiridos em boa parte graças à sua atuação prévia como combatente agressivo e inflexível da corrupção e dos crimes do colarinho branco.

Ora, descobriu-se que ele era freguês de uma rede de desvio de dinheiro público e que também recorria a artimanhas financeiras para que seus pagamentos -substanciais: R$ 10 milhões só para Duda Mendonça)- não fossem identificados.

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No jogo de ganha-ganha, PT pode transformar CPI do Cachoeira em CPI da Cascata

Não será a primeira vez na história. Com a ação determinada dos parlamentares petistas, a CPI da PETROBRAS teve o mesmo destino que o PMDB deu  à CPI da VASP há quase 15 anos: o lixo das investigações congressuais. Agora, o ânimo revigorado do maior partido do Congresso, que não se importa com o desgaste advindo de tais iniciativas, aponta para o mesmo destino. E a CPI do Cachoeira pode terminar por se transformar na CPI da Cascata.

As regras impostas pelo deputado Odair Cunha equivalem ao papel de um juiz que, ao arbitrar uma partida de futebol, antecipa que o jogo só vai valer se o adversário aceitar perder de goleada, tomar um capote.

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Blindagem governista cai na CPI, e Delta será investigada em todo o País

João Domingos e Eugênia Lopes

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira furou nesta quarta-feira, 2, a blindagem montada pelo PT para proteger o governo federal e decidiu investigar as ligações da Delta Construções S.A. com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em todo o Brasil, e não somente na Região Centro-Oeste, como havia sido proposto pelo relator Odair Cunha (PT-MG). A CPI determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Cachoeira a partir de 1.º de janeiro de 2002.

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PT pediu a araponga de Cachoeira varredura nos telefones na sede da sigla

Escutas feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo indicam que o PT estava preocupado com grampos em sua sede nacional e solicitou uma varredura ao araponga Jairo Martins, ligado ao grupo de Carlinhos Cachoeira.

O pedido foi feito em agosto, já com o deputado estadual Rui Falcão (SP) na presidência da sigla. Os diálogos não deixam claro se a varredura foi feita.

O contato com Martins, que atua com o sargento reformado Idalberto Araújo, o Dadá, foi feito por um integrante da equipe de segurança do PT chamado Robson, que ainda trabalha para o partido.

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Faz de Conta

No blog do Merval Pereira

Estamos começando a viver um clima de faz-de-conta mesmo antes da CPI do Cachoeira começar seus trabalhos de fato. O PT formalmente declara-se disposto a limitar as investigações sobre a empreiteira Delta ao que acontecia na sua direção do Centro-Oeste, cujo diretor já está preso. Como se os métodos adotado naquela região do país pela empreiteira nada tivessem a ver com a sua cultura nas demais regiões do país.
Ora, a empreiteira tem (ou tinha) obras em praticamente todas as unidades da federação, sobretudo devido ao programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e nada indica que seus métodos de ganhar licitações fossem diferentes em Goiás e no Rio de Janeiro, por exemplo.
A relação próxima, quase promíscua, do empresário Fernando Cavendish com o governador Sérgio Cabral e seus secretários, se não estivesse já demonstrada no episódio do trágico acidente de helicóptero ocorrido em Porto Seguro, fica explicitada pelas fotos que o deputado e ex-governador Garotinho postou em seu blog ontem.
A comemoração do governador e vários de seus secretários em Paris com o empreiteiro revela um tipo de comportamento incompatível com o decoro de servidores públicos, além de uma intimidade suspeita com o empreiteiro responsável por grandes obras no estado.
Nenhum daqueles funcionários públicos provavelmente terá condições de provar que pagou a farra com dinheiro próprio, mesmo que alguns deles, como o secretário de Transportes Julio Lopes, pudessem ter condições de fazê-lo.
E o secretário de governo Regis Fichtner, que é o encarregado de uma auditoria dos contratos da Delta com o estado, nessa fase em que se pretende fazer desaparecer os traços de ligação entre a empreiteira e o governo do Rio, aparece abraçado a Cavendish em uma das fotos, o que o descredencia para a tarefa.
Não é possível fazer de conta que a relação profissional da Delta com políticos de vários partidos e em vários estados não merece ser investigada quando há claros indícios de que os métodos utilizados no Centro-Oeste não eram específicos apenas daquela região do país onde atuava originariamente o bicheiro Cachoeira.
Também o senador petista Humberto Costa quer fazer de conta que não existem as gravações que implicam o senador Demóstenes Torres em diversos crimes e desvios de conduta.
Como relator da Comissão de Ética do Senado, que vai julgar o senador amigo do bicheiro, ele diz que não vai usar as gravações por temer que elas sejam desqualificadas pelo Supremo Tribunal Federal, o que anularia uma eventual decisão da Comissão baseada nelas.
Ora, se não vai se basear nas gravações, presume-se que Humberto Costa vai inocentar o senador Demóstenes Torres, ou então vai condená-lo por ter recebido do bicheiro um fogão e uma geladeira importadas como presente de casamento, o que ele já admitiu da tribuna do Senado.
Enquanto seus desvios éticos se resumiam a isso, o senador de Goiás se sentiu em condições de subir à tribuna para se defender, e recebeu o apoio de nada menos que 44 senadores de todos os partidos, dispostos a lhe perdoar esse pequeno desvio de conduta.
A situação de conluio com o bicheiro só ficou clara depois que as gravações da Polícia Federal vazadas para a imprensa mostraram o grau de intimidade entre os dois, e a atuação do senador em órgãos do governo e no próprio Senado a favor dos interesses de Carlinhos Cachoeira.
A atuação de sua defesa, na tentativa de impugnar as provas obtidas através das gravações, é perfeitamente compreensível, mas não se compreende que seus pares se antecipem a uma decisão da Justiça que está longe de ser consensual e retirem dos autos da Comissão de Ética as provas contra Demóstenes.
Aliás, foi mais uma vez devido ao vazamento de gravações e de dados do processo que a opinião pública ficou sabendo da verdadeira dimensão de mais esse escândalo.
Parece, portanto, mais um faz-de-conta o empenho do ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski para que o processo que ontem colocou à disposição de várias comissões do Congresso não vaze.
O ministro chegou a citar os artigos que punem com a prisão a quebra do sigilo de Justiça. Embora seja esse o papel que lhe cabe, não é possível esquecer que o relatório está com ele há meses e há meses vem sendo vazado diariamente de diversas maneiras, sem que se possa saber as origens dessas informações.
As penas a que se refere Lewandowsky em seu ofício ao Congresso se referem àqueles que quebram o sigilo, e já há jurisprudência no sentido de que os meios de comunicação que reproduzem essas informações não são alcançáveis pelas punições, mas sim os servidores públicos que são os responsáveis pela preservação do sigilo do processo.
Nesse caso como em vários outros que provocaram a demissão de diversos ministros do governo Dilma, foram as revelações da imprensa que escancararam os desvios que estavam acontecendo em diversos ministérios, e sem essas revelações não teria sido possível apanhar os servidores públicos que se desviaram de suas funções.
Mesmo que nenhum deles tenha sido preso ou que os processos sobre seus “malfeitos” acabem dando em nada, pelo menos a opinião pública ficou sabendo o que se passava nas entranhas do governo.
Agora mesmo temos o exemplo do Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, que ficou com a investigação da Polícia Federal e do Ministério Público em sua gaveta inexplicavelmente sem denunciar o senador Demóstenes Torres ao Supremo, o que só viria a acontecer quando o escândalo estourou e as gravações foram vazadas pela imprensa.
A intenção de quem vaza essas informações, e os seus efeitos colaterais que podem favorecer o interesse de partes em conflito no submundo, não têm importância diante dos benefícios à sociedade que as revelações trazem. Assim como o ex-governador Garotinho tem interesse político em denunciar seu hoje inimigo Sérgio Cabral, também o bicheiro Cachoeira tinha muitos interesses em jogo quando fazia suas gravações clandestinas.
Mas a revelação por parte da imprensa ajuda a colocar luz no ambiente público.

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Na primeira reunião, PT centraliza as ações de CPI

ANDREZA MATAIS, GABRIELA GUERREIRO, RUBENS VALENTE E KELLY MATOS

Na primeira reunião da CPI do Cachoeira, o PT demonstrou ontem que trabalhará para controlar os rumos da investigação, sem dividir com os partidos aliados a condução da comissão.

A ordem no partido é centralizar o comando da CPI nas mãos do relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), sem permitir a aprovação de requerimentos ou pedidos que não passem pelo seu crivo.

Um primeiro exemplo da atuação articulada da bancada petista ocorreu ontem.

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PT deixa para último dia nome de relator da CPI

Uma queda de braço entre ministros e a cúpula do PT na Câmara embaralha o anúncio do relator da CPI do Cachoeira.

Enquanto Ideli Salvatti (Relações Institucionais) vetava a indicação de Cândido Vaccarezza (PT-SP), aliados do ministro Alexandre Padilha (Saúde) boicotavam a indicação de Odair Cunha (PT-MG) por sua ligação com o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Integrantes da CNB (corrente majoritária do PT) reclamam da concentração de poder nas mãos de Chinaglia, com quem Padilha está em pé de guerra por causa de divergência no preenchimento de um cargo na Anvisa.

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Amarelou IV: Líder petista diz que não amarelou

O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), afirmou que nesta terça-feira, 17, os partidos já deverão ter concluído o recolhimento de assinaturas para protocolar o pedido de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar as relações políticas do empresário do jogo, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. São necessários, pelo menos, 171 apoios na Câmara e 27, no Senado, para a criação da CPI mista. “Não há recuo por parte do PT”, disse Tatto. “Essa CPI não é contra a oposição nem contra o governo. É para investigar uma organização criminosa que engendrou no Estado brasileiro”, continuou.

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Amarelou III: Risco da CPI faz base aliada negociar ‘operação abafa’ para poupar políticos

Diante do alerta do Palácio do Planalto sobre os riscos de desgaste do governo, tomou corpo no Congresso, com ajuda da base aliada, uma “operação abafa” na Comissão Parlamentar de Inquérito do Cachoeira, a ser instalada nos próximos dias. Uma das estratégias é poupar políticos de diversos partidos citados na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que levou à prisão o contraventor Carlinhos Cachoeira.

Veja também:

Carlinhos Cachoeira será transferido do RN para o DF

Grampo sugere relação da Delta com políticos

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Amarelou II:Com resistência no PT e no PMDB, futuro da CPI é incerto

A presidente Dilma Rousseff, apesar da preocupação com a repercussão no governo, não arcará com o ônus de impedir a criação da CPI Mista do Cachoeira, mas ainda é incerto o futuro da investigação. Setores mais moderados do PT e, principalmente, o PMDB, protelam sua instalação, alegando que é preciso esperar a volta do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), hospitalizado em São Paulo.

Peemedebistas estão reticentes em assinar a CPI, principalmente por causa do suposto envolvimento de Fernando Cavendish, dono da Construtora Delta, com o esquema do bicheiro. Grande construtora do PAC, a Delta tem contratos milionários com o governo de Sérgio Cabral.

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Lula e petistas aumentam pressões sobre ministros do STF no mensalão

CATIA SEABRA, FELIPE SELIGMAN e NATUZA NERY

Sob a supervisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrantes do PT se lançaram numa ofensiva para aumentar a pressão sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal que julgarão o processo do mensalão.

Parlamentares e petistas com trânsito no Judiciário foram destacados para apresentar aos ministros a tese de que o julgamento não deve ser político, mas uma análise técnica das provas que fazem parte do processo.

O medo dos petistas é de que os ministros do tribunal sucumbam a pressões da opinião pública num ano eleitoral. O mesmo movimento tenta convencer o Supremo de que o julgamento não deve acontecer neste ano.

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