Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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PHA X Heraldo: juíz do DF absolve blogueiro a despeito de considerar injuriosa expressão “negro de alma branca”

O blogueiro Paulo Henrique Amorim foi absolvido no processo movido pelo MP do DF da acusação de racismo pelas injúrias que dirigiu ao jornalista Heraldo Pereira, da Rede Globo.

Argumentando que a representação contra PHA foi protocolada com 12 dias de atraso em relação ao prazo legal máximo de seis meses após a ofensa, o juíz Valter Araújo, da Quinta Vara Criminal de Brasília, decretou extinta a punibilidade do réu.

O magistrado, que se declarou avesso aos ditames do politicamente correto, reconheceu que constitui injúria qualificada a utilização da expressão ‘negro de alma branca’, com a qual PHA se referiu a Heraldo Pereira em seu blog. “Entendo que a expressão negro de alma branca constitui injúria, pois ofende a dignidade da vítima. E, por empregar elemento referente à cor, a conduta amolda-se ao tipo penal previsto no Art. 140, §3°, do CP”, sentenciou o juiz, que ao final inocentou o blogueiro pela perda do prazo legal para o protocolo da representação.

O Ministério Público vai recorrer da decisão.

Em São Paulo, PHA foi condenado em primeira instância por injúria racial em processo aberto na esfera cível por Paulo Preto, a quem o apresentador da TV do bispo Edir Macedo chamou de Paulo Afro-Descendente.

PHA insiste em tachar Heraldo Pereira de “negro de alma branca”

A despeito de ter sido condenado por injúria racial por Paulo Preto e de ter sido forçado a se retratar e pagar uma indenização de R$ 30 mil para encerrar uma  ação civil aberta pelo jornalista Heraldo Pereira, o apresentador da TV do bispo Edir Macedo Paulo Henrique Amorim voltou a ofender o colega da Rede Globo.

Em manchete estampada na capa do blog, PHA provoca: “Heraldo, Maurício Black não é um negro de alma branca” (veja reprodução acima). É a chamada para uma entrevista publicada na edição deste mês da Revista Raça na qual ele tenta explicar aquilo que Heraldo classifica como “racismo secundário”– manifestações de preconceito explícitas ou implícitas feitas de maneira reiterada.

Paulo Henrique Amorim ainda responde a processo-crime aberto pelo MP do Distrito Federal por racismo e injúria racial. Heraldo figura no processo como vítima. O caso deve ser julgado este semestre. Se for condenado, o jornalista perde a primariedade e pode ir parar na cadeia pelas ofensas que tem proferido em seu blog.

A mídia, as cotas e o sempre bom e necessário exercício da dúvida

Por Ana Maria Gonçalves, no site da Revista Forum

Tenho escrito alguns artigos sobre racismo e, em todos, invariavelmente, apareceu quem tentava fugir do assunto para falar sobre cotas. São assuntos relacionados, eu sei, mas também complexos por si só. Cotas não seriam necessárias se não houvesse racismo. Mas estão aí, os dois, e talvez agora, depois da histórica decisão do Supremo Tribunal Federal, nos dias 25/04/2012 e 26/04/2012, reafirmando a constitucionalidade das cotas, possamos começar a conversar de verdade sobre eles. Porque talvez a velha mídia pare de fazer a campanha suja que vem fazendo e nos deixe, finalmente, tratar desses assuntos e das vidas das pessoas por eles modificadas (brancos, negros, cotistas, não-cotistas etc…) com a honestidade e o respeito que todos merecem. É agora que começa o trabalho, e é bom que a gente tente separar, principalmente, o que é fato do que foi campanha, o que é verdade histórica do que foi mero exercício de futurologia. Será um longo caminho que vamos ter que aprender a trilhar juntos, independente de sermos contra ou a favor. Somos sujeitos históricos: o que fizemos ontem, como povo e como indivíduos, reflete na realidade que temos hoje, assim como o que fazemos hoje vai determinar com o que teremos que conviver amanhã. A História não nos deixa viver impunes. Read more…

Heraldo Pereira fala pela primeira vez desde que foi alvo de injúrias racistas de Paulo Henrique Amorim

“O que eu buscava com uma condenação, consegui. Ele teve que se retratar. É uma sentença definitiva”. A frase resume o que o jornalista Heraldo Pereira sente em relação às ofensas racistas proferidas por seu detrator, Paulo Henrique Amorim, dono do blog Conversa Afiada.

O apresentador do programa dominical da TV do bispo Edir Macedo afirmou que Heraldo não tem méritos para estar na bancada do Jornal Nacional além de sua origem humilde e do fato de ser negro.  E chamou o colega da Globo de “negro de alma branca”, expressão que o Dicionário do Politicamente Correto editado pela Presidência da República sob Lula define como ” um dos slogans mais terríveis da ideologia do branqueamento no País, que atribui valor máximo à raça branca, e mínimo aos negros“.

Depois de três anos em silêncio, pela primeira vez Heraldo fala publicamente sobre o processo que forçou Paulo Henrique Amorim a se retratar e o obrigou a pagar uma indenização de R$ 30 mil, doada ao Mosteiro de São Bento de Brasília. Na entrevista,  concedida à Revista Raça Brasil,  o jornalista reafirma uma posição que sempre defendeu de maneira enfática: o apoio à política de cotas.  Reproduzo, abaixo, um trecho da entrevista, que pode ser lida integralmente no site da publicação (basta clicar aqui para ir até lá).

Como recebeu a notícia sobre a condenação do jornalista Paulo Henrique Amorim, que teve que se retratar e pagar uma indenização de R$ 30 mil. O que esse episódio representou para você?

Para ser exato, antes que o juiz civil julgasse a ação indenizatória, por danos moral e à imagem, o réu aceitou tudo aquilo que eu exigia como forma de reparação pela grande injúria que sofri: pagamento de R$ 30 mil reais para uma instituição de caridade, retratação cabal feita no próprio blog dele, que vai permanecer em arquivo por mais de dois anos, e a publicação da mesma retratação, cujos termos falam por si só, nos jornais Folha de S. Paulo e Correio Braziliense. Tudo pago por ele.

Você ficou satisfeito com a condenação?

O que eu buscava com uma condenação, consegui. Ele teve que se retratar. É uma sentença definitiva. Claro, houve sobressaltos. Apesar de assinar o acordo em que nega tudo o que afirmara por longos três anos, meu ofensor fez outros comentários junto à retratação no blog em vez de publicá-la pura e simplesmente como mandou a decisão judicial. Meu advogado, Dr. Paulo Roque Khouri, imediatamente, deu ciência ao juiz Daniel Felipe Machado, da 5ª Vara Civil do TJDFT, que mandou retirar os comentários. NoCorreio Braziliense, isso não aconteceu. E, na Folha de S. Paulo, a retratação só foi publicada com atraso e na edição paulista. Tudo isso ainda voltou para que o juiz examinasse se o acordo foi honrado. De todo modo, creio que a Justiça que eu esperava na área cível foi feita em boa parte. E, agora, aguardo a definição do processo criminal, movido pelo Núcleo de Enfrentamento à Discriminação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Tenho para mim que na esfera criminal a ofensa será dupla e qualificadamente punida por crimes de racismo e injúria racial.

O que o racismo do Paulo Henrique Amorim representou para você?

No mundo de hoje, ninguém pode ser ofendido, como fui, pelo fato de ser negro. O agressor não faz uma análise profissional, política ou comportamental da minha pessoa. Ele faz uma leitura intolerante a partir da racialidade. Destaca sempre como fato a ser distinguido a cor da minha pele e desmerece a minha pessoa num gesto de crueldade. Nós negros sabemos bem qual foi a intenção do réu ao dizer que eu, com mais de 30 anos de carreira jornalística e um título de mestre em direito constitucional, não tenho “nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde”. São expressões racistas que foram seguidas de um jargão máximo da intolerância: “é um negro de alma branca”. É algo abjeto, que não posso admitir, sobretudo, partindo de quem deve fazer da comunicação um ofício ético e democrático e não uma ferramenta da intolerância. Fora as outras agressões raciais que ele fez diretamente e admitiu em forma de comentários em seu blog no papel de moderador. Sou negro, sempre me empenhei em todas as lutas contra os preconceitos e as intolerâncias desde garoto. Sou de uma família de operárias, empregadas domésticas, pessoas residentes em conjunto habitacional de Cohab e que sempre sofreram o racismo na carne. Não vou permitir que um indivíduo que faz propaganda do que é ser negro em suas rodinhas de convertidos tardios ao esquerdismo, todos criados em berço de ouro, venha me dizer o que é ser negro. Nas minhas veias corre, com muito orgulho, sangue de quem foi escravo e ajudou a fazer deste o nosso país. Exigimos respeito com a história de quem construiu o Brasil. Por isso, não poderia deixar essa campanha imunda, com contornos de inveja, passar como se nada tivesse acontecido. Não honraria o meu passado e nem a luta de negros e brancos que combatem o racismo. O meu agressor chegou a dizer, em sua defesa judicial, que se considera um expoente da luta pela igualdade racial, num gesto de arrogância desmedida. E recebeu uma firme reprimenda do juiz criminal do TJDFT, Márcio Evangelista Ferreira da Silva, para quem, só adere à Lula pela igualdade racial, os que veem diferença entre raças, fato já rechaçado pela genética. Numa das peças de sua defesa, o réu chegou a dizer que ao usar a expressão “negro de alma branca”, o fez para me elogiar. Pode isso? Só eu e a minha família sabemos a dor que sofri ao ler todo aquele lixo em formato de texto. É algo indescritível e que, no fundo, jamais será reparado, eu bem sei. O próprio juiz Daniel Felipe no julgamento da ação civil disse isso. Entretanto, eu sempre acreditei na Justiça e continuo acreditando.

Foi difícil seu começo no jornalismo. Houve muito preconceito. Como você lidava com isso?

Sempre é difícil começar na carreira. A jovialidade, a insegurança, o frio na barriga. Quem nunca passou por isso? Na TV, comecei cedo, em 1980, aos 18 nos. Entrei na EPTV Ribeirão e não me lembro de ter enfrentado qualquer tipo de discriminação pelo fato de ser negro. Na Globo sempre fui visto como uma promessa profissional. Aprendi lá dentro que a competência e o esforço falam mais alto. E assim deve ser. Devo muito a profissionais do jornalismo que estão hoje na Globo e a tantos outros que passaram por nossas redações, O único caso de ressentimento, intolerância e pequenez que vivi na profissão foi este em evidência. Esse indivíduo parece fazer parte do grupo que quer perpetuar a perseguição aos negros deste país. Fomos tratados como objeto por séculos e marginalizados após a escravidão. O padrão social em nosso país esteve sempre de costas para a África. Daí a intolerância para com a nossa cor de pele, nossa feição e nosso cabelo. Só servíamos para o que eu passei a rotular de práticas músico-esportivo-servis. Portanto, ser jornalista, para esse grupo, é uma agressão, afinal, estou fora do “cercado estabelecido por eles”. Nesta dimensão, a intolerância prospera e o preconceito é inevitável. Para superar a toda esta dura e revoltante realidade, procurei me agarrar a duas alternativas: trabalhar mais e estudar mais. O estudo me persegue até hoje, prova é a minha participação atual em grupos de estudo no Departamento de Direito da Universidade Brasília. Na minha redação da Globo Brasília tento manter o empenho de quando comecei na profissão. No ano passado, tive o privilégio de ser escalado para cobrir a Copa do Mundo da África do Sul. Pude voltar àquele país que aprendi a amar e que me marcou profundamente pelo que era e pelo que se propõe a ser. Quando estive na África do Sul pela primeira vez, em 1991, o regime segregacionista do apartheid estava no fim, Nelson Mandela havia acabado de ser libertado. E eu, com colegas brancos na equipe de TV, andava em lugares que eles não poderiam entrar e vice-versa. Conhecemos a face mais brutal da agressão aos direitos humanos. Foi terrível. Décadas mais tarde, na Copa do Mundo, volto e encontro pessoas dispostas a superar o passado racista, numa aposta inclusive que é exemplo para o mundo. Fico muito tocado por esta possibilidade e tentado a pensar que temos, no Brasil, possibilidades ainda maiores de superar as intolerâncias e os preconceitos contra os descendentes de escravos. Afinal, temos uma só amálgama, não é mesmo? Quem, em sã consciência, é capaz de negar, como valores máximos de nossa cultura, o samba que nos deu a ginga, o gosto da nossa feijoada e a proteção de Nossa Senhora Aparecida?

O que você acha das cotas e dos movimentos negros?

Sou francamente favorável às cotas, porém, respeito os que pensam em outro sentido. O aumento da participação do negro na esfera pública é um desafio que está colocado àqueles que pensam num projeto de nação para o Brasil. Sempre defendi este ponto de vista. Não sou propagandista de ocasião. Quem me convenceu sobre a necessidade de uma ferramenta para aumentar a representação de negros nos postos-chave da nossa sociedade foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. No intervalo de uma das viagens com o ex-presidente, quando eu cobria a rotina presidencial, falamos sobre o tema. Ele, em tom professoral, discorreu longamente sobre as políticas de inclusão que deveriam ter sido implementadas desde o Primeiro Império. Agora o Brasil mostrou amadurecimento para tal ação e fez das cotas uma realidade, com aprovação da sociedade. Precisamos, daqui para a frente, implementar práticas daí decorrentes. Penso sempre que é positiva uma medida que pode levar mais educação aos negros, e educação é tudo. É preciso, entretanto, fazer uma separação entre a defesa de cotas, que é ampla hoje em dia, e a necessidade de se incentivar todo movimento que tenha por objetivo acabar com o racismo.
Também neste aspecto devemos estar unidos, todos nós, cidadãos brancos e negros. Sou contra radicalismos, coisa que, sejamos justos, não vejo em certas organizações que se travestem de movimentos negros no rótulo e que não poderiam agir livremente para propagar ainda mais formas de intolerância revestidas em ódio. O nosso desafio é instituir os direitos humanos como pano de fundo para a construção de uma cidadania adulta que, ao refutar todas as formas de racismo e de intolerância, possam admitir práticas de inclusão participativas cada vez mais significativas numa esfera pública com a qual todos nós sonhamos. Gostaria, para encerrar este episódio de discriminação que me envolveu, de lembrar figuras de expressão da intelectualidade brasileira como Sueli Carneiro. Ela diz que “um negro pode ser corrupto, se posicionar contra os interesses de sua gente. O que podemos fazer, diante disso, é lamentar e combatê-lo politicamente, jamais atribuir essa característica à sua condição racial. Aí mora o racismo, ao tentar encontrar a razão da “falha” na negritude da pessoa ou na suposta ausência dessa negritude em uma regra como propõe a frase, “negro de alma branca.” Ana Maria Gonçalves quando se referiu a este episódio sintetizou: “Paulo Henrique Amorim usou a cor de Heraldo Pereira para atacá-lo. É racismo e ponto. Tá na lei. Quem não concorda deve brigar para mudar a lei, e não para que Paulo Henrique Amorim esteja acima dela. Que o defendam porque o acham bom amigo, bom jornalista, bom ser humano; mas que entendam que pessoas assim também podem ter atitudes racistas.” Estou com as duas!

Leia a íntegra da entrevista no site da Revista Raça Brasil

Mais uma mentira da BESTA: Heraldo Pereira furou greve onde não trabalhava

É inacreditável o esforço da BESTA (Blogosfera Estatal) para injuriar o jornalista Heraldo Pereira, alvo preferencial dos ataques da claque governista desde que forçou Paulo Henrique Amorim a se retratar e a pagar R$ 30 mil de indenização por tê-lo chamado de “negro de alma branca”. Agora, aos blogueiros pagos da BESTA, soma-se também uma parte da pelegada sindicalista.

Encontrei por acaso na internet um artigo intitulado ”Heraldo Pereira e a negritude” no qual um autoproclamado “negro, jornalista e militante social” Fernando Paulino recorre a “lembranças” de uma greve dos anos 80 para afirmar que “foi meu primeiro contato, à meia distância, com Heraldo Pereira, que furou a greve”.

É mentira! Heraldo Pereira não trabalhou no Rio de Janeiro nos anos 80. Trabalhou em Ribeirão Preto, Campinas, São Paulo e, a partir de 1989, em Brasília, onde está até hoje. O episódio ao qual o “militante social” se refere jamais aconteceu.

O “negro” Fernando Paulino, que é secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, também ataca a jornalista Glória Maria em seu esforço para diminuir a importância e a honorabilidade de ambos. E com argumentos igualmente falsos. Por exemplo, uma suposta campanha em Mato Grosso na qual Glória Maria teria trabalho para Siqueira Campos. Em um surto de memória seletiva, afirma que  ”cheguei a ver a propaganda eleitoral de Siqueira Campos, na TV local: “Gente, sou eu mesma, Glória Maria, do Fantástico! Meu título eleitoral é do Rio, mas se eu pudesse votar aqui, meu voto seria do Siqueira Campos”.

Ou não era a Glória Maria, ou não era o Mato Grosso, ou não era o Siqueira Campos o candidato. Provavelmente, não era nada disso. Pelo simples fato de que Siqueira Campos é do Tocantins, como “até o mundo mineral sabe”, e não de Mato Grosso. E Glória Maria nunca trabalhou para nenhuma campanha do Siqueira Campos.

O objetivo do artigo é claro. Basta observar o título: “Heraldo Pereira e a negritude”. Para que fique claro, é mais uma tentativa de justificar o emblema racista “negro de alma branca” com o qual Heraldo foi qualificado por Paulo Henrique Amorim. Soa estranho na pena de alguém que se diz “negro” e “militante social”– ainda mais quando afirmado por alguém que se diz jornalista e ocupa uma posição importante na diretoria de um sindicato da categoria.

O infamante termina seu artigo com uma conclusão sofismática: “Como se vê, ser negro não é necessariamente ser um militante social”. E açula a categoria contra os dois colegas da Globo: “Seria importante a Cojira do Rio – Comissão de Jornalistas por Igualdade Racial – vir a público e informar: Heraldo Pereira e Glória Maria, por exemplo, são – ou foram – engajados em lutas pela democratização da mídia ou de combate ao racismo? Desconheço”.

Desconhece porque é mentiroso e mal-intencionado ao mover sua caça-às-bruxas racial. Como se vê, não é só isso que o sindicalista desconhece em seu afã de atacar os negros para proteger quem os injuria. Desconhece os postulados da ética jornalística ao difundir uma inverdade absoluta; noções básica de geografia ao confundir o Tocantis com o Mato Grosso; e o básico da política brasileira, quando afirma que Siqueira Campos é de Mato Grosso. É lícito supor, por tudo isso, que desconheça tudo sobre tudo, inclusive o que vem a ser a tal “negritude” militante, conceito que pretende ensinar ao repórter da Globo.

O Sindicato dos Jornalista do Rio deve desculpas a Heraldo Pereira e Glória Maria. Deveria censurar publicamente a patranha de seu secretário-geral. A chance de que isso venha a acontecer ?

Quem viver, verá.

Site dos neonazistas presos continua ativo. A ameaça ainda paira no ar

A sociedade que se acautele. A ameaça neonazista representada pelas promessas de ações violentas contra homossexuais, feministas, negros e judeus está longe de terminar. A  prisão de Emerson Eduardo Rodrigues e Marcello Valle Silveira Mello, responsáveis pelo site que propalava o ódio racial e de gênero,  revela algo da maior gravidade: o novo terrorismo agora tem uma certa organicidade e ganha corpo na internet.

O domínio silviokoerich.org continua ativo e lá ainda se pode ler toda a documentação produzida pelos fanáticos arianos. É de arrepiar. Onze dias atrás, sintetizando seu ódio misógino, antissionista, homofóbico e racista, o ideólogo do novo nazismo virtual justificava previamente as razões do ataques que pretendia desferir.

“Quero deixar claro que não sou louco e estou tomando esta atitude em livre e espontanea (SIC) vontade. Esta é a minha vingança contra vocês. Quem tornou a minha vida um inferno foram os mesmos militantes que lutam pelo “direitos humanos” de marginais, negros e viados. Eu podia ter sido alguém para sociedade, mas acredito que D’EUS me deu esta missão. A cada dia que se passa fico mais ansioso, conto as balas, sonho com os gritos de vagabundas e esquerdistas chorando, implorando para viver”.

A imagem que os terroristas virtuais pretenderam construir é terrível, mas se situa no contexto de outras iniciativas do mesmo naipe — embora menos orgânicas –espalhadas por toda a rede. Nazistas enrustidos aparecem a todo momento nas seções de comentários de blogues políticos e fazem sua voz se misturar à opinião de outras estirpes de polemistas. Não é difícil identificá-los.

Há pouco mais de um ano, este blog denunciou o problema em um posto intitulado  “O caso Bóris Casoy: reações demonstram sociopatia neonazista“. O artigo tratava da odiosa campanha movida contra o apresentador Boris Casoy em função do vazamento de uma frase, no intervalo do Jornal da Band,  sobre a posição dos garis na hierarquia social.

O texto denunciava o seguinte:

A segregação racial, o preconceito religioso, o antissemitismo grassaram na internet. Num Blog do WordPress, alguém que assina Dr. Weissberg — provavelmente em alusão a Alexander Weissberg, judeu comunista que constestou o Holocausto — escreve, sobre Bóris: “Como todo judeu, desclassificam todos os que não são judeus”. Quer dizer: a religão e a ascendência étnica do âncora da Band seriam os motores ideológicos de seu comentário sobre os garis. “Sendo Boris Casoy um JUDEU, não vejo surpresa nesse ato de arrogância e insolência”, escreve alguém sob o pseudônimo de Ahmadinejad em outro blog .

Até quando parecem querer contemporizar os racistas, xenófobos e antissemitas se materializam. ”Não é pelo fato de ser judeu (tenho amigos desta religião), mas que isso ajuda ninguém pode negar”, diz um internauta no Yahoo Respostas .

O desrespeito não tem limite. “Boris Casoy [é] mais um judeu imundo e preconceituoso”, comenta alguém sob o codinome de Roberto no blog Bobagento. O mais grave é que nos comentários que se seguem ninguém o censura. No Twitter, um tal Toodoro teve a coragem de postar a seguinte mensagem: “Boris Casoy um judeu imundo e hipócrita. Fique uma semana longe desse jornalzinho que vai ver que NINGUÉM sente sua falta. SEU BOSTA!”.

A homofobia também forneceu armas para o ataque dos neonazistas de plantão. “VINDO DE UM VIADO ENRRUSTIDO O QUE SE PODE ESPERAR, ISSO SIM É UMA VERGONHA”. Foi o que disse alguém que assina João Souza no site 24horasnews.”Viado, velho filho da puta”, exclama outro (leia aqui).

O post a que os remeto vai além da simples constatação do problema. Ele enumera as fontes, fornece os links para os comentários e faz um alerta: “ A sociedade contemporânea está doente. Sobre nossas cabeças paira, sem nenhuma sombra de dúvida, uma ameaça neonazista que, em letargia, vive à espreita de qualquer pequena oportunidade para assombrar nosso futuro”. Menos de um ano e meio depois, a ameaça foi personificada na prisão dos terroristas virtuais de Curitiba.

O mais grave é perceber que as vozes da intolerância se misturam, sem nenhum tipo de censura, à gritaria geral que se arma quando algum assunto polêmico está em debate. E que os moderadores, os editores dos blogues polemistas, não se importam em ceder espaço a esse tipo de opinião quando ela coonesta a tese defendida.

Eis aí uma questão complicada a exigir que as pessoas sensatas reflitam. A internet, que supostamente iria universalizar o conhecimento, redimir os oprimidos, reforçar a democracia, foi transformada numa espécie de ribalta das ideologias segregacionistas. É nesse teatro de operações que se o novo terrorismo constrói e difunde sua base ideológica, torna públicas suas ameaças, antecipa suas ações.

Cutucando a BESTA (Blogosfera Estatal): Coerência, pelo menos, aqui não falta

Tenho sido “acusado” nos últimos dias de coisas que eu realmente fiz. Portanto, as acusações não me machucam nem irritam. Eu realmente defendi o Bóris Casoy diante do bullying que os patrulheiros da BESTA (Blogosfera Estatal) armaram contra ele. Casoy, que é meu colega de emissora, nunca escondeu de ninguém que é um conservador. Eu não sou conservador, mas tenho respeito por ele, mesmo discordando de muito do que pensa.

A frase infeliz dita por ele foi interpretada com um sentido ideológico que realmente não tinha. Foi produto de um vazamento de áudio na passagem de bloco do jornal. Não foi um raciocínio tramado, como se ele tivesse deliberadamente , dolosamente, lançado mão de preconceitos ideológicos para ofender os garis. No campo da motivação e das intenções, o episódio não pode ser comparado ao texto em que Paulo Henrique Amorim ofende, dolosa e deliberadamente, o colega Heraldo Pereira com o bordão escravocrata “negro de alma branca”.  Mas isso os fundamentalistas da BESTA não discutem.

Também me “acusam” de ser sobrinho do ex-deputado Antônio Carlos Pannunzio. Já expliquei que ele é meu primo em primeiro grau. Imagino que a única ofensa aí e ao Antônio Carlos Pannunzio, porque a relação de parentesco que nos foi atribuída faz com que ele pareça necessariamente muito mais velho do que realmente é. Também já disse que tenho o maior orgulho desse primo, que foi e é um emblema de retidão de conduta e honestidade em sua vida pessoal.  Como nunca o entrevistei nem nem o usei como fonte de nenhuma reportagem em toda a minha vida, não vou  tecer considerações sobre as posições políticas dele. Isso simplesmente não vem ao caso. E olhem que ele era líder do PSDB e eu, repórter político em Brasília.

Para os que me cobram coerência, reafirmo que coerência não me falta. Eu não escrevi uma coisa ontem e desdisse hoje. Eu não enalteci ditadores no passado, assim como não deitei falação pela Comissão da Verdade no presente (que eu apoio, não como instrumento de revanche, mas porque representa uma oportunidade histórica de esclarecer o destino dos desaparecidos e o que permanece oculto nos arquivos do próprio Estado). Eu nunca fui obrigado a me retratar de nada.

Como quero deixar isso muito claro, reproduzo abaixo o texto em que fiz a defesa do meu colega, que mantenho integralmente. Divirtam-se, comentaristas pagos da BESTA!

O caso Bóris Casoy: reações demonstram sociopatia neonazista

Três dias atrás postei um artigo intitulado Em Defesa de Bóris Casoy. Afirmei que o apresentador do Jornal da Noite era vítima de uma campanha hedionda de cyberbullying por causa de um comentário infeliz sobre os garis. Argumentei que o áudio que vazou durante um intervalo do Jornal da Band permitia diversas interpretações e que talvez não fosse sua intenção deliberada — ou sequer inconsciente — discriminar os garis.

Mas o cerne da minha argumentação nem era esse. O que me motivou a escrever foi a reação absurdamente desproporcional de algumas pessoas. Gente que foi além do insulto, que lançou mão de argumentos fascistas para tentar desqualifcar o apresentador.

O texto recebeu milhares de comentários. A maioria esmagadora discordava de mim quanto à motivação da frase que indignou a opinião pública. Todos os comentários que não tinham conteúdo homofóbico, antissemita, de segregação religiosa, não eram injuriosos ou caluniosos foram publicados. O blog assegurou, desta forma, a manifestação de todos os que quiseram participar do debate — mesmo os que, de maneira enfática e veemente, contestavam o que eu havia escrito.

Volto ao assunto agora porque o material que chegou às minhas mãos, especialmente o que não foi publicado, me levou à triste constatação de que nossa sociedade está doente. Há uma horda de sociopatas neonazistas esperando oportunidade para se manifestar. E vou demonstrar o que estou dizendo.

No site do Yoahoo, ao responder a uma pergunta sobre o que acha de Bóris Casoy, um internauta identificado como Marcos1427 diz o seguinte: “é um judeu (nada contra) foragido da Rússia (c certeza passava fome) contraiu a poliomielite(q deve ter subido ao cérebro)”. você acha razoável que alguém se utilize das sequelas de uma doença como a poliomielite para atacar um contendor ?

Alguém com a apelido TheMiseravel escreve, no Youtube, que “NEM PRA GARÍ ELE SERVE, COMO TRABALHARIA COM SUAS LIMITAÇÕES? “. A indagação neonazista não atinge apenas o jornalista que se pretendia atacar. Atinge todos os deficientes que, de acordo com o raciocínio por trás dessa pergunta capciosa, não servem para nada, não têm utilidade social. E houve também internautas que chegaram ao cúmulo de afirmar que Bóris deveria ter morrido com um ano de idade, quando contraiu poliomielite.

A segregação racial, o preconceito religioso, o antissemitismo grassaram na internet. Num Blog do WordPress, alguém que assina Dr. Weissberg — provavelmente em alusão a Alexander Weissberg, judeu comunista que constestou o Holocausto — escreve, sobre Bóris: “Como todo judeu, desclassificam todos os que não são judeus”. Quer dizer: a religão e a ascendência étnica do âncora da Band seriam os motores ideológicos de seu comentário sobre os garis. “Sendo Boris Casoy um JUDEU, não vejo surpresa nesse ato de arrogância e insolência”, escreve alguém sob o pseudônimo de Ahmadinejad em outro blog .

Até quando parecem querer contemporizar os racistas, xenófobos e antissemitas se materializam. ”Não é pelo fato de ser judeu (tenho amigos desta religião), mas que isso ajuda ninguém pode negar”, diz um internauta no Yahoo Respostas .

O desrespeito não tem limite. “Boris Casoy [é] mais um judeu imundo e preconceituoso”, comenta alguém sob o codinome de Roberto no blog Bobagento. O mais grave é que nos comentários que se seguem ninguém o censura. No Twitter, um tal Toodoro teve a coragem de postar a seguinte mensagem: “Boris Casoy um judeu imundo e hipócrita. Fique uma semana longe desse jornalzinho que vai ver que NINGUÉM sente sua falta. SEU BOSTA!”.

A homofobia também forneceu armas para o ataque dos neonazistas de plantão. “VINDO DE UM VIADO ENRRUSTIDO O QUE SE PODE ESPERAR, ISSO SIM É UMA VERGONHA”. Foi o que disse alguém que assina João Souza no site 24horasnews.”Viado, velho filho da puta”, exclama outro (leia aqui). E por aí vai.

Também me causa espanto que sites com comentários moderados permitam esse tipo de manifestação. Cada uma dessas afirmações constitui crime hediondo, inafiançavel. A responsabilidade ultrapassa a figura do agressor e chega ao editor responsável pelas páginas eletrônicas que permite a publicação desse lixo ideológico.

Alguns dos meus críticos dizem que o suposto preconceito de Bóris contra os garis justificaria essa espécie de Lei de Talião no ambiente da internet. Seria o preconceito contra o preconceito. Não aceito essa justificativa em nenhuma hipótese. Os comentários não ferem apenas um jornalista; ferem judeus, gays, idosos, deficientes. Ferem a dignidade humana.

É por estas razões que este blog reitera o que foi dito no primeiro artigo. A sociedade contemporânea está doente. Sobre nossas cabeças paira, sem nenhuma sombra de dúvida, uma ameaça neonazista que, em letargia, vive à espreita de qualquer pequena oportunidade para assombrar nosso futuro.

O lucro do governismo de Paulo Henrique Amorim: R$ 833 mil (só da Caixa)

O chefe da claque governista na internet, o blogueiro autoproclamado progressista Paulo Henrique Amorim, recebeu da Caixa Econômica Federal R$  833,28 mil reais em patrocínios para sua página eletrônica. O valor foi informado ao Blog do Pannunzio pela Assessoria de Imprensa da CEF e se refere a 20 meses de veiculação de banners em 2011 e 2012.

O valor mensal dos patrocínios arrecadados é equivalente ao que o Conversa Afiada recebeu dos Correios — R$ 40 mil mensais pela veiculação de uma campanha do Sedex entre outubro de 2011 e fevereiro deste ano. O contrato com os Correios foi suspenso, segundo a estatal em função do fim da campanha.

Outras empresas e autarquias também cedem patrocínio ao blog de Paulo Henrique Amorim. Consultado pelo Blog do Pannunzio, o Banco do Brasil prometeu, por intermédio de sua assessoria de imprensa, respoder ainda nesta segunda-feira o valor empenhado pela instituição na página eletrônica. Até o momento da publicação deste post, no entanto, ainda não havia resposta.

Somente com os valores pagos pela CEF e Correios, seria possível ao governo retirar da miséria 8300 famílias, com o pagamento do benefício médio de R$ 115,00 do Bolsa Família.

O editor do Conversa Afiada foi processado  várias vezes por injúria, inclusive racial. PHA foi condenado pela justiça paulista por ter chamado Paulo Preto de “Paulo Afro-Descendente”. Também foi obrigado a se retratar — obrigação ainda não integralmente cumprida –  diante do jornalista Heraldo Pereira, da Globo, e a pagar R$ 30 mil de indenização, dinheiro destinado pelo comentarista do Jornal da Globo para uma instituição de caridade, por ter utilizado a expressão “negro de alma branca” para tentar desqualificá-lo. Responde, ainda, a um processo criminal movido pelo Ministério Público do Distrito Federal para apurar e punir as mesmas injúrias.

Abaixo, reproduzo a responsta da Assessoria de Comunicação da CEF a um questionário elaborado pelo Blog do Pannunzio na semana passada.

Blog do Pannunzio- A CEF tem patrocinado o Conversa Afiada. Preciso saber quanto ele recebeu de patrocínio no ano passado, quanto está recebendo atualmente e qual a duração do contrato.

CEF – Investimento no Site Conversa Afiada em 2011: R$ 416.640,00. Período de veiculação 2011: Março a Dezembro de 2011.  Investimento no Site Conversa Afiada em 2012: R$ 416.640,00. Período de veiculação em 2012: Março a Dezembro de 2012.

Blog do Pannunzio –  Como a CEF distribui esses patrocínios ? Qual é a verba destinada à internet, qual a participação dos blogues nessa verba, e qual a participação, em termos proporcionais, do Conversa Afiada nessa verba ?

CEF –  Não entendemos que o site Conversa Afiada seja um blog, razão pela qual o valor destinado ao site não está incluído nas informações relativas a blogs.

Investimento em internet 2011: 14.602.428,43

Investimento em Blogs em 2011: foi de R$ 145.531,31, sendo que três blogs citados abaixo não são valorados e não estão incluídos nesse valor.

Participação em Blogs em relação ao total de internet em 2011: 1%

Participação do site Conversa Afiada em relação ao total de internet em 2011: 3%

Blog do Pannunzio:  Há outros blogues veiculando banners da CEF ? Quais são eles ?

CEF: Blog A Casa da Minha infância –Não valorado; pacote Casa.com; Blog Empreendedores–Não valorado; pacote Ed. Globo; Blog Luiz Nassif  

Blog do Pannunzio: Quais são os critérios da CEF para a escolha de quem receberá patrocínio do banco ?

CEF – Os meios e veículos são avaliados pelas agências de publicidade contratadas pela Caixa, que levam em conta as necessidades estratégicas da empresa na divulgação de sua marca, produtos e serviços.

Blog do Pannunzio – Como é feita a aferição dos resultados ? A CEF paga por clique, por pageview ou a verba destinada aos blogues não tem relação com o número de exibições dos anúncios veiculados ?

CEF – Blog A Casa da Minha infância. Mensuração: relatório de pageviews do blog; Blog Empreendedores (pacote Ed. Globo). Mensuração: relatório de impressões e cliques nos sites propostos (PEGN, Época e Época Negócios.); Blog Luiz Nassif. Mensuração: relatório de impressões.  O Blog Luiz Nassif é o único com entrega valorada e tem negociação por CPM, conforme tabela de preços que tem custo específico para o blog, e total calculado de acordo com quantidade de impressões propostas para cada formato no período.           

Blog do Pannunzio:  O banco tem algum tipo de reserva em relação ao conteúdo dos blogues patrocinados ?

Não, assim como não tem reserva quanto aos conteúdos das televisões, revistas, jornais, rádios e demais veículos que patrocina ou veicula publicidade e propaganda.

Paulo Paim: “Alma não tem cor”

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=X5QtsTC2qC0[/youtube]

O Senador Paulo Paim (PT-RS), único parlamentar afro-descendente do Senado da República, declinou do convite para testemunhar a favor do blogueiro Paulo Henrique Amorim no processo aberto pelo comentarista político da Rede Globo Heraldo Pereira. Meses atrás, Paim foi procurado pelo blogueiro, que pretendia obter dele o testemunho de que não é racista.

Paulo Henrique Amorim propôs um acordo, ainda não integralmente cumprido, para evitar a condenação iminente. Foi obrigado a pagar RS 30 mil a uma instituição de caridade e a se retratar publicamente em sua própria página eletrônica e em dois grandes jornais.

Em entrevista ao Blog do Pannunzio, Paulo Paim justificou as razões de sua recusa. Ele entende que a expressão “negro de alma branca” está carregada de preconceito racial — o oposto do que PHA pretendia que ele declarasse em juízo. “A alma do negro e do branco é uma só e não tem cor”, declarou o senador petista ao Blog. “Acho que devemos coibir que esse tipo de expressão seja usado. É inadmissível que esse tipo de expressão seja usado para qualificar ou desqualificar alguém”.

Repórter da Globo pede que jornalista faça nova retratação

Da Folha de São Paulo

O repórter da TV Globo Heraldo Pereira pediu à Justiça do Distrito Federal que o jornalista Paulo Henrique Amorim faça uma nova retratação.

Pereira quer a publicação de dois novos anúncios na Folha e no “Correio Braziliense” na ação em que se diz vítima de injúria e racismo.

Em seu site “Conversa Afiada”, Amorim empregou expressões como “negro de alma branca” para falar do repórter. Em fevereiro, eles fecharam acordo para que Amorim pagasse R$ 30 mil a uma instituição e publicasse um anúncio em cada jornal.

O texto publicado no “Correio” foi alterado. Na Folha, o anúncio saiu um dia após o prazo e só na edição local.

Segundo o advogado de Pereira, Paulo Roque Khouri, já estava prevista no acordo uma segunda publicação caso a primeira retratação não saísse conforme combinado.

Já o advogado de Amorim, Cesar Marcos Klouri, diz entender que ele cumpriu “literalmente o que foi acordado”.

via Folha de S.Paulo – Poder – Repórter da Globo pede que jornalista faça nova retratação – 10/03/2012.

Retratação a Heraldo Pereira foi conversa fiada

Texto de Pedro Caribé, publicado no site da AfroPress Agência de Comunicação Multiétnica

O pagamento da indenização e retratação de Paulo Henrique Amorim (PHA) ao jornalista Heraldo Pereira não foi suficiente para convencer o réu de ter praticado ato racista. Antes e depois de sentar no tribunal, PHA e seus pares tentaram desconstruir a todo custo a legitimidade da indignação de Heraldo.

Tentaram tergiversar o debate para arena ideológica, onde a Heraldo caberia o papel de reforçar o ar pejorativo de “ser negro de alma branca”, a serviço de idéias conservadoras, e os movimentos negros a possibilidade de serem coagidos ou cooptados no posicionamento.

Também tentaram criar interpretações dúbias, amenizar o ocorrido. Ao final, PHA desdenhou da Justiça, não publicou na data correta a retração e ainda fez comentários jocosos, numa demonstração que sua consciência continua indiferente a gravidade do que cometeu.

Felizmente a estratégia de PHA falhou, e acabou por reforçar como a situação se enquadra no complexo sistema de preconceito racial brasileiro.

A questão se inicia com uma interrogação: PHA proferiu um ato racista no seu blog Conversa Afiada e por isso foi julgado num tribunal? Sim. Não só por proferir o termo “negro de alma branca”, mas todo o contexto que trata Heraldo como submisso de Gilmar Mendes, profissional que ascendeu sem méritos e que faz “bicos” na Rede Globo.

PHA sintetizou elementos sofisticados do racismo nacional, contextualizou a cor da pele para depois se colocar em tom de superioridade.

Heraldo ganhou a causa, através da retratação pública e indenização de R$ 30 mil a ser paga por PHA e posteriormente doada a instituições de caridade. Costurar um “acordo” ou “conciliação” nesses casos é instrumento comum do Judiciário. Por um lado, mecanismo “autoincriminatório”, por outro, a não condenação, abre brecha para atenuar a acusação.

Aliás, quem é condenado explicitamente por racismo no Brasil? Advogados que lidam com a questão racial sabem que dificilmente o Judiciário brasileiro ia dar ganho de causa integral a Heraldo, e o que foi obtido não pode ser minimizado.

Para tentar desfocar o tema da pauta racial, PHA e alguns dos seus pares, passaram a cobrar os serviços prestados aos Governos Lula e Dilma. Tentaram transformar PHA num bastião de projeto transformador, mas esqueceram que ele sustenta a ala dos apoiadores fisiológicos. Aqueles que ao apoiarem projetos construídos inicialmente pela esquerda, costumam carregar um pacote pesado demais de contrapartidas.

Atualmente PHA não é mero empregado da Rede Record, é formulador do discurso editorial, apresentador dominical e tem programa semanal de entrevistas. A Record por sua vez não tem nenhuma autoridade ética no quesito étnico-racial, ao ser comparada com a Globo, empresa que trabalha Heraldo Pereira.

É de conhecimento de todos que a Record é de propriedade de Edir Macedo, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), e responsável por reciclar o racismo brasileiro, em especial ao buscar destruir um ponto sagrado: as religiões afro brasileiras. Entre o racismo da Globo – explicitado nas idéias de Ali Kamel – e o da Record, sinceramente, não é para se ter cumplicidade com nenhum dos lados.

O fato da Record ser eixo de sustentação dos governos mais à esquerda no país não a torna isenta, muito menos a emissora é o caminho que defendo para democratizar o setor comunicacional.

Globo e Record não são cúmplices apenas no quesito preconceito étnico-racial, ambas são integrantes da Associação Brasileira de Empresas de Rádio e TV (Abert). Essa Associação se retirou e condenou a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) e o Conselho Estadual de Comunicação da Bahia. A Abert atua para impedir reformas democratizantes nas comunicações do país em pontos cruciais como conteúdo (continuar a praticar o proselitismo religioso na programação), e propriedade (“laranjas” e parlamentares concessionários).

Mesmo que a Record não estivesse no contexto, PHA também não estaria imune. Defender muitas idéias de esquerda ou progressistas não é sinônimo de compreensão da questão racial. A esquerda em geral não é imune quanto o tema é étnico-racial.

O cubano radicado no Brasil, Carlos Moore, sistematizou como poucos as teses racistas na origem do marxismo, bem como o tratamento pejorativo que a pauta racial teve e tem na Revolução que ajudou a construir no seu país. Ainda assim, a partir do século XXI a esquerda se tornou o melhor caminho para avançar a pauta no Brasil, mas não é o único.

Aos que querem realmente ver a questão étnico-racial com pauta prioritária nos espaços de poder, é o momento de aplicar a realpolitik. Dialogar e compreender os meandros da política brasileira. Entender que muitos não se sentem acolhidos nas citações, entre vírgulas, dos discursos de plenária, construir maiorias, ir além das caixas que são reservadas, desde que
mantenha a integridade dos seus propósitos, algo que nem sempre a esquerda consegue.

Neste embate, Heraldo conseguiu aplicar a realpolitik, abriu brechas em pólos tidos como antagônicos, porém cúmplices quando o assunto é racismo. Pereira foi o primeiro negro a apresentar o principal telejornal do país, o Jornal Nacional. Conseguiu superar a barreira da invisibilidade e o estigma de incompetência dado aos negros e negras.

Pereira é um trabalhador, empregado, não se tem conhecimento do seu pertencimento ao núcleo conservador da Globo. Além de sentir na pele, não é nenhum alienado no debate racial, conforme sugere Paulo Henrique. Sua trajetória é motivo de orgulho à população brasileira, mais ainda aos negros e negras.

Heraldo também se libertou das correntes ideológicas da empresa onde trabalha. Por vezes o caso se desviou para um falso embate entre Globo x Record, forçando o conglomerado da família Marinho fortalecer direta e indiretamente argumentos contrários ao que prega Ali Kamel. Em partes, Heraldo venceu Ali Kamel, dentro de um contexto que é trabalhar nas organizações Globo.
Quanto a Paulo Henrique Amorim, trabalhou na Veja, Globo e agora para Record, e continua a contribuir com um dos temas mais caros ao poder conservador no Brasil: o racismo.

Pedro Caribé é jornalista, associado do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, titular do Conselho Estadual de Comunicação da Bahia.

Folha rejeitou anúncio de Paulo Henrique Amorim que desvirtuou sentença

Por Márcio Chaer, do Conjur

A Folha de S.Paulo vai publicar nesta quarta-feira (7/3) a retratação em que o blogueiro Paulo Henrique Amorim recua e reconhece seu erro nas ofensas raciais contra o jornalista Heraldo Pereira, da TV Globo. Sem comentários nem acréscimos: apenas com o que o juiz determinou.

O jornal explica que a retratação não foi publicada nesta terça-feira não só porque esse é o procedimento padrão, em caso de informes publicitários, como por que o texto original da sentença do juiz fora adulterado. “A diferença entre os textos tornou mais imperativa ainda a assinatura do termo de responsabilidade”, explicou o diretor jurídico da Folha, Orlando Molina.

Para facilitar a publicação, o jornal concordou, logo no início, que o termo fosse assinado pelo advogado de Amorim. O departamento jurídico da Folha, para o caso de pedido judicial, guarda toda a troca de correspondência eletrônica em que ofereceu, em tempo hábil, a facilidade para a publicação — uma vez que seu representante afirmou que Amorim encontra-se no exterior.

Mas o réu capitulou uma vez mais. O termo de responsabilidade finalmente foi entregue ao jornal nesta terça. O advogado de Amorim fez constar do termo o texto a ser publicado, sem ressalvas nem acréscimos.

via Conjur – Folha rejeitou anúncio de Paulo Henrique Amorim que desvirtuou sentença.

Com novo patrocinador estatal, PHA descumpre pela segunda vez acordo com Heraldo Pereira

PHA, o Malcolm-XYZ da blogosfera brasileira

O jornalista autoproclamado progressista Paulo Henrique Amorim, apresentador de um ebdomadário domincal na TV do Bispo Edir Macedo e dono do site Conversa Afiada, descumpriu pela segunda vez consecutiva o acordo que assinou para encerrar um processo civil aberto contra ele por Heraldo Pereira, da Globo. PHA afirmou que Heraldo não tem nenhum mérito profissional para estar na bancada do Jornal Nacional além de ser filho de uma família humilde e ser negro. PHA chamou o colega de “negro de alma branca”

O acordo com peso de sentença previa que o blogueiro publicaria em sua página eletrônica e nos jornais Folha de São Paulo e Correio Braziiense uma retração reconhecendo que Heraldo não é empregado de GIlmar Mendes, que é um profissional destacado da Rede Globo e que foi infeliz ao adotar a expressão “negro de alma branca”.

Em decisão datada de Primeiro de março — mas conhecida apenas ontem –, o juiz Daniel Felipe Machado, da Décima-Segunda Vara Cível do Distrito Federal,  intimou o blogueiro a republicar a retração em seu site, “devendo constar em primeiro lugar a  retratação ‘ipsis litteris’, iniciando-se com o título acordado”. O juiz também determinou que, na publicação nos jornais, “o réu deverá se limitar [aos] exatos termos do acordo, sem agregar comentários no mesmo espaço”.

Não foi o que ocorreu. No texto publicado hoje no Correio Braziliense, contrariando a determinação judicial, PHA faz quatro considerações  e ameaça processar todos os que afirmarem que ele foi condenado por injúrias ou racismo. Em uma delas, repete a afirmação falsa que vem veiculando em seu blog de que, ao assinar o acordo, o jornalista da Globo “atestou que a expressão  negro de alma branca não foi usada com o sentido de ofender, nem teve conotação racista”. Ainda não se sabe se o texto foi publicado também pela Folha de São Paulo, que tem edições distintas para São Paulo e para o restante do País.

O advogado Paulo Roque Khouri, que representa Heraldo no processo, vai informar o descumprimento da sentença, que ele considera uma espécie de deboche. ”O problema de Paulo Henrique Amorim hoje é com a Justiça do Distrito Federal. Ele está claramente descumprindo a ordem judicial e já teve a atenção chamada por isso pelo juiz da Décima-Segunda Vara Cível. Não se debocha de decisão Judicial”.

Paulo Roque Khouri estranha esse comportamento pois, segundo ele, “o  acordo foi celebrado depois de negociações de alto nível com o advogado do blogueiro, Cesar Klouri”.

A pedido do Blog do Pannunzio, um advogado sem relação com o caso analisou o comportamento de Paulo Henrique Amorim. O especialista questionou até se ele realmente está sendo assessorado por advogados. “Ao que me parece, foi um tiro no pé. Além de não resolver o problema na ação indenizatória, está agravando sua situação na esfera penal, onde é réu e pode pegar até cinco de cadeia pelos crimes de injúria racial e racismo”.

Novo patrocinador

Depois de perder o patrocínio dos Correios na semana passada, o site que vem publicando as injúrias de Paulo Henrique Amorim voltou a veicular anúncios do banco estatal Caixa Econômica Federal. PHA recebia R$ 40 mil por mês dos Correios. O Blog do Pannunzio está em contato com representantes da CEF para saber qual o valor, a justificativa e o período do contrato do blog com o banco, mas ainda não recebeu a resposta.

Juiz intima “réu” PHAmorim a publicar retratação [honesta]

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Publicado no Blog do Reinaldo Azevedo . A palavra “honesta” entre colchetes no título é por minha conta.

Eu não publico porque não quero por aqui os partidários do JEG (Jornalismo da Esgotosfera Governista), vocês sabem… Mas todo dia chegam manifestações mais ou menos assim: “Aí, hein… Depois que o Paulo Henrique Amorim ameaçou te processar, você (NR: eles misturam os pronomes, e esta é a menor das porcarias que fazem num texto…) parou de falar do caso Heraldo Pereira!” Parei? Então não fui avisado por mim mesmo. Não parei, não! Havendo novidade, cá estou! Não havendo, mas dando vontade, idem!

Bem, não vou aqui fazer memória longa da história, que vocês conhecem de sobejo. Um acordo judicial obrigava Paulo Henrique Amorim — sim, ele tem obrigações a cumprir — a publicar uma retratação em seu blog e em dois jornais: Folha e Correio Braziliense. Vocês se lembram: ele foi processado por Heraldo na área cível — há um outro processo na criminal, movido pelo Ministério Público Federal e já aceito pela Justiça — por ter afirmado que o jornalista é um “negro de alma branca”, entre outras delicadezas. Também afirmou que seu desafeto não tem outra razão para estar onde está, exceto o fato de “ser negro e de origem humilde”.

Pois bem: Amorim resolveu publicar a retratação no meio de textos que, na prática, reiteram tudo o que havia dito antes — só que, nesse caso, recorrendo a palavras de terceiros, claramente endossadas por ele. Também inventou um troço estapafúrdio: segundo ele, com a retratação — FEITA POR ELE, NÁO PELO OFENDIDO, É ÓBVIO —, Heraldo estaria admitindo que ele não é racista. Falso! O jornalista não admitiu nada. Até porque, advogado que também é, foi admitido como assistente de acusação no processo criminal.

Pois bem! O advogado de Heraldo voltou à Justiça para acusar o descumprimento do acordo judicial. Na imagem lá no alto, vai a sentença do juiz Daniel Felipe Machado, que intima o “réu” (ele é “réu”, o que faz questão de omitir) Paulo Henrique Amorim a:
1) fazer a retratação “ipsis litteris” e sem comentários no mesmo post;
2) publicar a retratação nos jornais que constam do acordo, “sem comentários no mesmo espaço”.

Relembro o conteúdo da retratação:
“Retratação de Paulo Henrique Amorim, concernente à ação 2010.01.1.043464-9:
Que reconhece Heraldo Pereira como jornalista de mérito e ético; que Heraldo Pereira nunca foi empregado de Gilmar Mendes; que, apesar de convidado pelo Supremo Tribunal Federal, Heraldo Pereira não aceitou participar do Conselho Estratégico da TV Justiça; que, como repórter, Heraldo Pereira não é nem nunca foi submisso a quaisquer autoridades; que Heraldo Pereira não faz bico na Globo, mas é funcionário de destaque da Rede Globo; que a expressão ‘negro de alma branca’ foi dita num momento de infelicidade, do qual se retrata, e não quis ofender a moral do jornalista Heraldo Pereira ou atingir a conotação de racismo.”

Jamais se esqueçam: Paulo Henrique escreveu e reiterou aquelas coisas por meio de terceiras pessoas tendo no alto da página a marca dos “Correios”, uma estatal. No momento, a sua homepage remete a ataques a Gilmar Mendes, um ministro do Supremo; a José Serra, um dos líderes da oposição, e, de novo!, a Heraldo Pereira com propaganda da Caixa Econômica Federal.

Isso quer dizer que uma estatal patrocina o ataque a um ministro do Supremo (e o que vai lá é ataque, não crítica); a um adversário do governo federal (e o que vai lá é ataque, não crítica) e, pasmem!, a um jornalista, de quem ele resolveu que poderia fazer certas cobranças porque seu alvo, afinal, é negro (e o que vai lá é ataque, não crítica). A Caixa já inventou um Machado de Assis branco e teve de se retratar. Agora, financia textos que, na prática, dizem que o negro Heraldo Pereira tem alma branca. Fosse uma tentativa de elogio, seria uma ofensa. Como é uma ofensa, então ofensa é.

Por Reinaldo Azevedo

Aos mujahidins da blogosfera governista: PHA, o “destemperado”, foi, sim, condenado por injúrias racistas.

PHA, o Malcolm-XYZ da blogosfera brasileira

Dedico este post aos mujahidins do PHA, que têm me cobrado explicações a respeito do que eu não disse sobre o processo envolvendo o dublê de porta-voz da Igreja Universal e neo-bolchevique do conversafiada e o Herlado Pereira.

Eu nunca disse que ele foi “condenado” no processo aberto pelo Heraldo na esfera Cível. Eu sempre disse que houve um acordo — um acordo desmoralizante para ele, mas ainda assim um acordo. Com peso de sentença condenatória, porque foi obrigado a pagar R$ 30 mil para encerrar a lide e a se retratar. Mas ainda assim um acordo.

Eu disse também que ele é réu em ação penal movida pelo MP do DF e pode pegar até cinco anos de cadeia por isso. Disse e reitero.

Paulo Henrique Amorim foi condenado por injúrias racistas, sim. Mas foi em outro processo — o que lhe moveu Paulo Preto na justiça paulista. Quem tiver qualquer dúvida pode consultar no site do TJ. Segue a sentença:

(…) quando o réu substitui o nome do autor, vulgarmente conhecido como “Paulo Preto”, por “Paulo Afro-descendente”, incide em evidente ato ilícito. De fato, a pessoa de cor negra vem sendo chamada, de uns tempos para cá, de forma apropriada ou não, de afro-descendente, com referência expressa, portanto, à ascendência africana. Mas isso é feito quando se alude, em termos genéricos, à pessoa negra, simplesmente pela sua cor da pele. Ocorre que, no caso dos autos, o autor é conhecido como “Paulo Preto”, ou seja, a expressão “Preto” está ligada ao seu nome, e não apenas à cor de sua pele. Nesse contexto, a substituição da expressão “Preto” por “Afro-descendente” é indevida, e não se justifica nem mesmo sob o viés do “politicamente correto”. Cuida-se, à evidência, de infeliz brincadeira com a alcunha do autor, em gracejo que denota, senão grave, um destemperado jogo de palavras com assunto de especial sensibilidade, pois nossa sociedade é ainda racista, e qualquer atitude discriminatória, como a acima indicada, deve ser condenada. Há, portanto, ofensa à honra do autor, que se viu indevidamente ultrajado com a inusitada forma pela qual o réu insistiu em alterar sua designação comum. De outro lado, se o réu não tem antecedentes que permitam concluir ser pessoa racista, o que até mesmo se presume, pela condição e fama de jornalista de respeito e credibilidade que ostenta, a análise do ato é obviamente feita estritamente no contexto das notícias objeto desta ação. Por fim, a referência ao endereço, com menção expressa ao nome da rua, número do prédio, bairro e cidade, além de foto do apartamento, expõe desnecessariamente a vida privada do autor, porque se de fato é do interesse público informação sobre o quê um suposto dinheiro ilícito teria permitido comprar, revela-se absolutamente sem cabimento o apontamento particularizado do local preciso onde o autor moraria. A falta de menção ao número do apartamento, como defendido em contestação, não afasta a possibilidade de se saber o exato local em que moraria o autor, o que realmente a ninguém interessa. Houvesse apenas referência ao bairro, de classe alta, e sua localização na cidade de São Paulo, os comentários sobre metragem, qualidade e valor do apartamento poderiam ser entendidos como próprios e esperados de quem desempenha atividade jornalística. Mas o réu foi além, como demonstrado, e isso também caracteriza ilícito civil, a comportar indenização.

(…)Para o autor, levando-se em consideração esses critérios e as particularidades do caso em apreço, fixa-se a indenização em R$ 30.000,00 (trinta mil reais), valor que se reputa suficiente para que compense o ofendido e, ao mesmo tempo, desestimule o réu a agir de forma semelhante, na condição de jornalista, em situações análogas. É certo que, em ação de indenização por danos morais, a condenação em montante inferior não implica sucumbência recíproca, conforme disposto na súmula 326 do colendo Superior Tribunal de Justiça. No entanto, o resultado é de procedência parcial não apenas porque o valor pedido não foi acolhido, mas em razão da ilicitude reconhecida em parte das matérias publicadas pelo réu. Essa observação se revela importante na fixação dos ônus sucumbenciais. A correção monetária deve incidir desde a data do arbitramento, nos termos da súmula 362 do colendo Superior Tribunal de Justiça, e os juros moratórios devem fluir a partir do evento danoso, que é a data da primeira matéria veiculada no sítio eletrônico do réu. Ante o exposto, julgo parcialmente procedente o pedido para condenar o réu a pagar indenização por danos morais ao autor no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), com correção monetária, utilizada a tabela prática do egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo, a contar deste arbitramento, e juros de mora, de 1% ao mês, contados do evento danoso.

DANIEL LUIZ MAIA SANTOS Juiz de Direito

As discussões sobre racismo

O post que reproduzo abaixo foi publicado pelo Luis Nassif, um profissional de longa história que eu respeito. Sei que ele apoia o Paulo Henrique Amorim e é por isto que reproduzo o conteúdo integral do artigo do José Roberto Militão, com a introdução escrita pelo Nassif. Acho que ele está do lado errado desta vez, mas respeito o direito dele de se posicionar como bem entender. O fato a anotar é que, a despeito de contrariar seu convicção pessoal, Nassif foi bastante honesto ao publicar o texto. O que estabelece uma distinção clara entre ele e outros que sequer admitem comentários críticos em suas páginas eletrônicas.

Enviado por luisnassif, sex, 02/03/2012 – 13:11

Hesitei antes de publicar este artigo. Primeiro, pelo fato de o episódio Heraldo estar sendo utilizado para tentar detonar o colega Paulo Henrique Amorim. Depois, pela presença de pequenos oportunistas, blogs que falam para públicos específicos e que sempre de aproveitam de momentos de vulnerabilidade para ataques pelas costas.

O artigo em questão é do José Roberto Militão, que o blog tem na maior consideração por suas posições corajosas e humanistas. Privar o blog do artigo significaria não dar luz a um ângulo relevante nas discussões do movimento negro.

Publico e reitero minha solidariedade a PHA, caso Heraldo à parte, pelo conjunto de ações que vêm sofrendo, visando sufocá-lo financeiramente.

O Movimento Negro apóia as ofensas racistas?

Por: José Roberto F. Militão – 28/2/2012

http://www.afropress.com/colunistasLer.asp?id=954

Ouso discordar com a devida veemência do artigo de Marcos Rezende, http://www.afropress. com/colunistasLer.asp?id=953., que na condição de militante do movimento negro, faz a defesa do polêmico jornalista PAULO HENRIQUE AMORIM, que fez uma degradante ofensa racial contra um afro-brasileiro do porte de HERALDO PEREIRA, nosso principal jornalista que integra o primeiro time da principal rede de TV do Brasil. No artigo REZENDE outorga o direito de Paulo Henrique Amorim, que se encontra em “guerra” profissional e pessoal com a Rede Globo de TV, utilizar-se de uma ofensa racial contra o mais importante afro-brasileiro do jornalismo, advogado e professor universitário em nível de pós-graduação. Um jovem ainda, HERALDO PEREIRA, com trajetória exemplar, de office-boy a estrela do jornalismo nacional, jamais deixou de reconhecer o racismo no Brasil. PHA o acusa de ser um “negro de alma branca”.

Apesar do racismo que conhecemos razão única da própria existência do próprio Movimento Negro que Rezende atua, HERALDO em 2002, foi destaque nacional, pois estava rompendo barreiras para orgulho de todos afro-brasileiros, pela primeira vez, um homem preto apresentava o mais importante jornal da TV brasileira: o Jornal Nacional. (http://www.terra. com.br/istoegente/ 174/reportagens/heraldo pereira. htm -Isto é Gente, 02/12/2002) “O sábado 23 foi um dia atípico na vida do jornalista Heraldo Pereira. Ele acordou por volta das seis horas, tomou café da manhã duas vezes e foi à igreja. O único hábito rotineiro foi a feijoada no almoço. Mesmo assim, não conseguia fazer o tempo passar. “Queria que o jogo começasse logo”, diz. Somente às 14h chegou à Rede Globo, onde apresentaria o Jornal Nacional em sua primeira participação nos rodízios de fim de semana. Sua estréia foi cercada de mais expectativa do que o normal: Heraldo se tornou o primeiro negro a se sentar na famosa bancada. “Sinto orgulho de ser negro e de apresentar o Jornal Nacional”, diz ele, que repetiu a dose nos dias 25 e 26. Num país de maioria negra como o Brasil, o fato não deveria causar espanto, mas são raras as oportunidades dadas às pessoas da raça. “O Brasil é racista”, afirma Heraldo Pereira, 41 anos. “Todo negro sofre preconceito. Ande atrás de uma mulher com bolsa para ver. Já passei por isso, passo e passarei”, diz.
A imputação de ofensas raciais degradantes como de “capitão-do-mato” ou “negro-de-alma-branca” feita por Paulo Henrique, da TV Record e do blog “Conversa Afiada” sob o pretexto de Heraldo não militar ostensivamente na defesa da segregação de direitos raciais é um absurdo.

Mais absurda a defesa do agressor, em nome do movimento negro. É um despautério. REZENDE foi inclusive testemunha de defesa judicial do acusado de agressão. Como se possível alguém aferir e testemunhar o foro íntimo de sentimentos, a não ser pelo que vem expresso em palavras e manifestações públicas. As palavras de PHA expressaram uma injúria racial contra HERALDO, aliás, reconhecida na retratação. As centenas, quase milhares de comentários de apoios ao ofensor, revelam o quanto a presença do afro-brasileiro ocupando o relevante destaque no jornalístico incomoda às elites, seja de direita ou de esquerda.

A falta de melhor argumentação para a defesa de cotas raciais conduz o debate ao confronto e ataques pessoais e aleivosias amorais dessa monta. Na defesa de políticas raciais, se tivessem, bastaria a boa argumentação que, como diz OBAMA, não pode ser na base do chororô e da vitimização que reduzem, ainda mais, a auto-estima dos afro-descendentes.

Infelizmente, consta que Heraldo também apóia as cotas sociais, porém, não é um militante da causa, razão do ataque raivoso e dos apoios suspeitos. Porém, ninguém, nenhum profissional de qualquer área tem o dever de engajamento em demandas políticas, quaisquer que sejam. 

MILTON SANTOS, que muitos abusam de citá-lo, confidenciava aos interlocutores que ficava muito contrariado com a insistência para que ele fosse um militante do Movimento Negro e ele costumava brincar: “não sou obrigado a ser militante de nada além de minhas idéias que já são muitas.”

Talvez o único debate formal que MILTON participou como debatedor, ou um dos únicos, a convite do movimento negro anti-racista, tenha sido na nossa Comissão de Negros e Direitos Humanos da OAB/SP, em 1997, e ao aceitar o convite, impôs como condição a ressalva de que aceitava ir à OAB na condição de intelectual e não na condição de racial de ´negro´.

Em apoio a Heraldo, contra a segregação de direitos raciais, está o fato relevante dela exigir a produção artificial de raças estatais – raça negra para incluir e branca para excluir – com a legitimação estatal da classificação e hierarquia racial, além de trazer implícita a violação à dignidade humana de todos os afro-brasileiros com a presumida inferioridade declarada pelo estado. 

Significando em médio prazo, liquidar com a auto-estima dos beneficiários como fizeram as leis raciais com os afro-americanos, além de induzimento a pertencimentos raciais e seus ódios inerentes e bem conhecidos, que não interessa ao combate do racismo.

O estranho ainda é que na mesma situação do Heraldo encontra-se mais de 2/3 dos afro-brasileiros que são contrários a segregação de direitos raciais, 70 milhões de pretos e pardos, que não aprovam às cotas raciais conforme a única pesquisa exclusiva publicada em 19/11/2008 – CIDAN/IBPS – realizada no Rio de Janeiro onde, desde 2001, vige lei de cotas raciais: 62,3% dos pretos e 64,1% dos pardos se posicionam contra as leis de segregação de direitos raciais. (essa pesquisa foi escondida pelos ativistas racialistas que a encomendaram): está aqui http://www.ibpsnet.com.br/descr_pesq.php?cd=83 ). Somos todos “Negros de Alma Branca”.

Que Paulo Henrique, por motivos pessoais – histórico-profissionais – faça a ofensa racial compreende-se. Cabe à vítima, como fez Heraldo, levá-lo às barras dos Tribunais. Porém, totalmente equivocado que um pretenso líder afro-brasileiro que se propõe a combater o racismo faça a defesa dessa ofensa racial dirigida a importante personalidade afro-brasileira pelo simples fato dele e de milhões de outros não fazerem a apologia da segregação de direitos raciais. 

A trajetória de Heraldo sem privilégios de berço e enfrentando toda a máquina racista que tão bem conhecemos, merece respeito e deve ser louvado por quem queira ser um verdadeiro anti-racista.

O artigo de Marcos Rezende, invocando as palavras do então radical Malcolm X que tinha o propósito de dividir a luta dos afro-americanos liderados pela doutrina pacifista do Dr. Luther King, não condiz com a realidade dos afro-brasileiros nem guarda fidelidade histórica.

O sonho sonhado pelo Doutor King era o fim das leis de segregação racial. O de Malcolm era o ódio e o confronto racial com a tese da revolução racial com o uso de todos os meios, inclusive da violência racial. Porém, o próprio Malcolm X, alguns anos depois, após sua peregrinação a cidade sagrada de Meca abandonou o radicalismo da Nação do Islã, renunciando ao radicalismo racial e declarou o arrependido de seus erros.

O mesmo radicalismo que ataca e destrói reputações de irmãos e que norteia Rezende neste episódio, inclusive atacando a afro-brasileiros que, tal como Martin Luther King queiram apenas a luta pela dignidade humana e nenhuma luta racial.

Para se compreender o grau de ódio que os discursos raciais produzem, ao desistir do ativismo pelo ódio racial, em sua famosa Carta de Meca dizendo que a partir dali passava a lutar pela humanidade dos afro-descendentes e pelos ideais socializantes de direitos universais.

Malcolm também foi rotulado de traidor dos ideais raciais – foi designado por coisas piores do que “negro de alma branca” – e acabou sendo covardemente assassinado por pretos radicais que, tal como Rezende, almejavam a qualquer custo, a condição de lideres “raciais”.

Não é assim que faremos o bom combate ao racismo. Não será com a artificial criação de uma “raça negra” estatal, através da inescrupulosa manipulação estatística, violando a voz dos pesquisados com a soma dos auto-declarados pretos e pardos, retirando-lhes a identidade humana para a imposição de uma identidade jurídica racial. Não será assim que construiremos a igualdade e harmonia social que sonhamos.

Como dizia o saudoso Milton Santos, tantas vezes invocado em sua insuperável ausência: ”nós não queremos pertencimento racial. Queremos apenas que sejamos considerados em nossa inteira humanidade. Não precisamos abrir mão de nossa “relativa” tolerância racial. Não preciso ser um afro-brasileiro, quero ser visto apenas como um brasileiro. Um brasileiro comum”. Nas palavras de nosso maior intelectual afro-brasileiro neste vídeo: http://www.youtube.com/watch? v= xp9fPuYHXc

Como ativista contra o racismo considero inadmissível que o estado faça segregação de direitos raciais, pois isso implica na legitimação de “raças” estatais e da crença na divisão e classificação racial dos humanos o que vem na contra-mão da luta contra o racismo. 

Somos a ampla maioria de afro-brasileiros, favoráveis às cotas sociais em que os pretos/pardos pobres competirão em igualdade de condições e dignidade com os demais pobres oriundos do mesmo ambiente social. Também é inadmissível que o movimento negro apóie quem desfira ofensas raciais, desqualificadoras, injuriosas, a qualquer afro-brasileiro que tenha dignidade.

Por fim é bom que se diga: suspeita-se, com razoáveis razões, que as cotas raciais por leis de segregação de direitos raciais que unem Paulo Henrique e Marcos Resende seja mesmo um projeto imperialista a cargo das Foundation’s denunciadas desde 1998 no meio acadêmico. 

Essas Foundation’s, tem revelado a história com a revelação de documentos sigilosos do Governo dos EUA sempre foram o braço civil da inteligência norte-americana. Todo analista sabe que em cinqüenta anos o Brasil será uma potência mundial em disputa com os Estados Unidos.

O projeto ianque, então, seria nos retirar aquela relativa tolerância, uma vantagem demográfica que jamais conseguirão. O que justificaria os milhões de dólares, investidos todos os anos, desde 1990, nas universidades para formação de lideranças raciais, políticas e acadêmicas.

Configura-se, no apoio de Rezende em nome do Movimento Negro, com o alinhamento de um movimento social ao agressor de um digno afro-brasileiro, apenas o fato do ofensor ser aliado das políticas de cotas raciais de inspiração ianque.

A principal característica desse tipo de política pública em bases raciais é que foi inspirada no Brasil pelo progressista Senador Sarney, na época do PFL/MA. Portanto, além do patrocínio por milhões de dólares das Fords Foundation’s, o esforço de racialização no Brasil conta com os vínculos reacionários e populistas da direita norte-americana, e de Sarney a Antonny Garotinho.

O próprio Paulo Henrique em sua defesa oral no processo movido por Heraldo, http://www.con versaafiada.com.br/brasil/2012/02/28/gilmar-heraldo-e-a-globo-quem-processa-pha/ ) confessa que ele próprio, residente por muitos anos nos Estados Unidos, onde foi convencido das vantagens das leis de segregação de direitos raciais, não se sabe ainda, se foi alguma Foundation ou se foi a própria CIA que o convenceu.

Neste episódio, de todo lamentável, com a palavra o “Movimento Negro”.

O título original do artigo é “O movimento negro apóia as ofensas racistas a Heraldo Pereira?”

Injúrias racistas de PHA custaram R$ 120 mil ao contribuinte brasileiro

PHA, o Malcolm-XYZ da blogosfera brasileira

O blogueiro autoproclamado progressista Paulo Henrique Amorim, dublê de líder negro e empregado do bispo Edir Macedo, recebeu R$ 120 mil dos Correios por três meses de patrocínio a seu Der Angriff eletrônico, o blog Conversa Afiada.
O valor equivale a 1043 benefícios do programa Bolsa Família, em média de R$ 115 por família assistida,  ou a três vezes o valor do acordo que PHA foi obrigado a assinar com o jornalista Heraldo Pereira, injuriado por ele com a expressão racista “negro de alma branca”. PHA responde criminalmente pela ofensa e pode pegar até cinco anos de cadeia por prática de racismo.

A informação sobre o valor do patrocínio foi publicada no Blog dos Correios.
O patrocínio foi cortado no dia 29 passado. De acordo com a Assessoria de Imprensa dos Correios, a polêmica racial em que Pha se envolveu com Heraldo não tem relação com a suspensão da veiculaçao dos banners, que foram exibidos durante os meses de outubro, janeiro e fevereiro.
Em nova investida contra colegas que o criticam pelas insanidades que tem publicado, Pha anunciou agora há pouco que vai processar os jornalistas Fábio Pannumzio, editor do Blog do Pannunzio, Jorge Bastos Moreno, do jornal O Globo, e Alberto Dines, do Observatório da imprensa.

Parafraseando o Malcolm-XYZ da blogosfera brasileira, “diga-me quem te processa e eu te direi quem tu és”.

Paulo Henrique Amorim, o “negro de alma branca” e os demônios de cada um de nós

Texto da escritora Ana Maria Gonçalves

publicado em 27 de fevereiro de 2012 no site da Revista Forum

Sempre fico com um pé atrás ao ler/ouvir afirmações enfáticas do tipo “Eu não sou racista”, ou“Fulano não é racista”. Ela já é perigosa quando dita sobre si mesmo, e mais ainda quando dita sobre o outro, que é o único que deveria saber de si. Racismo, assim como o machismo ou a xenofobia, é um tipo de sentimento que facilmente contamina quem é exposto a ele, de maneira ostensiva ou velada. É herdado, não tem muito para onde escapar. Principalmente em sociedades como a nossa que, durante muito tempo, lutou para esconder a discrepância entre prática e teoria, entre evidências de racismo e manutenção e construção de um modelo de democracial racial que nunca existiu. O que precisamos fazer é estar atentos a qualquer pensamento racista e combatê-lo ali, no nascedouro, não deixando que se naturalize e domine nosso modo de agir e de pensar. Acho que só assim podemos, brancos e negros, acabar de fato com o racismo (e outros ismos): de maneira individual, consciente e, acima de tudo, honesta. Não é através de leis ou de ações afirmativas, que defendo e acho mais do que necessárias para que sirvam de proteção e escada enquanto não somos capazes dessa revolução interna. É o trabalho de cada um, doloroso e vigilante, que pode avançar cada vez que um caso atinge proporções midiáticas, porque nos faz refletir à partir de situações que colocam figuras públicas no ambiente privado, vivenciando situações nas quais às vezes podemos nos reconhecer. Como humanos e imperfeitos que somos. Falo agora do recente caso envolvendo os jornalistas Paulo Henrique Amorim e Heraldo Pereira.

Esse é um caso emblemático para entender a manifestação do racismo no Brasil, e que ele também pode ser praticado por pessoas consideradas “do bem”. Aliás, quase sempre é. Com raras exceções, nosso racismo é do tipo cordial, daquele que não necessariamente origina leis segregacionistas ou atos de ódio explícito, e por isso é difícil chamá-lo pelo nome que tem. Racistas convictos ou esporádicos somos todos nós. É sempre bom lembrar de uma pesquisa realizada pela USP : à pergunta “Você tem preconceito?”, 96% dos entrevistados responderam “não”; à pergunta “Você conhece alguém que tenha perconceito?”, 99% responderam que sim, e quando perguntados quem eram esses perconceituosos, eles disseram que eram amigos próximos, pais, irmãos. Então, racistas são nossos pais, tios, primos, amigos, namorados, vizinhos. E não há razões para acreditarmos que somos muito diferentes deles, mesmo porque também somos pais, tios, primos, amigos, namorados ou vizinhos de alguém. Racistas podem ser pessoas das quais gostamos e pelas quais somos capazes de fazer vista grossa em relação a um ou outro ato que, do nosso ponto de vista, é computado com um deslize, um momento de descontrole, uma atitude isolada. Para quem não é alvo do ato, é simples assim: um átimo, um momento “não era eu quem estava agindo”. Para quem o sofre, as consequências podem durar uma vida inteira, como podemos perceber em um trecho do “The envy of the world”, de Ellis Cose:

“Eu me lembro alguns dos incidentes da minha infância que me acordaram para a verdade, incidentes que, algumas vezes de modo doloroso, me apresentaram a diferença entre branco e preto. (…) Eu tinha ido a Marshall Field Company, uma grande loja de departamentos em Chicago, para comprar um presente para a minha mãe. Enquanto eu circulava na loja imponente, calculando o que meu dinheiro podia comprar em um lugar tão caro e intimidante, percebi que estava sendo seguido – e que meu seguidor era membro da segurança da loja.

De uma seção para outra da Marshal, o guarda me fazia sombra, com sua vigilância marcante e odiosa. Determinado a não me sentir intimidado, continuei a circular, tentando com todas as minahs forças ignorar o homem que estava caminhando praticamente nos meus calcanhares. Finalmente, incapaz de me conter, virei-me para encará-lo. Gritei alguma coisa – não me lembro mais o que – um uivo de orgulho ferido e ofensa. Ao invés de responder, o homem se manteve firme, encarando-me com uma expressão que combinava diversão e desdém.

Devemos ter nos encarado por vários segundos, até que me toquei de que eu não era mais páreo para ele e seu desprezo do que um rato era para um gato. Corri pra fora, concedendo a ele a vitória (…) Décadas após aquele dia, lembro precisamente das minhas emoções – a raiva impotente, o ressentimento que fere, a vergonha,  a decepção intensa comigo mesmo (por não me manter firme frente ao ataque silencioso do homem, por permitir que um intolerante fizesse eu me sentir um idiota, por não ser capaz de arranhar a auto-confiança arrogante do guarda.)” Read more…

PHA apela e diz que vai processar meio mundo

PHA, o Malcolm-Z da blogosfera brasileira

Aumentem o lucro do blogueiro. Paulo Henrique Amorim, que além de blogueiro é líder negro e empregado do bispo Edir Macedo, anunciou agora há pouco que vai processar 12 empresas jornalísticas e sites da internet que o criticaram por ter chamado o jornalista Heraldo Pereira de “negro de alma branca”.

PHA processa Globo, Folha e penduricalhos do PIG“, diz a manchete estampada no Der Angriff eletrônico que ele tem usado para atacar Heraldo e todos os que se opõe ao que o democrata e autorpoclamado blogueiro progressista pensa.

Na relação de processados estão O Globo, O Globo online, G1, Folha, UOL, Estadão online, Band, Blog do Noblat, Jornal do Commercio de Recife, A Tarde da Bahia, Reinaldo Azevedo, Brasil247, Demétrio Magnoli e o site Consultor Jurídico. Ou seja: de uma tacada só, ele comprou briga com praticamente toda a imprensa brasileira e metade da blogosfera.

Não entendi o que a Band tem a ver com isso. A TV, pelo menos, não deu uma nota sequer sobre a desventura do “ansioso blogueiro”.

Em sua peça de defesa no processo criminal que lhe move Heraldo Pereira, PHA faz uma ginástica verbal para tentar dizer que a injúria racista teria sido apenas um “debate de idéias”. Ou seja:  chamar um porfissional sério de “negro de alma branca”, “funcionário do Gilmar Dantas” e outras coisas, pode. Dizer que isso é um disparate, que já custou a ele R$ 30 mil em dinheiro e a obrigação — ainda não integralmente cumprida — de se retratar, não pode.

 

 

Heraldo, a cor e a alma

Demétrio Magnoli

Publicado no Jornal O Globo

 

PHA, o Malcolm-Z da blogosfera brasileira

A retratação, obtida por meio dos tribunais, circula na imprensa e na internet. Nela o blogueiro Paulo Henrique Amorim retira cada uma das infâmias que assacou contra o jornalista Heraldo Pereira, apresentador do Jornal Nacional e comentarista político do Jornal da Globo. No seu blog, entre outras injúrias, Amorim classificou Heraldo como “negro de  alma branca” e escreveu que o jornalista “não conseguiu revelar nenhum atributo para fazer tanto sucesso, além de ser negro e de origem humilde”.

Confrontar o poder, dizendo verdades inconvenientes às autoridades – na síntese precisa do intelectual britânico Tony Judt, é essa a responsabilidade dos indivíduos com acesso aos meios de comunicação. Amorim sempre fez o avesso  exato disso. A adulação, reservada às autoridades, e a injúria, dirigida aos oposicionistas, são suas ferramentas de trabalho. Não lhe falta coerência: ao longo das  oscilações da maré da política, do governo João Figueiredo ao governo Dilma Rousseff, sem exceção, ele invariavelmente derrama elogios aos ocupantes do Palácio do Planalto e ataca os que estão fora do poder.

Às vésperas da disputa presidencial de 1998, no comando do jornal da TV Bandeirantes, engajou-se numa estridente campanha de calúnias contra Lula, que retrucou com um processo judicial e obteve desculpas da emissora. Há nove anos, desde que Lula recebeu a faixa de Fernando Henrique Cardoso, o blogueiro consagra seu tempo a cantar-lhe as glórias, a ofender opositores e a clamar contra o jornalismo independente. Funciona: a estatal Correios ajuda a financiar  o blog infame.

Amorim não tem importância, a não ser como sintoma de uma época, mas a natureza de sua injúria racial tem. “Negro de alma branca”, uma expressão antiga, funciona como marca de ferro em brasa na testa do “traidor da raça”. No passado serviu para traçar um círculo de desonra em torno dos negros que ofereceram seus préstimos interessados ao proprietário de escravos ou ao representante dos regimes de segregação racial. Hoje, no contexto das doutrinas racialistas, adquiriu novos significados e finalidades, que se esgueiram em ruelas sombrias, atrás da avenida iluminada da resistência contra a opressão. Brincando com a Justiça, Amorim republica no seu blog um artigo do ativista de movimentos negros Marcos Rezende que, na prática, repete a injúria dirigida contra Heraldo. Custa pouco girar os holofotes e escancarar o cenário que a infâmia almeja conservar oculto.

O líder africânder Daniel Malan, vitorioso nas eleições de 1948, instituiu o apartheid na África do Sul. Amorim e Rezende certamente não o classificariam como “branco de alma negra”, pois uma “alma negra” não seria capaz de fazer o mal e,  mais obviamente, porque Malan não traiu a sua “raça”. Sob a lógica pervertida do pensamento racial, eles o designariam como “branco de alma branca”, embutindo numa única expressão sentimentos contraditórios de ódio e admiração. Como fez o mal, o africânder confirmaria que a cor de sua alma é branca. Entretanto, como promoveu os interesses de sua própria “raça”, ele figuraria na esfera dos homens respeitáveis. William Du Bois (1868-1963), “pai fundador” do movimento negro americano, congratulou Adolf Hitler, um “branco de alma branca”, pela promoção do “orgulho racial” dos arianos.

Confiando numa suposta imunidade propiciada pela cor da pele ou pelo seu cargo de conselheiro do Ministério da  Justiça, Rezende converteu-se na voz substituta de Amorim. No artigo inquisitorial de retomada da campanha injuriosa, ele não condena Heraldo por algo que tenha feito, mas por um dever que não teria cumprido: o jornalista é qualificado como “um negro da Casa Grande da Rede Globo”, que “não dignifica a sua ancestralidade e origem” pois “nunca fez um  comentário quando a emissora se posiciona contra as cotas”. No fim, os dois linchadores associados estão dizendo que Heraldo carrega um fardo intelectual derivado da cor de sua pele. Ele estaria obrigado, sob o tacão da injúria, a  subscrever a opinião política de Rezende, que é a (atual) opinião de Amorim.

O epíteto lançado contra Heraldo é uma ferramenta destinada a policiaro pensamento, ajustando-o ao dogma da raça e  eliminando simbolicamente os indivíduos “desviantes”. O economista Thomas Sowell produziu uma obra devastadora sobre as políticas contemporâneas de raça. Ward Connerly, então reitor da Universidade da Califórnia, deflagrou em 1993 uma campanha contra as preferências raciais nas universidades americanas. José Carlos Miranda, do Movimento Negro Socialista,  assinou uma carta pública contra os projetos de leis de cotas raciais no Brasil. Sowell é um conservador; Connerly, um libertário; Miranda, um marxista – mas todos rejeitam a ideia de inscrever a raça na lei.

Como tantos outros intelectuais e ativistas, eles já foram tachados de “negros de alma branca” pela Santa Inquisição dos  novos arautos da raça.

A liberdade humana é a verdadeira vítima dos inquisidores do racialismo. Mas, e aí se encontra o dado crucial, essa  forma de negação da liberdade opera sob o critério discriminatório da raça, não segundo a regra do universalismo. Se tivesse a pele branca, Heraldo conservaria o direito de se pronunciar a favor ou contra as políticas de preferências raciais – e também o de não opinar sobre o tema. Como, entretanto, tem a pele negra, Heraldo é detentor de uma gama muito menor de direitos – efetivamente, entre as três opções, só está autorizado a abraçar uma delas.

Sob o ponto de vista do racialismo, as pessoas da “raça branca” são indivíduos livres para pensar, falar e divergir, mas as pessoas da “raça negra” dispõem apenas da curiosa liberdade de se inclinar, obedientemente, diante de seus “líderes  raciais”, os guardiões da “ancestralidade e origem”. Hoje, como nos tempos da segregação oficial americana ou do  apartheid sul-africano, o dogma da raça prejudica principalmente os negros.

Yellow pride, uma delícia de manifesto antirracista

Pesquei o texto na seção de comentários do Blog do Reinaldo Azevedo. Um momento de bom-humor em meio à guerra autofágica dos jornalistas, que lutam entre si para ver quem é mais branco, negro ou… amarelo! Assinado por Maurício, que eu gostaria muito de saber quem é.

Yellow Pride

Sentindo sermos parte de uma minoria, segregada no Brasil, nós Japas reivindicamos uma atitude do governo federal para sermos igualados aos negros no status dos direitos de cidadãos, mesmo que não possa chamar negro de negro.

1 – Fica estabelecida a cota de 5% para japas nas universidades públicas das regiões Sul, Sudeste, Sudoeste, Central, Norte, Noroeste e Nordeste do Brasil.

2 – Fica proibido chamar descendentes de japoneses, coreanos, chineses e principalmente ameríndios e toda sorte de asiáticos que possuam fenótipo tipo japinha de japa.

Os inuits, (que não devem ser chamados de eskimós) assim como todos os parentes da Bjork, também gozam da mesma proteção.
Será considerado crime hediondo inafiançável e imprescritível ameríndio fazer passar-se por japa, já que contam com legislação própria.

3 – Fica proibido chamar os japas de japas, pois o termo é pejorativo e denigre (ups!) a imagem deste como ser humano.

4 – Fica estabelecido que os japas devem sem chamados de “cidadãos de ascendência asiática “.

5 – Chamar japas de japas passa a ser crime de racismo, mesmo que seja público e notório o fato da raça humana ser uma só.

6 – O mesmo é estendido às variações “japonês”, “japão”, “japorongo”, joãponês” “japinha”, etc.

7 – Fica proibido usar expressões de cunho pejorativo associadas aos japas. Ex: “Coisa de japonês!”, “Serviço de japa…”, “Só podia ser japorongo”, etc.
A expressão “Made in Japan” só será permitida á obra fonográfica da banda britânica “Deep Purple” uma vez que consideramos qualquer forma de preconceito inaceitável, mesmo os preconceitos positivos, já que podem gerar falsas expectativas, ficando portanto proibida a expressão “Made in Japan” para produtos oriundos daquele país que deverá ser substiuída, sob pena de pesadas multas, pela expressão “Made in The Yellow Pride Nation”.

8 – Fica estabelecido o dia 21 de novembro como o “dia nacional da consciência japa”, mesmo que não possa chamar japas de japa.

9 – Fica estabelecido o dia 23 de junho como o “dia nacional do orgulho japa”, mesmo que não possa chamar japas de japa.

10 – Fica criada a Sub-secretaria Especial de Políticas para Promoção da igualdade Japa, subordinada à Secretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Racial, mesmo que seja público e notório o fato da raça humana ser uma só.

11 – Fica estabelecido o prazo de 2 anos para a Sub-secretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Japa virar Ministério dos Japas, juntando-se aos outros 40 ministérios brasileiros, mesmo que não possa chamar japas de japa.

12 – Fica proibida qualquer atitude de segregação aos japas, as quais os caracterizem como inferiores ou superiores a outros seres humanos.

13- Fica restrita ao governo brasileiro a pré-suposição de que os japas são inferiores, estabelecendo cotas, restrições associativas, nominativas e sanções para as mesmas.

14 – Passa a ser crime de “japafobia” qualquer agressão deliberada contra um japa, mesmo que não possa chamar japas de japa.

15 – Toda criança que usar a expressão “Japonês, Calabrês come cebola peida fedido” estará cometendo Bullying e deve ser encaminhada para tratamento psicológico.

Conclamamos os descendente de Calabrês a articular uma pauta de proposituras visando estabelecer uma política de proteção contra o preconceito racial que ao mesmo tempo possa indenizar as injustiças históricas e sociais e promover a inserção social em termos mais igualitários, deixando de lado premissas conjecturais não demonstráveis ao olvido.

16 – Em caso de um negão chamar um japa de japa, este adquire o direito de chamar o negão de negão sem aplicação das sanções previstas em Lei.

Analogamente e por extrapolação subsequentemente lógica, um prejudicado verticalmente que chamar um japa de japa poderá ser chamado de anão (somente pelo japa referido) assim como um indivíduo loiro que chamar um japa de japa poderá ser chamado de “lemão” (somente pelo japa assim referido) por extensão lógica infere-se que toda sorte de infortúnio racial ou prejuízo corpóreo (prejudicados capilares: carecas, de 1 membro inferior: perneta, de movimento locomotor: manco ou manquitola por ex.) incluem-se na reciprocidade aqui descrita.

 

O racismo que dá lucro

Paulo Henrique Amorim, blogueiro autoproclamado progressista e apresentador da TV do bispo Edir Macedo,  teve lucro com suas injúrias racistas. No blog dele está estampada a manchete “Heraldo aumenta a audiência do CAf em 42%“. O blogueiro “progressista” se ufana de sua obra: “Tem publicidade melhor do que essa?”

Para o caso dele, não deve haver.

Se o que PHA queria era ficar estigmatizado como o último racista assumido da imprensa brasileira,  conseguiu. Se seu objetivo era a auto-desmoralização, ele conseguiu. Se o objetivo era sanar dúvidas sobre seu caráter, também conseguiu. E, no fim das contas, ainda saiu lucrando 42%.

Não foram poucas tentativas de produzir esse resultado. Ele já havia lançado mão do jargão racista quando chamou Paulo Preto de “Paulo Afro-Desencente”. Heraldo foi a segunda vítima do estratagema.

PHA já havia pedido perdão a Bóris Casoy numa situação humilhante — e, da mesma forma, zombou do acordo assinado às pressas para evitar uma condenação. O arauto da nova censura, chamada agora de Ley de Medios, desconhece o Código Civil e o Código Penal. E faz troça do que ele mesmo propôs e acordou em juízo.

Nos delírios veiculados em seu Der Angriff eletrônico, PHA não tem o menor constrangimento de inventar e repetir inverdades  escancaradas — com aquela em que afirmou que Heraldo havia dito que ele não é racista (se não leu, clique aqui e aumente o lucro do blogueiro). Na Ata de Sentença que encerrou esse capítulo do caso, é ele quem declara que foi “infeliz” ao usar a expressão negro de alma branca, e que não teve intenções racistas. O ofendido jamais declarou a ninguém que PHA não é racista. Até porque ele não pensa assim.

Se PHA é ou não racista  quem vai decidir é a Quinta Vara Criminal do DF. É onde tramita o processo crime aberto pelo Ministério Público para apurar e punir as mesmas ofensas. Condenado, Paulo Henrique, que se gaba de figurar como réu em mais 40 processos, pode pegar de dois a cinco anos de reclusão. Se vai ou não para a cadeia é outra história. Mas, nessas circunstâncias, perder a condição de réu primário seria desastroso para ele.

Enquanto contabiliza o lucro de seu retumbante sucesso de audiência na internet, PHA certamente não considera o passivo que só faz aumentar no capital volátil de sua desgastada reputação. Jornalistas, salvo algumas exceções indecentes, vivem do que apuram e publicam. Vivem, enfim, de sua capacidade de informar de maneira correta e honesta. Nesse caso, a deplorável atuação do blogueiro pôs a nu um profissional que, na ausência de fatos, inventa; na ausência de argumentos, injuria;  quando faltam palavras para injuriar, recorre ao jargão abjeto dos racistas. Para arrematar, ainda tem a coragem e a cara de pau de alardear que lucrou com o episódio. Faça-me o favor!

Tudo isso, é bom lembrar,começou com  uma notícia falsa que PHA e seus três pupilos espalharam pela internet. PHA queria atacar Daniel Dantas. Para isso, atacou Gilmar Mendes, que duas vez tirou o banqueiro da prisão. Para atingir Gilmar Mendes, decidiu tripudiar sobre a honra, a dignidade profissional e a raça de Heraldo, que não tinha nem nunca teve nada a ver com a história.

Se você quiser conhecer a gênese dessa história, leia dois posts publicados aqui no Blog do Pannunzio em maio de 2009, quando tudo começou. O primeiro está aqui e o segundo, aqui.

Recismo: Ontem, dia de aniversário de 5 anos de minha filha, mataram um pouco de nós

O pai e as duas crianças: voltar do banheiro, só para gente branca

Reproduzido do Blog Pai de Menina – Nunca imaginei que depois de tanto colaborar com o EU-REPORTER, tivesse que viver na pele a dor de um cidadão agredido com sua família em um dia de festa.

Escolhemos o quiosque Espaço OX, no Leme para comemorarmos o aniversário de 5 anos de minha filha mais nova, com amigos e familia, num total de 20 pessoas. Reservamos e chegamos, com as crianças, as 19h00. Realizamos a comemoração comas minhas filhas, Lia e Dora, que durante todo o tempo brincaram nas dependências do quiosque as vistas dos funcionários.

Todos os convidados consumiram regiamente e pagaram suas despesas com tranquilidade.

Aos nos prepararmos para ir embora, as 22h30, a funcionária Loi impediu minhas filhas, Lia(9 anos) e a aniversariante Dora (5 anos) de entrarem no quiosque ao retornarem do banheiro.

O motivo: alegou que seriam crianças de rua, por serem negras e terem cabelos crespos. Para encurtar uma longa historia: minha filha mais velha, de apenas 9 anos, está em choque. As alegações da funcionária não apenas são racistas e incidem em constrangimento ilegal e cerceamento do direito de ir e vir, como denotam a falta de atenção dedicada aos consumidores que frequentam o espaço. Vou entrar com medidas legais contra o estabelecimento e um processo por constrangimento ilegal, injuria, difamação e crime de racismo contra a funcionária.

Não queiram saber a dor de um pai ao vivenciar tais cenas em um dia de festa. A dor não vai embora quando fecho os olhos. Me vem a imagem de minha filha, minutos antes extasiada de alegria e em seguida chocada com uma realidade distorcida.

Estou sentindo muita dor. Uma dor que não vai embora.

A funcionária tinha a obrigação de observar quem estava na mesa mais numerosa do estabelecimento, estávamos minutos antes cantando parabéns e repartindo um bolo.

Impossível não ver a alegria que minhas filhas viviam em meio a amigos e família.

Loi estragou tudo com seu preconceito e despreparo para lidar com o publico. Precisa ser punida de forma exemplar.

Minha filha, uma crianca que é o que existe de mais valioso em minha vida, está DESTRUÍDA, achando-se culpada por não ter a aparência “certa” para poder ir e vir.

Espero que tal comportamento não seja uma norma do Grupo OX e da Orla Rio.

Esta carta está sendo copiada aos principais jornais do Brasil e publicações do segmento de turismo no Brasil e no exterior, em inglês.

Felipe Barcellos

Jornalista (ex-Folha, ex-editora Abril) e pai.

via Pai de Menina: Ontem, dia de aniversário de 5 anos de minha filha, mataram um pouco de nós.

Lobato na berlinda do mundo politicamente correto

Do Blog da katia maia

Esse mundo politicamente correto a cada dia me surpreende mais. Eu já andava com um pé atrás em relação ao que se fala das cantigas infantis que, segundo a boa prática politicamente correta, não se deve mais cantar ‘atirei o pau no gato’, mas: ‘NÃO atirei o pau no gato’.

A cantiga do cravo, aquele que brigou com a rosa, também foi alvo de críticas pois incita a violência. Agora, pasmem: os livros de Monteiro Lobato correm o risco de serem banidos das escolas públicas porque estão sendo considerados racistas em alguns trechos!

Para que isso não aconteça, o CNE, em parecer publicado nesta quarta-feira no Diário Oficial da União, sugere que trechos racistas sejam reescritos ou que obra seja acompanhada de “estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos raciais na literatura”.

Na boa: mexer em obra de arte é um crime contra o patrimônio publico. Eu cresci lendo Monteiro Lobato e cantando as respectivas cantigas já citadas e posso dizer: não sou violenta ou racista – nem por isso nem pela falta disso. Simplesmente não o sou porque me foram passados valores que independiam de canções que eu cantarolava. As cantigas eram apenas um momento de lazer entre crianças sem a menor intenção de ser racista.

Para mim, o mundo politicamente correto está passando dos limites. Quando Monteiro Lobato escreveu em seu livro que a “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”, ele não estava querendo depreciá-la, mas apenas retratar a cena com uma linguagem que cabia na época. É o retrato de um momento. Se formos reescrever todos os clássicos que se referem aos afro descendentes como pretos teremos que descaracterizar nossas obras.

Eu li as Caçadas de Pedrinho e não me lembro de sair chamando coleguinhas á minha volta de macaco por causa das linhas escritas no livro. O problema é que o mundo politicamente correto termina enxergando o que não existe em lugares onde não há o que se reprimir.

O grave está, isso sim, em diálogos depreciativos que presenciamos diariamente em novelas, séries e programas de televisão. Lá, sim, eu vejo filhos desrespeitando pais, amigos depreciando colegas e humoristas de mau gosto fazendo caricaturas de homossexuais e até de negros. Isso, para mim é de extremo mau gosto. Isso sim desvirtua valores e forma uma geração de crianças e jovens sem respeito pelo próximo.

Ah, tem ainda os jogos de videogame, ou Playstation, como é chamado hoje. Esses mostram pessoas matando-se umas as outras e incita a violência. Há ainda a internet, que traz muita coisa ruim para a vida de nossas crianças e jovens.

Agora, dizer que uma obra de Monteiro Lobato é racista e deve ser reescrita ou banida! Isso para mim é um desaforo! Perdeu-se a noção do razoável. Pois que se leiam os livros do autor do Sítio do Picapau Amarelo e se contextualize para as crianças a época em que foram escritos (se é que isso é preciso. Afinal, não devemos tratar nossas crianças também como débeis).

O que não dá é ver maldade em tudo. É, realmente, Monteiro Lobato escreveu As Caçadas de Pedrinho com o intuito racista. Muito boa essa.

O parecer que pede que o livro ‘As Caçadas de Pedrinho’ seja banido das escolas públicas foi aprovado por unanimidade pela Câmara de Educação Básica do CNE e foi feito a partir de denúncia da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial.

Para ler o original clique aqui: katia maia: Lobato na berlinda do mundo politicamente correto..

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