Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

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Crise põe em dúvida futuro político de Cabral

WILSON TOSTA

A dificuldade do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), em reagir ao caso Carlinhos Cachoeira com algo além de notas oficiais, respostas curtas ou simplesmente o silêncio gera dúvidas sobre o futuro político do governador. Políticos se questionam sobre a capacidade de Cabral influir nas eleições de outubro e mesmo de fazer de seu vice, Luiz Fernando Pezão, seu sucessor em 2014.

Há cerca de 10 dias, em sua primeira declaração após a divulgação de imagens de suas viagens aos exterior com o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta – acusada de ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira -, Cabral respondera a poucas perguntas de forma vaga e saíra com rapidez. Até então, se manifestara por escrito.

Dirigentes do PMDB ouvidos pelo Estado reconhecem que Cabral sofreu desgaste pessoal com o episódio. Segundo os peemedebistas, o caso gerou, apenas na capital, uma perda de avaliação positiva entre 300 mil a 400 mil eleitores. O estrago, porém, teria sido maior na classe média da capital. “Na classe média mais informada, certamente teve um impacto, hoje somos um País de classe média”, avalia o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social.

Até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um aliado e amigo a quem Cabral deve o pacote de obras de seus governos, parece convencido do enfraquecimento político do governador – e o demonstrou em conversa recente com o prefeito Eduardo Paes (PMDB).

Segundo testemunhas, na entrega de títulos de doutor honoris causa ao ex-presidente, Paes e Lula conversavam quando o senador Lindbergh Farias (PT), potencial candidato ao governo do Rio, passou pelos dois. “Vai dar trabalho em 2014″, disse Paes, apontando para o senador. Lula concordou e acrescentou: “É, mas o Pezão está superado”.

O PMDB, contudo, aposta na boa avaliação de Paes na capital (estável em cerca de 50%) e na proximidade de inaugurações de obras para tentar obter um bom resultado na eleição de outubro. Já a capacidade de Cabral de eleger seu sucessor, avaliam os peemedebistas, dependerá muito mais desse resultado que da repercussão do caso Cachoeira.

Decepção. O governador foi arrastado para o escândalo por sua amizade com Cavendish. Até agora, não apareceu nenhuma evidência de um possível envolvimento seu com Cachoeira, mas a empresa do amigo empresário somou contratos de R$ 1,49 bilhão em obras com o Estado.

Pessoas próximas ao governador dizem que ele se mostra decepcionado com Cavendish. Essas pessoas descrevem um Cabral acabrunhado e contrariado com ataques que considera pessoais. É o caso das críticas do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), em seu blog, onde as imagens de Cabral com Cavendish foram divulgadas primeiro.

Na semana passada, a CPI do Cachoeira evitou convocar Cabral e outros governadores para depor. Mas uma mensagem enviada pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) para Cabral, garantindo que ele não seria chamado, revelada pelo SBT, gerou mais exposição e desgaste. “A relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe você é nosso e nós somos teu (sic)”, escreveu o parlamentar, no torpedo enviado pelo celular e que foi parar na mídia.

Beba na fonte: Crise põe em dúvida futuro político de Cabral – politica – versaoimpressa – Estadão.

TV flagra mensagem de petista tranquilizando Sérgio Cabral por CPI

Partido está decidido a blindar o governador do Rio, suspeito de envolvimento com a Delta - Reprodução
O PT está decidido a poupar Cabral, mesmo depois de o PMDB não ter apoiado o requerimento do ex-presidente Fernando Collor que pedia à Polícia Federal as gravações telefônicas das conversas entre o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com o jornalista Policarpo Júnior, diretor da sucursal da revista Veja, em Brasília

“A relação com o PMDB vai azedar. Mas não se preocupe. Você é nosso e nós somos teu (sic)”, escreveu o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), ex-líder do governo, para Sérgio Cabral. A imagem da mensagem foi gravada. Na sessão administrativa desta quinta, o PMDB se recusou a apoiar o requerimento de Collor. Já os petistas foram claramente favoráveis a “investigar essa relação promíscua entre uma quadrilha e um jornalista”.

Ao final da sessão da CPI, um petista alertou que o PMDB não pode adotar a tática de “dar às costas aos demais aliados”. O PT evitou que o proprietário da Delta Construções, Fernando Cavendish, que tem ligações estreita com Cabral, fosse convocado para depor na CPI. A Delta nacional também foi poupada e não teve seus sigilos fiscal, bancário e telefônico da empreiteira.

Beba na fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,tv-flagra-mensagem-de-petista-tranquilizando-sergio-cabral-por-cpi,874388,0.htm

Após fotos em Paris, Cabral muda código de ética no Rio

Menos de um mês após a divulgação de fotos em que aparece confraternizando com empresários em Paris e Mônaco, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), ampliou as regras do Código de Conduta da administração estadual.

A partir de agora, as autoridades devem “guardar distância social no trato com fornecedor de materiais ou contratantes de prestação de serviços ao Estado”. O item não estava previsto na primeira redação do código, de 2011.

O manual foi criado dias depois de Cabral usar um avião do empresário Eike Batista para ir ao sul da Bahia, onde participou de festa de Fernando Cavendish, então dono da empreiteira Delta. O empresário é o mesmo que aparece com Cabral e secretários em fotos na Europa.

A nova redação do código afirma ainda que o servidor deve evitar locais frequentados por prestadores de serviço e “aparentar intimidade” com fornecedores.

Se estivesse em vigor em 2009, o código betaria a viagem de Cabral e integrantes do primeiro escalão do governo a Paris com Cavendish.

O código de conduta define como deve ser o comportamento de governador e vice-governador, secretários, subsecretários e presidentes de empresas públicas e sociedades de economia mista.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Após fotos em Paris, Cabral muda código de ética no Rio – 16/05/2012.

Cabral terá que devolver R$ 2.000 de viagem a Paris a cofre do Estado

ITALO NOGUEIRA
DO RIO
O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), terá de devolver aos cofres do Estado R$ 2.000 recebidos indevidamente para uso numa missão oficial de dois dias a Paris no final de maio de 2011.

O valor foi depositado na conta do governador, mas as despesas foram pagas pelo cartão corporativo do governo, criado no mesmo ano.

O pagamento a Cabral foi identificado pela Folha em levantamento feito pelo gabinete do deputado Luiz Paulo Côrrea da Rocha (PSDB) no sistema financeiro do Estado.

Questionada por que o depósito foi feito, apesar da criação do cartão, a assessoria do governador afirmou que houve erro da “área administrativa” do governo.

“Esse equívoco somente foi detectado agora e o governador restituirá tal valor aos cofres públicos na próxima segunda-feira”, diz a nota.

De acordo com a assessoria, o equívoco ocorreu porque no período entre maio e junho “o governo do Estado estava no início da transição do sistema de diárias para o cartão de pagamento”.

O sistema foi criado em março. O pagamento ocorreu no dia 25 de maio de 2011. A primeira viagem com uso do cartão foi para três cidades dos Estados Unidos -entre 30 de março e 6 de abril- e não houve erro.

O peemedebista também recebeu irregularmente R$ 4.704 em diárias para viagem oficial a Madri em agosto de 2011. No mesmo mês, porém, o erro foi detectado, e Cabral devolveu os recursos.

Desde a criação do Cperj (Cartão de Pagamentos do Estado do Rio de Janeiro), o governador já gastou R$ 47.074 em dez missões no exterior.

Não é possível comparar com os gastos feitos com diárias, pois resolução da Secretaria da Casa Civil do Rio permite o uso para pagamento de, entre diversos serviços, passagens aéreas.

As diárias cobriam só alimentação, hospedagem e locomoção urbana. Com o cartão corporativo, não é mais possível saber quanto Cabral gastou em cada viagem.

via Folha de S.Paulo – Poder – Cabral terá que devolver R$ 2.000 de viagem a Paris a cofre do Estado – 12/05/2012.

Gastos com viagens triplicam no governo de Sérgio Cabral

O governo Sérgio Cabral (PMDB) aumentou em 294% os gastos da administração estadual com diárias no exterior desde 2007. Naquele ano, foram pagos R$ 663 mil para esse tipo de despesa contra R$ 3,2 milhões em 2011 — aumento nominal de 391%. Atualizando valores pela inflação, o aumento fica em 294%.

Até o mês passado, o governo já havia desembolsado R$ 12,3 milhões para bancar diárias em hotéis e alimentação da equipe do governo em países da Europa e nos Estados Unidos.

Desse total, R$ 1,2 milhão foram pagos nos quatro primeiros meses deste ano. No primeiro mandato de Cabral, a chefe do cerimonial do governo, Adriana Novis de Leite Pinto, foi quem mais gastou com diárias: R$ 153 mil. O governador não ficou muito atrás. Entre 2007 e o ano passado, as despesas de Cabral nesse item foram de R$ 143 mil. Já o secretário chefe da Casa Civil, Régis Fichtner, gastou R$ 66 mil.

Cabral vem sendo questionado por suas viagens após divulgação, no blog do deputado federal e ex-governador Anthony Garotinho (PR), de imagens suas e de secretários estaduais em jantares e festas em que estava presente o dono da Delta Construções, Fernando Cavendish, que é amigo de Cabral e tem contratos com o estado.

A Secretaria da Casa Civil é uma das que mais desembolsou no período. Em 2011, dos R$ 3,2 milhões gastos por todo governo com diárias no exterior, 26% (R$ 847 mil) foram pagos por esse órgão.
Régis Fichtner é o responsável por fazer a auditoria nos contratos da Delta Construções com o governo do estado. A medida foi anunciada após vir à tona o relacionamento da construtora com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Procurado para explicar o aumento dos gastos e como é feita a prestação de contas, o governo do estado enviou uma nota, na qual informou que as despesas são estimadas previamente de acordo com a realidade de cada destino. Assim, os secretários, assessores e servidores recebem o dinheiro e “não há necessidade de posterior prestação de contas”.

De acordo com o governo, Sérgio Cabral fez 37 viagem ao exterior em missão oficial desde 2007. Vinte e uma dessas missões tiveram como destino a França. Paris, a capital francesa, recebeu o governador cinco vezes neste período. Pelo menos quatro deputados estaduais —Marcelo Freixo (PSOL), Luiz Paulo (PSDB), Clarissa Garotinho (PR) e Paulo Ramos (PDT) — formalizaram na mesa diretora da casa requerimentos em que pedem informações sobre estas viagens. Nenhum deles, no entanto, recebeu resposta.

Ao GLOBO, a assessoria do governador argumentou que o aumento das despesas com diárias no exterior aconteceu porque “tem sido uma prática do governo fazer com que os servidores busquem experiências, aprendizado e formação em outros países.” Por fim, afirmou que estas viagens serviram para trazer para o Rio grandes eventos como a conferência ambiental Rio+20, a Copa das Confederações, a Jornada Mundial da Juventude e a Copa do Mundo de 2014.

O governo argumentou ainda que o valor gasto em viagens internacionais em 2011 se refere às despesas de todo o governo com viagens oficiais e é um valor compatível se comparado com o orçamento total do Estado, que é de R$ 64 bilhões. E que o resultado das missões acaba impulsionando o desenvolvimento econômico do estado.

via Gastos com viagens triplicam no governo de Sérgio Cabral – O Globo.

Garotinho nega ter vazado fotos de Carolina Dieckmann

No site to The Piauí Herald

CAMPOS – Após ter publicado flagrantes de Sérgio Cabral e Fernando Cavendish em Paris, na Disney, nas Ilhas Cayman e, contra todas as expectativas, no Rio de Janeiro, o ex-governador Anthony Garotinho negou ser o responsável pelo vazamento de fotos sensuais de Carolina Dieckmann. “Sou evangélico!”, obtemperou Garotinho, com um guardanapo na cabeça. Pressionado, o ex-governador admitiu ser responsável pela carreira política de Clarissa e Rosinha Garotinho. “O que mais vocês querem?”, disse, aturdido: “Já não basta?”

Por ordem judicial, a Polícia Federal grampeou o computador de Anthony Garotinho. “Encontramos trechos da Constituição narrados por Cid Moreira e dezenas de fotos de Sérgio Cabral no McDonalds. Mas nada que ligasse Garotinho a Dieckmann”, explicou o investigador Alcebíades Policarpo.

Garotinho anunciou que ficará em greve de fome até que Cavendish lhe convide para jantar em Paris.

 

via Garotinho nega ter vazado fotos de Carolina Dieckmann | The piauí Herald | Blogs [revista piauí] pra quem tem um clique a mais.

Sérgio Cabral e o Baile da Ilha Fiscal

No dia 9 de novembro de 1889, a Corte brasileira se reuniu para um histórico regabofe na Ilha Fiscal. Ao chegar, Dom Pedro II levou um escorregão e quase foi ao chão. Bem-humorado, cunhou uma frase que demonstrava, claramente, o quanto ele estava mal informado sobre a situação política do País: “O imperador quase caiu, mas a Monarquia continua firme!”

O Baile da Ilha Fiscal foi uma farra memorável. Para alimentar e embriagar a nobreza, os cortesãos e os demais comensais,  consumiram-se  800 kg de camarão, 1.300 frangos, 500 perus, 64 faisões, 1.200 latas de aspargos, 20.000 sanduíches, 14.000 sorvetes, 2.900 pratos de doces, 10.000 litros de cerveja, 304 caixas de vinhos, champagne e bebidas diversas.

Seis dias depois, Dom Pedro e toda a Corte foram depostos pela Proclamação da República. A monarquia, como a história mostrou, não estava  ”firme” como o ex-monarca quis fazer crer na antevéspera de ser golpeado.

Entre a esbórnia da Ilha Fiscal e a de Sérgio Cabral em Paris  passaram-se exatos cem anos. Mas esse século inteiro não foi suficiente para que as autoridades do Rio aprendessem que farras memoráveis são, quase sempre, prenúncio de mau-agouro.

Cabral tem antecedentes em seu próprio governo. Quando chuvas torreciais do reveillon de 2010 derreteram os morros da Ilha Grande e  Angra dos Reis, o governador estava desaparecido. Ficou ausente por mais de 30 horas enquanto a população agonizava sob a lama. Até hoje, não se sabe ao certo onde Sérgio Cabral esteve enquanto o vice-governador Pezão tentava preencher a lacuna, que não passou despercebida.

O escândalo que as fotos divulgadas por Garotinho evidenciam, uma espécie Fête de l’île Fiscal de Sérgio Cabral, não consta da agenda do governador. No dia em que foi fotografado ao lado de Fernando Cavendish no show do U2 em Paris, Sérgio Cabral estava, ao menos oficialmente, no Rio de Janeiro. Como estava no derretimento das encostas da Serra do Mar.

O site do Diário Oficial do Rio de Janeiro é uma espécie de conspiração eletrônica contra a transparência. Ali só é possível consultar as últimas 30 edições. Quem quiser acessar o passado precisa comparecer pessoalmente ao Arquivo Público do estado —  em plena era da Sociedade da Informação.

Apesar disso, não é difícil constatar que Cabral desaparece do noticiário de sua própria assessoria de imprensa em 10 de julho de 2009, a sexta-feira que antecedeu o malsinado show. Naquele dia, o governador visitou duas cidades da Baixada. Expôs-se em compromissos oficiais de caráter público. E mergulhou na ubiquidade de sua misteriosa agenda interna por toda a semana seguinte.

Não é possível saber se solicitou ou não autorização à Assembléia Legislativa para se ausentar do País naquele momento.  As notícias publicadas no site do Governo do Estado do Rio dão conta de pelo menos um compromisso ao qual um governador não faltaria — se estivesse presente na cidade e bem de saúde. Foi a comemoração do centenário do Teatro Municipal, um grande evento cultural que reuniu nomes importantes na Cinelândia na noitede 14 de julho de 2009.

Milhares de pessoas se aglomeraram para ver o Maestro Roberto Minczuk regendo a orquestra do próprio teatro, ouvir  o tenor argentino Marcelo Alvarez e a soprano sul-coreana Sumi Jo, e apreciar a coreografia de  Ana Botafogo e Francisco Timbó para um trecho de Floresta Amazônica, de Heitor Villa-Lobos.

Naquela noite Cabral estava em Paris, bem longe do centro do Rio de Janeiro, jantando em companhia dos amigos do guardanapo, numa farra memorável. Quem o representava junto à plebe reunida defronte ao Municipal? O inexpugnável Pezão que, nas ausências inexplicadas do titular, vai tocando a administração do Rio.

Demorou três anos para que a festa da turma de Cabral criasse a indignação que o Baile da Ilha Fiscal criou em seis dias.

A República não caiu — o que caiu foi o queixo do eleitor com o comportamento fanfarrão de seu governador.

Pedro II não teve tempo de explicar seu regabofe. Sérgio Cabral tem de sobra. Entre uma e outra ida a Paris, talvez lhe seja conveniente fazer uma escala em Brasília para explicar com que dinheiro sustenta suas viagens, quem paga as contas e que tipo de assunto é tratado durante as farras internacionais.

A menos que pense que está firme demais, assim como um dia pensou nosso último imperador.

Noblat faz autocrítica e pede desculpa por ter acreditado em Sérgio Cabral

Ricaro Noblat

É no que dá ser generoso com Sérgio Cabral, Fernando Cavendish, dono da Delta, e o “bando dos homens de guardanapo”.

Escrevi aqui que só farrearam juntos em Paris há três anos porque não existia o Código de Ética que desde 2011 rege a conduta de Cabral e dos demais servidores públicos do Rio. Acertei no acessório, errei feio no principal.

O acessório: de fato até 2009 não havia código que orientasse Cabral a governar preservando a ética. E sem um código ficava muito difícil para ele ter certeza se a ética corria perigo ou não.

 

 

Cabral é simpático, porém simplório. Só no ano passado sentiu a necessidade de um código. Para ser exato: depois de 17 de junho do ano passado.

Naquele dia, Cabral voou a Porto Seguro, na Bahia, em jatinho do empresário Eike Batista. Foi comemorar o aniversário de Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta e de quase R$ 1,5 bilhão em contratos com o governo do Rio.

À noite, um helicóptero caiu ao transportar sete convidados do aniversariante. Todos morreram.

Cavendish perdeu a mulher, Jordana, e o filho de três anos do primeiro casamento dela. Cabral perdeu a amiga Fernanda Kfuri, acompanhada do filho e de uma babá. Marco Antônio, filho de Cabral, perdeu Mariana Noleto, sua namorada.

Quem pilotava o helicóptero era Marcelo Mattoso de Almeida, ex-doleiro. Na ocasião chovia forte.

Primeiro a assessoria de Cabral informou que ele não estava em Porto Seguro quando o helicóptero caiu. Estava.

Depois informou que ele viajara às pressas para lá ao saber do acidente. Negou, contudo, que Cabral tivesse viajado em jato de Eike – viajou.

E negou que tivesse retornado ao Rio em jato de Eike. O retorno ainda é um mistério.

Criticado por ter comparecido ao aniversário de um fornecedor do Estado em jato cedido por outro fornecedor, Cabral disse: “Sempre procurei separar minha vida privada da minha vida pública”.

Apesar disso, prometeu mudar de comportamento – não sei por quê. E anunciou a criação de um código de ética ao qual se submeteriam todos os servidores do Estado.

O decreto com o Código de Conduta da Administração, “que limita as relações entre agentes públicos e privados”, só foi publicado no Diário Oficial no dia cinco de julho passado. Na véspera, Cabral fora atingido por mais uma denúncia: no dia 2 de dezembro de 2010, viajara em jato de Eike para as Bahamas, onde encontrou Cavendish.

Além do código, o decreto criou duas comissões de ética: uma formada por membros do governo para fiscalizar o procedimento dos funcionários do primeiro escalão do governo; a outra por gente de fora para dirimir eventuais dúvidas quanto ao código e garantir sua aplicação aos funcionários dos demais escalões.

Segundo o código, empregados do Estado são proibidos de “receber presente, transporte, hospedagem, compensação ou quaisquer favores, assim como aceitar convites para almoços, jantares, festas e outros eventos sociais” – quer seja obrigatório ou não o uso de guardanapos na cabeça.

E agora, o principal, onde errei.

Dez meses depois da publicação do decreto que criou o código e as duas comissões de ética, supus (jornalista deveria ser proibido de supor) que o código estivesse em vigor e as comissões funcionando.

Nem o código nem as comissões saíram do papel. Como em 2009, Cabral segue livre podendo atropelar a ética.

Cabral levou oito meses para nomear os integrantes das duas comissões. Uma delas reuniu-se uma só vez. A outra, algumas vezes, mas não há registros das reuniões.

Sem que tenha sido aplicado até aqui, em breve o código será reformado para se tornar mais rigoroso.

Pois é. Zombaria! Deboche! Escárnio com a nossa cara!

Peço desculpas por tê-los enganado acreditando no que disseram Cabral e seu bando. Doravante serei mais cuidadoso.

Cabe a vocês cobrarem respostas de Cabral para dezenas de perguntas que teimam em não calar. É espantoso que podendo liquidar o assunto de uma vez por todas ele prefira alimentá-lo com o seu silêncio.

Por que Cabral não exibe a relação completa das viagens oficiais e particulares que fez a Estados e ao exterior desde que assumiu o governo? Com data, destino, meio de transporte, duração e a identidade da fonte pagadora de cada despesa?

Por que não revela quantas vezes voou com Cavendish? Ou o encontrou no lugar para onde voou?

Seria tão simples! Não é verdade?

via Blog de Ricardo Noblat: colunista do jornal O Globo com notícias sobre política direto de Brasília – Ricardo Noblat: O Globo.

Cabral tenta evitar depoimento na CPI

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), procurou a cúpula do seu partido em busca de apoio para evitar que seja convocado a prestar esclarecimento à CPI do Cachoeira sobre suas relações com a construtora Delta, um dos alvos da comissão.

Dois requerimentos foram apresentados à CPI pedindo a convocação de Cabral depois da divulgação de fotos e vídeos em que ele aparece ao lado do dono da empresa, Fernando Cavendish, em Paris e Monte Carlo.

A Delta entrou na mira da CPI porque investigações da Polícia Federal mostraram ligações entre ela e o empresário Carlinhos Cachoeira, preso sob a acusação de explorar jogos ilegais e comandar um esquema de corrupção.

Os requerimentos que pedem a convocação de Cabral devem ser votados no dia 17 e podem ganhar força se a Procuradoria-Geral da República abrir investigação sobre o governador e a Delta.

O blog do jornalista Josias de Souza informou ontem que o procurador Roberto Gurgel fará uma análise preliminar dos negócios do governo com a construtora.

Segundo o blog, Gurgel também decidiu pedir ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) que investigue o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que também manteve relações com Cachoeira nos últimos anos, segundo a PF.

A Folha apurou que o governador do Rio procurou o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), além de membros do PSDB, partido ao qual foi filiado anteriormente.

A assessoria de imprensa de Cabral afirmou à Folha que o governador “mantém diálogo com lideranças nacionais e regionais do PMDB”, mas não quis fazer comentários sobre o teor de suas conversas mais recentes.

O movimento de Cabral surtiu efeitos ontem. “Não é uma CPI social para investigar jantar de governador”, disse o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves (RN).

“Você acha que deve se convocar um governador só porque foi a Paris? Tem gravações dele com Cachoeira? Também não há nada contra o Cavendish”, afirmou o deputado Candido Vaccarezza (PT-SP), que dita a posição do PT na CPI.

Nesta semana a CPI vai ouvir em sessões fechadas dois procuradores e dois delegados que participaram das investigações sobre o grupo de Cachoeira. (andreza matais, erich decat e gabriela guerreiro)

via Folha de S.Paulo – Poder – Cabral tenta evitar depoimento na CPI – 07/05/2012.

O BBB da Delta

CRISTINA GRILLO

As denúncias envolvendo a empreiteira Delta e suas ligações com políticos ganharam no Rio contornos de um reality show, um BBB das altas rodas.

O motivo: as imagens que o ex-governador e atual deputado federal Anthony Garotinho (PR) vem postando em seu blog. Nelas se acompanha o tour do governador Sérgio Cabral (PMDB), do seu amigo Fernando Cavendish (dono da Delta), de suas mulheres e de alguns secretários de Estado por Paris e Montecarlo.

Em um jantar na casa de um empresário carioca, na semana passada, o computador ficou ligado para que os convidados acompanhassem o blog. A diversão do grupo era identificar quem aparecia nas fotos e lembrar os nomes daqueles convidados para a farra que levou a Paris 150 empresários para o lançamento do “Guia Michelin Rio” e que tinham “escapado” -pelo menos até agora- de ter suas imagens divulgadas.

A grande pergunta era: quem vazou o material para Garotinho? Algumas imagens parecem ter sido gravadas pela primeira-dama; outras, por Jordana Kfuri, mulher de Cavendish morta num acidente aéreo.

Como num romance policial de Agatha Christie, todos são suspeitos. Se Hercule Poirot estivesse entre nós, com certeza investigaria quem teve acesso às imagens feitas por Jordana.

Um colunista social do passado escreveria: não se fala em outra coisa nos salões do high society carioca.

via Folha de S.Paulo – Opinião – O BBB da Delta – 06/05/2012.

Veja: Uma CPI para investigar a farra entre o público e o privado

Daniel Pereira, Otávio Cabral e Rodrigo Rangel

A CPI para investigar as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlos Cachoeira, com políticos e empresas que têm contratos com a administração pública saiu do papel em alta velocidade. A gravidade dos fatos levantados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público — o pagamento de propina a autoridades, a troca de favores entre a máfia do jogo e parlamentares e a assinatura de contratos públicos azeitados à base de tráfico de influência — produziu um fato raríssimo: a instalação da CPI contou com o apoio de governistas e oposicionistas. O Congresso deu mostras de disposição para fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, uma de suas mais nobres missões. Se nasceu sem dores, a CPI começou a caminhar com dificuldades. Aprovado na quarta-feira passada, o plano de trabalho da comissão apenas tangencia o epicentro das irregularidades apontadas pelos policiais federais e pelos procuradores. A CPI decidiu ouvir os coadjuvantes das malfeitorias, mas, por enquanto, vacila em chamar para depor deputados e governadores suspeitos de manter relações promíscuas com Cachoeira e a empreiteira Delta, um colosso da construção civil com obras contratadas por governos do PT, do PSDB e do PMDB.

A desenvoltura multipartidária da Delta explica o começo claudicante da CPI que nasceu com o potencial de fazer uma faxina pública como não se via desde que o escândalo do mensalão foi destrinchado, em 2005, com o indiciamento de cerca de uma centena de pessoas. O deputado petista Odair Cunha, relator da CPI, tentou limitar geograficamente as investigações sobre a Delta e suas obras no Centro-Oeste. O ex-diretor da empreiteira para aquela região, Cláudio Abreu, está preso. O plenário da comissão, no entanto, arrancou do relator a promessa de investigar a atuação da Delta em todo o território nacional. Está pronto para votação o requerimento de convocação do dono da Delta, Fernando Cavendish, e de diretores regionais da empresa.

“A base governista foi derrotada. Vamos investigar os aditivos nos contratos da Delta com o Dnit, principalmente aqueles assinados em períodos eleitorais”, avisa o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Quando isso será feito — e se realmente será feito, devido às ligações também multipartidárias de Cavendish — ainda não está definido. A comissão ouvirá neste mês os depoimentos de delegados e procuradores envolvidos na investigação, seguidos de Cachoeira e seus comparsas presos. O único político com depoimento marcado é o senador goiano Demóstenes Torres, o, por enquanto, mais notório membro do esquema de Cachoeira. O Senado abriu um processo por quebra de decoro contra ele, que pode comparecer à comissão já na condição de parlamentar cassado (leia a reportagem aqui). Ou seja: tem-se definida apenas a primeira fase da investigação, que tratará de temas e personagens cujos feitos e malfeitos são de conhecimento público. Nada além disso. Segundo o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a segunda fase aumentará a temperatura dos trabalhos. Nela, será travada a “grande batalha” pela convocação das autoridades de maior calibre. “O vazamento das informações impede a costura de acordões para abafar a investigação ou poupar autoridades”, diz Vital.

Além de Fernando Cavendish, os governadores Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF) e pelo menos cinco deputados federais ainda não foram convocados para prestar esclarecimentos. Sobre muitos deles há uma fartura de indícios de envolvimento com o esquema. Por enquanto, a CPI vai se concentrar no que já foi revelado. Mas não há garantia de que o universo da apuração fique restrito. O plano de trabalho de Odair Cunha deixa brechas para investir sobre qualquer tema: políticos, procuradores, empreiteiras e até a imprensa. Não está fechada, portanto, a porta aberta pelo PT para desqualificar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, defensor da condenação dos mensaleiros no Supremo Tribunal Federal, e a parte da imprensa que, segundo o ex-presidente Lula, ajudou a montar a “farsa do mensalão”. “Todas as pessoas que foram corrompidas ou cooptadas pela organização criminosa têm de ser investigadas. Não haverá blindagem nem proteção a quem quer que seja”, disse Odair.

Hoje, há pelo menos duas ofensivas em marcha para pôr cabresto na CPI. A presidente Dilma Rousseff não quer que a comissão seja usada com os fins estritamente políticos planejados pela falconaria petista. Ela tem dito que teme que a comissão domine a agenda política, paralise o Congresso e prejudique ações do governo. Além disso, afirma não ter receio de que as investigações atinjam seu governo e lembra que, se atingirem, não se furtará a demitir os envolvidos com culpa provada — aliás, como vem agindo desde o início do mandato, o que é um dos motivos de sua expressiva aprovação popular.

A Delta tem contratos com governos de todas as cores. Algumas dessas relações já foram reveladas, o que deixou na berlinda políticos de primeira grandeza do PT, PMDB, PSDB e DEM. O campo já era fértil para um acordo velado, que vinha sendo costurado às sombras. Mas a entrada de Sérgio Cabral no palco das investigações tornou as negociações para abafar o escândalo político mais explícitas. Há dez dias, o blog do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), adversário político de Cabral, publica fotos e vídeos de viagens do governador, sua mulher e seus secretários mais próximos com Fernando Cavendish a Paris e Mônaco. Em hotéis e restaurantes de luxo, o grupo comemora aniversários, noivados, casamentos e conquistas políticas e comerciais. Cabral, considerado um estranho no ninho do PMDB, teve de procurar a cúpula do partido na semana passada para pedir socorro. Em conversas com o presidente do Senado, José Sarney, e com os líderes Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves, ele disse não estar preocupado com uma investigação policial, pois os vídeos não comprovam irregularidades. Mas deixou claro que teme o estrago político que uma exibição desse material, seguida de um depoimento à CPI, possa provocar. “Preciso da ajuda do partido. Se eu tiver de depor na CPI, não será bom para ninguém”, ponderou Cabral. A cúpula do PMDB aproveitou o pedido do governador para tentar negociar um armistício com o PT e o PSDB.

Nas conversas, já surgiu até uma manobra jurídica para empastelar as investigações. A tese que será levantada é a de que uma CPI do Congresso não tem poder legal para investigar governadores. Os foros para esse tipo de apuração seriam as assembleias legislativas, não por acaso controladas pelos governadores. É pouco provável que uma argumentação tão frágil prospere se a CPI tiver mesmo disposição de elucidar os fatos denunciados. Muito provavelmente, o fator de diminuição do escopo da CPI virá não da Justiça, mas da política. O senador José Sarney já recomendou ao PT que “controle os radicais”, argumentando que “ninguém tem a ganhar se essa CPI começar a sair do controle”. O recado tem endereço certo: a turma que vê na CPI uma chance única de desmoralizar o julgamento do mensalão. A primeira ofensiva desse grupo foi dada na sessão da semana passada, com a tentativa de convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para depor na CPI. Sob o argumento de que ele deve explicar por que retardou a abertura de uma investigação contra Demóstenes Torres, os petistas querem colocá-lo no banco dos réus da CPI para tentar desmoralizá-lo. A imprensa é outro alvo que, na estratégia dos radicais, precisa sair chamuscada da CPI. O presidente do PT, Rui Falcão, deixou mais uma vez clara essa convicção na sexta-feira quando, em discurso feito em São Paulo, voltou a defender o projeto de regulamentação dos meios de comunicação, um eufemismo para a tentativa de controlar a imprensa idealizado pelo ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins. Para Falcão, “a mídia é um poder que está conjugado ao sistema bancário e financeiro” e “produz matérias e comentários não para polarizar o país, mas para atacar o PT e nossas lideranças”.

O cenário inicial da CPI do Cachoeira é muito semelhante ao da CPI dos Correios, instalada em 2005 a partir da gravação na qual Maurício Marinho, diretor da estatal, cobrava 3 000 reais de propina, o que deu origem à descoberta de novos fatos envolvendo dinheiro público e compra de apoios pelo governo. Aquela CPI nasceu com o intuito de blindar os aliados do governo e era controlada por parlamentares fiéis ao Palácio do Planalto. Exatamente como agora. Também tinha o mesmo prazo de atuação: 180 dias. Mas, logo no início dos trabalhos, depoimentos bombásticos, como o do deputado Roberto Jefferson e o do marqueteiro Duda Mendonça, incendiaram a comissão e provocaram uma indignação popular que impediu qualquer tipo de acordo. A atual comissão também tem fios desencapados e personagens que podem contar muita coisa. Cachoeira e Cavendish, por exemplo. Com uma matéria-prima mais modesta do que a produzida pelas operações da PF, a CPI dos Correios produziu a denúncia do mensalão, a cassação de José Dirceu e Roberto Jefferson e a renúncia de meia dúzia de políticos, além de tisnar a imagem imaculada de virgem ética do PT. A CPI do Cachoeira, com seu farto material, tem potencial ainda maior. Basta que não se torne refém de arranjos políticos.

Leia a íntegra no site de Veja

Lula elogia governador farrista

DENISE LUNA E ITALO NOGUEIRA

Em discurso ontem ao receber o título de doutor honoris causa de cinco universidades do Rio, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez elogios ao governador Sérgio Cabral, alvo de suspeitas por conta da sua relação com o empresário Fernando Cavendish, dono da Delta.

O ex-presidente citou o “grande momento” que o Estado vive em áreas como segurança e inclusão social.

Na véspera, Lula já havia elogiado Cabral, afirmando que o governador está reconstruindo o Rio, destruído por governantes anteriores, numa referência ao ex-governador Anthony Garotinho.

Adversário político de Cabral, Garotinho vem divulgando fotos de Cabral com o dono da construtora, envolvida em suspeitas no escândalo de corrupção do empresário Carlinhos Cachoeira.

via Folha de S.Paulo – Poder – Cabral recebe elogio do ex-presidente Lula no Rio – 05/05/2012.

Com mais um governador na mira, CPI terá nesta quarta primeiro embate político

João Domingos

Governistas e oposição vão travar nesta quarta-feira, 2, sua primeira grande batalha na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira com um novo personagem no epicentro da luta política, até a semana passada restrita a petistas e tucanos, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). Ele é mais um chefe de Executivo estadual a ter o nome envolvido no esquema de contravenção e o terceiro a entrar na mira da comissão parlamentar.

Na sessão marcada para às 10h30 os integrantes da comissão irão receber os 40 volumes do inquérito que investigou o esquema do contraventor e suas ligações com agentes públicos e privados. PMDB e PT pretendem fazer de tudo para blindar Cabral e Agnelo Queiroz (Distrito Federal) e evitar que sejam convocados a depor na CPI a respeito de supostas ligações com o contraventor Carlinhos Cachoeira e o empresário Fernando Cavendish, que se afastou na semana passada da direção da Delta Construções S.A.

Ao mesmo tempo, o PT defende a convocação do governador de Goiás, o tucano Marconi Perilo, sob o argumento de que os grampos feitos pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo escancararam as ligações dele com Carlinhos Cachoeira. “Não quero fazer prejulgamentos, mas todas as conversas gravadas pela PF e que envolvem o governador Marconi Perillo apontam para uma séria relação dele com o bando do Cachoeira”, disse ao Estado o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP). “É muito diferente do que ocorreu com o governador Agnelo, que é vítima da organização criminosa.”

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), rebateu Tatto. “Nós, do PSDB, já pedimos a convocação do governador Marconi, que concorda em comparecer à CPI para dar explicações. Agora, se o PT e o PMDB querem usar de dois pesos e duas medidas para proteger os seus governadores, nós não vamos aceitar”, afirmou. “Se tem três governadores que são suspeitos de ligação com o Cachoeira e com a Delta, que esclareçam tudo à CPI. É isso que defendemos. Não tem de proteger ninguém”, disse ainda o senador.

A convocação de Sérgio Cabral será proposta por requerimento do deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), que é delegado da Polícia Federal. A sugestão para que ele apresentasse o requerimento de convocação é do deputado tucano Otávio Leite (RJ), que antes pediu a intermediação do presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE). Francischini acusa o governador Agnelo Queiroz de ter montado uma rede de grampos ilegais. Por isso, requereu ao Ministério Público a prisão de Agnelo.

Ao defenderem Cabral dos ataques da oposição, os dirigentes do PMDB afirmam que o governador está sendo vítima de uma briga particular com o ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ). Na semana passada, Garotinho postou em seu blogfotos de Cabral, Cavendish e secretários na Avenida Champs-Elysées, em Paris, durante viagem oficial, e no Restaurante Luis XV, no Hotel de France, em Mônaco, em 2009. O deputado também veiculou um vídeo de um jantar – ocorrido em Paris ou em Mônaco – com Cabral, o secretário de Saúde Sérgio Côrtes, Cavendish e suas respectivas mulheres.

Reação. Aliado do PMDB, com o qual não quer nenhuma confusão, o líder Jilmar Tatto discorda da convocação. “É preciso examinar todos os elementos. Acho que é precipitado convocar o Sérgio Cabral agora”, disse Tatto.

O Palácio do Planalto quer manter a CPI sob controle, fazendo com que investigue somente o esquema de Cachoeira e as ligações dele com o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), além da construtora Delta.

O líder do governo, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) disse que o governo não quer ter nada sob controle: “Existe uma dinâmica no noticiário. É o chamado comportamento de manada. Atribui-se (isso) ao Planalto e ninguém diz com quem falou. Lamentavelmente, são análises em vez da informação”, afirmou.

Já o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), voltou a prever que a CPI do Cachoeira será “muito complexa, explosiva, e que vai exigir muita atenção das pessoas ligadas ao mundo da política”.

Segundo ele, sua expectativa é de que haja uma “bela investigação”, capaz de esclarecer as relações de Carlinhos Cachoeira com o mundo político, com o mundo privado e o setor público. Maia previu ainda que a CPI não vai atrapalhar a pauta da Câmara. Para ele, trata-se de algo independente do trabalho da CPI. / COLABORARAM BEATRIZ BULLA E ISADORA PERON

via Com mais um governador na mira, CPI terá nesta quarta primeiro embate político – politica – politica – Estadão.

Garotinho divulga imagens de Cabral com Cavendish

 

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PP-RJ) colocou em seu blog fotos do atual governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), em momentos descontraídos ao lado do dono da Delta, Fernando Cavendish.

De acordo com Garotinho, as fotos foram tiradas em 2009 no Hotel Ritz, em Paris. Nas fotos, Cavendish aparece com secretários de Estado com lenços na cabeça e em posições que simulam danças. Além de Cavendish, no grupo estão o secretário de Saúde, Sergio Cortês, e o de governo, Wilson Carlos.
Já o governador Sérgio Cabral aparece em duas fotos, uma agachado fazendo pose e em outra dando risada. Segundo o ex-governador Garotinho, Cabral estaria dançando na “boquinha da garrafa”. Ele divulgou ainda mais fotos, entre elas uma na qual Fernando Cavendish aparece “abraçado com Régis Fichtner, em Paris, o homem designado por Cabral para investigar os contratos da Delta com o Estado”.
Recentemente, o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão defendeu os contratos com a Delta ao dizer que “obedeceram a todos os editais”. Pezão afirmou ainda que a Delta é “uma empresa agressiva, por isso tem mais contratos”.

Em nota, a Delta Construção afirmou não comentar sobre “fotos que retratam alguns minutos de descontração entre empresários e algumas pessoas que ocupam postos públicos e têm convívio social”. Ainda segundo a nota, “as fotos foram tiradas em confraternização posterior à homenagem pública recebida pelo governador do Estado do Rio. Isolar esses flagrantes instantâneos do contexto e dar-lhes conotação política não ajuda a explicar questões profundas que se colocam neste momento e para as quais a Delta Construção também procura respostas”.
A assessoria do governador Sérgio Cabral emitiu nota para explicar que o governador esteve em Paris “nos dias 14 e 15 de setembro de 2009″ em missão oficial. Segundo a nota, “após a solenidade, o Barão francês Gerard de Waldner (casado com a brasileira Sílvia Amélia de Waldner), chamou ao Clube Inglês convidados dele em homenagem ao governador e à condecoração recebida. Estavam presentes, secretários de estado, empresários brasileiros; o Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman; empresários portugueses, como Antonio Pereira Coutinho; empresários franceses, como Thierry Peugeot, e Martin Bouygues”.

Clique aqui para ler a íntegra no site do Estadão

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