Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Archive for the tag “tortura”

Torturadores simularam fuzilamento, denunciou Dilma Rousseff há 11 anos

PAULO PEIXOTO

Num depoimento de 2001, mas só agora divulgado, a presidente Dilma Rousseff relata detalhes sobre sua prisão aos 22 anos, ameaças e a tortura a que foi submetida na ditadura militar (1964-1985). Ela fala em medo, dor, choques, palmatórias e as marcas que ficaram disso tudo.

Entre as ameaças, cita uma encenação de fuzilamento e frases como “você vai ficar deformada”, “ninguém vai te querer”, “vai virar presunto”.

O relato foi feito ao Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais, num processo para que ela pudesse ser indenizada em R$ 30 mil pelo Estado. Parte do teor foi divulgado no domingo pelos jornais “Correio Braziliense” e “Estado de Minas”.

“O estresse é feroz, inimaginável. Descobri pela primeira vez que estava sozinha. Encarei a morte e a solidão. Lembro-me do medo quando a minha pele tremeu”, diz ela.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – ‘Encarei a morte e a solidão’, diz Dilma – 22/06/2012.

Depoimento de Dilma revela novas torturas

Documentos arquivados em uma sala do Conedh-MG (Conselho de Direitos Humanos de Minas Gerais), em Belo Horizonte, revelam torturas sofridas pela presidente Dilma Rousseff durante a ditadura militar (1964-85).

Até agora, só se sabia que Dilma tinha sido torturada por militares em São Paulo e no Rio. Em depoimento de 2001, contudo, ela conta que também foi torturada em Juiz de Fora (MG), para onde foi levada em janeiro de 1972.

O testemunho, prestado a integrantes do Conedh-MG, foi revelado ontem pelo “Correio Braziliense”. Segundo o jornal, durante a tortura os militares indagaram sobre um plano de fuga de Ângelo Pezzuti, ex-líder do grupo Colina, no qual Dilma militou.

Ela descreve os tipos de tortura a que foi submetida, como pau-de-arara, choques elétricos e palmatória, e diz ter recebido socos no rosto.

“Minha arcada girou para o outro lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente deslocou-se e apodreceu”, relatou ela, de acordo com o jornal. “Só mais tarde, quando voltei para SP, o [capitão Alberto] Albernaz completou o serviço com um soco, arrancando o dente.”

A correção da arcada dentária foi uma das cirurgias a que Dilma se submeteu às vésperas da campanha presidencial de 2010.

“A pior coisa é esperar por tortura”, diz ela no relato de 2001. “As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim.”

Em 2002, Dilma recebeu indenização de R$ 30 mil pela prisão em Minas. Em 2009, em nota sobre a indenização, a Casa Civil, então chefiada por Dilma, cita sua prisão, mas não menciona torturas.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Depoimento de Dilma revela novas torturas – 18/06/2012.

Uma história triste e duas versões conflitantes: a do jornalismo e a da História

Vi muitas coisas estranhas, tristes e constrangedoras lendo os Arquivos Digitais da Revista Veja dos anos 60 e 70. Mas nada parecido com o que vocês vão ler abaixo.

Aqui, não se trata de fulanizar a crítica, voltando a responsabilizar o editor da publicação na primeira metade dos anos 70, o jornalista Mino Carta, pelo alinhamento da publicação com o regime militar. Esse atrelamento ficou bem descrito e demonstrado nos posts anteriores que compõem a série Especial Ditadura. Como esses posts já foram igualmente objeto de critica e de uma explicação do editor, darei agora um passo adiante.

Passo a contar duas histórias muito diferentes acerca de um mesmo personagem que teve um fim trágico, o militante da VPR Massafumi Yoshinaga, jovem guerrilheiro que virou uma espécie de prenda involuntária do regime militar à custa de muita humilhação e torturas. Uma pertence ao campo do jornalismo. Outra, ao da História.

Em 15 de julho de 1970, o rosto desse jovem foi exibido na capa de Veja ao lado da manchete “Terror Renegado”, reproduzida no alto desta página.

A reportagem foi apresentada em editorial assinado por Mino com a seguinte justificativa: “alguns moços, ex-integrantes de bandos terroristas, descobriam e declaravam que o caminho da subversão não leva ninguém a nada”.

A reportagem, que começa na página 16, recebeu o título “Autocrítica do Terror”. Começa descrevendo a alegria do ditador Médici com as menções elogiosas do ex-militante da VPR à Transamazônica, a suas incursões pelo Nordeste e à extensão do mar territorial brasileiro para 200 milhas.

Detalhe da reportagem de capa: a prenda e o júbilo do regime

“À primeira vista, seria apenas a satisfação do comandante supremo da Revolução, e portanto o mais alto responsável pelo combate à subversão, pelo arrependimento de um jovem inimigo do regime, de repente ressurgido à razão pelos acertos do próprio governo que combatia”, diz o texto da crédula reportagem.

A revista não atentou para o fato de que não fazia sentido, naquele momento da história, que um ex-guerrilho, sob custódia dos militares, tecesse loas às obras do “Brasil Grande”. A exposição de seu rosto na capa era a foto de um troféu que a ditadura obteve com suas maquininhas de provocar arrependimento de alta voltagem — e os socos e pontapés com que os jagunços dos quartéis e da polícia costumavam brindar quem se insurgia contra o regime.

O curioso é que a semana anterior havia sido pródiga em arrependimentos públicos de presos políticos. Que o diga o jornalista Celso Lungaretti, outra prenda colocada na mesma cesta servida pela ditadura à opinião pública por intermédio de Veja. Traído pelos próprios companheiros, foi obrigado a exortar os jovens brasileiros a não se deixarem seduzir pela impaciência na luta em prol das reformas — e a apoiar os projetos do governo de então. “O Brasil ingressa num período durante o qual as conquistas nacionais vão, pouco a pouco, se afirmando, abrindo para a Nação um caminho de esperanças”. Ninguém desconfiou que essa frase soava estranho na boca de um ex-guerrilheiro.

Lungaretti consumiu 34 anos de sua vida para se reabilitar. Só conseguiu isso em 2004, depois de lançar o livro “Náufragos da Utopia”. Logrou resistir ao patrulhamento e à perseguição implacável, primeiro do regime, depois dos ex-companheiros que falsamente lhe atribuíram a denúncia de um campo de treinamento da VAR-Palmares.

Um amigo seriíssimo, pautado por sua revista para a apresentação dos “arrependidos”, se lembra muito bem do dia em que os “terroristas” concederam a estranha entrevista na sede do Segundo Exército. “Minha impressão era a de que haviam feito uma lavagem cerebral com eles”, relembra o repórter 42 anos depois. “Eles pareciam dopados”.

Com sua morte precoce, ocorrida de maneira trágica seis anos depois, Massafumi entrou para o rol dos renegados e esquecidos até ser resgatado por Pérsio Arida. Ele escreveu um lindo artigo para a edição 55 da Revista Piauí contando o que, salvo dentro de seu ambiente familiar, pouca gente sabia: seu envolvimento com a VPR aos 18 anos de idade.

Arida revelou que participou de um único ato “revolucionário” — a colocação de uma faixa na boca do Tunel da Avenida 9 de Julho, em São Paulo, com um bordão contra os patrões e o capitalismo. Caçado como um terrorista de alta periculosidade, escondeu-se numa garçonnière que o pai mantinha em conjunto com um amigo.

Antes desse ato, por uma única noite, abrigou um militante a pedido de sua organização. Era Massafumi. Pérsio Arida descreve assim o encontro de ambos:

“Foi-me pedido que desse guarida, por uma noite apenas, a um homem da pesada, procurado. Era um revolucionário de verdade, que andava armado e fazia ações revolucionárias. Concordei relutantemente – uma noite apenas, ele tem que ir embora no dia seguinte pela manhã, bem cedo, antes das empregadas ou meus pais acordarem.

Ele chegou na hora combinada e entrou na casa rapidamente, como que fugindo de uma perseguição. Para minha surpresa, estava visivelmente amedrontado. Não largava a arma. Um nissei mirrado e com rosto de criança, nervoso e inseguro, completamente diferente dos revolucionários de verdade que imaginava existirem. Temeroso de qualquer envolvimento maior, expliquei onde eram o banheiro e a cozinha, dei boa-noite e foi só”.

O próximo encontro entre ambos ocorreu nas instalações da OBAN e é descrito desta forma na entrevista à Piauí:

Todos fomos reunidos sem aviso no pátio para ouvirmos a preleção de dois ex-terroristas. Por um instante sequer entendi a expressão – se haviam sido presos, eram ex-terroristas por definição. Outro, no entanto, era o significado – eram terroristas arrependidos.

Massafumi Yoshinaga, disse um dos militares. Um patriota que se arrependeu dos assaltos a bancos e da guerrilha. Ele, que conhece o terror por dentro, quer transmitir a vocês uma mensagem importantíssima. Ouçam e meditem. É um pregador que presta um serviço à pátria, alertando a juventude brasileira para os riscos do comunismo e as ilusões da luta revolucionária.

Fiquei branco. Era o nissei da pesada que se hospedara na minha casa. Estava exatamente na minha frente. Impossível que não me tivesse reconhecido”.

Pérsio Arida temia que o japonês arrependido o delatasse. Conseguira ler trechos de um relatório policial que estava sobre a mesa de um delegado. E conduzira suas respostas aos interrogatórios para a confirmação de informações que os militares já conheciam. Até então, havia sido bem-sucedido em sua estratégia de dissimulação . Diante da troca de olhares com Massafumi, passou a esperar o pior:

“Passei aquela noite em claro, esperando o momento em que fossem me chamar para uma sessão de torturas, de vingança. Havia escondido um terrorista em minha casa, portanto era cúmplice do terror, e não havia dito nada sobre o nissei no meu depoimento. Os caras iriam me bater para saber quem mais se escondera na minha casa.

O dia raiou, mais um dia inteiro se passou e outro e outro. Nada. Reinterpretei a situação: Massafumi Yoshinaga deve ter sido barbaramente torturado, pensei, faz esse papel de arrependido só para se livrar dos suplícios. É tudo fingimento. Por isso não me denunciou, por isso não nos permitiram conversar com ele a sós. Aquele discurso tinha sido um vexame público, vergüenza ajena, expressão concisa e intraduzível do espanhol, mas nada além de um vexame, uma estratégia de sobrevivência”.

Arida ainda se depararia com Massafumi duas outras vezes. Foram encontros indiretos, por intermédio das páginas de veíuclos da chamada grande imprensa.

“Um dia encontrei, largada num canto e amarelada pelo passar do tempo, uma Veja com Massafumi Yoshinaga na capa e o título “O terror renegado”. A reportagem contava que o presidente Emílio Garrastazu Médici expressara, em audiência com dirigentes da Ordem dos Advogados do Brasil, sua satisfação com o depoimento público e espontâneo do ex-terrorista. (…)

Li depois num jornal que terminou se suicidando. Suicídio de vergonha, de culpa e arrependimento, haraquiri de uma alma que não encontrava mais lugar neste mundo. Terrível como todo suicídio. Mas quem chora a morte de um traidor? Da minha parte, prefiro guardar dele apenas a memória daquele encontro furtivo de olhos no qual, mesmo tendo me reconhecido, nada revelou ao militar que com tanto orgulho o apresentou como um verdadeiro patriota”.

Eis o que aconteceu a Massafumi Yoshinaga. Seis anos depois, devastado pela vergonha e pela depressão, pôs fim à própria vida após duas tentativas de suicídio malsucedidas. As declarações públicas de arrependimento, que segundo Veja causaram tanto júbilo ao governo militar, foram obtidas mediante a utilização dos mais cruéis e abjetos métodos de tortura. Deixaram nele uma ferida profunda e mortal, algo como um cancer que vai fincando tentáculos em todos os tecidos e órgãos para, ao final, matar o hospedeiro. A vergonha pela falsa confissão do arrependimento que não lhe restituiu a vida — apenas adiou a morte por alguns anos de muito sofrimento.

É impossível saber quanto o relato de Veja, que mimetizava a grande conquista do regime, teve responsabilidade sobre o quadro mental que se instalou no ex-guerrilheiro arrependido. Mas pode-se imaginar o estrago que essa exposição provocava à época.  Afinal, que espaço vital teria restado ao militante Massafumi Yoshinaga depois de ser apresentado ao País como um dos trunfos do regime dos quartéis, um caso de conversão quase religiosa ?

Ao forjar um depoimento público para se livrar das sevícias e do suplício, não restou a Massafumi alternativa a não ser, como na letra de Cazuza, encontrar abrigo no peito de seu traidor. Apesar de ter tido sua pena anulada, o ex-guerrilheiro permaneceu em poder dos torturadores — não mais porque representasse uma ameaça ao regime, e sim para protegê-lo da sanha do justiçamento dos próprios ex-companheiros no tribunal sumário da insurreição.Apanhando da direita, perseguido pela esquerda, envergonhado pelo que fora forçado a fazer, o ex-militante buscou no suicídio a redenção de uma honra aviltada pelas sevícias morais e físicas que lhe haviam sido impostas.

Outros tiveram altivez para enfrentar o legado daquela execração. Aí está o combativo Celso Lungaretti como testemunha das dores provocadas primeiro pelas pancadas, depois pela estigmatização e patrulhamento, que entregou metade de sua vida à busca da reabilitação moral — porque delatar companheiros é uma acusação que se inscreve mais no campo da moral do que no pragmatismo da política e da ideologia, onde produz seus efeitos.

Entre o relato comprometido de Veja, o suicídio de Massafumi Yoshinaga e o testemunho de Pérsio Arida há uma larga zona de fronteira que separa o jornalismo da História. A visão míope do jornalista está conformada pelo pensamento hegemônico que determina a linha editorial. A História, muito mais ampla, repõe, com elementos de lucidez ausentes na interpretação parcial e apressada dos fatos transformados em notícia, algo que se aproxima da verdade. É o caso da desventura narrada neste post.

Como se vê, entre a verdade cristalizada num fotograma da factualidade política e o filme todo da História há uma distinção abissal. A profundidade desse abismo pode ser depreendida da releitura dos textos produzidos à época.  Este blog, que não descontextualiza declarações para construir a crítica, tem como política fornecer a íntegra dos  originais referidos para que o leitor possa tirar suas próprias conclusões. Para os que quiserem se dar ao trabalho de fazer esse exercício de prospecção, reproduzo abaixo a íntegra da reportagem de Veja. O download do material em formato PDF pode ser feito aqui.

O artigo de Pérsio Arida pode ser lido diretamente no site da Revista Piauí. Para chegar a ele, basta clicar aqui.

 

 

 

 

Quase metade dos brasileiros aprova provas obtidas por tortura

Quase metade dos brasileiros (47,5%) concorda que os tribunais aceitem provas obtidas mediante tortura policial, segundo pesquisa realizada em 2010 e divulgada nesta terça-feira pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP). Os dados indicam que aumentou a aceitação à prática em relação a 1999, quando 28,8% diziam ser favoráveis a obtenção de provas por meio de violência. A Pesquisa sobre Atitudes, Normas Culturais e Valores em Relação à Violação de Direitos Humanos e Violência foi elaborada com 4025 entrevistas domiciliares em onze capitais brasileiras, incluindo Rio e São Paulo.
O estudo indica que para a maioria dos entrevistados, a polícia deve interrogar sem violência. No entanto, para alguns crimes a população defende o uso de métodos como “bater”, “dar choques ou queimar com ponta de cigarro” e “deixar alguém sem água ou comida”. O uso de algum desses métodos contra suspeitos de estupro é aceito por 43,2% dos entrevistados. O porcentual de apoio aumenta entre os entrevistados mais jovens.
— São números que particularmente me deixam muito inquieta. Nossa democracia tem quase 30 anos e essas práticas não deveriam ter defesa — diz a psicóloga Nancy Cardia, coordenadora da pesquisa.
De modo geral, houve também uma melhora na avaliação do trabalho da polícia. Entre 1999 e 2010, a aprovação da Polícia Federal saltou de 42% para 60%. A Polícia Militar, a que tem pior avaliação entre as polícias, saltou de 21,2% para 38% na aceitação da população.
O estudo ainda indica que 42% dos brasileiros acreditam que há momentos, ‘em defesa da segurança nacional’, em que é justificável o governo censurar a imprensa. O mesmo percentual acha que o país pode expulsar pessoas que tenham posições políticas que possam prejudicar o governo.
— É uma submissão a um autoritarismo que dá um tiro no próprio pé. São bandeiras que não são toleráveis em uma democracia.
O trabalho do Núcleo de Estudos da Violência da USP também faz um recorte da violência na infância. Sete em cada dez brasileiros já sofreram algum tipo de agressão quando crianças. A violência foi regular (houve agressão quase todos os dias ou pelo menos uma vez por semana) para 20% dos entrevistados. Embora tenha ocorrido uma diminuição no percentual de brasileiros que relataram agressões – em 1999 eram 79,6% -, a pesquisa indica a formação de um círculo vicioso no uso de violência sobre os filhos.

Beba na fonte: Quase metade dos brasileiros aprova provas obtidas por tortura – O Globo.

Como os “cães de guarda” da imprensa ladravam para a caravana da ditadura passar em 1970

Do nada, um certo site da nova, novíssima esquerda, começa a derramar posts em série sobre a ditadura brasileira. Chama de “cães de guarda” dos milicos os jornalistas que apoiaram descaradamente a ditadura militar brasileira. O nome desse site é Conversa Afiada. Poderia se chamar mesmo Conversa Fiada, uma vez que seu editor, Paulo Henrique Amorim, foi um dos mais dóceis cãezinhos de guarda da ditadura nos anos 70. Para o desespero dele, não é difícil demonstrar.

Alguns leitores bem-intencionados têm se mostrado surpresos com a série de revelações. Acreditavam, de bom coração, na sinceridade de PHA em sua defesa do governo Lula, do governo da Dilma, do governo FHC, … até de gente como o Zé ‘empate’ Dirceu, na sua retórica a favor dos pobres e oprimidos. Acreditavam até que PHA nasceu na esquerda. Até que ele agora é líder do movimento negro.

Aos fatos.

Muito jovem, quando todos costumam ser de esquerda, PHA já era uma espécie de poodle dos homens de farda. Naquele tempo, a revista Veja não assinava a maior parte das reportagens e, por isso, não é fácil encontrar o nome de PHA em muitas delas. De  70 a 74, foi o editor de economia da revista, segundo atesta o próprio currículo que ele publica em seu site.

Nessa condição, pode-se dizer, com segurança, que todas as reportagens econômicas ufanistas, de apoio á ditadura, têm o dedo dele. Convido o leitor a passear pelas páginas de economia da revista naquele período, consultando o arquivo digital, aberto a todos na internet (mas se preparem para o enjoo, diante de tanta propaganda pró-ditadura). Alguma vezes, porém, o editor da revista, Mino Carta,  na seção “Carta ao Leitor”, denunciava a autoria das reportagens. E, quando isso acontece, não há como se esconder.

Foi o caso da edição de 26/08/70. Mino Carta escreve na Carta ao Leitor: “O anúncio do Programa de Integração Social [o PIS], o assunto da reportagem de capa daquela edição (página 28, texto final de Paulo Henrique Amorim e Emilio Matsumoto), confirma uma antecipação de Veja.”

O enjôo, caro leitor, começa pelo título: “Um programa à brasileira”.  Assim mesmo, com esse ufanismo patriótico de conveniência a serviço da farda e do coturno. A ânsia de vômito aparece no subtítulo grandiloqüente: “ A integração social através de um fundo sem igual”.

Poucos leitores não passarão mal com o texto em si. Começa com uma rematada mentira: “Quem ganhar pelo menos dois salários mínimos por mês receberá, na pior das hipóteses, seu ordenado multiplicado por 36, ao se aposentar depois de trinta anos de serviços.”

Prossegue com um delíro fascista, o do fim das tensões, naturais, entre patrões e empregados, algo que a ditadura perseguia a ferro, fogo e pau-de-arara. Eis aí o fulcro da questão, o que francamente interessava ao regime — e a seu lulu adestrado — na época: afastar as discussões sobre a participação nos lucros, esta sim, a verdadeira reivindicação dos operários.   “Estão evitadas na mensagem presidencial todas as possibilidades de tensão entre patrões e empregados. Não se fala em participação nos lucros. Ao contrário, criou-se uma fórmula original, retirada da famosa inventividade brasileira. Os empregados participarão, através de um fundo, do faturamento (ou seja, das receitas) das empresas e não de seus lucros (o que significa tecnicamente o resultado da diferença entre receita e despesa).”

E, claro, acaba por bajular o ditador Médici, mentindo para os brasileiros ao dizer que o general tinha como objetivo uma sociedade próspera e aberta, tudo o que o Brasil não era à época:  “‘O segredo mais bem guardado é o que todos imaginam’. A frase de Bernard Shaw, sábio dramaturgo irlandês, aplica-se inteiramente ao PIS. A notícia explodiu na semana passada com o impacto das grandes revelações. No entanto, analistas mais observadores já podiam prevê-la desde o dia 7 de outubro do ano passado, quando o Presidente Médici, pela televisão, comunicou que aceitava sua indicação para presidente da República. Naquele dia, mencionou seu desejo e promover uma revisão da distribuição da riqueza numa sociedade próspera e aberta. Na primeira reunião ministerial pediu aos seus auxiliares imediatos que estudassem medidas que viessem a marcar seu governo com as intenções reformistas a que se propunha.”

Não é segredo para ninguém que o lulu da economia de Veja se empenhava — e como! — em sua função de propagandista dos feitos homéricos do pior presidente que o País já teve. Pior no sentido de mais cruel, desumano. Aqui mesmo, neste espaço, publiquei outro dia um post revelando que PHA certa vez, nos idos dos 70, ganhou um prêmio Esso ao contestar o Censo, que acabara sair com algo que não convinha ao comando da quartelada. O IBGE, que não era propriamente um bunker do PIG de então, constatou que havia, como a história provou, uma enorme concentração de renda no tal Milagre Econômico. PHA, no entanto, se fiou a um estudo assinado por Carlos Langoni para desqualificar o censo e provar que o Brasil Grande era maior e mais justo do que realmente era. Maior e mais justo. Au-au!

Volto ao assunto anterior. Na descrição do PIS, PHA não poupa adjetivos para vender aos brasileiros a falsa imagem de que o programa era uma coisa genial. Para isso, adula todos os czares da ditadura da época, para que nenhum deles se sentisse enciumado:  “Acabou surgindo a fórmula do PIS, árvore de muitas sementes, depositadas com cuidado por Delfim, Barata, Leitão de Abreu, chefe do gabinete civil, e poucos assessores. (…) Fecha-se assim o círculo desse engenhoso mecanismo”. Engenhoso, diga-se de passagem, a ponto de ser anunciada desta forma: “Afastada a solução da participação nos lucros, o presidente apelou para a imaginação criativa de seus ministros“. Só elogios!

Não se esqueçam, ele estava falando do PIS, que vocês conhecem tão bem.

Para não haver dúvidas sobre a grandiloquência do projeto do recém-empossado ditador Médici, fecha com uma declaração de Delfim, com o objetivo de anestesiar os trabalhadores de então, vítimas do que, na época, chamavam de arrocho salarial: “‘O fundo demonstra claramente a preocupação do governo com os trabalhadores. Além disso, significa também uma verdadeira abertura política, já que as lideranças parlamentares foram convocadas pelo Presidente Médici para conhecerem com antecedência o conteúdo do programa’, disse Delfim. Para o ministro, porém, o PIS tem uma inestimável vantagem adicional, não fosse ele um de seus idealizadores: ‘Essa fórmula é brasileira. Não há no mundo sistema idêntico ou semelhante.’”

Verdadeira abertura política no governo Médici, cara pálida? Au-au!

Ora, em 1970, o Brasil vivia o auge da ditadura militar, com Dilma presa, torturada, assim como milhares de outros. Não havia sociedade próspera e aberta coisa nenhuma. E também nenhuma integração entre patrões e empregados. A reportagem, na verdade, é uma peça de propaganda da ditadura. Escrita pelo PHA.

Por que relembro todos esses casos? Porque acho que os jornalistas devem viver da verdade. Não à toa, conheço poucas pessoas que sejam contra a Comissão da Verdade. Os brasileiros, sem prejuízo da Lei da Anistia, devem conhecer a sua história. Mas esse conhecimento tem de ser completo. Se devemos conhecer quem eram os torturadores e golpistas, devemos saber quem eram os jornalistas que os apoiaram — a verdadeira imprensa golpista, que propagandeou sem nenhum constrangimento o golpe militar. A Comissão da Verdade pode começar por aí.

Para que você não se perca nesse emaranhado diáfano da história, publico na íntegra a reportagem ufanista que Paulo Henrique Amorim produziu. Reiterando que o Blog do Pannunzio não descontextualiza declarações para construir a crítica política, prática comum em certos canis virtuais contemporâneos.

Imprensa Golpista: quem, afinal, apoiou a ditadura militar brasileira ?

Em 1970 o País estava em convulsão. O regime era conduzido com mão de ferro pelo general Emílio Garrastazu Médici. Foi o mais severo dos ditadores. Ele movimentou uma máquina repressiva sem precedentes na história da República. Seu governo será lembrado para sempre pelas crueldades contra quem ousasse divergir, criticar ou combate-lo. Prisões, assassinatos, desaparecimentos e tortura aconteciam diante de uma sociedade anestesiada pelo crescimento da economia e emudecida pela censura.

A imprensa brasileira se dividia em duas alas: a que apoiava descaradamente a ditadura, outra que decidiu se insurgir contra os horrores protagonizados pelos milicos e seus algozes civis. E não foram poucos. No DOPS da polícia Paulista, por exemplo, uma jovem militante de um grupo guerrilheiro chegou a ser torturada durante 22 longos dias consecutivos com todo tipo de instrumento que pudesse provocar dor extrema e sofrimento psicológico. Seu nome: Dilma Rousseff.

Entre os veículos que apoiavam explicitamente a ditadura militar e se calavam obsequiosamente sobre a tortura, a revista Veja foi talvez o mais assanhado e prestativo. Na edição de 1º de julho de 1970, Veja dedicou sua capa ao fenômeno que catapultava para o alto a popularidade do ditador. A revista se desdobrava em elogios aos generais. Havia a Copa do Mundo, a conquista do tricampeonato, e pouco importava o que se passava nos porões.

Reproduzo, abaixo, a seção “Carta ao Leitor” da edição de número 95 de Veja. Lê-la é quase como cumprir um dever cívico de reparação histórica.  É um documento público de valor inestimável, assim como outros textos da revista do mesmo período. Serve para demonstrar como jornalistas engajados se transformaram em áulicos da ditadura militar brasileira.

O mais chocante, no entanto, é perceber que esses áulicos, hoje, travestem-se de democratas aguerridos. Incumbem-se do papel de defensores do governo diante de uma conspiração atroz da “mídia golpista” contra o governante de plantão. E se colocam lado a lado com aquela que, em outros tempos, não mereceria outro rótulo que não o de terrorista nas páginas produzidas por suas penas sempre dóceis a qualquer regime, qualquer governo.

Ganha um doce aquele que adivinhar quem foi o autor do texto. Palpites podem ser enviados para a área de comentários do blog.

Correio Braziliense – Política – Agentes que torturaram Dilma estão na mira do Ministério Público

Renata Mariz  – Quatro militares reformados são alvo de uma ação civil movida pelo Ministério Público Federal em São Paulo por crimes de homicídio e tortura praticados no período do regime militar no Brasil (1964-1985). Eles teriam, segundo o processo de responsabilidade pessoal, praticado “gravíssimas violações aos direitos humanos” quando atuavam na Operação Bandeirante, implementada em São Paulo pelo Comando do Exército, contra pelo menos 23 pessoas, entre elas a presidente eleita Dilma Rousseff – que participou da luta armada contra a ditadura. Em 74 páginas e 39 documentos anexados, a ação cobra a responsabilidade pessoal dos quatro denunciados, a cassação de suas aposentadorias, a proibição de atuarem em funções públicas, bem como o ressarcimento aos cofres públicos onerados com indenizações a vítimas e familiares.

Dos acusados, Homero Cesar Machado, Innocencio Fabricio de Mattos Beltrão e Maurício Lopes de Lima são reformados das Forças Armadas. João Thomaz é o único que segue na ativa, hoje na Polícia Militar de São Paulo. As provas, segundo o procurador regional da República Marlon Alberto Weichert, foram colhidas de três fontes – o acervo do projeto Brasil Nunca Mais, que reúne vários depoimentos dados em juízo, no tribunal militar, por pessoas torturadas; relatórios oficiais produzidos pela Presidência da República; e ainda alguns depoimentos colhidos especialmente para a ação civil.

Segundo Weichert, a menção ao nome de Dilma Rousseff, que ficou presa por quase três anos, não tem relação com o resultado das eleições. “Pelo contrário, essa investigação estava finalizada pouco antes do primeiro turno, mas, para evitar qualquer conotação política, deixamos para protocolar o pedido só agora”, explica o procurador.

Entre os 23 trechos de depoimentos reproduzidos ao longo da ação, o da presidente eleita é um dos menores. Ela afirmou, ao falar durante uma auditoria militar, em 1970, não reconhecer Maurício Lopes de Lima como uma testemunha, como ele havia sido apresentado na audiência, e sim como um dos torturadores da Operação Bandeirante. Dilma destacou ainda, durante o depoimento transcrito na atual ação, que dois subordinados do capitão Maurício a ameaçaram quando ela perguntou se eles estavam autorizados pelo Judiciário. Segundo Dilma, eles teriam respondido: “Você vai ver o que é o juiz lá na OB (Operação Bandeirante)”.

Para Weichert, o relato de Dilma aparece reduzido no texto do processo porque o objetivo era apenas demonstrar que ela havia reconhecido o militar como um de seus algozes. “Como o fim era esse, não foi necessário pedir todo o acervo do depoimento”, diz o procurador. A União e o estado de São Paulo também são citados como réus.

Para ler o original clique aqui: Correio Braziliense – Política – Agentes que torturaram Dilma estão na mira do Ministério Público.

Paraguai mentiu ao governo brasileiro para tentar repatriar refugiados

cartilha_epp

furo

O governo do Paraguai mentiu e apresentou provas falsas para tentar obter a extradição dos três supostos guerrilheiros daquele país que foram acolhidos como asilados pelo governo brasileiro.

Juan Arrom, Anuncio Marti e Victor Colman são alvo de um processo de perseguição explícita movida pelo governo Lugo. Ex-militantes do Movimento Pátria Livre, que se opôs à ditadura Stroessner, os três foram acusados do sequestro de Maria Edith Debernardi, mulher de um dos empresários mais ricos e controvertidos do País.

Por duas vezes, autoridades da diplomacia do governo Lugo encaminharam dossiês volumosos com informações falsas vinculando os três perseguidos aos guerrilheirtos das FARC.

A fraude foi confirmada pelo investigador antiterrorismo da polícia judiciária da Colômbia Ronald Coy, que declarou ao Ministério Público daquele país não terem sido encontrados e-mails no computador que pertencia ao comandante Raul Reyes, morto no ano passado. De acordo com o policial, havia apenas documentos elaborados em um processador de texto.

Centenas de e-mails que supostamente comprovariam contatos frequentes entre os  ”guerrilheiros” paraguaios e o comando da guerrilha colombiana foram anexados como prova ao pedido de reconsideração feito ao governo brasileiro pelas autoridades paraguaias.

Arrom, Marti e Cólman foram sequestrados em Asunción por agentes de segurança paraguaios dois dias antes da libertação da Sra. Debernardi. Durante 14 dias foram sistematicamente torturados — e jamais confessaram qualquer tipo de participação no sequestro.

O local utilizado como cativeiro, a casa de um policiais militar, foi descoberto pelas irmãs de Juan Arrom. Dias depois de libertados, os três deixaram o país pela Ponte da Amizade e ingressaram em território brasileiro. Meses depois, por unanimidade, o CONARE concedeu a eles o status de refugiados políticos. Desde então o governo do Paraguai tentam convencer as autoridades brasileiras a repatriá-los para que sejam julgados segundo as leis paraguaias.

A perseguição aos três militantes do Movimento Pátria Livre, que jamais teve qualquer tipo de ação armada ou violenta. foi denunciada em primeira mão por este Blog. Para obter mais informações sobre o assunto basta clicar aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

Lugo pediu a Lula para manter refugiados paraguaios no Brasil

furoO presidente do Paraguai, Fernando Lugo, pediu ao presidente Lula que não repatrie os três militantes paraguaios que aqui se encontram refugiados. O pedido foi feito durante o último encontro dos dois chefes-de-Estado em Ponta-Porã, MS, no último dia 3 de maio.

Juan Arrom, Anuncio Marti e Victor Colman são alvo de um processo de perseguição explícita movida pelo governo Lugo. Ex-militantes do Movimento Pátria Livre, que se opôs à ditadura Stroessner, os três foram acusados do sequestro de Maria Edith Debernardi, mulher de um dos empresários mais ricos e controvertidos do País.

Arrom, Marti e Cólman foram sequestrados por agentes de segurança paraguaios dois dias antes da libertação da Sra. Debernardi. Durante 14 dias foram sistematicamente torturados — e jamais confessaram qualquer tipo de participação no sequestro.

O local utilizado como cativeiro, a casa de um policiais militar, foi descoberto pelas irmãs de Juan Arrom. Dias depois de libertados, os três deixaram o país pela Ponte da Amizade e ingressaram em território brasileiro. Meses depois, por unanimidade, o CONARE concedeu a eles o status de refugiados políticos. Desde então o governo do Paraguai tentam convencer as autoridades brasileiras a repatriá-los para que sejam julgados segundo as leis paraguaias.

O refúgio político concedido pelo governo brasileiro tomou boa parte da agenda dos dois presidente durante o último encontro de ambos, no Mato Grosso do Sul. Contrariando a posição oficial de seu governo, Lugo deixou claro para Lula que a volta de Arrom, Marti e Colman não é prioridade de seu governo nem interessa a ele.

“Não será problema se eles (os refugiados) permanecerem no Brasil”, teria dito Lugo durante a reunião de trabalho. “Não se pode assegurar que um julgamento hoje (pela Justiça paraguaia) será justo e isento porque esse caso ainda desperta muitas paixões em Assunção”, reiterou o presidente da República vizinha diante de um Lula surpreso com a manifestação.

A iniciativa, confirmada por três fontes diferentes do governo brasileiro, deixa claro o antagonismo das posições emanadas de Assunção. De um lado, autoridades vinculadas a núcleos de poder remanescentes da ditadura Stroessner movem uma guerra diplomática contra o Brasil pelo repatriamento dos três militantes. De outro, o presidente, pessoalmente, se movimenta em sentido contrário, endossando o refúgio concedido pelo CONARE por unanimidade.

Dois ministros do governo Lugo tiveram uma importante participação na elucidação do processo de perseguição que os refugiados sofreram. Chegaram a assinar o laudo que atestou as sevícias das sessões de tortura impostas aos militantes do MPL.

Lugo promove torturadores de militantes refugiados no Brasil

O governo do presidente Fernando Lugo acaba de promover pelo menos um policial que participou diretamente das sessões de tortura aplicadas a dois dos três militantes do Movimento Pátria Livre que foram acolhidos como refugiados políticos no Brasil. O comissário Saturnino Antônio Gamarra foi um dos 74 oficiais promovidos recentemente. Ela é o dono de uma das casas utilizadas como cativeiro no sequestro de Juan Arrom e Anuncio Marti (veja foto ao lado).

A casa fica num bairro da periferia de Assunção, capital do Paraguai. Foi o segundo local utilizado como cárcere privado durante os 14 dias em Arrom e Marti permaneceram desaparecidos. Eles foram sequestrados por policiais à paisana na Calle Lugano, no centro da capital, em frente à casa onde funcionava um aparelho clandestino da Policia Judiciária.

Os vizinhos do imóvel de Gamarra confirmam que o comissário costuma frequentar a casa, uma construção simples instalada em um terreno de aproximadamente 500 metros quadrados de área construída. “A casa era do Gamarra”, disse um vizinho ao Blog. Segundo a testemunha, o próprio comissário avisou aos moradores da quadra que “um amigo iria fazer uma operação (policial)”.

jornal_gamarraO Comissário Gamarra agora é o responsável pelas investigações da Polícia Judiciária na região central do Paraguai. É o segundo cargo mais importante na hierarquia da corporação. As acusações feitas contra ele pelas duas vítimas do sequestro e das sevícias não rendundaram em nada. O torturador Gamarra hoje é um dos homens mais importantes da polícia paraguaia.

A notícia da promoção do comissário foi publicada na edição de Primeiro de maio do jornal La Nacion (veja fac-símile ao lado). Mas a imprensa paraguaia não tece nenhuma consideração sobre o passado nebuloso do comissário-torturador.

Tortura e sevícias de uma democracia ‘made in paraguay’

O Estado Paraguaio é o protagonista de um fraude de grande envergadura: a invenção de um grupo guerrilheiro que não existe com o propósito de assentar o atual governo, do bispo Fernando Lugo, em um patamar que não desperte suspeitas da comunidade internacional. A fraude em questão é a invenção do EPP — Exército Popular do Paraguai.

A ficção de Lugo está sendo caçada em cinco províncias, sem nenhum resultado até agora. Quase metado do território está sob estado de sítio, com as garantias constitucionais suspensas, e cerca de cinco mil miltares trabalham incansavelmente perseguindo um mito, o tal grupo guerrilheiro inexistente.

Lugo encampou causas de seus adversário históricos porque não conseguiu fazzer o que se comprometeu: mudar o Poder Judiciário, as polícias e o Ministério Público. Sem isso, ficou refém da nata da corrupção que move o País desde os tempos imemoriais da ditadura Stroessner. Encastelados em cargos-chaves, corruptos notórios transformam o narcotráfico em mola-mestra da economia paraguaia, tendo como único paralelo o poder dos contrabandistas. Estes, Lugo não quer saber de enfrentar.

O tal EPP, a ficção paranóica do bispo garanhão, não passa de um bando de delinquentes comuns, que nada a vem com um grupo de guerrilha nos moldes convencionais. Na verdade, é um pequeno agrupamento de bandidos sem cargos públicos nos mesmos moldes do PCC — só que muito menor — não chegam a três dezenas de meliantes e de traficantes.

O que desafia o governo Lugo é sua própria ineficiência. A frustração gerada por expectaivas que não se cumpriram é que está pondo abaixo o astral dos paraguaios. E será ela o fato determinante de sua sobrevivência institucional ou não. Aliada a inimigos históricos, a presidência de Lugo não terá a longevidade que seu mandado inspira.

Esta aliança espúria é que faz com que Lugo se alinhe com ex-torturadores, algozes da ditadura militar paragauaia e empresários nutridos das sombras de oportunidades escusas como as geradas pela construção da usina de Itaipu.

Em sua última basófia, Lugo se alinhou aos terroristas de Estado que torturaram três jovens intelectuais fundadores do Movimento Pátria Libre, hoje transformado em partido político. Sem dó nem piedade, o bispo que preside o Paraguai quer levar de volta a sua republiqueta Juan Arrom, Anuncio Marti e Victor Colman para que eles sejam capturados e seviciados pelos mesmos agentes que os sequestraram e torturaram em janeiro de 2002.

O trio está abrigado no Brasil sob o status de refugiados. Lugo ofereceu uma recompansa de cem mil dólares a quem capturá-los. Se isso acontecer, vai ser muito difícil para ele evitar a vergonha de ver seu país condenado por cortes internacionais por abrigar o proteger terroristas, ao mesmo tempo em que conspurca a cidadania e a vida de seus adversários políticos.

Veja só o que um governo fraco e covarde é capaz de fazer no vídeo abaixo, que demonstra de maneira cabal que torura, cárcere privado e sofrimento ainda têm lugar na pífia democracia paraguaia.

Post Navigation