A bancada dos anjos caídos do primeiro escalão está prestes a aumentar. Excluindo-se Nelson Jobim, o das bravatas e inconfidências, quatro ministros já foram demitidos e outro aguarda sua vez -- Carlos Lupi, do Trabalho, das balas e declarações de amor.
Sempre que o sábado irrompe trazendo notícias das alcovas da Corte, é a presidente Dilma Rousseff que acaba sendo posta à prova. Até agora, ela tem se saído muito melhor do que a encomenda no papel de inventariante da herança maldita de Lula.
A diferença entre os dois estilos é gritante. Lula jamais titubeou em lançar uma boia de salvação a qualquer corrupto que caísse em desgraça perante a opinião pública. Em vez de demitir, como Dilma faz, o ex-presidente sempre cuidava de inventar uma consipação midiática contra o "Brasil" que ele julgava personificar. Dilma faz com que os desaventurados se lasquem e os demite. Leva alguns dias até o desfecho, mas tem sido sempre assim.
Assim a presidente vai devolvendo à plebe a noção de que um mínimo de decência tem que haver -- ainda que o local seja Brasília, o nicho seja a política e o locus, o primeiro escalão do governo federal. Com a desvantagem de não poder atribuir ao testador os deméritos do legado.