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Escrito por Administrator    Ter, 23 de Junho de 2009 00:59    PDF Imprimir E-mail
Repórter da Itatiaia não aceita rótulo de "fantasma".

A repórter Gabriela Speziali, da Rádio Itatiaia, não aceita ser rotulada como fantasma. "Eu trabalho muito. Já vivi em vários países", diz a jornalista, indignada com a manchete deste Blog.

Gabriela foi nomeada para o gabinete do senador Wellington Salgado no dia 2 de Dezembro passado, dois meses depois de chegar a Brasília. Desde então acumula as funções de correspondente e assessora parlamentar, em situação análoga à de todos os seus colegas na sucursal brasiliense da rede de rádio mineira.

"Você não pode me confundir. Há pessoas e pessoas" , diz, em tom indignado, fazendo uma comparação entre o caso dela e o da jornalista Leid Carvalho, ex-correspondente da mesma emissora que admitiu jamais ter prestados serviços ao senador Hélio costa.

A equipe do Blog tentou contatar a repórter durante a tarde de hoje. Foram disparados vários telefonemas. Duas vezes ela atendeu. A mim, pediu quinze minutos, dizendo que ligaria de volta. A pergunta era clara: o que você faz no gabinente do senador Wellington Salgado ?

A repórter Fernanda Muylaert repetiu a mesma tentativa seis vezes. Gabriela ficou de retonar em cinco minutos e parou de atender aos telefonemas. Conseguimos estabelecer contato com ela depois de quase duas horas.

As explicações fornecidas pela correspondente mudaram conforme as conversas avançavam. Primeiro, ela me disse que trabalhava como assessora de imprensa do senador. Depois, falou que fazia gravações de peças de rádio. Confrontada com a informação de que o próprio senador havia negado ter, desde sempre, assessoria de imprensa ou um profissional encarregado do veículo rádio, a versão foi mudando.

"Eu faço textos em formas de release que alimentam um bancos de dados", assegura Gabriela. Pergunto se os releases são publicados em algum lugar. "Não", diz ela, categoricamente. "É um material produzido para a campanha". Campanha de quem ? Ao que se saiba, Wellington não é candidato -- é candidato a suplente de Hélio Costa, de que sem ufana de ter patrocinado a última campanha que, por vias trasnversas, o transformou em senador da República.

Pergunto à minha colega porque ninguém a conhece no gabinete onde está lotada. "Eu não cumpro expediente. Pra ser assessora não tem que bater ponto", diz ela. É um argumento razoável, com o qual concordo. Não precisa ir regularmente. Mas a ponto de  ninguém ter a menor noção de quem é ela, que hipoteticamente trabalha no tal gabinete há mais de meio ano ?

A próxima indagação é sobre a rotina que justifica o salário de assessora parlamentar. "Quantas horas por dia você se ocupa de atividades do gabinete ?". Gabriela não tem uma resposta pronta. Pergunto, então, se todos os dias ela dedica algum tempo à função. "Todo dia, não. Mas eu tenho uma rotina de trabalho", diz ela.

Gabriela está preocupada e eu entendo sua ansiedade. Deve ser uma jovem repórter com muitos predicados. Não duvido de que ela trabalhe muito, como declara. Deve ser uma pessoa valorosa em busca de uma oportunidade séria na Capital da República. Oportunidade que ainda não encontrou. É muito difícil entender releases que não são publicados, versões que vão se adaptando aos argumentos da contradita, explicações que não parecem plausíveis diante do contexto inquestionável que dá conta de que todos os correspondentes de uma mesma cadeia de rádio estão sujeitos aos mesmos vícios éticos.

Mas estas podem ser conclusões apressadas. Enviei a Gabriela um questionário que ela se dispôes a responder. Comprometi-me a publicar na íntegra as respostas. E assim será. Não acho que ela esteja desprovida de qualquer qualidade que diga respeito ao caráter, ao respeito pela própria profissão, nada disso. Acho apenas que ela é vítima de uma condição muito parecida com a dos jornalistas do anos 50, que ganhavam uma miséria e tinham a autorização expressa dos patrões para encontrar outro meio de vida.

Nesse caso, jornalistas são vítimas. Mesmo quando aparentemente adquirem vantagens.

  • João Leonardo  - Essa prática é antiga aqui em Minas.
    Prezado Fábio, em primeiro lugar, saudações atleticanas.

    É com indignação que leio uma notícia dessas. Aqui em Belo Horizonte, que é uma província, corre a boca pequena que essa prática é corriqueira. Há informações de que vários jornalistas dessa mesma rádio e de outros veículos estão lotados em gabinetes de vereadores, deputados e secretarias municipais. Se esmiuçar, aparece um monte. Por aqui, dizem que isso é normal. Fazer o quê?
  • Frederico Nilson  - Repórteres assessores
    Isso não é novidade da "rádio de Minas" . Roberto Abras, por exemplo,r enomado setorista do Atlético há mais de 30 anos seria (sem ser) funcionário da Assembleia Legislativa de MG. Há outro caso de uma repórter de polícia da mesma Itatiaia, que seria assessora da Guarda Municipal de BH. E por aí vai.... Como disse o colega acima, é "só esmiuçar".....
  • Anônimo  - A prática é corriqueira e jornalistas são vítimas
    Caro Pannunzio, bom dia.
    Sou jornalista e ex-funcionário da Rádio Itatiaia e posso afrirmar que essa prática promíscua está entranhada na filosofia da emissora. É um "modus operandi" mais comum que se imagina. Aliás, ética é algo que passa bem longe do imenso prédio de quase um quarteirão na rua Itatiaia, 117, no bairro Bonfim, em BH.
    Na Itatiaia, critério jornalístico e interesses comerciais são como areia e água. Você sabe que os dois existem, mas é impossível separá-los.
    Afinal, o que pensar de um veículo de comunicação cuja diretoria agencia, por fora, os anúncios do Governo do Estado? Sem contar as licitações (?) vencidas pela empresa para divulgar, jornalisticamente, as ações de prefeituras do interior...
    No lado mais fraco da corda estão os jornalistas, muitas vezes estagiários contratados a preço de banana para empunhar o portentoso microfone da rádio de minas. O fato é que Lei, Cida e Gabriela (com algumas delas eu trabalhei) são vítimas desse comportamento escabroso. O mesmo comportamento que fez o sr. Emanuel Carneiro, presidente do sistema Itasat, ser condenado pela Justiça Trabalhista, nos últimos anos, a pagar milhões de reais em indenizações a dezenas de funcionários, por erros deliberados no pagamento de horas extras e outros direitos trabalhistas.
    Como se vê, a mesma emissora que não pensa duas vezes em denunciar os políticos corruptos se comporta de forma igual ou pior. Não é exemplo de bom jornalismo.
  • Carlos Heichenbach  - Não justifica
    Perdoe-me a franqueza, caro Pannunzio, mas não justifica e não acho que esse tipo de atitude mereça defesa. Jornalista da Grande Imprensa não pode ser assessor e vice-versa. Isso é desprovimento de caráter, sim senhor. Qual a credibilidade que essas pessoas podem ter ao entrarem ao vivo dando noticias de crise e sendo obrigadas a poupar os respectivos segundos patrões? Ou você quer que eu acredite que essas moças falariam sobre as falcatruas em que os srs Helio Costa e - PRINCIPALMENTE - o Eduardo Mensalão Azeredo estariam envolvidos? Fala sério! Por isso essa rádio está perdendo terreno em Minas. Credibilidade zero, ética zero. Não s epode apenas ser honesto, tem que parecer honesto. Isso não me parece nada correto. E não falo das pessoas dessas três repórteres (uma delas, a Cida Pereira, até condecorada pelo governo de Minas foi). Aqui em BH, a foha de pagamento da prefeitura, de órgãos públicos, câmara e assembléia também está cheia desses nomes da Itatiaia e até um da badalada CBN... Estado de Minas tb tem uns fantasmas por aí. A editora de política de O TEMPO é delegada de partido, e por aí vai... durma-se com um barulho desses.
  • xx  - Indignado!
    Ah, Pannunzio, "aparentemente adquirem vantagens"? Você deve estar sendo irônico! É um absurdo, como o colega aí acima disse, jornalista de mídia ser também assessor de imprensa. Mais absurdo ainda, ser assessor que trabalha de vez em quando e faz coisas que ninguém vê. Não deveria julgar a tal Speziali, que de especial não tem nada, mas não resisto. É uma repórter comum, que aceita o "cala a boca" pago pelo gabinete de um senador, coisa comum na emissora que ela trabalha. Resta saber se ela foi contratada pelo ministro por causa da rádio ou vice-versa (o que é mais provável). Por isso não temos o direito de ficarmos indignados com o fim do diploma. Por isso, por picaretagens como essa, é que não temos o direito de reclamar de baixos salários ou baixa valorização como profissionais. Por isso gente como eu morre pobre, porque não aceita os "cala a boca" de gente como Azeredo e Helio Costa. Fui convidado dezenas de vezes, como repórter de política, a integrar a folha de pagamento de alguns vereadores e deputados estaduais, do PSDB ao PT. Não aceitei. podia estar andando de carro novo e morando na Pampulha, mas prefiro continuar pobre e com a consciência tramquila. Pago escola para meus filhos com dinheiro do meu salário. Por isso me julgo no direito de julgar, sim, pelo menos uma vez na vida. Não vou me identificar, porque estou aqui na minha redação, trabalhando honestamente e tentando driblar as limitações normais da profissão e preciso continuar assim, empregado. Mas qual a dignidade de uma pessoa que protagoniza uma saga mentirosa e enganadora dessas? Qual o direito que ela tem de não atender telefonemas de colegas e mentir sobre a origem do dinheiro que todo mês cai na continha dela? É diheiro público! Qual a credibilidade que uma empresa assim pode ter? Picaretagem! Safadeza!
  • indignado dois  - é exatamente assim.
    sou também, ex funcionÁrio da radio(risos) de minas.
    o que vi, ouvi e fui cantado a fazer, me deu engulhos. no esporte, então, valha-nos deus! narradores mandam abraços a politicos em troca de dinheiro vivo, pagos na cabine por assessores.
    um, já morto e enterrado, comprou um apartamento em lourdes só com esse jabá. um reporter de uma competencia ímpar, foi pedir aumento ao monstro emanuel carneiro. recebeu dele a resposta: "aumento, não dá não. escolhe aí onde você quer trabalhar no estado ou na prefeitura, que te mando para lá. o reporter preferiu ir para um lugar decente". veja em quantas prefeituras está o dedo de marcio dotti, chefe de jornalismo. todos os políticos aqui de minas são reféns da radio itatiaia. EU DISSE: TODOS! NÃO É, SEU AECIO?
  • indignado dois
    "Você não pode me confundir. Há pessoas e pessoas"(...)
    como disse um comentarista aqui, gabriela, que de especial não tem nada, já está na onda do lula e sarney: se acha acima do bem e do mal. quando na verdade é só mais uma jabazeira arrivista. triste garota.
  • Cecília Olliveira  - Não é novidade
    Fábio, isso é "tão novidade" que foi tema de pesquisa feita pelo professor Elton Antunes (UFMG)em 1988.

    Info: ANTUNES, E. ; TAVARES, R. ; KURRLE, G. P. . Jornalistas políticos: os parlamentares da notícia. 1988. (Relatório de pesquisa).
  • Lucio Machado  - Parabéns
    Meu caro, parabéns pelo que diz.
  • paulo antonio  - essa radio
    os senadores representante de MG são uma vergonha para nós mineiros.
    com estes correspondentes?
    minas gerais é um estado de jabazeiros tos querem levar vantagem.
    falam mas não agem .nós mineiros somos otarios
    somos enganados pelos meios de comunicação,politicos .
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