Blog do Pannunzio

Polí­tica, economia, cultura segundo o jornalista Fábio Pannunzio

Presidentes de Câmaras multiplicaram patrimônio

ALFREDO JUNQUEIRA

Dos 23 presidentes de Câmaras Municipais de capitais que disputarão a eleição de outubro, sete tiveram evolução patrimonial superior a 100% em quatro anos. Eles mais que dobraram o valor de seus bens declarados à Justiça Eleitoral em seus mandatos. Todos registraram “vereador” como ocupação em seus cadastros de candidatura.

O caso mais impressionante é o do presidente da Câmara de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Paulo Siufi (PMDB) declarou neste ano à Justiça Eleitoral bens que totalizam R$ 1,8 milhão. O valor é 192,78% superior aos R$ 620,7 mil informados em 2008.

Mas Siufi não é o presidente de Câmara que agregou maior valor ao seu patrimônio entre 2008 e 2012. O peemedebista ficou em terceiro lugar neste ranking. O primeiro posto é do chefe do legislativo municipal de Porto Alegre, vereador Mauro Zacher (PDT). Há quatro anos, declarou bens no valor de R$ 81,6 mil. Limitava-se a um carro, recursos em conta corrente e cotas de capital de uma empresa. A compra financiada de um apartamento em 2009 somou R$ 200 mil ao total. Os bens registrados somam R$ 92 mil – algo 257,76% superior a 2008.

Com 209,84%, o vereador Antonio Isaias Pereira Filho (PSL), o Pereirinha, chefe do legislativo municipal de São Luís do Maranhão, teve a segunda maior evolução patrimonial. Sua atual declaração soma R$ 709,5 mil. Constam quatro imóveis residenciais entre R$ 24 mil e R$ 85 mil e quatro veículos.

As dinâmicas dos valores dos bens dos vereadores Edivan Martins (PV), que preside a Câmara de Natal, e Jaime Tonello (PSD), de Florianópolis, foram similares. Desde 2008, Martins passou de R$ 280,7 mil para R$ 708,1 mil – alta de 152,2%. Tonello foi de R$ 285,7 mil para R$ 682 mil – evolução de 138,65%.

Jorge Felippe (PMDB), presidente da Câmara do Rio de Janeiro, e Jurandir Liberal (PT), de Recife, completam a lista. Felippe tinha R$ 169 mil em 2008 e passou para R$ 387,2 mil – aumento de 129,15%. Liberal foi de R$ 353,5 mil para R$ 746, 3 – avanço de 111,14%.

O vereador paulista José Police Neto (PSD), o Netinho, aumentou em 57,44% seu patrimônio desde 2008. A atualização dos valores das frações de três imóveis e um terreno fez sua declaração sair de R$ 266,7 mil para R$ 420 mil.

Beba na fonte: Presidentes de Câmaras multiplicaram patrimônio – politica – politica – Estadão.

Mercado reduz projeção para o PIB em 2012 pela 4ª vez seguida

Eduardo Cucolo

O mercado financeiro reduziu pela quarta semana consecutiva a previsão de crescimento da economia brasileira, que caiu agora de 1,75% para 1,73%, de acordo com a pesquisa Focus divulgada há pouco pelo Banco Central. Há quatro semanas, estava em 1,90%. Para 2013, a aposta se manteve em 4%, abaixo dos 4,05% verificados há quatro semanas.

Analistas reduziram ainda a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2012, de 35,27% para 35,25%. Para 2013, a projeção se manteve em 34%. Há quatro semanas, as projeções estavam em, respectivamente, 35,50% e 34,06% do PIB para cada um dos dois anos.

Inflação e juro

O mercado financeiro elevou pela sétima semana seguida a projeção de inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2012, que subiu de 5,15% para 5,19% somente na última semana. Há quatro semanas, a previsão estava em 4,98%. Para 2013, a projeção se manteve em 5,50% pela nona semana seguida.

A projeção de alta da inflação para os próximos 12 meses caiu de 5,66% para 5,64%, conforme a projeção suavizada para o IPCA. Há quatro semanas, estava em 5,55%.

Nas estimativas do grupo dos analistas consultados que mais acertam as projeções, o chamado Top 5 da pesquisa Focus, a previsão para o IPCA em 2012 no cenário de médio prazo subiu de 5,15% para 5,20%. Para 2013, a previsão dos cinco analistas ficou em 5,50%. Há um mês, o grupo apostava em alta de 4,99% e 5,50% para cada ano, respectivamente.

Os economistas também mantiveram a aposta de que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai reduzir a taxa Selic dos atuais 8,0% para 7,50% ao ano na próxima quarta-feira. Já a mediana das estimativas para o patamar da taxa Selic no fim de 2012 segue em 7,25%, o que significa um corte adicional de mais 0,25 ponto neste ano.

A projeção para a taxa básica de juros no fim de 2013 recuou pela segunda semana, desta vez, de 8,38% para 8,25%. Há quatro semanas, estava em 8,50%.

A pesquisa mostra ainda manutenção das expectativas para o juro médio em 8,47% neste ano e em 7,63% em 2013. Quatro pesquisas antes, analistas esperavam juro médio de 8,53% em 2012 e de 7,81% no ano que vem.

Beba na fonte: Mercado reduz projeção para o PIB em 2012 pela 4ª vez seguida – economia – brasil – Estadão.

FSP: Legalização da maconha pode ajudar a salvar a economia americana

FERNANDA EZABELLA
DE LOS ANGELES

O jornalista americano Doug Fine não está chapado, apesar do nome de seu terceiro livro investigativo, “Too High to Fail – Cannabis and the New Green Economic Revolution” (ed. Penguim/Gotham; numa tradução livre, “Muito Chapado para Fracassar – Cannabis e a Nova Revolução Econômica Verde).

Ele acredita que a legalização da maconha possa ajudar a salvar a economia dos EUA e, para provar sua tese, passou um ano numa comunidade rural que tem, na droga, 80% de sua economia, ou US$ 8 bilhões por ano.

Autoridades locais apoiam e protegem os plantadores com um programa de licença inédito, que cobra pelo registro de até 99 plantas.

Esse lugar, acreditem, fica no próprio EUA, ao norte da Califórnia, no condado de Mendocino, onde Fine acompanha o ciclo de uma plantação, da semente geneticamente modificada à droga final nas mãos dos pacientes.

O livro é lançado no momento em que três Estados americanos se preparam para votar, nas eleições de novembro, pela legalização do uso recreativo para adultos.

Ao mesmo tempo, o governo federal continua a considerá-la uma droga ilegal, sem valor medicinal e altamente viciadora, liderando uma guerra contra os 17 Estados que liberaram a planta para fins médicos.

Segundo um professor de economia de Harvard, entrevistado no livro, a droga poderia ter rendido aos cofres do governo US$ 6,2 bilhões em impostos em 2011 e, após sua legalização, esse número poderia subir para US$ 47 bilhões. Leia entrevista.

Folha – O que há de tão especial em Mendocino que fez ser possível essa relação quase utópica com maconha?
Doug Fine - O clima ajuda. É um condado que vive de agricultura, com um clima mediterrâneo, tem uvas por todos os lados. Mas é também um lugar bem progressista. Foi o primeiro condado dos EUA a banir o uso de transgênicos por voto popular.
São três gerações que vivem da planta. Não carrega o estigma de puritanismo da guerra às drogas que outros lugares têm.
Como a cannabis se desenvolveu para crescer em quase qualquer tipo de clima, diria que o mais importante é a cultura local. O homem tem evoluído com a planta, ela foi encontrada em tumbas com milhares de anos e é citada num manual médico chinês de 3.000 anos.

No fim do livro, agentes federais fazem uma série de apreensões e prendem um dos produtores mais legítimos, de acordo com o xerife local. Ainda assim, você acha que o fim da guerra à maconha está próximo. Por quê?
Acho que a guerra está ganha. A popularidade é crescente nas pesquisas, 56% dos americanos querem a regulamentação da cannabis. Não é mais questão de conservadores contra progressistas porque até mesmo americanos religiosos defendem o fim da guerra às drogas por estar aprisionando gente demais.
Os EUA têm a maior população carcerária do mundo. Sabe, você pode perder batalhas perto do fim e ainda assim ganhar a guerra. É difícil prever quando. Pode ser daqui a dois anos ou 20 anos. Tenho esperança de que algo aconteça no segundo mandato de Obama.

Mas o governo atual tem sido mais agressivo que o de George W. Bush na repressão contra a maconha medicinal. Por que ele mudaria?
Realmente a comunidade está furiosa com Obama.
Acredito que ele resolveu ignorar o caso no primeiro mandato, mas, quando era senador, afirmou que a guerra às drogas não funciona.
Ele sabe disso. Acredito que num possível segundo mandato ele vá tentar alguma manobra, como tirar a cannabis do Anexo 1 para o Anexo 2 da lei federal de substâncias controladas. Até cocaína e metanfetamina estão no Anexo 2 [substâncias que podem causar dependência e tem valor medicinal].
Até mesmo um juiz administrativo da DEA [agência federal antidrogas] afirmou em 1988 que é um absurdo a cannabis estar no Anexo 1 [substâncias altamente viciadoras e sem valor medicinal].

Dizer que a legalização salvaria a economia dos EUA parece exagero, e o nome do livro não ajuda na seriedade. Como tem sido a reação ao livro?
Não tenho recebido olhares esquisitos. Estive em Nova York para uma palestra para divulgar o livro e a média de idade do público era 70, 80 anos. Todo mundo entendeu que a guerra precisa acabar.
Maconha é a plantação número um dos EUA. Vivo num Estado conservador, no interior, com caubóis, e lá eles entendem também.

De onde vem essa conta de que maconha é a maior plantação dos EUA?
Há de US$ 6 bilhões a 8 bilhões sendo gerados só no pequeno condado de Mendocino por ano e te conto de onde tirei isso.
Em 2010, autoridades locais apreenderam 600 mil plantas que estimaram ser 10% da colheita total do condado [legal e ilegal]. Os produtores dizem que nem pensar, que deve ser apenas 1%.
Mas, se forem 10% mesmo, são 6 milhões de plantas que chegam ao mercado.
Se você considerar, por baixo, que cada planta dá uma libra de produto e que o preço mais baixo dado em anos recentes é US$ 1.000 por libra, você tem US$ 6 bilhões apenas em Mendocino, onde a receita das vinícolas é US$ 74 milhões.

Seu livro explica que é preciso “seguir o dinheiro” para entender como a legalização poderia salvar a economia, principalmente na produção industrial para comércio têxtil, de alimentos e energia. Acha que os ativistas deveriam mudar suas estratégias, já que estão mais focados na questão médica?
Cannabis industrial tem mais potencial economicamente do que seu uso medicinal ou social, e realmente poderia ser um elemento mais forte nas campanhas. É um absurdo que os Estados Unidos não estejam nesse mercado. A indústria de cannabis cresce 20% por ano no Canadá.
Eu e minha família usamos para um monte de coisas. Minha mulher faz roupa e usamos óleo da semente em nossos sucos no café da manhã todos os dias. Compramos os produtos nos EUA, mas é tudo importado, do Canadá.
Um condado da Califórnia votou e aprovou a legalização de produção industrial em 2011, mas o governador vetou por causa das leis federais.

Há 17 Estados que legalizaram maconha medicinal, mas as leis mudam em cada um. Em Los Angeles, autoridades reclamam que as lojas se multiplicam sem controle. O que dá para aprender com experiências ruins?
Sim, há uma proliferação, mas isso é demanda de mercado, as pessoas querem essa planta. A proibição é a causa dos problemas.
Reconheço que posso soar como uma líder de torcida, mas sou um jornalista sério. Claro, poderiam fazer regulamentações melhores, mas já temos sistemas que funcionam para álcool e vinícolas.
Acredito num modelo em que a cannabis fosse regulamentada para uso de adultos, como o álcool. E um sistema no qual o pequeno agricultor pudesse continuar a produzir, como acontecem com as cervejarias artesanais, sem ser engolido por gigantes.

Qual é a sua relação com maconha?
Sim, eu já usei a planta, acho que é um algo bom como aspirina, como álcool e que, como qualquer outra droga farmacêutica, não pode ser abusada.
Sou uma pessoa sóbria, sou pai. E sou também espiritualizado. Está no Gênesis, livro 1, capítulo 1, versículo 29: Deus nos deu todas as plantas e sementes para nosso uso, e não com exceção de alguma com a qual Richard Nixon teve problema.

Soninha usa ironias para rebater provocação na web

A candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, tem lançado mão de ironias ao rebater provocações na internet que a relacionam com o candidato do PSDB, José Serra.

Ontem, ao ser questionada por um mensageiro anônimo se era amante de José Serra, seu rival na eleição, Soninha foi monossilábica: “Sim”, respondeu.

A provocação ocorreu em um fórum que a candidata mantém aberto a internautas durante a campanha. As respostas de Soninha são publicadas em sua conta na rede social Twitter, que tem cerca de 70 mil seguidores.

Há nove dias, a candidata do PPS já havia respondido de forma irônica a pergunta semelhante. “Sim, claro! Troquei meu corpinho por cargos no serviço público.”

Para a Folha, Soninha diz que as respostas irônicas foram a maneira que encontrou para dispensar quem entra no fórum para provocá-la -outra questão recorrente é sobre se ela é “maconheira”.

“Tiro um sarro às vezes”, diz a candidata, sem temor de ser mal interpretada. “Se não entenderem que é galhofa, então esquece.”

Ela admite, porém, que as pessoas podem não compreender rapidamente as piadas: “Preciso lembrar que as pessoas não têm senso de humor, porque eu me divirto tanto respondendo assim”, afirma.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Soninha usa ironias para rebater provocação na web – 27/08/2012.

Ministros debatem hoje no STF caso João Paulo Cunha

RUBENS VALENTE

O julgamento do mensalão entra hoje na sua 15ª sessão no Supremo Tribunal Federal (STF) com um debate entre o relator, Joaquim Barbosa, e o revisor, Ricardo Lewandowski. Eles divergiram sobre o ponto da acusação que trata do deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP).

No capítulo que aborda uma suposta propina paga a João Paulo (leia no quadro ao lado), Barbosa votou pela condenação do deputado, do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e de dois sócios pelos crimes de corrupção e peculato. Lewandowski decidiu pela absolvição.

Hoje Barbosa faz sua “réplica” e Lewandowski, sua “tréplica”, expressões típicas de debate eleitoral, mas que têm sido usadas pelos próprios ministros.

Barbosa deve apontar deficiências no voto do colega e vice-versa. Na sequência, os outros nove ministros devem votam as acusações contra o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato -parte em que Barbosa e Lewandowski concordaram pela condenação.

EQUÍVOCO

Lewandowski cometeu pelo menos um erro no voto que leu na quinta-feira passada. Ele atribuiu a um ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) uma conclusão que não é dele nem do tribunal, mas de um personagem que foi alvo de uma auditoria do órgão, o ex-diretor-geral da Câmara Sérgio Sampaio.

Lewandowski disse que o ministro do TCU relator da apuração sobre o contrato de Valério com a Câmara afirmara que uma apuração da Secretaria de Controle Interno da Câmara (que apontou problemas no contrato) fora “maculada por vícios que a nulificam [anulam]“.

Ele mencionou a página e o volume do processo do mensalão em que estaria a conclusão do TCU. No documento, contudo, vê-se que a afirmação sobre “mácula”, “vícios” e “inimizade” não partiu do TCU, mas do próprio Sampaio.

Segundo Sampaio, a reprovação da auditoria interna da Câmara seria decorrente de uma suposta “notória inimizade” entre o então secretário de Controle Interno, Alexis Paula Souza, com o diretor de comunicação da Câmara, Márcio Araújo, e ele.

Apesar de ter aprovado os gastos do contrato, o TCU não avalizou essa versão.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Ministros debatem hoje no STF caso João Paulo Cunha – 27/08/2012.

Deu o previsto: Lewandovski absolve João Paulo Cunha da acusação de corrupção e peculato

Com informações da Agência Senado

O ministro Ricardo Lewandowski, revisor da Ação Penal (AP) 470, encerrou a leitura parcial de seu voto no ponto em que analisa as acusações de corrupção passiva e peculato relativas a supostas irregularidades em contratos de publicidade da Câmara dos Deputados. O ministro conclui pela absolvição do ex-presidente da Câmara, deputado federal João Paulo Cunha.

O ministro Lewandowski divergiu, nesse ponto, do relator, ministro Joaquim Barbosa, que votou pela condenação de João Paulo Cunha nessas acusações.

Na sequência de seu voto, o revisor analisa a segunda acusação de peculato contra o ex-presidente da Câmara.

PT, profecia e autoengano

Fernando Rodrigues

Transformou-se em senso comum dizer que campanha eleitoral no Brasil só começa para valer depois do início da propaganda em rádio e TV. Mas esse elixir milagroso tem também seus limites.

A pesquisa Datafolha divulgada ontem mostrou que o candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, continua com apenas 8%. Lidera o pelotão dos nanicos.

Já há alguns meses o PT propaga uma profecia: no horário eleitoral na TV, Haddad estará colado a Lula.

Vai disparar para se consagrar e vencer no segundo turno.

Em campanhas passadas essa tem sido uma trajetória rara. Nesta mesma época, em 2008, Gilberto Kassab estava com 14%. Além disso, ele era prefeito e buscava a reeleição. Tinha a máquina da cidade a seu favor, inclusive o apoio do então bem avaliado governador do Estado, José Serra.

Mas Lula não vai acabar compensando todas as deficiências de Haddad? A presença do ex-presidente na TV foi vital na eleição de Dilma Rousseff. É verdade. Só que muitos se esquecem que Dilma neste mesmo período em 2010 já estava com 47% nas pesquisas de intenção de voto para presidente.

Os petistas podem argumentar que Haddad sofre por ser desconhecido. Celso Russomanno (PRB) estaria então sugando votos de petistas desinformados. Por essa lógica, quando os paulistanos pró-Lula souberem quem é o candidato do PT, as coisas mudam como num passe de mágica.

A favor de Haddad está a força incontestável do lulismo, a fragilidade partidária da campanha de Russomanno e a alta taxa de rejeição ao tucano José Serra (38%).

A profecia petista pode se autocumprir, é claro. Se assim o for, Haddad protagonizará uma das mais formidáveis arrancadas eleitorais na história de eleições paulistanas. Se tudo der errado, saberemos que a falação atual não passou de autoengano, o esporte preferido dos políticos.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – PT, profecia e autoengano – 22/08/2012.

Ninguém será preso antes de 2013, diz Thomaz Bastos

FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA
O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos calcula que o julgamento do mensalão só será concluído em 2013. Antes disso, nenhum dos réus do caso será preso, mesmo se condenado agora.

Em entrevista à Folha e ao UOL, Thomaz Bastos, que defende um ex-executivo do Banco Rural, calculou que no ritmo atual o julgamento tomará o mês de setembro e pode “até entrar em outubro”.

Depois, em “alguns meses” será publicado o acórdão, o resumo com os votos dos ministros do Supremo Tribunal Federal e eventuais penas.

A Procuradoria-Geral da República, autora da ação, havia pedido a emissão imediata de mandados de prisão para os réus condenados.

O julgamento do mensalão será retomado hoje à tarde. O revisor do caso, ministro Ricardo Lewandowski, deverá começar a ler o seu voto sobre o capítulo examinado pelo relator Joaquim Barbosa nas duas últimas sessões.

Estão em discussão crimes atribuídos ao deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), ao empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e dois dos seus antigos sócios, e ao ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato.

Para Thomaz Bastos, com o “julgamento em si” concluído em meados de outubro, seria improvável o acórdão ficar pronto antes do fim do ano. Mesmo porque o STF entra em recesso na metade de dezembro, emendando os feriados de Natal e Ano Novo.

“O acórdão é longo. Tem que passar pela revisão do relator, dos outros ministros, todos, para ver se suas posições estão corretas. Acho que isso leva alguns meses. No mínimo”, diz o advogado.

Publicado o acórdão, o Supremo receberá os chamados embargos de declaração, ações contestando possíveis incongruências na redação.

Esses embargos podem ser apresentados por advogados e pelo Ministério Público. Como o acórdão do mensalão será volumoso, “com mais de mil páginas”, diz Thomaz Bastos, haverá uma enxurrada de embargos no STF.

Os recursos serão julgados em 2013, diz o ex-ministro da Justiça, com o Supremo livre de pressões eleitorais.

Só depois do acórdão definitivo ser publicado é que o processo do mensalão ganhará a condição de “transitado em julgado”, o jargão jurídico para definir o momento em que não caberá mais nenhum tipo de recurso. Só então mandados de prisão poderão ser expedidos, se for o caso.

Ou seja, se Thomaz Bastos estiver certo, o processo do mensalão não terminará em 2012. “Não termina. Não acredito que termine, [ou] que haja a menor hipótese de terminar”, afirma o ex-ministro.

“Mesmo depois do acórdão publicado, existem embargos que impedem que o acórdão transite em julgado. Então, se houver mandado prisão, ele será expedido quando a sentença transitar em julgado. Está sumulado pelo Supremo”, destaca Thomaz Bastos.

“Eu estou adiando a aposentadoria por conta disso”, declara o ex-ministro, hoje com 77 anos de idade.

NA INTERNET
Assista à entrevista
folha.com/no1141007

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Ninguém será preso antes de 2013, afirma advogado – 22/08/2012.

Prévia da inflação oficial fica em 0,39% em agosto

Fernanda Nunes, da Agência Estado

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,39% em agosto, após subir 0,33% em julho. O resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou dentro das estimativas dos analistas do mercado financeiro consultados pelo AE Projeções, que esperavam inflação entre 0,30% e 0,45%, com mediana de 0,37%.

Com o resultado anunciado hoje, o IPCA-15 acumula taxas de 3,32% no ano e de 5,37% em 12 meses até agosto.

Beba na fonte: Prévia da inflação oficial fica em 0,39% em agosto – economia – - Estadão.

Reflexões sobre uma montagem de “Um Verão Familiar”

Criada em 2009, a Companhia dos Inquietos, núcleo paulistano de produção e pesquisa teatral, trouxe para o público, em abril de 2011, sua primeira montagem, uma obra do jovem e promissor dramaturgo carioca Jô Bilac (nome artístico de Giovanni Ramalho Bilac),Limpe todo o sangue antes que manche o carpete, apresentada no Espaço Beta do SESC Consolação, trabalho que revelava, por parte dos integrantes do grupo, uma preocupação com a busca de novos caminhos de expressão cênica.

Esse trabalho de pesquisa — no qual despontam as resultantes das atividades do ator Ed Moraes e do diretor e cenógrafo Eric Lenate — tem prosseguimento, agora, com a instigante montagem de Um verão familiar, texto do talentoso João Fábio Cabral, dramaturgo potiguar radicado há quase vinte anos em São Paulo, SP.

Por meio de Um verão familiar, Cabral promove uma extraordinária desconstrução das relações familiais, de modo a romper a grossa crosta que comumente mantém encobertos múltiplos conflitos entre os membros do núcleo básico constituído pelo pai, pela mãe e pelos filhos. O texto, que parece retratar, de início, uma doçura falsa e convencional que flutua diante dos nossos olhos ao se examinar a convivência entre pais e filhos — e que, não raro, oculta a ausência de um diálogo entre estes fundado no reconhecimento honesto e na aceitação serena das diferenças que há entre indivíduos e entre os seus projetos existenciais — cuida de livrar-se, aos poucos, dessa carapaça ilusória para mergulhar em águas tormentosas, das quais emergem relações em que sobressaem manifestações de autoritarismo, de violência (inclusive de natureza sexual), de opressão, de ressentimento e de ódio. Passo a passo, os conflitos que decorrem desse convívio a trilhar caminhos tão tortuosos são expostos em cena; o impacto cênico se remete à assustadora visão de uma fratura exposta.

Cabral parece ter clareza da função social que o seu teatro pode assumir ao nos propor, sem rodeios, a discussão e a revisão da natureza das relações que ocorrem entre os integrantes daquela que é a primeira das sociedades humanas: a família; nessa discussão, nada escapa à visão sem concessões de Cabral, que disseca o comportamento do pai brutal e despótico, da mãe alienada e indefesa e dos filhos devastados pela brutalidade e pela indiferença; Cabral nos conclama a uma reflexão acerca das possibilidades de refundação da família e da revisão do seu conceito, partindo da ideia de que é preciso, inicialmente, desmantelar os fundamentos das relações entre os seus membros para que, num momento posterior, a sua reconstrução possa se dar numa base mais sadia, mais verdadeira, mais respeitosa e mais humana.

A trama nos chega pela ótica do filho que, maltratado e oprimido pelo pai, encontra guarida mais nos cuidados da sua irmã (que se comporta como uma verdadeira Electra, a venerar o pai que a violenta sexualmente) do que nos da sua mãe; pai e mãe não escondem, aliás, uma invencível insatisfação existencial que relacionam, entre outras razões, ao fato de terem tido filhos que não desejavam; nessas cruas exposições de sentimentos e frustrações, Cabral evoca e se aproxima, ao seu modo, do estilo narrativo de Harold Pinter, em cujos textos as relações familiais também explodem à nossa frente.

O filho, narrador do espetáculo, frequentemente se refugia em um tambor cheio de água, como se a buscar aquilo que se acha perdido para sempre: o conforto, a proteção e o aquecimento do âmnio e do líquido amniótico abrigados no interior do útero materno; a imagem, poderosa sob o ponto de vista cênico, lembra o uso de tambores por Samuel Beckett em uma das suas obras-primas, Fin de partie, nos quais os personagens se encontram encerrados, como que a expressar as suas limitações e dependências.

A montagem de Um verão familiar da Companhia dos Inquietos tem uma excelente e segura direção assinada por Eric Lenate (que também é responsável pelo despojado e funcional cenário, no qual desponta um bem empregado ciclorama, que serve de base para a projeção de imagens que comentam e se integram aos diálogos travados no curso da trama); os personagens são magnificamente interpretados por Ed Moraes, João Bourbonnais, Lavínia Pannunzio e Renata Guida, cujos trabalhos evidenciam paciente e disciplinado empenho na composição minuciosa dos seus personagens.

Espetáculo que dignifica a cena paulistana e merece ser visto por todos aqueles que se interessam por um teatro de discussão de ideias, Um verão familiar estará em cartaz no SESC Belenzinho (Rua Padre Adelino nº 1.000, Belenzinho, Capital, SP, telefone 11 2076-9700) até o dia 9 de setembro de 2012 (de quinta-feira a sábado às 21h30 e nos domingos e feriados, às 18h30).

Em tempo: a frase que empreguei no título deste texto, “em memória de tudo aquilo que nos atormenta”, faz parte do espetáculo; para saber em que momento e em que contexto ela é usada, vocês terão de ver a montagem: não quero estragar a magia da encenação.

Antonio Ozório Leme de Barros é procurador de justiça em São Paulo

A injusta queda do IBOPE de Dilma Rousseff

O IBOPE registrou, pela primeira vez desde o início do governo, uma queda expressiva nos índices de popularidade da presidente Dilma Rousseff em algumas metrópoles importantes. Em São Paulo e em Curitiba, a regressão  ficou  entre 10 e 14 por cento. Não se sabe o que contribuiu para isso — se as greves ou o pessimismo que se estabeleceu quando a crise econômica global começou a dar sinais de que o Brasil não está imune a seus efeitos.

Ninguém vai brigar com o eleitor ou sobrepujar sua soberania para avaliar o desempenho de governantes. Mas há uma flagrante injustiça na nota que a presidente recebeu.

Discreta, avessa ao palanque, Dilma tem se esforçado para acertar — e tem acertado muito, a despeito dos erros que também tem cometido. Graças a ela o governo federal conseguiu se desvincular do Mensalão, permanece equidistante das eleições municipais e vai tocando com competência a gestão da economia.

A presidente mandou para o lixo o ideário retrógrado antiprivatista do núcleo de poder de seu próprio partido ao anunciar um ambicioso programa de soerguimento da malha ferroviária e de recuperação das rodovias. Já não era sem tempo. E tem adotado uma postura democrática e realista, feito um exercício de paciência, ao enfrentar os sindicalistas oportunistas que o governo Lula engordou com benesses e verbas a rodo.

Tudo isso evidencia que houve um câmbio positivo entre o governo passado e este. Se fosse só por isso, para demolir os vícios da administração de Lula, sua performance já deveria receber uma menção positiva.

Pena que o eleitor, ao que indica o IBOPE, não encontre virtude nisso.

Se assim fosse, a presidente certamente não estaria experimentando esse momento de inflexão em sua avaliação.

Depois de 12 anos, Arruda é condenado por violação de painel

A Justiça Federal em Brasília condenou o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda pela violação do painel do Senado, quando ele era senador, em 2000. A sentença o condenou a pagar uma multa que pode passar de R$ 2,5 milhões. O valor deve ser bloqueado dos bens do ex-senador. Além da multa, o juiz cassou por cinco anos os direitos políticos do ex-governador.

A defesa de Arruda afirma que vai recorrer e que os cinco anos de direitos políticos cassados só começam a valer após a decisão definitiva da Justiça.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Arruda é condenado por violação de painel – 21/08/2012.

CPI e julgamento do mensalão travam arrecadação do PT

O julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal e a CPI do Cachoeira travaram a arrecadação do PT para as eleições municipais de outubro, disse ontem o presidente do partido em São Paulo, Edinho Silva.

A dificuldade para obter doações foi debatida em reunião da cúpula do partido com o ex-presidente Lula.

Segundo Edinho, o ambiente criado pela investigação dos dois escândalos -ambos ligados a esquemas de financiamento ilegal de campanhas políticas- levou insegurança ao empresariado.

O petista negou ligação entre a seca financeira e a crise mundial. “Ao contrário, a economia do Brasil está indo muito bem. Existe uma situação, por conta deste ambiente político que o país vive, talvez uma certa insegurança do empresariado”, disse.

“Estamos com uma CPI em andamento e com um processo de julgamento [do mensalão] em andamento. Evidente que não é um ambiente de tranquilidade na política.”

O presidente estadual do partido ressalvou, no entanto, que a falta de contribuições “não tem paralisado” candidaturas petistas “em lugar nenhum”. “Vamos fazer campanha com aquilo que o partido conseguir arrecadar.”

O secretário de Finanças do PT, João Vaccari, também foi chamado para o encontro com Lula e confirmou as dificuldades de caixa. “A resposta das pessoas [doadores em potencial] é que elas estão pensando, avaliando”, disse.

O candidato do PT em São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que o problema também afetaria os concorrentes.

“A informação que eu tenho é que tem havido atraso no cronograma [de arrecadação]“, disse. “É meio geral, não é só PT. Todos os partidos, de certa maneira, estão sinalizando que está havendo uma dificuldade.”

De acordo com prestação parcial de contas entregue à Justiça Eleitoral, Haddad gastou R$ 11,2 milhões no primeiro mês de campanha. A arrecadação foi de R$ 2,3 milhões.

O tesoureiro Chico Macena disse, na ocasião, que a diferença era normal e que o partido conseguirá quitar as dívidas até a eleição.

O presidente do PT, Rui Falcão, disse acreditar que o julgamento do mensalão não terá impacto nas doações.

(BERNARDO MELLO FRANCO)

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – CPI e julgamento do mensalão travam arrecadação do PT – 21/08/2012.

Datafolha: Russomanno, com 31%, ultrapassa José Serra, com 27%

Pela primeira vez, Celso Russomanno (PRB) aparece numericamente à frente do tucano José Serra na disputa pela Prefeitura de São Paulo.

Pesquisa Datafolha realizada ontem mostra Russomanno com 31% das intenções de voto, 4 pontos a mais que Serra. Como a margem de erro da pesquisa é de 3 pontos para cima ou para baixo, eles continuam tecnicamente empatados.

Em relação ao levantamento anterior, de 19 e 20 de julho, Russomanno cresceu 5 pontos. No mesmo período, Serra caiu 3.

Esta é a última pesquisa de intenção de voto para prefeito de São Paulo antes do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, que começa hoje.

Na disputa pela terceira colocação há quatro candidatos tecnicamente empatados. O petista Fernando Haddad tem 8% das intenções de voto; Gabriel Chalita (PMDB) tem 6%; Soninha Francine (PPS), 5%; e Paulinho da Força (PDT), 4%.

As intenções de voto em Russomanno crescem constantemente desde o fim do ano passado.

Na pesquisa realizada entre os dias 7 e 9 de dezembro, ele tinha 16%, dois pontos abaixo de Serra. Marcou 17% em janeiro, subiu para 19% em março, passou para 21% no meio de junho, 24% no fim daquele mês e 26% em julho.

ESPONTÂNEA

Celso Russomanno também aparece na liderança da pesquisa espontânea, aquela que indica a consolidação das intenções de votos nos candidatos.

Quando o eleitor é convidado a responder em quem pretende votar sem a apresentação de um cartão com os nomes dos candidatos, Russomanno atinge 15%. Nessa simulação, Serra alcança 13%.

Serra e Russomanno também lideram em taxa de conhecimento. O primeiro é conhecido por 98% dos eleitores. O segundo, por 94%.

O Datafolha também investigou a rejeição dos candidatos. Só 12% dizem que não votariam em Russomanno de jeito nenhum.

Já a rejeição a Serra continua ascendente. Em junho, ele liderava por esse critério com 32%. Em julho, seu índice de rejeição subiu para 37%. Na pesquisa de ontem, oscilou mais um ponto para cima e chegou a 38%.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Datafolha aponta Russomanno com 31% e José Serra com 27% – 21/08/2012.

O Aerotrem, a maconha e o primeiro golpe baixo da campanha

Soninha Francine foi a primeira vítima de um golpe baixo nesta campanha recém-começada. Foi desferido justamente pelo candidato profissional Levy Fidélix, aquele do Aerotrem. Ao defender com clareza a descriminalização da maconha, foi criticada por supostamente fazer “apologia” do uso de drogas.

Não houve apologia coisa nenhuma. O que a candidata do PPS fez foi manifestar sua opinião de maneira coerente e corajosa, dentro dos limites do que o Supremo Tribunal Federal estabeleceu ao entender as marchas da maconha como um direito afeto à cidadania, circunscrito à liberdade de manifestação.

O Blog do Pannunzio defende a mesma posição. É preciso parar a hipocrisia segundo a qual usuários de drogas precisam ser tratados com cadeia. Se esta fosse a solução, o problema já teria sido sido resolvido em países como os Estados Unidos, cuja bilionária máquina repressiva não consegue impedir a venda e o consumo de drogas em qualquer esquina.

O fato é que o ambiente da campanha não favorece a sinceridade e a coerência quando temas-tabus são colocados na pauta de discussão e se transformam em fatos eleitorais. Candidatos costumam mudar até sua crença ou descrença em Deus, prometer o que não pretendem cumprir e a afirmar o que não pensam. Aí estão exemplos recentes: Fernando Henrique Cardoso, ateu de carteirinha, passou a dizer que acredita em Deus para se salvar da fogueira dos carolas. Dilma Rousseff decidiu condenar o aborto. E Lula, nunca é tarde lembrar, se elegeu sob a promessa de moralizar a política e acabar com a corrupção. Na política, o relativismo e a plasticidade são impressionantes. E isso desfavorece gente que tem as qualidade de Soninha Francine.

A exploração desse tema pela má-fé e pelo preconceito pode realmente criar embaraços para a candidata do PPS. O País ainda prefere acreditar na retórica dos falastrões a encarar suas próprias mazelas. Apesar disso, Soninha já cumpriu um papel fudamental: o de trazer para a luz a discussão do assunto.

Passou da hora de descriminalizar  o uso, a produção para o consumo individual e a comercialização da maconha. O que não é possível é ficar impassível diante da fogueira inquisitória que se pretende armar por quem, superando a espiral do silêncio, contribuiu com suas opiniões para um debate necessário.

 

Roteiro do STF tira Peluso do julgamento de Dirceu

O cronograma anunciado ontem por Joaquim Barbosa inviabiliza a participação do colega Cezar Peluso no julgamento do ex-ministro José Dirceu, acusado pelo Ministério Público de chefiar o esquema do mensalão

Barbosa listou ontem o roteiro que pretende seguir em seu voto, colocando nas etapas finais a análise das acusações contra o ex-ministro da Casa Civil.

Peluso se aposenta obrigatoriamente no dia 3, quando completa 70 anos.

Pela lógica de Barbosa, a apreciação de temas que envolvem a discussão sobre a origem dos recursos que abasteceram o mensalão deve vir antes do julgamento dos crimes que se seguiram na suposta cadeia criminosa.

Com isso, a acusação contra Dirceu será avaliada a partir da parte final do quarto bloco proposto por Barbosa. Ontem ele fechou o primeiro.

Para o relator, a divisão por blocos facilita a compreensão e a clareza. Ontem Barbosa reclamou da imprensa, que segundo ele teria ampliado as dimensões de suas desavenças com o revisor, Ricardo Lewandowski.

Sem apontar a quem se dirigia, Barbosa afirmou que “para alguns periódicos deste país, incomoda muito” a sua presença no tribunal.

Segundo ele, a discussão sobre o fatiamento da votação no STF envolveu o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, Lewandowski, Gilmar Mendes e Luiz Fux.

“Eu gostaria de corrigir bobagens que foram ditas na imprensa. Eu estava a três metros de distância [da discussão] e só participei para fazer um esclarecimento”.

Segundo integrantes do STF, porém, Barbosa e Lewandowski quase chegaram a se agredir no cafezinho do STF, na semana passada.

DEFESA

Advogados dos réus sofreram uma derrota ao não conseguiram reverter a votação “fatiada”. Em resposta a uma petição apresentada pela defesa, Ayres Britto considerou o tema superado.

Ele informou também que as penas serão calculadas após a apresentação dos votos de todos os ministros.

“Essa segmentação, essa cisão, em nada diminui o princípio da ampla defesa. Já fizemos isso em várias oportunidades”, disse.

Barbosa também rebateu a petição da defesa. “Parece falta de assunto”, afirmou.

Para a defesa, o modelo adotado pelos ministros põe em risco a constitucionalidade do julgamento.

A petição foi capitaneada pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, advogado de um dos réus, e referendada por 19 colegas.

O texto também cita a aposentadoria de Peluso dizendo que o fatiamento vai “amputar” o voto do ministro e provocará uma “verdadeira aberração” jurídica.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Roteiro do STF tira Peluso do julgamento de Dirceu – 21/08/2012.

O sujo e o mal-lavado

Eliane Cantanhêde

Nessa velocidade, o julgamento do mensalão vai atravessar agosto e trafegar em setembro lado a lado com a CPI do Cachoeira e a campanha municipal, que entra num novo ritmo hoje, com o início da propaganda na TV.

Os três tendem a se chocar em outubro, com a reta final do julgamento, a eleição no dia 7 e o relatório da CPI entre o primeiro e o segundo turnos. Não será necessariamente um desastre. Dos escombros, pode surgir um país melhor.

No STF, o relator Joaquim Barbosa já condenou o petista João Paulo Cunha, o ex-diretor do BB Henrique Pizzolato e o publicitário Marcos Valério. Mostrou a que veio.

Na CPI, o relator Odair Cunha (PT) vai apresentar o seu voto entre o primeiro e o segundo turno das eleições, que tende a ser entre o tucano José Serra e o petista Fernando Haddad, em São Paulo. E, se o mensalão expõe os podres do PT, da campanha e do governo Lula, o troco pode vir da CPI, mostrando que os do PSDB não são diferentes.

O principal alvo político da CPI e, portanto, do relatório de Cunha, é o governador tucano Marconi Perillo (GO). O petista Agnelo Queiroz (DF)? Nem se fala mais nisso. A Delta nacional? Fica para uma outra CPI, se houver.

No mínimo, requentar e jogar na roda eleitoral tudo o que se atribui a Perillo na CPI servirá para calar os candidatos do PSDB que ousem recorrer ao mensalão na campanha, fingindo que o mensalão tucano de Minas não existiu. Se não calar, pode maneirar o tom da oposição.

Com o julgamento do mensalão fragilizando o PT, e a CPI constrangendo o PSDB, a interrogação é como e se os dois, digamos, “acidentes de percurso” serão usados contra os adversários nos palanques e na TV. Os tucanos vão usar o julgamento contra os petistas? E os petistas vão usar a CPI contra os tucanos?

É improvável, mas não faltam sujos falando de mal-lavados.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – O sujo e o mal-lavado – 21/08/2012.

Dinheiro público abasteceu mensalão, conclui ministro

O relator do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, votou ontem pela condenação de um ex-diretor do Banco do Brasil e reforçou uma das principais teses da acusação, a de que dinheiro público desviado da instituição foi usado para abastecer o esquema do mensalão.

O relator disse que o dinheiro do BB, após passar pelas contas de uma agência do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, foi usado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares para fazer pagamentos a diversas pessoas, incluindo congressistas.

A tese do desvio de dinheiro público é importante para reforçar a acusação de lavagem de dinheiro (tentativa de ocultar a origem ilegal de recursos), que é feita contra 35 dos 37 réus.

Barbosa examinou ontem a conduta de Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do BB entre 2003 e 2004. O relator votou pela condenação por peculato (desvio de recursos públicos), corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo Barbosa, a maior parte do dinheiro veio ilegalmente do fundo Visanet, formado por recursos de diversos bancos para estimular o uso de cartões de crédito.

Em troca, disse Barbosa, Pizzolato recebeu em casa R$ 326 mil do esquema.

ANTECIPAÇÃO

Embora estivesse falando de Pizzolato, o relator indicou que irá votar pela condenação de ex-dirigentes do Banco Rural e de Delúbio.

A defesa diz que os recursos distribuídos pelo ex-tesoureiro do PT no mensalão têm origem em empréstimos bancários regulares. Mas Barbosa disse que os empréstimos representavam operações “simuladas” para ocultar desvio de recurso público.

Segundo o ministro, Valério e sócios recebiam o dinheiro da Visanet e “paralelamente auxiliaram o PT, assinando empréstimos no Rural e no BMG que conferiam aparência lícita aos repasses”, feitos por Delúbio.

Quando falava sobre a participação dos sócios de Valério, o ministro afirmou que “as provas demonstram que eles mantiveram reuniões com agentes públicos e pagaram vantagens indevidas a parlamentares”.

Barbosa votou pela condenação de Valério e dois sócios por corrupção ativa e peculato. No final, ele foi questionado pelo ministro Ricardo Lewandowski sobre quantas vezes Pizzolato teria cometido o crime de peculato.

O relator se confundiu, primeiro falou um, depois falou que eram dois.

A decisão final ainda será tomada pelo conjunto dos 11 ministros. Se as condenações ocorrerem, as penas serão definidas ao fim dos votos.

Barbosa votou pela absolvição do ex-ministro Luiz Gushiken, que era acusado de desvio de recurso do BB. Sua absolvição havia sido pedida pelo Ministério Público.

PÚBLICO E PRIVADO

A acusação em relação a Pizzolato diz que o ex-diretor transferiu ilegalmente para a empresa de Valério R$ 73 milhões do Visanet. O BB detinha o poder de manejo sobre 32% dos recursos do fundo.

Barbosa disse que mesmo que o dinheiro fosse privado nada mudaria. “Se o agente público, no caso, o diretor de marketing, desviou dinheiro ou valor de que tinha posse, está configurado o peculato, independentemente se o valor era público ou privado.”

Além disso, Pizzolato teria deixado de cobrar o equivalente a R$ 2,9 milhões das empresas de Valério pelos chamado “bônus de volume”, espécie de prêmio pago pelos veículos de comunicação.

O ministro citou depoimento de Pizzolato em que ele reconheceu ter se encontrado com Valério “de oito a dez vezes” durante a campanha de Lula em 2002. “Fica evidenciada a ligação.”

(FELIPE SELIGMAN, FLÁVIO FERREIRA, MARCIO FALCÃO, NÁDIA GUERLENDA E RUBENS VALENTE)

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Dinheiro público abasteceu mensalão, conclui ministro – 21/08/2012.

Morreu Vanessa Kalil

Vanessa Kalil, amiga de muitos anos e companheira de trabalho de três décadas, morreu no fim da tarde de ontem no Hospital AC Camargo, em São Paulo. Foi devastada por um câncer no fígado decorrente, segundo os médicos que a assistiram, de uma hepatite C contraída há muitos anos. Foi um processo devastador. Na foto acima ela está à esquerda, junto comigo e a Sonia Blota.

Vanessa não deixa filhos, mas deixa órfã uma legião de amigos que a admiravam, respeitavam e a amavam. Era uma pessoa de coração absoluto.

Talvez por isso a doença tenha progredido de maneira tão rápida e incontrolável. Depois de ocupar os principais postos de comando em telejornais das redes Globo, Bandeirantes e Rede TV, ela passou os últimos meses sem trabalho, o que certamente contribuiu para o agravamento de seu estado de saúde. A despeito de ser uma profissional reconhecidamente competente, leal, eficiente e experiente, teve dificuldade de recolocação no mercado depois que a troca da Band pela Rede TV se revelou um erro.

Nas redações por onde passou, Vanessa vai ser lembrada sempre com muito carinho por sua maneira gentil e acolhedora de  estar sempre à disposição de quem precisasse, em qualquer situação.

Os amigos e a família vão se despedir dela ao meio-dia. O corpo será cremado no Cemitério e Crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. Era  seu desejo manifesto que as cinzas fossem espargidas em Paris. Não faltam amigos dispostos a contribuir para que o desiderato se cumpra.

Creches são desafio para candidatos em SP

As principais propostas dos candidatos à Prefeitura de São Paulo para solucionar o problema da falta de vagas em creches apresentam falhas e sofrem críticas de especialistas em educação. Segundo a prefeitura, há 145 mil crianças na fila por uma vaga no município.

A maioria dos candidatos inclui em suas propostas o uso de convênios com a rede particular, instituições filantrópicas, faculdades e outras instituições até que sejam construídas novas unidades.

Soninha (PPS) propõe também criar a bolsa creche –dinheiro para as famílias pagarem escolas particulares.

Mas especialistas criticam o mecanismo. Gabriel Chalita (PMDB) chegou a ser vaiado em evento após fazer a proposta de convênios.

“Em geral, o serviço é de pior qualidade”, diz Romualdo Portela, da Faculdade de Educação da USP.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Creches são desafio para candidatos em SP – 20/08/2012.

Lula se reúne com cúpula do PT para discutir eleições

 

CATIA SEABRA

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta segunda-feira com o comando do PT para discutir sucessão municipal.

 

Na pauta da reunião, as cidades que Lula deve priorizar na campanha deste ano. O ex-presidente, por exemplo, já elegeu Belo Horizonte como prioridade.

Moacyr Lopes Junior – 4.jun.12/Folhapress

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ele visita a capital mineira, Belo Horizonte, além de Contagem e Betim no fim deste mês.

Em Belo Horizonte, o candidato petista, Patrus Ananias, teve a candidatura lançada pouco antes do fim do prazo para registro. O PT colocou o nome do ex-ministro na disputa após romper com o atual prefeito e candidato à reeleição, Márcio Lacerda (PSB).

A participação de Lula nas campanhas municipais, até agora, estava sendo reduzida por conta do tratamento contra um câncer na laringe. Exames, no entanto, apontaram a remissão total do tumor e médicos liberaram o ex-presidente para participar das campanhas.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Lula se reúne com cúpula do PT para discutir eleições – 20/08/2012.

Haddad relaciona alvarás sob suspeita para igrejas ao caso Aref

Bruno Lupion – O Estado de S. Paulo – Texto ampliado às 16h50

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira, 20, que a concessão de alvarás supostamente irregulares para permitir a construção e ampliação de templos religiosos revela a “falta de comando e transparência” da administração de Gilberto Kassab (PSD).

O petista relacionou o caso às denúncias contra o ex-diretor do Departamento de Aprovações (Aprov) da Prefeitura, Hussain Aref Saab, investigado por acumular mais de 116 imóveis nos sete anos em que chefiou o órgão.

“Nada é novidade nesse governo, a Prefeitura está sem comando”, afirmou Haddad, após debate com o Movimento Nacional dos Moradores de Rua, no centro da capital. “Veja o que aconteceu na secretaria de Habitação com o caso Aref, e o prefeito sequer substituiu o secretário depois de um dos maiores escândalos da cidade”, disse. Ele também criticou a “falta de transparência” nos processos de concessão de alvarás.

Reportagem do Estado desta segunda-feira, 20, mostra que Kassab busca para o candidato José Serra (PSDB) o apoio de líderes evangélicos beneficiados por atos de sua gestão, alguns dos quais sob a mira do Ministério Público (MP).

A Promotoria investiga um alvará concedido para a Igreja Mundial construir um templo em um terreno em Santo Amaro, na zona sul, que deveria ser cortado por uma rua pública. Também obteve decisão judicial para cancelar um alvará para a Igreja Renascer reconstruir um templo, concedido sem que o estudo de impacto no trânsito tenha sido apresentado.

Haddad propôs um programa de regularização para estabelecimentos comerciais e templos religiosos e disse que, se eleito, a Prefeitura oferecerá assistência jurídica gratuita a qualquer entidade que deseje regularizar sua atividade.

“A Prefeitura tem que ser ativa na busca de solução, não pode ficar passiva, deixando a burocracia e, muitas vezes, a corrupção tomar conta”, afirmou. Para o petista, “há muito comércio irregular que precisa de apoio, há muita igreja irregular que precisa de apoio”.

Beba na fonte: O Estado de S. Paulo | politica – Haddad relaciona alvarás sob suspeita para igrejas ao caso Aref.

Soninha estuda entrar com processo contra Fidelix

Flávia D’Angelo, de O Estado de S.Paulo

A candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo Soninha Francine rebateu, nesta sexta-feira, 17, as críticas feitas por Levy Fidelix (PRTB) e disse que pretende entrar na Justiça contra o candidato por injúria e difamação. Na série Entrevista Estadão, transmitida ao vivo pelo portal estadão.com.br, Fidelix criticou o fato de ser chamado poucas vezes a dar entrevistas e emendou “A maconheira pode, o Levy não pode”. Para Soninha, além de ser um deturpação de sua opinião, é “uma agressão completamente sem cabimento”.

Soninha conta que não usa mais maconha desde que assumiu o budismo como religião. “Mesmo sendo raro o uso, e sempre foi, eu reconheci que não era certo”. Para ela, que se classifica como um alvo fácil, além de ser um assunto de risco para os políticos, “a chance de sua opinião ser deturpada é grande haja vista o que o Levy fez”.

De acordo com ela, esse tipo de agressão é ruim para a discussão, para a sociedade e para a campanha eleitoral. “O tema em si é delicado e cercado de tabus. Muitas outras coisas são discutidas abertamente como pena de morte, por exemplo. Ninguém fica horrorizado quando alguém defende a pena de morte”, argumentou.

Soninha defende a legalização da maconha. Para ela, é preciso discutir o assunto do ponto de vista social, já que o atual modelo de comercialização pelo crime organizado gera violência e dá poder de corrupção a eles. “Entrei na política para defender o que eu acho que é melhor para a sociedade, eu não fujo”, afirmou.

Beba na fonte: Soninha estuda entrar com processo contra Fidelix | Eleições 2012 | Estadão.com.br.

Paulinho da Força fala em descentralização para SP e diz que Haddad copiou suas propostas

Cristiane Salgado Nunes – O Estado de S. Paulo

O candidato do PDT à Prefeitura de São Paulo, Paulinho da Força, em entrevista ao ‘Estado’, nesta segunda-feira, 20, apresentou seu programa de governo de descentralização administrativa para a cidade e de emprego na periferia, e disse que Fernando Haddad (PT) copiou suas propostas.

Daniel Teixeira/AE

Paulinho da Força (PDT) participa da série de entrevistas com candidatos à Prefeitura de São Paulo.
Paulinho propôs, caso seja eleito, acabar com a centralização da gestão do prefeito Gilberto Kassab, implantando eleições diretas para as subprefeituras da capital paulista.

“A atual gestão centralizou a administração e uma pessoa só não consegue administrar uma cidade maior do que Portugal”, afirmou.

O candidatou disse que vai levar cerca de 2 milhões de emprego à periferia,  promovendo incentivos fiscais às empresas. Paulinho criticou a concentração atual de escritórios na região central de São Paulo: “Por que as empresas de telemarketing estão no centro de São Paulo? Não há necessidade. O trabalhador viaja 3 horas para atender telefone”.

Na educação, Paulinho falou que vai acabar com a progressão continuada nas escolas e que pretende incentivar a prática de esportes a crianças. “Quem sabe a gente não melhore um pouco na Olimpíada?”, comentou.

Paulinho também prometeu acabar com “a indústria da multa em São Paulo”.

O candidato do PDT criticou a atuação da presidente Dilma Rousseff nas negociações com os servidores federais. “Tem uma série de obrigações que a Dilma assumiu, mas não cumpriu. A presidente Dilma leva muito em consideração os números e não vê o outro lado, o social”. Paulinho afirmou que a presidente combate a crise com arrocho salarial, postura diferente adotada por Lula durante seu governo.

Paulinho disse que se considera um candidato ficha limpa, apesar das condenações em primeira instância de processos de improbidade admnistrativa e de uso do dinheiro público do Banco da Terra.

Paulinho declarou que respondeu a esses processos por ter sido presidente da Força Sindical: “São processos antigos. Depois desses processos, a Força Sindical rompeu o convênio com o governo, porque estávamos ajudando o governo e, por isso, acabamos tendo uma série de processos”.

Próximo entrevistado. Na terça-feira, 21, às 14h, a candidata do PSTU, Ana Luiza, apresentará suas propostas e responderá às perguntas dos internautas.

Paulinho da Força foi o terceiro entrevistado da série “Entrevistas Estadão” com os candidatos à Prefeitura de São Paulo. Carlos Giannazi (PSOL) e Levy Fidelix (PRTB) foram os outros postulantes já entrevistados na semana anterior.

Beba na fonte: O Estado de S. Paulo | politica – Paulinho da Força fala em descentralização para SP e diz que Haddad copiou suas propostas.

Brasil deve gerar até 1,5 mi de empregos em 2012, dizem especialistas

Gustavo Porto, da Agência Estado

A alta na demanda do setor de serviços, com reflexo no crescimento do consumo de bens industriais, deve fazer com que o País gere 1,5 milhão de empregos em 2012, na avaliação de especialistas que participaram nesta segunda-feira, 20, do seminário “Competitividade – o Calcanhar de Aquiles do Brasil”, realizado pela da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (FecomercioSP). A expectativa é reforçada pelos dados de julho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, que apontaram uma criação de 142,5 mil empregos no mês passado – acima das projeções mais otimistas.

Para o presidente do Conselho de Emprego e Relações do Trabalho da FecomercioSP, José Pastore, “a massa salarial vigorosa e os reajustes nos salários” tem impacto no setor de serviços e, consequentemente, provocam um reflexo na produção industrial. “Isso deve garantir um bom quadro no emprego até o final do ano”, disse. “Mas, no momento, o que nos preocupa é a redução na capacidade de investimento da indústria, que pode trazer problemas para 2013″, completou.

Para o ex-ministro do Trabalho e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Walter Barelli, ainda não é possível avaliar o nível de impacto na geração de emprego industrial das medidas pontuais de redução do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) nos setores automotivo e de linha branca, previstas para acabar no dia 31. “É certo que isso gerou consumo, mas para saber se as medidas puxaram as vendas de estoques ou geraram produção, isso só quando elas acabarem”, disse Barelli.

Segundo o ex-ministro, a curva de emprego cresce naturalmente no segundo semestre, “principalmente porque no primeiro semestre há um ingresso grande de recém-formados no mercado de trabalho e o aumento nas demissões após o final do ano”.

Já na avaliação de Clemente Ganz Lucio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), a criação de até 1,5 milhão de empregos em 2012 seria um resultado muito bom, diante do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil entre 1,5% e 2%. “Mesmo com um crescimento menor, a indústria segura o emprego para atender a demanda”, disse.

Para o representante do Dieese, “não dá para imaginar, no entanto, que o crescimento de empregos na indústria será contínuo”. O desafio, na avaliação de Lucio, é crescer em produtividade, uma das respostas à falta de investimentos do setor apontado por Pastore. “Os ganhos de produtividade trazem aumentos nos salários, maior oferta, maior consumo e criam um círculo virtuoso”, concluiu.

Já segundo Mário Bernardini, membro do Conselho Superior de Economia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a queda no ingresso da pessoas que entram no mercado de trabalho anualmente para a metade do nível do que era há dez anos é suficiente para não piorar o desemprego. “O Brasil, do ponto de vista do emprego, não precisa crescer mais que 2,5% ao ano”, disse.

Beba na fonte: Brasil deve gerar até 1,5 mi de empregos em 2012, dizem especialistas – economia – - Estadão.

Na gestão de Ayres Britto, Supremo já ‘fatiou’ julgamento

Ricardo Brito, da Agência Estado

BRASÍLIA – A decisão dos advogados dos réus do mensalão de questionar na sessão desta segunda-feira, 20, o julgamento  fatiado do processo deve esbarrar em um precedente da atual gestão do Supremo Tribunal Federal (STF), comandada pelo ministro Carlos Ayres Britto. Em maio, o STF apreciou, por partes, uma ação movida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que pedia a derrubada de uma lei alagoana. A norma criou naquele estado uma vara criminal composta por cinco juízes para julgar processos contra membros do crime organizado.

Capitaneados pelo ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, 20 criminalistas questionam nesta segunda no Supremo o fatiamento do caso, considerado por eles uma “aberração” que configuraria “julgamento de exceção”. Na mais pesada ofensiva de bacharéis de Direito contra o colegiado, os advogados afirmam que a fórmula adotada pelo relator, Joaquim Barbosa, “afronta o postulado do devido processo legal, bem como os dispositivos do Regimento Interno do STF”.

No caso alagoano, o Supremo analisou ao longo de três dias os dispositivos da lei que criou a vara responsável para julgar o crime organizado. A cada dia o colegiado apreciou e julgou separadamente uma parte da norma. Nos bastidores, se depender de Britto, a ofensiva para derrubar o fatiamento será rejeitada.

Os ministros devem retomar o julgamento sem saber o que será votado pela Corte. Apesar de parecer um absurdo, integrantes da Corte e assessores confidenciaram ontem não saber se nesta tarde o relator continuará a votar o processo ou se será a vez de o revisor, Ricardo Lewandowski, posicionar-se sobre a acusação do Ministério Público Federal contra o deputado federal e candidato a prefeito de Osasco João Paulo Cunha (PT-SP).

Depois de ter defendido na quinta-feira, 16, a condenação do petista por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro, Barbosa poderá apresentar agora a parte de seu voto sobre as acusações que pesam contra o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato. Ele é suspeito de participar de supostas irregularidades em contratos da instituição com a DNA Propaganda e de desvio envolvendo verbas de publicidade do BB oriundas do Fundo de Incentivo Visanet.

Beba na fonte: Na gestão de Ayres Britto, Supremo já ‘fatiou’ julgamento – politica – politica – Estadão.

Relator aponta peculato em contrato do BB com DNA

Eduardo Bresciani, de O Estado de S. Paulo

O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, afirmou nesta segunda-feira, 30, a existência de peculato na execução de um contrato do Banco do Brasil com a empresa DNA Propaganda, de propriedade de Marcos Valério. Para Barbosa, o crime foi cometido porque a agência apropriou-se de recursos de bônus de volume que deveriam ter sido devolvidos ao banco. Além de Valério, seus ex-sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, e o ex-diretor de marketing do BB Henrique Pizzolato foram denunciados por peculato relativo a esse contrato.

Barbosa destacou que o contrato da agência com o banco previa a devolução de bonificações especiais ao BB. Rebateu o argumento da defesa de que o bônus de volume pertencia à agência por um total de contratos. Observou que as notas fiscais de cobrança da bonificação destacavam que os serviços eram relativos a serviços prestados ao banco. Enfatizou ainda que dos R$ 2,9 milhões que teriam sido recebidos por bônus de volume, pouco mais de R$ 400 mil eram relativos a campanhas de mídia.

“Houve, irrecusavelmente, no meu sentir, crime de peculato nessa apropriação. Os bônus de volume estão relacionados a serviços contratados para o BB”, afirmou o relator. “No Brasil, o que é público não se transmuta em privado pela mera detenção transitória e precária por parte do particular. Se a verba pública é para fornecimento de serviço e no final o fornecedor resolve cobrar menos, os recursos devem ser ressarcidos aos cofres públicos”, concluiu.

Ele destacou ainda que em seu depoimento o próprio Pizzolato admitiu que as negociações eram feitas diretamente entre o BB e os prestadores de serviço, cabendo à DNA fazer apenas os pagamentos. Em dezembro de 2005, ainda, o BB confirmou que os bônus de volume teriam de ser devolvidos.

Barbosa rebateu também decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), em fase de recurso, que considerou legal o contrato com base em uma lei de 2010. O relator destacou que a lei trata apenas de veiculação de mídia e que, mesmo aplicando-se isso, restariam R$ 2,5 milhões a serem desenvolvidos por outros serviços. Ele citou como exemplo o negócio para aquisição de conjuntos para escritórios, em que a DNA ficou com R$ 102 mil a título de bônus de volume.

O relator enfatizou ainda que outra agência dos mesmos sócios, a SMP&B, devolveu à Câmara bônus de volume por veiculação. “Não faz sentido uma das empresas do grupo devolver e em outro contrato não devolver. Está devidamente comprovado que a DNA se apropriou recursos do BB”.

Beba na fonte: Relator aponta peculato em contrato do BB com DNA – politica – politica – Estadão.

Pizzolato permitiu desvio de R$ 2,9 mi, diz relator

Ricardo Brito, da Agência Estado

O ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, afirmou nesta segunda-feira, 20, que o ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato “permitiu” que agência de publicidade de Marcos Valério, a DNA Propaganda, desviasse R$ 2,9 milhões ao longo de dois anos a título de bônus de volume. Segundo ele, Pizzolato omitiu-se “dolosamente” ao não cumprir sua função de fiscalizar o contrato de publicidade da DNA com o BB.

Barbosa disse que Pizzolato era o “único responsável” pelo contrato. Ele assinou, de acordo com o relator, o acerto inicial e a prorrogação dele. Barbosa afirmou que, dessa forma, ele tinha “sob seus cuidados” a soma de R$ 200 milhões.Com base em depoimentos de testemunhas, o relator disse que Valério se reuniu de oito a dez vezes com Pizzolato durante a execução do contrato. Para ele, o fato evidencia que o então diretor de Marketing do banco tinha “relação direta” com o publicitário. Os dois chegaram a se reunir, de acordo com uma das testemunhas, em Minas Gerais, Estado onde ficam localizadas as empresas de Valério.Para Barbosa, a omissão do ex-diretor de Marketing configura crime de peculato.

Pizzolato tentou, sem sucesso na opinião do relator, transferir a responsabilidade pelo contrato a superiores hierárquicos, como o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social Luiz Gushiken. Barbosa, contudo, rechaçou essa linha de defesa.”Em suma, a apropriação de recursos públicos pela DNA Propaganda … foi perpetrada por omissão do então diretor de Marketing, Henrique Pizzolato”, afirmou. O relator afirmou que auditorias do próprio banco e da Controladoria-Geral da União demonstraram que os serviços do contrato nem sequer eram comprovados. “Não se sabiam se as campanhas eram efetivamente realizadas”, exemplificou. “Fica evidenciada a conivência do supervisor do contrato”, completou.

Biógrafo de Dirceu diz que todos usam caixa dois

O jornalista Fernando Morais, que escreve a biografia do ex-ministro José Dirceu, disse que o petista, réu no mensalão, deveria fazer sua própria defesa no STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo o escritor, o julgamento é político, e não jurídico.

“Dirceu, que é o personagem mais importante [entre os 38 réus do processo], não está sendo julgado pelo mensalão, mas pelo que ele foi ao longo da vida. O que está sendo julgado aí é o PT, é o governo Lula”, disse o escritor à Folha, anteontem.

Morais concorda com a tese de alguns dos advogados, como o do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, de que o que ocorreu foi um esquema de caixa dois para pagar dívidas da campanha, e não compra de apoio político.

“Até os paralelepípedos da Barra Funda sabem que todas as campanhas políticas do Brasil são feitas com caixa dois”, disse Morais, que já foi deputado estadual pelo PMDB nos anos 1980.

O escritor admite já ter cometido o crime eleitoral. “Você ia buscar dinheiro nos grandes comitês, dinheiro que era dado para os candidatos em sacos de dinheiro, pacotes, envelopes”, relata.

“É um crime eleitoral, não é penal. O que querem provar, não sei se vão conseguir, é que se usou dinheiro público. Acredito que não houve.”

Morais afirma não ter qualquer motivo de natureza “pessoal, ideológica ou política” para defender os réus. Em 2005, ele testemunhou em defesa de Dirceu no Conselho de Ética da Câmara.

Autor dos livros “Chatô” e “Olga”, Morais produz hoje as biografias de Dirceu, do senador Antonio Carlos Magalhães (morto em 2007) e do ex-presidente Lula –projeto que foi interrompido por conta do tratamento contra o câncer, mas que já foi retomado.

“O [livro] do Dirceu parou. Fui a Cuba com ele, visitar lugares onde ele foi treinado. Mas aí veio a cassação, veio o mensalão, o processo. E não tinha muito sentido tocar um projeto com o cara preocupado com a defesa dele.”

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Biógrafo de Dirceu diz que todos usam caixa dois – 16/08/2012.

Relator do mensalão vê crimes de João Paulo, Valério e sócios

Relator do processo do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa disse nesta quinta-feira (16) que “estão caracterizados” os crimes de corrupção passiva do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) e de corrupção ativa do publicitário Marcos Valério e de seus ex-sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerbarch.

Barbosa começou seu voto discorrendo sobre as acusações de desvios de dinheiro da Câmara dos Deputados, pela SMP&B, agencia de Valério.

 

“Ao meu ver, estão caracterizados os crimes de corrupção ativa a Valério, Paz e Hollerbach e corrupção passiva atribuída a João Paulo Cunha”, disse Barbosa, que ainda não concluiu seu voto.

Alan Marques/Folhapress

Ministro Joaquim Barbosa iniciou seu voto sobre o processo do mensalão por acusações contra João Paulo Cunha
Cunha é denunciado por corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. Valério, Hollerbach e Paz respondem por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Na avaliação de Barbosa, Cunha atuou para favorecer Valério na época em que era presidente da Câmara e abrindo uma licitação desnecessária para a contratação de uma empresa de publicidade.

O relator questionou as versões apresentadas por Cunha para ter recebido R$ 50 mil do valerioduto. Ele lembrou que, inicialmente, o deputado disse ao Conselho de Ética da Câmara que sua mulher e sua secretária foram ao Banco Rural para resolver pendências de uma cobrança de TV por assinatura e só depois apresentou a versão de que o recurso teria sido do PT para pesquisa de marketing.

“Não havia dúvidas que o dinheiro não era do PT nem de Delúbio Soares, mas que vinham das agências de Valério. As provas conduzem ao entendimento que o réu sabia da origem dos R$ 50 mil e aceitou a vantagem indevida”, disse o relator.

Barbosa disse que o depoimento do petista deixou claro uma contradição sobre encontros com Valério. Primeiro, ele negou reuniões fora da Câmara ou da sede do PT e no final admitiu que houve reunião em São Paulo, em um hotel.

Outra associação citada pelo relator foi o fato de no mesmo dia em que Cunha e Valério se reunirem, o petista enviou a esposa ao Banco Rural para receber o dinheiro. No dia seguinte, a Câmara assinou edital de licitação que foi vencido pela empresa de Valério.

O relator citou depoimento em que Valério admitiu que cortejava pessoas graduadas do PT no partido para conseguir contratos com o governo federal. Para o relator, Cunha abriu a licitação só para atender Valério e ainda participou ativamente das subcontratações feitas pela SMP&B na Câmara.

Segundo a acusação da Procuradoria-Geral da República, João Paulo favoreceu a SMPB, agência de Valério, em um contrato de publicidade no valor de cerca de R$ 1 milhão, mas os serviços não foram prestados pela agência, que teria terceirizado 99% da execução dos trabalhos.

Barbosa afirmou que o petista atendeu às vontades de Marcos Valério e por isso decidiu contratar “uma nova agência de publicidade para a Câmara”. “A decisão de abrir uma nova licitação foi exclusivamente de João Paulo Cunha”.

No STF, a defesa do petista negou que ele, quando era presidente da Câmara dos Deputados, tenha recebido suborno para favorecer a agência do empresário Marcos Valério em contratos com a Casa.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Poder – Relator do mensalão vê crimes de João Paulo, Valério e sócios – 16/08/2012.

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