A diplomacia genuflexa, os corintianos de Oruro e a fuga do Senador Roger Pinto

O governo brasileiro, por subserviência ideológica ao presidente da Bolívia, Evo Morales, tentou como pode atrapalhar  o trabalho dos advogados que atuaram em favor da libertação dos 12 corintianos presos em Oruro. É o que se denuncia a advogada Maristela Basso, que durante cinco meses e meio tentou tirar da cadeia os torcedores brasileiros.

Para você entender quem está falando, reproduzo aqui uma síntese do curriculum dela: “Maristela Basso é Advogada, Doutora em Direito Internacional (Ph.D) e Livre-Docente (Pós-Doutora-Post-Ph.D) em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo”.

De acordo com a advogada, o diplomata Eduardo Saboia demonstrou ser um funcionário público disciplinado ao longo do período que durou o trabalho. Foi ele quem, na semana passada, tomou a iniciativa de empreender fuga com o senador boliviano Roger Pinto Molina.

Acostumada a causas que envolvem interesses de pessoas que sofrem perseguição, Maristela Basso diz que a atitude de Saboia não justifica sequer uma investigação, quanto mais suas demissão ou qualquer outro tipo de punição. Segundo ela, casos análogos acontecem todos os dias ao redor do mundo e não deveriam causar estranheza.

Assista acima a íntegra entrevista concedida pela advogada ao Blog do Pannunzio. Basta clicar na imagem aí em cima.

Dando nome à matilha

Aproveito o trabalho auspicioso do meu amigo Fernando Rodrigues para divulgar os nomes dos deputados que se esconderam ontem, no planário da Câmara Federal, para que o ladrão Natan Donadon preservasse o mandato parlamentar.

Esses caras são o lixo do parlamento. Lembre deles na próxima eleição. Quem protege bandido, bandido é!

** Há uma lista de exceções.  Romário  está internado para um procedimento cirúrgico na coluna, o que justifica sua ausência. Sérgio Guerra estava em são Paulo em função de seu tratamento. E Marcus Pestana perdeu um cunhado em acidente de trânsito e estava no enterro. Nomes de outros parlamentares que tenham justificativas plausíveis serão adicionados a essa relação de exceções.

Diga-me com quem andas, como votas, e eu te direi quem tu és.

Para consultar a relação na fonte, clique aqui e vá ao Blog do Fernando Rodrigues

Abelardo Camarinha (PSB-SP) – (61) 3215-5609 –dep.abelardocamarinha@camara.leg.br

Abelardo Lupion (DEM-PR) – (61) 3215-5515 – dep.abelardolupion@camara.leg.br

Afonso Hamm (PP-RS) – (61) 3215-5604 – dep.afonsohamm@camara.leg.br

Alceu Moreira (PMDB-RS) – (61) 3215-5445 – dep.alceumoreira@camara.leg.br

Alexandre Roso (PSB-RS) – (61) 3215-5742 – dep.alexandreroso@camara.leg.br

Alice Portugal (PCdoB-BA) – (61) 3215-5420 – dep.aliceportugal@camara.leg.br

Almeida Lima (PPS-SE) – (61) 3215-5726 – dep.almeidalima@camara.leg.br

André Zacharow (PMDB-PR) – (61) 3215-5238 –dep.andrezacharow@camara.leg.br

Angelo Vanhoni (PT-PR) – (61) 3215-5672 – dep.angelovanhoni@camara.leg.br

Anselmo de Jesus (PT-RO) – (61) 3215-5948 – dep.anselmodejesus@camara.leg.br

Antonio Balhmann (PSB-CE) – (61) 3215-5522 –dep.antoniobalhmann@camara.leg.br

Arnaldo Jardim (PPS-SP) – (61) 3215-5245 – dep.arnaldojardim@camara.leg.br

Arthur Oliveira Maia (PMDB-BA) – (61) 3215-5537 –dep.arthuroliveiramaia@camara.leg.br

Artur Bruno (PT-CE) – (61) 3215-5467 – dep.arturbruno@camara.leg.br

Asdrubal Bentes (PMDB-PA) – (61) 3215-5410 –dep.asdrubalbentes@camara.leg.br

Bernardo Santana De Vasconcellos (PR-MG) – (61) 3215-5854 –dep.bernardosantanadevasconcellos@camara.leg.br

Betinho Rosado (DEM-RN) – (61) 3215-5840 – dep.betinhorosado@camara.leg.br

Beto Albuquerque (PSB-RS) – (61) 3215-5338 –dep.betoalbuquerque@camara.leg.br

Beto Faro (PT-PA) – (61) 3215-5723 – dep.betofaro@camara.leg.br

Beto Mansur (PP-SP) – (61) 3215-5616 – dep.betomansur@camara.leg.br

Biffi (PT-MS) – (61) 3215-5260 – dep.biffi@camara.leg.br

Bohn Gass (PT-RS) – (61) 32155269 – dep.bohngass@camara.leg.br

Carlos Bezerra (PMDB-MT) – (61) 3215-5815 – dep.carlosbezerra@camara.leg.br

Carlos Magno (PP-RO) – (61) 3215-5213 – dep.carlosmagno@camara.leg.br

Carlos Roberto (PSDB-SP) – (61) 3215-5568 – dep.carlosroberto@camara.leg.br

Claudio Cajado (DEM-BA) – (61) 3215-5630 – dep.claudiocajado@camara.leg.br

Darcísio Perondi (PMDB-RS) – (61) 3215-5518 –dep.darcisioperondi@camara.leg.br

Dr. Luiz Fernando (PSD-AM) – (61) 3215-5520 – dep.dr.luizfernando@camara.leg.br

Edson Pimenta (PSD-BA) – (61) 3215-5403 – dep.edsonpimenta@camara.leg.br

Eduardo Sciarra (PSD-PR) – (61) 3215-5433 – dep.eduardosciarra@camara.leg.br

Eli Correa Filho (DEM-SP) – (61) 3215-5519 – dep.elicorreafilho@camara.leg.br

Eliene Lima (PSD-MT) – (61) 3215-5837 – dep.elienelima@camara.leg.br

Eliseu Padilha (PMDB-RS) – (61) 3215-5222 – dep.eliseupadilha@camara.leg.br

Enio Bacci (PDT-RS) – (61) 3215-5930 – dep.eniobacci@camara.leg.br

Eurico Júnior (PV-RJ) – (61) 3215-5375 – dep.euricojunior@camara.leg.br

Fernando Torres (PSD-BA) – (61) 3215-5462 – dep.fernandotorres@camara.leg.br

Gabriel Chalita (PMDB-SP) – (61) 3215-5817 – dep.gabrielchalita@camara.leg.br

Genecias Noronha (PMDB-CE) – (61) 3215-5244 –dep.geneciasnoronha@camara.leg.br

Giovani Cherini (PDT-RS) – (61) 32155468 – dep.giovanicherini@camara.leg.br

Giovanni Queiroz (PDT-PA) – (61) 3215-5618 – dep.giovanniqueiroz@camara.leg.br

Guilherme Mussi (PP-SP) – (61) 3215-5712 – dep.guilhermemussi@camara.leg.br

Heuler Cruvinel (PSD-GO) – (61) 3215-5275 – dep.heulercruvinel@camara.leg.br

Homero Pereira (PSD-MT) – (61) 3215-5960 – dep.homeropereira@camara.leg.br

Inocêncio Oliveira (PR-PE) – (61) 32155963 – dep.inocenciooliveira@camara.leg.br

Iriny Lopes (PT-ES) – (61) 3215-5469 – dep.irinylopes@camara.leg.br

Jandira Feghali (PCdoB-RJ) – (61) 3215-5622 – dep.jandirafeghali@camara.leg.br

Jaqueline Roriz (PMN-DF) – (61) 3215-5408 – dep.jaquelineroriz@camara.leg.br

João Lyra (PSD-AL) – (61) 3215-5720 – dep.joaolyra@camara.leg.br

João Paulo Cunha (PT-SP) – (61) 3215-5965 – dep.joaopaulocunha@camara.leg.br

Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP) – (61) 3215-5538 –dep.jorgetadeumudalen@camara.leg.br

José Carlos Araújo (PSD-BA) – (61) 3215-5246 –dep.josecarlosaraujo@camara.leg.br

José Genoíno (PT-SP) – (61) 3215-5967 – dep.josegenoino@camara.leg.br

José Linhares (PP-CE) – (61) 3215-5860 – dep.joselinhares@camara.leg.br

José Otávio Germano (PP-RS) – (61) 3215-5424 –dep.joseotaviogermano@camara.leg.br

José Priante (PMDB-PA) – (61) 3215-5752 – dep.josepriante@camara.leg.br

Josias Gomes (PT-BA) – (61) 3215-5642 – dep.josiasgomes@camara.leg.br

Jovair Arantes (PTB-GO) – (61) 3215-5504 – dep.jovairarantes@camara.leg.br

Júnior Coimbra (PMDB-TO) – (61) 3215-5274 – dep.juniorcoimbra@camara.leg.br

Laercio Oliveira (PR-SE) – (61) 3215-5629 – dep.laerciooliveira@camara.leg.br

Leonardo Quintão (PMDB-MG) – (61) 3215-5914 –dep.leonardoquintao@camara.leg.br

Lira Maia (DEM-PA) – (61) 3215-5516 – dep.liramaia@camara.leg.br

Luiz Alberto (PT-BA) – (61) 3215-5954 – dep.luizalberto@camara.leg.br

Luiz Fernando Faria (PP-MG) – (61) 3215-5339 –dep.luizfernandofaria@camara.leg.br

Manoel Salviano (PSD-CE) – (61) 3215-5506 – dep.manoelsalviano@camara.leg.br

Manuel Rosa Neca (PR-RJ) – (61) 3215-5341 –dep.manuelrosaneca@camara.leg.br

Marco Tebaldi (PSDB-SC) – (61) 3215-5483 – dep.marcotebaldi@camara.leg.br

Marcon (PT-RS) – (61) 3215-5569 – dep.marcon@camara.leg.br

Marcos Montes (PSD-MG) – (61) 3215-5334 – dep.marcosmontes@camara.leg.br

Marcus Pestana (**) (PSDB-MG) – (61) 3215-5715 – dep.marcuspestana@camara.leg.br

Marina Santanna (PT-GO) – (61) 3215-5279 – dep.marinasantanna@camara.leg.br

Mário Feitoza (PMDB-CE) – (61) 3215-5371 – dep.mariofeitoza@camara.leg.br

Miguel Corrêa (PT-MG) – (61) 3215-5627 – dep.miguelcorrea@camara.leg.br

Nelson Padovani (PSC-PR) – (61) 3215-5513 – dep.nelsonpadovani@camara.leg.br

Newton Cardoso (PMDB-MG) – (61) 3215-5932 –dep.newtoncardoso@camara.leg.br

Odair Cunha (PT-MG) – (61) 3215-5556 – dep.odaircunha@camara.leg.br

Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) – (61) 3215-5254 –dep.pastormarcofeliciano@camara.leg.br

Paulo Foletto (PSB-ES) – (61) 3215-5839 – dep.paulofoletto@camara.leg.br

Paulo Maluf (PP-SP) – (61) 3215-5512 – dep.paulomaluf@camara.leg.br

Pedro Eugênio (PT-PE) – (61) 3215-5902 – dep.pedroeugenio@camara.leg.br

Pedro Henry (PP-MT) – (61) 3215-5829 – dep.pedrohenry@camara.leg.br

Pedro Uczai (PT-SC) – (61) 3215-5229 – dep.pedrouczai@camara.leg.br

Pinto Itamaraty (PSDB-MA) – (61) 3215-5933 – dep.pintoitamaraty@camara.leg.br

Renan Filho (PMDB-AL) – (61) 3215-5907 – dep.renanfilho@camara.leg.br

Renato Molling (PP-RS) – (61) 3215-5337 – dep.renatomolling@camara.leg.br

Renzo Braz (PP-MG) – (61) 3215-5373 – dep.renzobraz@camara.leg.br

Rogério Carvalho (PT-SE) – (61) 3215-5641 – dep.rogeriocarvalho@camara.leg.br

Romário (sem partido-RJ) ** – (61) 3215-5411 – dep.romario@camara.leg.br

Ronaldo Zulke (PT-RS) – (61) 3215-5858 – dep.ronaldozulke@camara.leg.br

Rosinha da Adefal (PTdoB-AL) – (61) 3215-5230 –dep.rosinhadaadefal@camara.leg.br

Sabino Castelo Branco (PTB-AM) – (61) 3215-5911 –dep.sabinocastelobranco@camara.leg.br

Sandra Rosado (PSB-RN) – (61) 3215-5650 – dep.sandrarosado@camara.leg.br

Sérgio Brito (PSD-BA) – (61) 3215-5638 – dep.sergiobrito@camara.leg.br

Sergio Guerra (**) (PSDB-PE) – (61) 3215-5754 – dep.sergioguerra@camara.leg.br

Toninho Pinheiro (PP-MG) – (61) 3215-5584 – dep.toninhopinheiro@camara.leg.br

Valdemar Costa Neto (PR-SP) – (61) 3215-5542 –dep.valdemarcostaneto@camara.leg.br

Vanderlei Macris (PSDB-SP) – (61) 3215-5348 –dep.vanderleimacris@camara.leg.br

Vicente Arruda (PR-CE) – (61) 3215-5603 – dep.vicentearruda@camara.leg.br

Vicentinho (PT-SP) – (61) 3215-5740 – dep.vicentinho@camara.leg.br

Vilalba (PRB-PE) – (61) 3215-5915 – dep.vilalba@camara.leg.br

Vilson Covatti (PP-RS) – (61) 3215-5228 – dep.vilsoncovatti@camara.leg.br

Waldir Maranhão (PP-MA) – (61) 3215-5541 – dep.waldirmaranhao@camara.leg.br

Weliton Prado (PT-MG) – (61) 3215-5862 – dep.welitonprado@camara.leg.br

Zé Vieira (PR-MA) – (61) 3215-5405 – dep.zevieira@camara.leg.br

Zoinho (PR-RJ) – (61) 3215-5619 – dep.zoinho@camara.leg.br

 

Quem deveria sentar no banco dos réus, por Ricardo Noblat

Ricardo Noblat, no Blog do Noblat

Finalmente apareceu alguém sem medo de confrontar a presidente da República – o diplomata Eduardo Saboia, cérebro da operação que resultou na retirada da Bolívia do senador Roger Pinto Molina, refugiado em nossa embaixada de La Paz há mais de 450 dias.

O Brasil acatara o pedido de asilo político dele, que denunciara autoridades do seu país por envolvimento com narcotráfico. A Bolívia negara o salvo-conduto para que Roger deixasse o país em segurança sob a acusação de que é corrupto.

Saboia disse que Roger não podia receber visitas. Nem circular dentro do prédio da embaixada. Nem se comunicar com a família. Nem tomar banho de sol. Uma autoridade do governo boliviano comentou certa vez que ele ficaria ali até morrer.

 

Eduardo Saboia

 

– Você imagina ir todo dia para o seu trabalho e ter uma pessoa trancada num quartinho do lado, que não sai? Aí vem o advogado e diz que você será responsável se ele se matar. Eu me sentia como se fosse o carcereiro dele, como se eu estivesse no DOI-Codi.

Presidente da República não bate-boca com funcionário de escalão inferior. Dilma bateu ao dizer ter provado da desumanidade dos DOI-CODIs. E que a distância que os separava das condições de vida na embaixada de La Paz equivalia à distância entre céu e inferno.

O dia sequer terminara e Saboia já replicava Dilma. “Eu que estava lá, eu que posso dizer. O carcereiro era eu. Ninguém mais viu aquela situação”, respondeu. Desautorizou a presidente, portanto. E sugeriu que ela nada poderia falar a respeito porque simplesmente não estava lá.

Nenhum ministro, senador, deputado ou presidente de um dos poderes da República foi tão longe em relação a Dilma quanto Saboia, um mero encarregado de negócios que respondia por uma embaixada de segunda classe na ausência do embaixador.

Mas, de duas, uma. Dilma e o bando de assessores que a cercam não prestaram atenção no que afirmou Saboia. Ou prestaram, mas a presidente quis bancar a esperta e mudar o foco da discussão sobre o traslado do senador. Até este momento, a discussão é favorável a Saboia.

Recapitulemos. Disse Saboia: “Eu me sentia como se fosse o carcereiro dele, como se eu estivesse no DOI-Codi”. Era Saboia, bancando o carcereiro, quem se sentia como se estivesse no DOI-CODI. Não disse que o senador enfrentava condições semelhantes às dos DOI-CODIs.

As palavras ditas por Dilma: “Eu estive no DOI-Codi, eu sei o que é o DOI-Codi. E asseguro a vocês que é tão distante o DOI-Codi da embaixada brasileira lá em La Paz (Bolívia) como é distante o céu do inferno”.

Em resumo: Saboia disse uma coisa. Dilma, outra.

No último sábado, ao ficar sabendo que Roger chegara a Corumbá depois de rodar mais de mil e quinhentos quilômetros dentro de um carro da embaixada acompanhado por Saboia e dois fuzileiros navais, Dilma só faltou escalar as paredes do Palácio da Alvorada.

Cobrou a demissão imediata de Saboia ao ministro Antonio Patriota, das Relações Exteriores. Patriota estava em São Paulo pronto para viajar à Finlândia. Dilma foi grosseira com ele, como de hábito. Mandou que retornasse a Brasília. E o demitiu em seguida.

A indignação de Dilma tem a ver com duas coisas. A primeira: ela ficou mal diante do presidente Evo Morales. Que acusou o Brasil de desrespeitar tratados internacionais ao providenciar a fuga de Roger sem que ele tivesse obtido antes um salvo-conduto.

A segunda coisa: Dilma tem medo de que reste provada a negligência do governo brasileiro no caso do senador boliviano. Saboia tem como provar a negligência. E para evitar que o governo tente por um fim em sua carreira diplomática de mais de 20 anos, está disposto a provar.

– Eu perguntava da comissão bilateral para resolver a questão do senador, e as pessoas me diziam: “Olha, aqui [no Brasil] é empurrar com a barriga.”. Tenho e-mails dizendo: “A gente sabe que é um faz de conta, eles fingem que estão negociando e a gente finge que acredita”.

Tem um filme na praça chamado “Hannah Arendt”. Conta a história do julgamento em Jerusalém do carrasco nazista Adolf Eichmann. E da cobertura do julgamento feita para a revista americana The New Yorker pela filósofa judia de origem alemã Hannah Arendt.

A teoria da “banalidade do mal” começou a nascer ali quando Hannah se convenceu de que Eichmann, de fato, não se sentia responsável pela morte de milhões de judeus. Ele não se cansou de repetir em sua defesa: apenas cumprira ordens.

Ninguém ordenou que Saboia tentasse salvar a vida do senador boliviano que ameaçava se matar, segundo atestados médicos. Mas sentindo-se responsável por ele, Saboia decidiu em certo momento obedecer ao que mandava a sua própria consciência.

Alguns dias antes de fazê-lo, despachou para o Itamaraty uma mensagem antecipando o que iria se passar. A resposta foi o silêncio. Quem por aqui se lixava para a sorte do senador boliviano? Quem em La Paz se lixava?

Por negligência, omissão e desumanidade, Saboia não poderá ser punido. Não deverá ser punido. Não merece ser punido. Por tais crimes são outros que deveriam sentar no banco dos réus.

 

Clique qui para ir ao Blog do Noblat

Filhos da p***, corruptos, safados, ladrões…

arteblackbloc

Arte: Neli Pinheiro (https://www.facebook.com/lolaxvicious)

Eu não tenho palavras para descrever minha indignação diante dos 280 safados, bandidos, corruptos, ladrões, filhos da puta com mandato federal que preferiram continuar despachando ao lado do presidiário Natan Donadon a tirar o mandato dele.

São iguais a ele: filhos da puta, safados, corruptos, ladrões.

Tomo emprestados dois ícones dos dias atuais: uma música dos Titãs e uma aquarela produzida por um artista Black-Bloc.

A música contém uma descrição da personalidade dos colegas de banditismo de Natan Donadon que o anistiaram.

A aquarela aí em cima talvez represente  a única perspectiva de solução para as ‘Excelências’ que transformaram o Presídio da Papuda em uma extensão do Congresso Nacional   — onde estão os 280 vândalos mais perigosos do País.

Pau neles!

Com a palavra, vocês. Podem xingar à vontade, a área de comentários está liberada, sem moderação.

[tube]http://www.youtube.com/watch?v=H_U_JNHEUrI[/tube]

 

* A autora da aquarela é Neli Pinheiro. Ela me disse, logo depois da publicação deste post, que não é Black Bloc, mas produziu a arte em homenagem aos ativistas mascarados.COnheça o perfil dela no Facebook clicando aqui.

Esporro de Dilma: em casa onde falta pão, todos gritam, ninguém tem razão

Dilma Rousseff falou grosso ontem. Delimitou a distância entre o céu e o inferno para confrontar as razões que teriam levado um funcionário do terceiro escalão do Itamaraty a desafiar dois governos e trazer ao Brasil o senador boliviano Pinto Molina. Acertou na forma, visto que pelo menos tomou alguma posição, embora o que já se saiba não autorize a versão de que o governo brasileiro simplesmente não sabia da possibilidade da empreitada. Mas errou no conteúdo, porque nem o céu pode parecer tão celestial assim depois de um ano e meio de clausura — ainda que seja na embaixada em La Paz, e não nas dependências do DOI-CODI.

Se tivesse falado grosso meses atrás, talvez não estivesse agora se defendendo de sua própria incompetência — aquela que leva o chefe a alegar desconhecimento das ações de subordinados que não aprova. Veja se essa fala não cairia bem um ano e meio atrás, logo depois da concessão do asilo: “Eu estive confinada no DOI-CODI. E posso assegurar que a diferença entre estar segregado no cubículo de uma embaixada e poder circular livremente no País que me acolhe como asilado é a mesma que existe entre céu e inferno”.

Mas essa é uma fala impossível. Porque representaria uma censura ao comportamento de Evo Morales, que tantas humilhações tem imposto ao Brasil sem sofrer nenhum constrangimento. E Dilma, que fala grosso com seu subalterno, fica muda diante das vergonhas que o colega de La Paz lhe inflige de tempos em tempos.

Ademais, fica cada vez mais claro que falta verossimilhança a esse discurso. Ainda que isolada e aparentemente tresloucada, a atitude do diplomata  não se encerra nessa viagem maluca do altiplano andino ao Pantanal sul-mato-grossense. Existe nela um passado, um longo passado que trata das condições de isolamento determinadas pelo governo Morales ao longo de 455 dias de prisão domiciliar ilegal do asilado na embaixada brasileira.

Contra isso, nem uma palavra sequer se ouviu do governo brasileiro. As únicas manifestações, pelo que se sabe até agora, são aquelas contidas na correspondência entre Eduardo Sabóia e seus superiores em Brasília acerca do agravamento do quadro de saúde do senador Pinto Molina e das ameaças que ele supostamente vinha sofrendo.

Mas não é apenas isso. Com os antecedentes da operação que já se conhece, é possível afirmar que não encontra amparo na verdade factual o discurso de que ninguém sabia do que estava prestes a acontecer. Os jornais noticiam que a própria Dilma já havia desautorizado uma iniciativa semelhante proposta pelo governo Evo Morales. O senador seria trasladado exatamente como foi até a fronteira e ingressaria no Brasil exatamente como entrou . Dilma teria dito ‘não’ por temer pela segurança do asilado.

Se é verdadeira a informação, pior ainda para a Presidente. Ela não terá como explicar por que, mesmo diante de informações gravíssimas sobre a conduta ilegal de Evo, não mandou o Itamaraty tomar uma posição contundente em favor da expedição do salvo-conduto, visto que era obrigação do governo brasileiro zelar pela segurança do homem que a representação diplomática brasileira decidiu acolher. Isso coloca o governo brasileiro no papel de guarda-de-presídio auxiliar do senador e de cúmplice de seu encarceramento involuntário, exatamente como disse Eduardo Saboia ao se valer da metáfora do DOI-CODI.

Outros detalhes ainda obscuros são bastante eloquentes, ainda que se possa apenas supô-los, e precisam ser melhor conhecidos. Já se sabe — está no Estadão de hoje — que os militares subordinados a Celso Amorim, que antecedeu Patriota no Ministério das Relações Exteriores, avisaram seus superiores da operação, ainda que informalmente. E Celso Amorim, não se sabe por que, ou não tomou conhecimento do alerta, ou não lhe deu importância, ou foi bypassado de maneira ardilosa pelos oficiais das três armas que lhe estão subordinados.

Para que a coisa toda se desse dessa forma, é preciso imaginar uma conspiração envolvendo um grande número de funcionários do governo, civis e militares, agindo deliberadamente contra a hierarquia, os interesses e as determinações que emanam de Brasília.  E isso, simplesmente não é crível nem possível.

O mais provável é que a operação tenha sido tramada com o beneplácito do próprio governo Morales. Que Eduardo Saboia tenha empreendido a viagem com a certeza de que não enfrentaria  riscos tão grandes quanto se imagina agora. E que, como o governo de La Paz, o de Brasília tenha se omitido, dolosamente ou por puro descuido, com o objetivo de  engendrar um desfecho para o longo período de cativeiro do senador asilado.

Agora a Presidência da República tem dois pepinos nas mãos, e não apenas um. Pinto Molina está no Brasil e vai ser difícil deportá-lo porque, a despeito das formalidades suscitadas pelo advogado-geral da União, ele foi acolhido como protegido pelo governo brasileiro. Nem as minúcias formais  sobre a natureza do asilo, se ‘diplomático’ ou ‘político’, poderiam justificar moralmente a deportação. Isso desmoralizaria de vez o instituto do asilo e o que resta de respeito à tradição diplomática, já tão vilipendiada pelo governo petista.

O segundo pepino é a simpatia despertada na opinião pública pela iniciativa de Saboia. Ele tem sido identificado como uma espécie de herói que age por patriotismo, colocando seu mister acima da conveniências da carreira e até da preocupação com sua segurança pessoal. E tudo isso por altruísmo e respeito ao sofrimento alheio. Já há páginas no Facebook em apoio a sua iniciativa e vozes importantes se levantam para defendê-lo dos ataques do Planalto.

Antes, tínhamos uma embaixada sitiada e um senador cativo em La Paz. Agora temos toda a oficialidade em xeque e um herói em construção vagando pelo território brasileiro.

Temos o nosso Snowden, que nestas plagas assina Saboia. Até o prenome de ambos, Eduardo e Edward, cheira como algo simbólico, muito além de uma coincidência incidental.

Caiu Patriota. E as patriotadas ?

Dilma Rousseff degolou o ministro Antônio Patriota. A demissão aconteceu no arrasto da operação que trouxe ao Brasil o senador boliviano Roger Pinto Molina depois de 455 dias de segregação na representação do Brasil em La Paz. Patriota sempre foi um ministro inexpressivo. Sob seu comando, o Itamaraty não conseguiu sequer esboçar um gesto de contrariedade no episódio da prisão desumana dos torcedores corintianos em Oruro.

Patriota pode ser enquadrado muito bem em uma categoria que nada tem a ver com a tradição  secular de respeito e admiração da nossa diplomacia. Tradição  inaugurada pelo Barão do Rio Branco no começo do século passado e reafirmada quatro décadas depois por Osvaldo Aranha.

O esforço para acabar com esse prestígio começou no governo passado e se mantém vigoroso até hoje. Nesse período, o Brasil protagonizou alguns dos episódios mais controvertidos do presente.  Por exemplo, a fantástica incursão de Lula pelo Oriente Médio para convencer israelenses e palestinos a fazerem as pazes com um brinde de cachaça.

Os dois últimos ministros — não posso deixar de lembrar também o assessor internacional Marco Aurélio Garcia — proporcionaram alguns dos piores momentos da história da nossa diplomacia. Um dos pontos culminantes (das gafes mais recentes) foi a atuação em Honduras, quando o Brasil interveio para tentar reconduzir Manuel Zelaya ao Poder. Zelaya era um notório corrupto que tentou golpear a Constituição para se reeleger e terminou deposto.

O Brasil,  até então respeitabilíssimo pela ponderação e equilíbrio de seus diplomatas, surgiu diante do mundo como um País colonialista, intervencionista e desrespeitoso, que prega mas não respeita o princípio da autodeterminação dos povos. Na época, o ministro era Celso Amorim que, como Lula, só se referia ao presidente interino de Honduras como “golpista”, sem jamais mencionar seu nome.

Em algumas ações de Patriota percebe-se claramente o DNA de Amorim.  Daquele que não conseguiu, por exemplo, reagir à expropriação da refinaria da Petrobras por Evo Morales.

Assim como Amorim coonestou (no mínimo) a Operação Tegucigalpa, Patriota foi determinante para a suspensão do Paraguai do Mercosul. O País havia acabado de depor Fernando Lugo. A deposição, vista como golpe, era inaceitável sob todos os aspectos para o Brasil. Serviu, no entanto, de pretexto moral para  outro golpe: a introdução da Venezuela como sócio pleno da agremiação cisplatina.

Volto ao caso do senador Pinto Molina. Há um ano e meio ele aguardava um salvo-conduto. Não sei se é o corrupto que Evo Morales anuncia ao mundo ou se é apenas mais um perseguido por um governo que, como denuncia, tem sérias imbricações com o narcotráfico. O fato é que o parlamentar boliviano havia conseguido uma salvaguarda do governo brasileiro, que aceitou admití-lo como asilado. Mas em nada molestou o governo de La Paz pela concessão do salvo-conduto.

O Brasil também não fez uma reclamação sequer contra a desumanidade do confinamento prolongado. Suportou até ver os corintianos mantidos em um cativeiro abertamente ilegal sem pronunciar um único discurso convincente contra a chantagem que essa situação esdrúxula evidenciava.

O episódio que culminou com a demissão de Patriota ainda é obscuro demais para que se forme uma opinião sobre ele. Faltam informações para dar sentido ao caso. Pouco se sabe até agora. Parece claro que houve quebra de hierarquia. Mas não se sabe ainda o que levou o diplomata Eduardo Sabóia a fazer  o que fez. É pouco provável que ele seja louco a ponto de arriscar a vida desse senador — e a sua própria — em uma viagem insana de 22 horas de duração.

Fato é que ela gerou um efeito positivo até agora: a demissão de Patriota.

Será que isso significa também o fim das patriotadas ?

Em tempo: Meia dúzia de imbecis já começam a demonizar, no Twitter, esse senador boliviano. Mesmo sem ter noção do motivo que levou o próprio governo brasileiro a conceder o asilo. Um deles insiste em alcunhar os parlamentares que apoiaram o ingresso do asilado como “bancada do pó”. 

Esses mesmos vândalos virtuais de reputações afirmam que é preciso “devolver” Pinto Molina à Bolívia. Para um País que já acolheu um Cesare Battisti,  devolveu dois boxeadores dissidentes e entregou Olga Benário aos nazistas, é café pequeno. 

Mais Médicos, Mais Valia

O ex-presidente Lula, em suas camelagens pela África, repetiu inúmeras vezes o discurso do opressor/explorador arrependido de antanho. Segundo sua lógica, o Brasil deve às republiquetas provedoras de escravos uma compensação pelo tráfico negreiro do passado. E os tataranetos-forros dos negros da senzala merecem uma compensação histórica. No plano interno, isso repercutiu em bolsas e cotas para isso e para aquilo. No externo, no perdão a dívidas contraídas por ditadores e corruptos em geral que governam com mão-de-ferro os grotões do planeta.

Não concordo com o discurso do opressor/explorador arrependido. É prepotente, serve apenas para ressaltar as virtudes do arrependido e apequenar, no momento presente, a autoestima do oprimido pela história. A rigor, para que a lógica tivesse efeito, seria necessário também processar a França por ter expulsado a Corte de Portugal nas guerras napoleônicas.

Mas concordo com a necessidade de médicos para trabalhar onde os nossos não vão. E não vão por causa da insegurança jurídica nas relações com as prefeituras, pela falta de atrativos econômicos e, principalmente, por não disporem de meios para exercer o seu mister.

Faltam médicos no Brasil. Faltam ainda mais nas lonjuras, onde ninguém quer mesmo ir. Vá a Iauretê, na Cabeça do Cachorro amazônica, e veja se você gostaria de passar uma temporada ali. Em algumas localidades, leva-se três ou quatro dias de piroga até o aeroporto mais próximo, onde os aviões pousam uma vez por semana e as passagens são caríssimas.

Ali, quem atende a população são os médicos militares. Esses sim, forjados no ferro quente do patriotismo e conhecedores da hierarquia, vão sem reclamar. E prestam um enorme serviço a quem está assistido apenas por Deus, quando Deus resolve dar uma incerta por lá.

Ocorre que nem eles, tão cientes quanto silentes das péssimas condições oferecidas pelo governo, conseguem trabalhar direito. Não porque não queiram. Simplesmente porque não podem.

Imagine o que vai encontrar um desses médicos cubanos ao chegar a São Gabriel da Cachoeira: remédios em falta (ou vencidos, quando há), falta de meios para a realização de diagnósticos,  prédios inadequados para a internação dos doentes, carência de insumos para a realização de procedimentos cirúrgicos simples.

O que fará o doutor cubano quando não dispuser de antibióticos para debelar uma pneumonia ou dilatador dos brônquios para restabelecer o fluxo de ar para os pulmões de um paciente com crise aguda de asma ? Fará poucos mais do que um um pai-de-santo ou pastor neopentecostal pode conseguir com a imposição das mãos.

O problema, portanto, passsa pela falta de médicos, mas não se resume a ela. E é louvável o esforço do governo para mitigá-la, com a ressalva de que isso não irá resolver o ponto central.

Mas há um problema ético a ser resolvido com essas contratações. E ele constitui, também, um grande problema político para o presente e um dilema moral para o futuro. Um dia , daqui a 200 anos, Lula Bisneto, presidente da República Futurista do Brasil, ainda vai pedir desculpas a Cuba por ter se valido do trabalho escravo de seus profissionais de saúde no Século XXI.

Mais Valia

Os médicos cubanos abundam. São mais de 5 mil novos doutores por ano. Em seu País, não há espaço nem necessidade no mercado de trabalho para todos. O que faz boa parte desses doutores ?

Vá a Havana e pegue um táxi. Pergunte ao motorista qual é sua profissão. Ou é engenheiro, ou é médico. É assim que muitos ganham a vida lá: trabalhando como prestadores de serviço em apoio ao turismo, que hoje constitui o motor da economia da Ilha. Em troca de “propina”, que em espanhol quer dizer gorjeta.

Os plantões nos hospitais pagam aos doutores cerca de 30 dólares mensais de salário. Eles também têm direito ao recebimento de uma caderneta por meio da qual assegurarão uma ração básica (e escassa) composta por algum arroz, meio quilo de frango ou peixe, um sabão etc. Essa ração, no entanto, não é suficiente para sustentar o metabolismo que dá suporte à vida humana. Fica muito abaixo dos mínimos calóricos e proteicos necessários.

O resultado é que a população tem que se virar para conseguir o restante, que é caríssimo. Imagine alguém que ganha 25 dólares por mês ter que pagar 5 dólares por um litro de óleo no mercado negro. É assim que funciona. E onde eles conseguem esses cinco dólares ?

A resposta, simples e direta, é abominada pelos cubanófilos. Eles partem para a ilegalidade, a infomalidade ou atividades criminosas como a falsificação de charutos e a venda de drogas. A prostituição grassa no Malecón. Com 50 dólares, você pega até uma sobrinha-neta do Fidel Castro. E ainda ouve um “eu te amo” como bônus. Não é por acaso que a corrupção está tão impregnada na alma dos cubanos quanto o Yoruba: o Estado leva a isso.

Uma das atividades mais prolíficas para os médicos cubanos é o aluguel de endereços de e-mail. Privilegiados, eles são uma das poucas categorias profissionais com acesso a um endereço eletrônico. Ao contrário do restante da população, podem ter um modem jurássico em casa e receber sua correspondência em arcaicos terminais de computador. Não têm acesso à web, que permanece vedado,  mas podem trocar mensagens com colegas.Como muitos deles não usam o serviço para fins profissionais, alugam seus endereços de e-mail para terceiros. Com isso, fazem mais 20 ou 30 dólares por mês e dobram sua renda.

O Estado cubano viu no mote socialista a justificativa moral e econômica para a apropriação da força individual de trabalho. Há muito Cuba vive da locação de trabalhadores para os mais diversos fins. Os hotéis que se instalaram nos centros turísticos, por exemplo, pagam até US$ 3 mil por um maitre ou chefe de cozinha ao Estado, que se transformou no maior agenciador de trabalhadores do planeta. Mas o quinhão dos trabalhadores é ridículo, não passa do salário-padrão de pouco mais de 20 dólares. Todo o restante é apropriado pela ‘Revolução’. O governo de Cuba é o ‘gato’ planetário, que vive da exploração em massa do trabalho alheio.

Conheci em Havana um advogado que era motorista de táxi. Ele me serviu quando estive lá, um ano e meio atrás. Permenceu conosco uma semana, falava português e fazia jornada dupla como informante das forças de segurança. A cada parada da nossa equipe de reportagem, ele fazia uma chamada de seu telefone celular avisando “la madre” onde estávamos e o que estávamos fazendo. Mas era gentil e ficou nosso amigo.

Ele me contou como conseguiu comprar um carro, um Nissan 1995, raridade em meio ao mar de carrões dos anos 50. Disse que se inscreveu num desses programas de exportação de mão-de-obra e foi trabalhar num navio de cruzeiro. Foram sete contratos consecutivos. Ganhava os 25 dólares por mês de salário. O governo cubano lucrava 3 mil por mês com seu sacrifício.

León poupava cada centavos das gorjetas que recebia. Assim, amealhou o dinheiro necessário para comprar, no mercado paralelo, seu Nissan quase novinho em folha. A autorização para a transação só foi obtida após esses sete anos de escravidão ultramarina. Hoje, ele ganha por dia o que um cidadão normal só consegue em um mês de trabalho. Ou seja: sua renda passou a ser, em média, 30 vezes maior do que a de um médico com dedicação integral na mesma cidade.

Os doutores que chegam de Cuba são atraídos pela mesma lógica. Não se sabe quanto lhes restará ao final de cada mês de penitência nos grotões brasileiros. É pouco provável que a cifra se situe distante desse patamar de duas ou três dezenas de dólares a que fariam jus se tivessem ficado em sua Ilha.

Para o governo escravocrata de Cuba, no entanto, os primeiros 400 profissionais de saúde a chegar representarão muito: quase US$ 25 milhões ao ano em receitas provenientes da expropriação do resultado do trabalho desses servos pós-modernos.

Ao governo brasileiro, responsável pela contratação, restou a abjeta tarefa de legitimar essa apropriação e instalar as grades de um sistema que visa prender os cubanos dentro dos limites ampliados do território exíguo de Cuba. Se ameaçarem permanecer por aqui, se sentirem o gosto doce da liberdade de dizer e fazer  o que bem entenderem, terão como alternativa apenas o retorno à sua ilha-presídio. O governo brasileiro não vai tolerar desertores e não pestanejará em mandar de volta os arredios ao menor sinal de que algo não vai bem com sua subordinação. Já temos ‘know-how’:  o mesmo empregado quando da ultrajante deportação dos boxeadores cubanos que ameaçaram desertar por aqui.

Foram devolvidos pelo Brasil, que aceitou o papel ultrajante de carcereiro de cubanos insurretos, para logo depois desertar da própria ilha, indo parar em Miami.

Por isso tudo, fica claro que, a despeito da utilidade que vierem a ter no Brasil — e é certo que terão — e do altruísmo que move muitos deles, os médicos estarão fazendo dinheiro para sustentar a máquina estatal cubana. É esse o seu papel.

Assim como é papel do governo brasileiro pagar a Cuba o que Cuba cobra para mandar seus escravos de jaleco branco, não porque os médicos são necessários nos grotões, mas porque o governo brasileiro entende que precisa subsidiar de alguma forma a sobrevivência da ditadura dos irmãos Castro, que serve como modelo de sociedade ideal para as hostes petistas.

Anote aí, e me cobre daqui a 200 anos. Lula Bisneto, se um dia vier a existir, ainda vai pedir desculpas aos cubanos, assim como seu bisvô um dia pediu perdão às repúblicas africanas que provieram escravos negros para a lavoura brasileira.

Piada pronta: Loja da Vivo… não tem telefone!

vivoA telefonia no Brasil anda tão estranha que a Vivo, ela mesma, a maior operadora de telefonia do País…

… Não tem telefone!

Pelo menos na sua loja do Shopping Higienópolis, uma das maiores de toda a sua rede.

É isso mesmo. Tente encontrar o número nos serviços de busca. Tempo perdido. A loja realmente não tem telefone.

Você poderia me dizer: “casa de ferreiro, espeto de pau”.

Mas tem todo o direito de pensar também que quem conhece a qualidade — e os preços — prefere não ter mesmo.

Boa, vivo! Ótimo exemplo para os seus consumidores.

Noblat vence Eduardo Cunha na Justiça

Do site do STJ, no Blog do Noblat

O jornalista Ricardo Noblat não responderá penalmente pelas acusações de calúnia e difamação contra o deputado federal Eduardo Cunha (RJ), atual líder do PMDB na Câmara.

A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) não acolheu o recurso do deputado e acabou mantendo decisão de segunda instância que considerou que os comentários publicados pelo jornalista em seu blog não configuraram a intenção de caluniar ou difamar o político, mas apenas de prestar informações jornalísticas.

O deputado ofereceu queixa-crime contra o jornalista porque este o teria acusado de chantagear o governo na expectativa de obter nomeações para cargos públicos. A sentença de primeiro grau, que absolveu o jornalista, foi mantida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

Eduardo Cunha recorreu ao STJ contra a decisão do TRF1. No julgamento da apelação, o tribunal regional concluiu que, apesar da aspereza de algumas palavras existentes no texto publicado por Noblat, o excesso não representou pretexto suficiente para uma sanção penal, já que no Estado Democrático de Direito a liberdade de expressão e de crítica é uma garantia constitucional assegurada aos profissionais da imprensa.

O deputado federal sustentou violação aos artigos 138 e 139 do Código Penal. Alegou ter havido abuso do direito de informar, por ter o jornalista publicado, em seu blog na internet, matéria de conteúdo calunioso e difamatório, na qual haveria nítida vontade de ofender sua honra e imagem, o que demonstraria a presença de dolo específico.

Ao analisar a questão, o relator, ministro Sebastião Reis Júnior, destacou que as instâncias ordinárias consideraram atípica a conduta do jornalista. Para elas, apesar da crítica negativa que acompanhou a narrativa dos fatos noticiados no blog, não houve intenção de caluniar ou difamar o deputado, ou seja, não houve dolo específico.

As instâncias ordinárias concluíram ainda que a atuação do jornalista se deu nos limites da profissão e da liberdade de expressão e imprensa que lhe é garantida pela Constituição da República.

Quanto à alegada existência de dolo específico, o ministro relator afirmou que, para verificar se houve a intenção de caluniar ou difamar, seria necessário o reexame de fatos e provas do processo, o que é vedado ao STJ em recurso especial.

Por fim, Sebastião Reis Júnior observou que o acórdão do TRF1 também possui fundamento constitucional, consistente na afirmação de que a conduta do jornalista estaria protegida pela liberdade de expressão e imprensa prevista na Constituição, e para dirimir controvérsias constitucionais a competência não é do STJ, mas do Supremo Tribunal Federal (STF).

Como não houve a interposição de recurso extraordinário para o STF, simultaneamente ao recurso especial dirigido ao STJ, o ministro aplicou a Súmula 126: “É inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantê-lo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário.”

A censura política no Youtube e a etiqueta canhestra do Facebook

Censura do Youtube:

Censura do Youtube:

O Youtube, diretório de vídeos do Google, censura a veiculação de mensagens por seu suposto conteúdo ideológico. A afirmação que faço, tantas vezes refutada pela empresa em situações análogas, está amparada em um fato que acabo de vivenciar. E, como você verá, é indesmentível.

Tenho uma pequena coleção de videos na minha página do Youtube. Alguns deles — seis no total — compunham uma série de reportagens que fiz em 1999 na Colômbia. Foi um trabalho muito importante não apenas para a minha carreira de jornalista, mas para o público brasileiro em especial, uma vez que não havia muitas informações disponíveis sobre a organização das FARC. A experiência também forneceu os insumos para o único livro que publiquei, “A Última Trincheira”, lançado pela editora Record dois anos depois.

Na época, as FARC, objeto da série de reportagens, guardavam ainda muito do romantismo que levou o grupo guerrilheiro a se manter coeso nas selvas da Colômbia. A imbricação com o narcotráfico, no entanto, já era evidente.

Havia uma construção moral que justificava essa proximidade deletéria: o grupo insurgente não tinha fontes lícitas de financiamento de suas atividades e precisava angariar recursos para manter 20 mil homens em armas. Com o Muro de Berlin recém-derrubado e Cuba quebrada, os meios para obter dinheiro eram a extorsão, os sequestros em massa e a intermediação da compra da pasta-base de cocaína. A luta contra o Estado burguês justificava a proximidade.

A reportagem que tratava desse aspecto — a relação entre a guerrilha e o narcotráfico — simplesmente foi vetada pelos censores do Google/Youtube. O link que deveria levar a esse vídeo agora não leva a lugar nenhum, a não ser ao aviso reproduzido na imagem acima que comunica sua supressão por ter supostamente violado os “termos de uso” do portal. Se quiser saber o que aconteceu com o material, clique no link e a seguir e observe o que vai acontecer: http://www.youtube.com/watch?v=FpUHvzUJiOA .

Não entendo como “termos de uso” de um site podem se sobrepor à Constituição brasileira, aquele livrinho que me assegura o livre direito à expressão do meu pensamento. Não entendo o que pode ter iluminado as mentes dos censores privados dessa organização a ponto de considerar que uma reportagem exibida em rede nacional de televisão há quase uma década e meia não pode ser assistida por quem busca conteúdos sobre o assunto na internet.

O fato é que essas convenções — os contratos de adesão a serviços como Google e Youtube — constituem hoje uma barreira concreta à livre circulação de ideias na rede. Você, que acredita que a liberdade na rede está assegurada pelas corporações que se assenhoraram dessa enorme teia, ainda vai quebrar a cara. As decisões dos censores do Google são inapeláveis e não há ninguém para justificá-las ou explicá-las. Eles simplesmente tiram do ar e pronto.

A gestão arbitrária da liberdade também está presente no Facebook. E, a julgar pelas reclamações publicadas na própria rede, não é pequena. Há milhares de casos: ativistas políticos de Minas Gerais reclamam do sumiço de posts que criticavam o governador Anastasia. O perfil da paródia Dilma Bolada foi suprimido sem maiores explicações. Mas, a despeito de haver uma infinidade de denúncias, vou me ater  apenas a outro caso que aconteceu recentemente comigo mesmo.

Na semana passada, travei um discussão com um grupo de ativistas presos durante a manifestação do dia 30 de junho em São Paulo. Essa discussão foi do Blog do Pannunzio ao eu perfil do Facebook. Vocês, que me acompanham há algum tempo, sabem que não me furto a entrar em contendas com leitores que agridem a minha reputação profissional. Fui enfático ao responder a um sujeito que me chamou de desonesto, aético e mentiroso. Chamei-o de “burro” por não conseguir sequer ler literalmente algo que eu havia escrito com todo o respeito aos postulados éticos.

Recebi, dois dias depois, um comunicado de que meu post havia sido removido por violar a convenção de uso do Facebook. Não sei onde os censores desse serviço enxergaram qualquer tipo de violação. chamar de “burro” alguém que detona seu patrimônio moral, além de expressar uma verdade em si, pode ser considerado algo até bem comportado diante das acusações proferidas pelo ofensor.

Não cabe ao Google ao ao Facebook estabelecer limites para a atividade de um jornalista, nem de qualquer cidadão. Quem decide o que deve e o que não deve permanecer no ar é, no limite, o Poder Judiciário. Ainda que eles sejam um empresa com normas para o fornecimento de seus serviços, o espaço que me franqueiam é o da livre expressão do meu pensamento. Sou um cidadão capaz e assumo responsabilidade civil e criminal pelo que escrevo. Sou perfeitamente identificável. Tenho um número de IP, um endereço para receber intimações e estou ao alcance da legislação. Não lhes cabe estabelecer o que eu digo ou o que eu penso, como digo ou como penso. Para isso ha juízes, promotores e advogados. Se querem me censurar, que corram atrás de uma ordem judicial. As minhas ideias pertencem a mim e, mesmo que veiculadas em seu espaço tecnológico, não lhes dei permissão para mutilar, suprimir ou vilipendiar meus textos e minhas imagens.

Preste atenção a isso. Especialmente se você acredita que a gênese caótica da rede é a guardiã das liberdades civis. Não é. Por trás dos espaços em que a democracia se expressa há mega-corporações que têm na comunicação social apenas  um meio para veicular seus anúncios. Você posta, leva milhares de pessoas a ler o que escreveu; eles enchem a página de anúncios, faturam horrores e ainda te censuram!

Você trabalha para eles de graça, produz textos em profusão, leva consumidores aos anunciantes que eles arregimentam, aceita essa condição subalterna em nome de uma “democracia” que não existe. Antes, é apenas um conjunto de etiquetas de conveniência, uma síntese de regras não-escritas que vão acabar por transformá-lo em uma espécie de títere involuntário do espaço ideológico franqueado por CEOs e executivos alienígenas.

Desconfie. Vai fazer bem para você, mesmo que você não seja, como eu, adepto de teorias da conspiração. Aquele não é um espaço público. É um espaço privado. E não te pertence, pertence a eles, ainda que as ideias sejam as suas.

Carta Capital tem recaída, faz bom jornalismo e detona Capilé, do Fora do Eixo

Lino Bocchini e Piero Locatelli, de Carta Capital

Na esteira dos protestos de junho, a Mídia Ninja emergiu como uma novidade instigante, um novo modelo de jornalismo. A concepção é simples e barata: por meio de celulares, os repórteres ninjas transmitem pela internet as imagens dos acontecimentos. Não há texto nem edição, apenas os vídeos em estado bruto em transmissões que facilmente duram seis horas. Na página do grupo no Facebook, há ainda fotos dos atos.

O sucesso repentino tornou-se, porém, uma fonte de dor de cabeça. Tudo começou com a presença de dois de seus expoentes no Roda Viva, programa de entrevistas da TV Cultura, em 5 de agosto. O jornalista paulistano Bruno Torturra, até então, era a única face do Mídia Ninja, acrônimo de “Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação”. A novidade foi a presença de Pablo Capilé, criador do coletivo Fora do Eixo, guru de uma nova forma de ativismo. Ficou clara a ligação umbilical dos dois (Ninja e Fora do Eixo), antes praticamente desconhecida.

Por que essa relação virou alvo de tantas críticas? Em pequenos círculos, não é de hoje, corriam acusações contra o movimento. A exposição de Capilé amplificou as acusações nas redes sociais, espaço de excelência do grupo. Nos últimos dias, CartaCapital ouviu oito ex-integrantes e debruçou-se sobre a estrutura organizacional do coletivo. Metade deixou-se identificar. Os demais preferiram não ter seus nomes citados, por medo de represálias, mas confirmam as informações dos ex-colegas. Emergem da apuração um aglomerado controverso, acusações de estelionato, dominação psicológica e ameaças.

Nas casas, os integrantes dividem quartos, dinheiro, comida e roupas. E estão submetidos ao “processo” do Fora do Eixo. “Primeiro te isolam. Proíbem de sair na rua ´sem motivo´, impedem de encontrar amigos ou estabelecer qualquer contato com pessoas de fora. Depois, vem a apropriação de toda a sua produção. O cara sai sem grana, sem portfólio e distante dos amigos antigos. Sem apoio psicológico ou da família vai demorar a se restabelecer social e profissionalmente”, diz o fotógrafo Rafael Rolim, 29 anos, 3 deles na organização, em contato direto com Capilé. Rolim e os demais integrantes ouvidos pela revista endossam o depoimento da ex-integrante Laís Bellini, postado nas redes sociais.

A cineasta Beatriz Seigner foi a primeira a criticar o coletivo. Em texto postado no Facebook dois dias após o Roda Viva, diz, entre outros pontos, que o Fora do Eixo rompeu acordos e não lhe pagou por exibições de seu filme. Escreveu ainda sobre o volume de trabalho dos integrantes, que não teriam direito à vida pessoal ou diversão. Se disse ainda impressionada com a devoção à figura de Capilé. E comentou a repercussão: “Chegaram centenas de mensagens de coletivos e artistas do Brasil todo agradecendo o desmonte da rede. Estou aliviada.” Continue reading

Resposta do Professor Fábio Morales ao Blog do Pannunzio

Publico a seguir  a resposta do Professor Fábio Morales ao post “Perfil do vândalo: arruaceiro médio, segundo a polícia, faz parte da elite“. Em seguida, faço algumas considerações.

Prezado Fábio Pannunzio,

Recebi com surpresa a notícia ontem, de alunos e amigos, que meu nome era citado em uma postagem com as palavras “arruaceiro” e “elite” no título. Mais surpresa ainda foi saber que o senhor era o autor, e que meu nome é o que aparece em primeiro. Após ler o post inteiramente, devo dizer que fui tomado por uma “vergonha alheia” considerável. Vamos por pontos:
1. Não houve “flagrante”, como o senhor afirma no post. Fui abordado quando, após participar na passeata, chegava ao metrô Clínicas. Não portava qualquer objeto além de meus documentos: nenhuma mochila, pedra, martelo, vinagre, nada. Você se “esqueceu” de mencionar isso, ou não verificou com rigor a informação. Espero que seu professor de “ética no jornalismo” não tenha lido este post, pois eu sei como se sente o professor quando vê um aluno fazer exatamente o oposto do que se assevera.
2. Não faço parte de qualquer grupo que defenda o vandalismo; não fui “convocado pelos Black Blocs”; não cometi qualquer ato de vandalismo, não há qualquer prova ou indício para isso, mas mesmo assim sou enquadrado pelo seu texto como “arruaceiro”. Gostaria que você me apresentasse qualquer prova, ou mesmo motivo para tamanha difamação. Isto é bastante sério, e é absolutamente incompreensível que o senhor, já distante da adolescência, não compreenda esta seriedade.
3. Não aceitei que meus dados pessoais fossem divulgados. Nenhum profissional da imprensa pediu meus dados ou mesmo minha autorização. Não foi solicitada qualquer entrevista ou declaração por parte da imprensa. Quando fui liberado por absoluta falta de provas, não havia nenhum jornalista para averiguar o caso. Informei meus dados aos policiais que o solicitaram, e como estes dados chegaram ao seu conhecimento, é algo bastante revelador das relações entre a polícia, a grande mídia e a prática da cidadania.
4. Não recebi qualquer telefonema, email ou sinal de fumaça partindo do senhor ou de qualquer membro de sua equipe (se houver). Não há mensagem na secretária eletrônica do meu celular ou telefone residencial, ou mesmo da instituição onde trabalho. Nenhum recado, nada. Ou não houve contato, ou a tentativa foi mínima, o que, desculpe a repetição, também é revelador de sua concepção de jornalismo, considerando que meu nome e dados pessoais receberam considerável destaque neste post. Continuo disponível para conversar sobre qualquer assunto de interesse público (me questiono se o fato de eu ser “solteiro”, como o senhor destaca no post, tem alguma relevância pública – mas, pensando bem, estamos na sociedade de espetáculo e essas coisas acontecem nos becos da comunicação social).
5. Curiosamente, o senhor sabe onde moro. No final do ano passado, o recebi em minha casa para uma entrevista sobre o Império Romano, por ocasião do lançamento da série “Roma”, na Band. Lembro de sua muito simpática equipe, especialmente do cinegrafista que havia visitado (e, copmpreensivelmente, se encantado com) a acrópole de Atenas. Não lembro se ofereci a vocês todos um copo d’água ou um café – apesar de historiador, não tenho a memória do borgeano Funes. Mas lembro que tivemos uma conversa muito clara e informativa (no meu ponto de vista), apesar da tentativa de sua parte de associar “pão e circo” ao programa “bolsa família”, o que demonstrava um desconhecimento tanto de um, quanto de outro. Como o senhor mesmo disse, tinha uma “formação generalista”, portanto esta impropriedade se justificava, em parte, ao menos. A entrevista não foi ao ar, e pelo que fui informado por amigos e alunos, optaram com a fala de um professor de cursinho pré-vestibular. Revelador…
6. Em função desta ocasião, o senhor sabe que moro no Brás em um apartamento de cerca de 50 metros quadrados. Por favor, defina novamente “elite”, pois esta sociologia me é inacessível (nem a “lulopetista”, nem a “pannunziana”).
Posso passar mais detalhes sobre minha vida pública e minha atividade política, especialmente acerca do motivo da manifestação em questão ou mesmo da falta de ética e/ou profissionalismo na cobertura jornalística dos nossos tempos. Não o ameaçarei de processo ou coisa que o valha, pois, para usar um topos ateniense, nunca processei nem fui processado. Também não acredito, pelos poucos minutos em que conversei pessoalmente com o senhor, que exista má fé de sua parte. Possivelmente, trata-se de uma concepção diferente de jornalismo e de política, e se, na sua retratação ou resposta (que considero imprescindível), o senhor se propuser a explicá-la, tenho certeza de que sairei menos ignorante.
Atenciosamente,
Fábio Morales

Resposta do editor

Professor,

 

Não associei seu nome à pessoa que entrevistei no ano passado. Asseguro, no entanto, que se a reportagem fosse feita agora, eu não o entrevistaria.Mas isso não tem qualquer relação com o conteúdo do post que o senhor contesta.Vamos aos fatos.

1) O ‘motivo’ que o senhor me pede está aqui:

New Doc20130731165418595

New Doc20130731165418595

 

2) O senhor foi efetivamente preso e seus dados constam do boletim de ocorrência registrado no Distrito Policial de Pinheiros.

3) O senhor não contesta que esteve na manifestação. Portanto, a informação divulgada é inquestionavelmente verdadeira.

4) O senhor foi preso em flagrante, como está caracterizado no boletim de ocorrência. Flagrante é a situação delitiva em que o autor — ou acusado, como é o seu caso — foi detido menos de 24 horas depois do crime imputado.

5) A ‘manifestação’ da qual o senhor participou terminou com a depredação de lojas, agências bancárias, destruição de veículos e ataque a caixas eletrônicos. Isso não é vandalismo ? O que seria, então ?

6) O Boletim de Ocorrência é um documento público e pode ser consultado por qualquer pessoa. Não houve violação da sua privacidade. Ao contrário: tive o cuidado de não publicar o documento na íntegra para não devassar o telefone e endereço dos que foram ali relacionados como vândalos, como é o seu caso.

7) Não me interessa a sua militância política. Vivemos em um País democrático e o senhor tem todo o direito de ter suas convicções. Também tem o direito de participar de atos ou manifestações, o que lhe é assegurados pela Constituição. Mas, exercendo o meu direito de criticar, que também é assegurado pela mesma Constituição,  repudio com veemência o vandalismo, que é criminoso, e sustento que não se pode chamar a baderna e a destruição de patrimônio público e privado de “ato político”.

8) A manifestação da qual o sr. participou foi efetivamente convocada pela página Black Bloc no Facebook.

9) Em nenhum momento afirmei que o sr. portava pedras, paus ou outros objetos.

10) Ao contrário do que o senhor afirma, liguei para os números dos telefones que constam da sua qualificação no B.O. quatro vezes. Os registros estão na conta do meu telefone (duas chamadas para o de prefixo 3271, duas para o celular eu começa com 97619). Se o senhor quiser, posso publicar um fac-símile desses registros — e só não o faço agora em respeito à sua privacidade. Mas se o senhor insistir que eu não tentei contatá-lo, publico o documento para provar que quem está faltando com a verdade é o senhor.

11) Deixei recado, sim senhor, na secretária eletrônica do seu celular. Não houve ‘esforço mínimo’, houve o esforço suficiente. O senhor optou por não retornar.

12) Também liguei para a PUC de Campinas para confirmar a informação de que o sr. leciona lá. Não faltou rigor na apuração, a despeito de toda essa verborragia sobre a ‘velha mídia’, que vocês abominam, ainda que esteja se referindo ao post de um blogueiro.

13) Com relação à reportagem da Band, digo que a sua crítica deveria ter sido feita na época, há mais de um ano. Mas se quer falar sobre o assunto, digo o seguinte: Eu não firmei contrato de exclusividade com o senhor. Não lhe disse que o senhor seria a única fonte. Se soubesse que o senhor iria ficar molestado pela presença de um ‘professor de cursinho’ que figurou como personagem, eu teria simplesmente reavaliado a sua participação. Porque isso é pura soberba. Somente agora fiquei sabendo que a entrevista não foi ao ar. Esclareço que quem seleciona os entrevistados que irão aparecer ou na matéria é o editor, não o repórter.

14)Se um professor universitário não é da elite, não sei realmente o que é elite. Sob qualquer aspecto: renda, escolaridade etc etc. O senhor mora em um bairro central da quinta cidade mais cara do mundo. Não se trata aqui, portanto, de definir uma sociologia lulopetista ou pannunziana. O senhor, professor, é da elite sim. Não entendo por que se envergonha disso. Deve ter batalhado muito para chegar até aí.

15) Tenho certeza de que, se estivesse vivo, meu professor de ética iria ficar orgulhoso do ex-aluno. Mas não sei o que os seus alunos pensam dos exemplos que você dá a eles.

Era chicana, sim!

Joaquim Barbosa tem um milhão de defeitos e uma qualidade.

Ele é grosseiro, estúpido e não suporta a crítica. Suas manifestações de hostilidade não poupam ninguém — jornalistas inclusive. Chegam ao limite da ira.

Mas há algo que o distingue: a honestidade de propósitos.

Você vai perguntar pra mim se alguém tem o direito de massacrar assim os próprios colegas. Como ele fez ontem, mais uma vez, com o Lewandovsky. E eu respondo que isso não é polido nem parece se adequar à estética e ao protocolo da corte suprema. Acho que ele poderia ser realmente mais polido no modo como aborda os assunto que o incomodam.

Mas estava na cara que Lewandovsky ontem atuava muito mais como advogado de defesa dos réus que pretendia liberar das punições que ele mesmo prescreveu. Aliás, apenas repetia o mesmo padrão que pautou todo seu comportamento durante o julgamento do Mensalão. Por isso hoje, quando a sessão for retomada, vai ser derrotado por todos os colegas de plenário.

Lewandovsky é polido e bem-educado. Joaquim Barbosa, tosco e atrevido com as palavras.

Mas a quem assiste a razão:  A quem quer fazer valer a punição dos mensaleiros ou a quem trabalha arduamente desmoralizar a própria corte e deixar impunes os companheiros de outrora ?

Polícia de SP prende dupla que poupou criança em sequestro relâmpago

A delegacia especializada em sequestros-relâmpagos de São Paulo prendeu uma dupla de assaltante que, três meses atrás, protagonizou uma cena insólita na porta de uma escola paulistana.

Os dois acusados, conhecidos apenas como Neno e Regina, abordaram e dominaram uma senhora que acabara de chegar de carro ao colégio, que  fica na Zona Sul, num bairro chamado Jardim das Belezas, próximo ao Morumbi. Logo perceberam que havia uma criança no carro.

O ladrão então desceu, pegou a criança e a entregou ao porteiro da escola.

Uma fonte da polícia informa ao Blog que Regina tem mais de 20 passagens pela polícia, é fria e deu muito trabalho aos investigadores. Foi presa fora de São Paulo e se encontra neste momento na carceragem do 77º Distrito Policial. Neno, no 89º.

Amanhã serão levados para a delegacia especializada. AS vítimas, ue já os reconheceram por fotos, estão sendo convocadas para o reconhecimento pessoal.

Sinto muito não ter mais detalhes. Como a cobertura policial não é a minha praia, deixo para os colegas a complementação das informações.

Depois do Mensalão do PT e do “trensalão” tucano, vem aí o “aviãossalão”

O blog vem alertando há um mês: frustrado porque alguns ‘players’ queridinhos ficaram fora da boquinha da privatização dos aeroportos, o governo federal está preparando uma concorrência “não concorrencial” para entregar os dois últimos grandes terminais brasileiros, Confins (BH) e Galeão (RJ), aos derrotados de antanho.

Recorro a um velho adágio para antecipar: Vai dar merda!

No semestre passado, antes de iniciar o processo de audiências públicas que antecede a licitação, a Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República já haviam decidido criar duas regras para afunilar a concorrência “em nome do bem”. Regras estranhas às primeiras privatizações foram criadas. A primeira delas impedia os atuais concessionários de participar dos futuros leilões. A segunda, a exigência de expertise comprovada na exploração de terminais com movimento anual acima de 35 milhões de passageiros/ano.

Formalmente, a intenção é apresentada como saneadora dos “erros” das primeiras concessões. Foi o que disso o ministro Moreira Franco. Mas que erros são esses, uma vez que a própria ANAC alardeia aos quatro ventos que os exploradores privados das concessões de Cumbica, Viracopos e Brasília estão com o cronograma em dia, cumprindo rigorosamente a programação das obras ?

O erro aludido só pode ter um significado: tudo está certo, mas o que está certo não é feito por quem nós gostaríamos.

O governo nutre uma paixão declarada pela Fraport, operadora alemã que administra o aeroporto de Frankfurt. E também pela construtora Odebrecht. É o que se comenta abertamente nos bastidores de Brasília. Seriam eles os “eleitos” que não se elegeram, que perderam o negócio derrotados por gente como os grupos Inframérica, que venceu o leilão de Brasília, e Invepar, que administra Cumbica.

Em setembro, o texto do edital que vai reger os leilões será finalmente conhecido. O governo, por intermédio de Moreira Franco, já admitiu o abrandamento das restrições que, previamente condenadas pelo Ministério Público junto ao TCU, podem levar  à judicialização da licitação, atrasando o processo.

A primeira alteração conhecida tem por objetivo eliminar um problema de enquadramento legal. Ao invés de proibir expressamente, ANAC e SAC agora admitem que os atuais concessionários participem da disputa. Mas limitarão sua participação no capital do consórcio a apenas 15%, impondo ao parceiro estrangeiro (o administrador com expertise em terminais de 35 milhões de passageiros/ano) uma cota mínima de 20%. A Infraero, a estatal que o processo de privatização pretende afastar da administração aeroportuária dada sua absoluta incompetência, fica com 49%.

Se nada mudar nos próximos dias, o ambiente em que se dará a disputa estará acessível a quatro ou cinco grupos potencialmente interessados. O cenário que se vislumbra não é muito diferente daquele que agora surge como motivador das relações tortas entre os tucanos e o esquema Siemens/Alston, que tanta dor de cabeça tem dado ao tucanato em geral e a Alckmin e Serra em particular.

Observe o processo e conclua comigo. Você vai ficar encantado ao perceber que nem mesmo o ambiente de desconfiança suscitado pelas denúncias recentes, pelas manifestações e pela indignação popular é capaz de demover certas autoridades de prosseguir trabalhando em nome de interesses privados, quase sempre acima do interesse público que deveria nortear as ações de Estado.

Ou seja: vai dar merda!

Lula, o censor, por Ricardo Noblat

Indique a resposta certa:

Por que Lula repete com tanta insistência que o PT não precisa da opinião de “formadores de opinião” para saber como se comportar com decência?

Opção A: Porque a opinião dos “formadores de opinião” rejeitada por ele costuma ser contrária ao modo de o PT se comportar. Se fosse favorável, ele não reclamaria;

Opção B: Porque detesta “formadores de opinião” em geral e alguns em particular. Beneficia-se da opinião daqueles que o reverenciam, mas nem desses gosta muito;

Opção C: Porque a crítica aos “formadores de opinião” lhe garante largo espaço nos meios de comunicação. Isso massageia seu ego e atrai a solidariedade dos petistas;

Opção D: Nenhuma das opiniões acima;

Opção E: Todas as opiniões acima.

 

Foto: Ricardo Stuckert

 

(Não responda sem antes refletir um pouco. Lula é um cara complexo. Salvo a turma de sua época de sindicalista, poucos o conhecem de fato. Por esperto, espertíssimo, engana correligionários e adversários com facilidade. Com frequência não diz o que pensa, mas o que seus interlocutores querem ouvir. E depois faz o que quer. Em resumo: é um político nato à moda antiga. Mais para samurais do que para ninjas.)

De volta ao questionário. Cravou uma das opções?

A certa a meu ver: a opção E (Todas as opiniões acima).

Lula trata o PT como um filho. Por sinal, vive comparando o PT a um filho desde a época do estouro do escândalo do mensalão. Disse algo assim: “Qual o pai que pode saber o tempo todo o que seus filhos estão fazendo?”

Com isso quis se declarar inocente.

Entre ser entrevistado ao vivo pelo Jornal Nacional no dia seguinte à sua eleição em 2002 e começar a apanhar quando Roberto Jefferson denunciou o suborno de deputados, foi um pulo. Ali acabou a lua de mel de Lula com a imprensa.

Saiu de cena o ex-sindicalista que passou a perna em todo mundo e alcançou a presidência da República. Entrou o ex-sindicalista que se dizia perseguido pelas elites – embora elas jamais tenham lucrado tanto quanto no governo dele, embora ele as tenha paparicado sempre que pode, embora elas, hoje, torçam por sua volta ao poder.

O fato de não ter estudado porque não quis e de ter sucedido alguém que nunca parou de estudar alimentou em Lula um certo desprezo por aqueles que sabem pensar e expressar o que pensam.

Como se acha bem-sucedido – e de fato o é – imagina-se merecedor de todos os elogios possíveis e um injustiçado quando eles escasseiam. Ou quando são superados pelas censuras.

Disse um dia (cito de memória): “Gosto de publicidade. De notícias, não”.

Existe publicidade positiva e negativa. É da primeira que naturalmente ele gosta. Sobre a notícia ele não exerce controle. Exerce sobre a publicidade desde que pague a conta. Ou que tenha quem pague.

Talvez tenha sido o primeiro político dos tempos interessantes que vivemos a intuir que tratar mal a imprensa lhe renderia generoso e gratuito espaço na… imprensa. E assim procede até aqui.

Seus admiradores mais simplórios apreciam a disposição com que ele destrata jornalistas, formadores de opinião e os mais poderosos conglomerados de comunicação. Lula lhes fornece argumentos para justificar todos os passos do PT. E eles se sentem aptos a travar discussões com seus desafetos.

Não é bacana?

Leia o original no Blog do Noblat

Que venha o orçamento impositivo!

Charge de Chico Caruso publicada em O Globo em 3/3/2011Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,

Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:

É ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,

É ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.

(Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa)

A vida de um deputado do chamado baixo-clero, categoria em que 9,5 entre dez parlamentares se enquadram, pouco difere da de um representante comercial um caixeiro-viajante. O que ele faz, do amanhecer ao anoitecer, é percorrer incansavelmente ministérios pleiteando a liberação de recursos das emendas que conseguiu emplacar no Orçamento da União.

Essas emendas têm várias finalidades. Uma delas é fazer dinheiro. O deputado e o prefeito constroem arranjos financeiros com empreiteiros desonestos para a execução de obras e o desvio de parte dos recursos para seus próprios bolsos.

Mas há que se reconhecer que elas também atendem a demandas de uma parcela da população que está distante da burocracia federal e à qual os ouvidos do Planalto são moucos e insensíveis.

Historicamente, a liberação ou o contingenciamento dessas emendas decorre da avaliação que o governo faz do comportamento do parlamentar em plenário. Se ele é subserviente,  “leal”– ainda que na oposição — e cumpre seu papel na manada governista, é aquinhoado generosamente.

Caso se mostre independente demais ou eventualmente se insurja contra as orientações repassadas à base, é tratado apenas a pão e água.  Muitas vezes termina seus dias humilhado nas antessalas de Brasília, sem ao menos conseguir ser recebido pelo sub do sub que tem a caneta na mão.

É por tudo isso que ao governo provoca calafrios a aprovação da PEC que torna o cumprimento dessa fração do orçamento impositivo. Sem controle sobre as liberações, o Planalto perde muito mais do que as torneiras orçamentárias. Perde seu maior instrumento de controle ou, caso prefira, de coação sobre a vontade  — ou a consciência — dos deputados e senadores. É isso o que está em jogo.

Com a liberação compulsória das emendas, os congressistas estarão muito mais à vontade para votar, se quiserem, de acordo com suas próprias convicções ou conveniências. Estarão livres do torniquete que, ao amordaçar suas consciências, abre o caminho para a corrupção deslavada que infesta o Poder central.

Anestesiar consciências, promover o voto de conveniência por alguns trocados, é essencialmente uma forma de corrupção institucional que, no Brasil, passou a ser vista como normal e até desejável, já que sempre houve lucros de parte a parte.

Com o orçamento impositivo, almas que ainda podem ser resgatadas do purgatório patrimonialista certamente se sentirão mais à vontade para voltar à luz do dia e atuar com algum norte ético ou reatar vínculos de lealdade com o eleitor, este sim o grande perdedor do troca-troca francisco imoral e indecente que domina há anos o Congresso Nacional.

Se vai haver ou não uma melhora na qualidade da representação parlamentar, o tempo dirá. É provável que os vícios dessa cultura tenham feito estragos éticos insanáveis. Mas eles certamente terão mais tempo para se dedicar a algo que a maioria nem sabe direito como funciona: a elaboração de leis, a atuação em plenário e a fiscalização do Poder Executivo.

Pelo menos um mérito há que se reconhecer nesse projeto. Ele acaba com aquela figura abjeta do deputado sempre com o pires na mão que, como um pedinte, vai esmolar na Esplanada.

 

 

Todos são iguais perante a lama

A safra de escândalos nunca foi tão democrática quanto agora. Temos o do Mensalão, o clássico da categoria, o do Metrô paulistano e agora o da Petrobras. O arco partidário abarcado pelas denúncias vai da direita à esquerda, não distingue legendas e iguala novamente todos os políticos. É uma generalização ? É, mas faz todo sentido.

A diferença entre os dois ‘cases’ criminais que os brasileiros começam a entender e os demais é a origem: agora, são os corruptores que denunciam os corrompidos, uma novidade desconcertante para as máfias que se formam a partir dos legislativos e executivos em todos os níveis. Mesmo que um deles se declare louco e diga, arrependido, que faltou medicação tarja preta para manter sua boca fechada. É presumível que tenha faltado bem mais do que isso.

Em Mato Grosso, estado em que corruptos se ufanam abertamente do que roubam dos contribuintes, a propina ganhou até um apelido: bereré. Pergunte a qualquer cuiabano o que significa que ele te dirá sem pestanejar. “Vou faturar uns beberés com esse projeto”, é o que dizem os caras-de-pau da política quando se vêm diante da chance de amealhar algum dinheiro praticando o crime em nome do povo.

Se o quadro já é desalentador para quem se acostumou a ser tungado historicamente, pior ainda é o que está na iminência de acontecer a partir desta semana: uma anistia do Supremo aos mesmos canalhas que haviam sido condenados no ano passado. Anote aí, é isso o que você vai ver. A justiça brasileira é “garantista”. Garante aos que metem a mão no erário que eles nunca, jamais, vão ser afrontados com uma punição. Cadeia, então, nem pensar. Continua vigorando a lei dos três pês:  Cadeia é coisa de pobre, preto e puta, e não de petista, pessedebista e peemedebista. Esses aí são outros pês que se enquadram melhor no Congresso do que em estabelecimentos como a Papuda.

A crise moral que assola o País coloca claramente para o cidadão que o Estado é uma engrenagem construída não para gerir o bem coletivo, mas para conspurcá-lo. Não há remédio para cessar a roubalheira no ambiente da Instituições, é 0 que se constatará tristemente.

Quando tudo isso ficar mais claro, será possível finalmente fazer uma autocrítica e dar razão aos anarquistas que surgiram de carona das manifestações de junho.

Se não há o que fazer, talvez não reste alternativa sensata a não ser quebrar tudo!

Os rastros do ódio

Por Carlos Brickmann, em 06/08/2013, na edição 758 do Observatório da Imprensa

A ditadura militar não gostava de jornalistas, exceto dos amestrados; mas a oposição democrática nos apreciava. Sarney e Collor adoraram jornalistas, depois odiaram jornalistas, mas seus adversários gostavam de nós. A polícia jamais gostou de jornalistas – abrindo exceção apenas para um pequeno grupo mais acessível. O Ministério Público adora jornalistas, especialmente os que aceitam matérias prontas; e detesta jornalistas quando mostraram, por exemplo, que determinado procurador simplesmente copiava e colava textos escritos no escritório de advocacia de uma das partes do processo. O PSDB e o PT amam jornalistas a favor; odeiam os demais. O PT é mais flexível: aceita conversões e recebe os convertidos como filhos pródigos, servindo-lhes aquilo que há de melhor na mesa. Tanto o PT quanto o PSDB adoram jornalistas que criticam seus adversários.

Em resumo, caro colega, sempre houve gente favorável e contrária a nós, jornalistas. Mas agora estamos assistindo a um fenômeno intrigante: nessas manifestações, os jornalistas estão sendo sempre tratados como inimigos. Manifestantes queimam carros de reportagem, ameaçam agredir quem faz a cobertura das passeatas (e os jornalistas não têm quem os defenda, já que a polícia também apreciaria ver-nos numa travessa de prata, com uma maçã na boca). Dois profissionais de excelente reputação, Caco Barcellos e Fábio Pannunzio, já tiveram problemas com as multidões e por pouco não se transformaram em vítimas. A tropa de choque da polícia não hesitou em atirar seus sprays e balas de borracha em jornalistas, em alguns casos, foi muito claro, deliberadamente. Uma jornalista foi atingida por bala de borracha perto do olho, outro jornalista ainda não sabe se vai conseguir recuperar a visão prejudicada.

O mais interessante é que, tirando o pessoal que é criminoso mesmo e não quer que sua ação nas passeatas seja registrada, os manifestantes deveriam estar ao lado dos jornalistas, não contra. Os jornalistas colocam suas reivindicações nos meios de comunicação, amplificam os protestos. Mas, mesmo assim, são obrigados a disfarçar-se para fazer a cobertura, como se fossem jornalistas-ninjas, com o link escondido na mochila e usando celulares para captar imagens (forçosamente de qualidade inferior à de um equipamento apropriado), ou se limitam a descrever os acontecimentos tal como registrados pelos helicópteros da equipe.

Protesto contra a emissora? Besteira: os ameaçados e agredidos são profissionais que hoje trabalham num lugar, amanhã podem estar em outro. A violência atinge pessoas, não empresas de comunicação. E o slogan “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” é, antes de tudo, uma bobagem: quem é que dá à Globo, há tantos anos, a liderança absoluta de audiência na televisão?

Há uma longa discussão sobre os novos limites do jornalismo, nessa era de celulares que gravam som e imagem. A discussão certamente não é esta: os repórteres-ninja, que se tornaram populares nestas manifestações, exercem funções jornalísticas. Tudo bem: e quem os paga? Se o jornalista é amador, trabalha de graça, como poderá dedicar-se à profissão? Como fará para aperfeiçoar-se, aprender mais, tentar entender o que está ocorrendo?

É uma situação complicadíssima. Ninguém gosta de nós, mas o pior é que, ao mesmo tempo, quem não gosta de nossa profissão quer atuar no lugar dos repórteres, sem salário, sem vínculo empregatício. É jornalismo sem patrão; e sem pagamento, sem estrutura que possa mandar um repórter para uma cidade vizinha, que garanta o fluxo de informação mesmo nos dias em que o repórter amador decide que é melhor namorar, viajar ou jantar fora. Pior: sem qualquer tipo de visão isenta. O pessoal ninja documentou muito bem as passeatas, mas que ninguém peça a eles um esforço para ao menos entender o outro lado.

A situação deve melhorar com o fim das manifestações, algum dia. Mas nunca mais voltará a ser o que era.

 

Muita tristeza, uma boa notícia

As más notícias transbordam: a Editora Abril fecha várias revistas, funde dois sites, demite 150 funcionários (e talvez, não há confirmação, os cortes não parem por aí). A Rede Record demitiu muita gente, a Rede TV! já fez demissões, o Estadão e a Folha demitiram pesadamente. O jornalismo oferecido ao público perde em qualidade, as informações não são verificadas com a mesma minúcia, as reportagens de fôlego não são feitas por falta de tempo e de equipe. Perdem todos – inclusive os departamentos comerciais, porque quando há falta de consumidores para quem é que vão anunciar?

No meio de tanta má notícia, uma informação animadora: o excelente Mauro Beting, que havia sido afastado da Rádio Bandeirantes de São Paulo “porque as contas não fechavam”, foi readmitido. A emissora avaliou melhor os fatos, muitos ouvintes se manifestaram, todos em favor de Mauro, dois pesos-pesados da equipe da rádio, Milton Neves e Neto, se movimentaram para mantê-lo. Neto foi fundo: num programa, pediu demissão, para que “as contas fechassem” e fosse possível buscar Mauro Beting de volta. A direção da emissora tomou a decisão mais sensata: segurar Mauro Beting e manter a equipe toda, sem demissões ao menos nessa área.

E por que foi uma decisão sensata? Este colunista conhece Mauro Beting, trabalhou com ele, conhece seu incrível potencial – embora ele seja torcedor do time errado, fruto da educação futebolística equivocada inerente a toda a sua família. É simpático, estabelece boas relações com os consumidores de informação, tem grande capacidade de trabalho, não enjeita serviço. Faria falta à Bandeirantes. E sua falta seria ainda mais sentida se fosse trabalhar numa emissora concorrente, que ganharia melhores condições de disputar o mercado.

Seria interessante se outros profissionais, afastados na mesma operação que atingiu Mauro Beting e que têm capacidade e currículo, como Walker Blas e Adriana Cury, fossem logo chamados de volta. Uma emissora voltada ao jornalismo não é uma fábrica de parafusos, em que os profissionais entram e saem sem que os consumidores se preocupem com isso. Um jornal, uma rádio, uma TV, blogs, portais, têm personalidade própria; têm alma, e a perda de determinados profissionais queridos do público diminui a intensidade da empatia entre consumidores e produtores de informação.

Em tempos outros, havia editoriais do Estadão com frases como “estávamos em nossa fazenda, em Louveira (…)”. Editorial é a voz do jornal; como é que o jornal, uma empresa, estaria numa fazenda passando o fim de semana? Pois o leitor do Estadão sabia que aquele editorial era do dr. Julinho, Júlio de Mesquita Filho, que nem precisava assinar o que escrevia, já que seus leitores sabiam desde as primeiras linhas quem era o autor. É o tipo de relacionamento que anda fazendo falta, o tipo de relacionamento entre produtores e consumidores de informação que ultrapassa a esfera comercial.

Enfim, lamentemos as más notícias e esperemos que, como no caso de Mauro Beting, as empresas de comunicação não sejam encaradas pelos acionistas como entidades apenas comerciais, comandadas apenas pela contabilidade do trimestre.

Leia a íntegra no Observatório da Imprensa.

 

Apatia ?, por Marco Antônio Villa

Marco Antonio Villa

Por Marco Villa , em seu blog

Excetuando uma ou outra manifestação em julho, manifestação mesmo, não aquelas dos novos camisas negras, os fascistas do século XXI (black bloc), o país regressou ao berço esplêndido. O Congresso voltou ao normal, o normal de agir sempre contra os interesses republicanos. Dilma continua falando uma língua aparentada ao português, cita uma montanha de dados, falando de êxitos que só ela vê. A oposição sumiu. É caso até de chamar a Interpol para ver se é possível, ao menos, achar um dos pré-candidatos presidenciais. Eles sumiram.

O país está à deriva. Nada anda, nada funciona bem. A economia vai mal. Não conseguimos pensar o futuro. Em suma, voltamos ao mês de maio, antes das jornadas de junho.

Na semana que vem será retomado o julgamento do mensalão. Pode ser um bom motivo para o reinício das manifestações. Não será acidental, se o PT (através dos seus braços operacionais, como o MPL) relegar o julgamento e apontar suas baterias para a oposição. Desta forma, desvia a atenção do que interessa, o cumprimento das sentenças determinadas no final do ano passado, evita o ônus político (pois é o PT que foi condenado) e constrange a oposição com ações (e denúncias) meramente eleitorais. É bom nunca desprezar o PT: eles são profissionais e não largarão o poder (são mais de 23 mil cargos de confiança, controle dos milionários fundos de pensão de bancos e empresas estatais, centenas de sindicatos sustentados com dinheiro público, etc, etc) facilmente.

Contra a demonização da imprensa, por Sylvia Moretzshon

Foto: Ignacio Aronovich / Lost Art (http://lost.art.br/protesto_sp_130730_130801.htm)

Foto: Ignacio Aronovich / Lost Art 

Por Sylvia Debossan Moretzsohn em 06/08/2013 na edição 758 do Observatório da Imprensa

No debate realizado na terça-feira (30/7) no programa do Observatório da Imprensa, o representante da Mídia Ninja reiterou o que já havia dito em outras ocasiões: que não apoia a hostilização da grande imprensa, tal como vem acontecendo nas manifestações iniciadas em junho, embora considere que “muita gente na rua” possa entender, “às vezes até em uma visão um pouco simplificada, um pouco ingênua, que a mídia é uma grande conspiração”.

A condenação, entretanto, não ultrapassa o limite do comentário. E a hostilização não é de “muita gente na rua”, falando assim genericamente, embora decerto “muita gente” vá na onda.

O exemplo mais recente ocorreu na manifestação convocada pelo Black Bloc em São Paulo, na quinta-feira (1/8), quando militantes investiram violentamente contra repórteres e funcionários a serviço de grandes redes de TV. Pode ter sido mais uma “performance”, como representantes do grupo classificam suas costumeiras ações de depredação do patrimônio público e privado: é o que destaca a CartaCapital, numa entrevista pingue-pongue em que aceita o anonimato da fonte, algo impensável para o jornalismo até recentemente.

Atacado, o repórter Fábio Pannunzio, da Band, condenou os agressores em seu blog (ver aqui) e logo recebeu uma avalanche de críticas, tanto em seu próprio espaço quanto no Facebook.

Não é surpresa, é apenas uma constatação: a internet está longe de ser um ambiente propício ao debate. Porque favorece o imediatismo, facilita as leituras desatentas, as reações irrefletidas e as conclusões precipitadas, especialmente em tempos de radicalização como os que estamos vivendo. Em vez de argumentos, proliferam os insultos. E a lógica binária, rasteira, simplificadora: quem não está conosco está contra nós.

Protestos antigos

A rejeição automática a tudo o que se produz na grande imprensa é um sentimento particularmente caro aos estudantes de jornalismo empenhados na articulação de alternativas ao modelo dominante, eventualmente estimulados por professores que adotam o mesmo discurso simplificador.

Porém, quem está chegando agora talvez ignore que o povo não é bobo há pelo menos três décadas, quando as Organizações Globo foram acusadas de participar da fraude do caso Proconsult, que tinha por objetivo barrar a vitória de Leonel Brizola na disputa pelo governo do Rio, nas primeiras eleições diretas desde o golpe militar, ainda durante o governo do general João Figueiredo: naquela ocasião, em 1982, como na campanha pelas Diretas, em 1984, na greve dos metalúrgicos de Volta Redonda, em 1988, e na campanha de Lula em 1989, o slogan “abaixo a Rede Globo” foi cantado a plenos pulmões.

Carros e jornalistas da empresa – TV, jornal, não importa – eram atacados. Era um tempo de particular polarização ideológica, no longo e lento processo de saída da ditadura. O público, especialmente os militantes, via as aparências: os repórteres, seus crachás, seus microfones, os carros com o logotipo odiado. Não via, não podia ver, os conflitos nas redações, a luta de muitos profissionais para driblar a censura interna.

O livro Jornalistas pra quê? Os profissionais diante da ética, que o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro publicou em 1989, reproduz um debate entre assessores de imprensa de candidatos à presidência da República muito revelador desses bastidores. Os que estão chegando agora talvez se surpreendam com o comentário de Ricardo Kotscho, então assessor de Lula, sobre a perseverança de uma repórter da sucursal doGlobo em São Paulo: era a primeira a chegar, a última a sair, escrevia muito e não publicavam nada, mas ela não desanimava porque o material ia para a Agência Globo e seria reproduzido em outros jornais pelo país.

Se os operários que se aglomeravam na porta das fábricas para ouvir Lula naquele tempo resolvessem impedir o trabalho dessa repórter, estariam agindo contra seus próprios interesses.

Em nome da liberdade

Este exemplo, já distante no tempo, é apenas para mostrar que as coisas são, sempre foram, mais complicadas do que parecem.

O jornalismo da Globo, como o de outras empresas, mereceu críticas contundentes pela cobertura das manifestações de agora. Mas foi também esse jornalismo – como notou a ombusdman da Folha de S.Paulo, Suzana Singer (30/7, ver aqui) – que obteve as informações definitivas para demolir a acusação contra o jovem preso por supostamente atirar um coquetel molotov contra a tropa na noite do último protesto em frente ao Palácio Guanabara, ao conseguir cópia do inquérito em que o policial autor da prisão desmentia a versão oficial. Também foi a Globo que editou imagens próprias e oriundas das redes sociais – como as transmitidas pela Mídia Ninja – atestando que o rapaz não carregava mochila.

Só fez isso porque foi confrontada com as cenas que já circulavam na internet? Talvez, embora, como sempre, as intenções importem muito menos que as ações. Mas, se foi assim, isso só demonstra que, melhor do que hostilizar a grande imprensa, é forçá-la a abrir espaço para outras versões dos fatos.

É óbvio que as grandes corporações de mídia têm interesses que as levam a descumprir recorrentemente seus belos princípios editoriais. Mas também deveria ser claro que não se trata de estruturas monolíticas, impermeáveis aos conflitos que eclodem na sociedade, às vezes com força inusitada. Por isso, vociferar slogans contra essas grandes corporações, em vez de significar uma sólida consciência política, pode ser expressão de uma profunda ignorância. E passar das palavras aos atos, agredindo jornalistas e inviabilizando seu trabalho, é uma atitude incompatível com a ordem democrática e incoerente com os princípios de quem diz defender a liberdade.

Sylvia Debossan Moretzsohn é jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense, autora de Repórter no volante. O papel dos motoristas de jornal na produção da notícia (Editora Três Estrelas, 2013) e Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007)

N. do E: Agredeço ao Aronovitch a cessão da foto e recomendo uma visita ao site dele, onde estão algumas das melhores feitas durante a estação do protestos. Basta clicar aqui.

Para beber na fonte, clique aqui.

 

De um não-ninja para a Mídia Ninja: Viva a Mídia Ninja!

trashtvTenho cinco filhos. A mais velha, Bruna, com 24 anos de idade; o mais novo, Rodrigo, com 10. Sabem quantos deles assistem à TV aberta — onde aliás ganho honestamente o sustento deles todos (e o meu também) há 32 anos ? Só uma, a Vivi, que assiste ao Pânico na Band todo domingo. E mais nada.

Observo-os atentamente quando estão comigo nas férias escolares. Tenho a impressão de que nutrem pelo televisor o mesmo apreço que tenho pelo mimeógrafo e pelo telex, equipamentos que eram o Supra-Sumo da tecnologia quando o Supra-Sumo era o Supra-Sumo e eu, um repórter iniciante na carreira.

Os outros três moleques — Isabela, João Gabriel e Rodrigo —  não dão a menor bola para esse eletrodoméstico quase inútil que temos aqui na sala. Usam-no como monitor do video-game ou para assistir aos últimos episódios de Naruto, anime japonês que pode ser visto de graça no Youtube e em alguns sites piratas muito antes chegar ao Brasil. Dublado ou legendado.

Preciso confessar que a apatia deles em relação à TV me incomoda muito. São meus filhos, mas não são o meu público.

Querem ver um bom filme ? A locadora do quarteirão fechou as portas no ano passado. Mas temos o Netflix e a Apple TV, que resolvem bem o problema. A locação é barata e o cardápio de ofertas, enorme.

Querem morrer de rir ? É de graça no Youtube, onde você pode sempre descolar um episódio novo do Porta dos Fundos.

E quando querem saber alguma coisa do mundo — por exemplo, da política, que agora anda na moda entre os adolescentes ? Entram no Google, botam lá três palavras-chaves e pronto, o video com a informação aparece na frente deles. Nem é preciso esperar meu amigo William Bonner terminar o bloco de esportes ou o Datena encerrar o programa policial que antecede o Jornal da Band. Eles não perdem tempo com o que não querem ver.

Foi assim, pela internet, na Mídia Ninja, que meus filhos descobriram que o pai havia sido cercado por um bando raivoso de Black Blocs na Avenida Paulista semana passada justamente porque representa essa velha mídia. Ficaram consternados. E me deixaram com a sensação de que sou um operador de mimeógrafo, um ‘pestapista’, telegrafista, sei lá, o dono da locadora do quarteirão, qualquer coisa dessas que têm cheiro de mofo, que parecem ancestralmente velhas para o nosso atual padrão tecnológico.

Dominique Wolton, um antropólogo francês que foi protagonista da transição de eras (do modelo estatal para o privado) da televisão francesa foi superado. “O público é tributário da oferta”, ensinava ele na aurora da Sociedade da Informação.

Não é mais.

Agora, o programador é refém da vontade do público. Até para a escolha dos conteúdos de um telejornal consultam-se os oráculos caquéticos do IBOPE e os autodidatas de sempre com suas velhas ideias infalíveis–  aqueles que têm na ponta da língua uma receita que invariavelmente não funciona  para convencer o público a não zapear, desligar a TV ou ir para a internet.

E por que isso está acontecendo ? Aliás , o que está acontecendo ?

‘Especialistas’ no modelo de comunicação social que está se extinguindo (e está mesmo!) relutam em aceitar o óbvio: veículos de massa como os que tivemos até agora não têm mais espaço na modernidade tardia. São caros, enormes e incapazes de vencer a inércia. Eles representam uma espécie de fordismo comunicacional que pretendia fazer com que todos se contentassem com a mesma mensagem. Afinal, era o que havia para o momento.

Mas agora é outro momento e temos outras coisas.

É nesse contexto que surge a Mídia Ninja. A TV da internet que não tem uma bela imagem, mas  tem a informação que realmente interessa. Sem edição, sem outro filtro que não o do ‘locus’ da notícia, que também é um filtro. Os quadros vão de arranque em arranque, mas a informação está lá, no meio da multidão, entre pedras e balas de borracha, com cheiro de gás lacrimogêneo. O audio não é Dolby 5.1, mas pode-se bem ouvir os gritos, as palavras de ordem, os estampidos das armas e a indignação dos feridos.

É a informação perfeita ? Não! Ela mostra apenas um dos lados. É abertamente engajada. Mas é o lado dos que nunca tiveram voz nos veículos convencionais. E isso nós temos que admitir se não quisermos levar a pecha de pusilânimes reacionários. Ou de arcaicos Don Quixotes lutando contra os moinhos do tempo.

Lembro-me do Fora Collor. Houve manipulação, sim. Desde o ‘Entra Collor’, aliás, representado pelo engajamento descarado da imprensa na eleição do Caçador de Marajás. Mostramos o outro lado ? Também não! Enfaticamente, não!

O Lula, a quem eu tanto critico por seu personalismo e falta de compostura, foi deliberadamente prejudicado pela ‘mídia’ com a edição safada de um debate que ele realmente perdeu, mas nem tanto quanto se pretendeu fazer parecer.  Não há mais nenhuma dúvida sobre isso. A mesma manipulação houve também nas Diretas-Já, nas greves nunca noticiadas que pariram o PT na década de 80. E em muitos outros episódios caros à história do Brasil.

Eu estava lá, eu vi!

Isso tudo só foi possível porque não havia uma relação dialógica entre o público e a mídia. O que aconteceu 30 anos atrás foi motivado por algo está inscrito no campo da ética. Não havia ainda uma alternativa ao espectro eletromagnético para fazer o sinal sair do controle master das emissoras e chegar aos televisores das famílias. As TVs tinham um poder de vida e morte sobre a as construções simbólicas. E com ele iam construindo a mensagem, a política, a ideologia dominante.

Acabou-se!

Ao tempo do Fora Collor e dos Caras-Pintadas já havia o video-cassete e a câmera amadora. Mas se um manifestante filmasse um policial espancando alguém por puro sadismo, as imagens só chegariam ao conhecimento do telespectador se isso não contrariasse a linha editorial dos patrões. Como se fosse lícito e legítimo suprimir fatos para impedir que as pessoas formassem sua própria opinião em oposição ao pensamento hegemômico, a partir da maneira de ver o mundo e das conveniências de alguns empresários . O único caminho para tornar algo massivamente público passava pela vontade dos concessionários, dos donos de jornais e das revistas. Eles controlavam a opinião pública.

Não controlam mais!

Surgiu o fato novo. A internet trouxe a Mídia Ninja. E a Mídia Ninja, assim como seu congêneres, democratizou a comunicação. Tornou-a efetivamente dialógica. Tirou a pauta das mãos dos pauteiros e colocou-a nas mãos dos protagonistas dos fatos. A indústria de salsichas que produz notícias em série agora tem que temperar seus embutidos midiáticos de acordo com o gosto do freguês.

E, se você quer saber, pouco importa essa polêmica interminável em torno das suspeitas de atrelamento dos ninjas ao PT. O tempo vai elucidar tudo isso. Se forem realmente democráticos, se passarem incólumes pela provação ética, esses garotos vão mudar o paradigma comunicacional. Eles cumprem um papel muito importante: o de oferecer uma alternativa que vai democratizando a mensagem em outros meios.

Por isso, viva a Mídia Ninja!

Ela tem o desafio de provar agora que é diferente de tudo o que está sendo contestado — eu diria até mesmo expurgado — porque já não serve mais.

Se forem apenas mais do mesmo, se forem apenas uma nova empreitada para dar vantagem a um grupo ideológico ou partidário, se esta for uma iniciativa revestida do mesmo espírito da ‘velha mídia’ e da farsa da tal ‘imprensa progressista’, seus repórteres logo vão acabar sendo chutados das ruas.

Como eu mesmo fui outro dia.

Ativistas usaram a Deep Web para tentar quebrar sigilio de Dilma, Lula e governadores

A Deep Web, que costuma ser definida como o Reino de Hades da internet, foi utilizada por ativistas para arregimentar hackers dispostos a quebrar o sigilo eletrônico de várias autoridades brasileiras. Entre os “alvos” do cyberativismo estavam a Presidente Dilma Roussef, o ex-presidente Lula, os governadores Geraldo Alckmin (SP), Sérgio Cabral (RJ), Tarso Genro (RS) e Antônio Anastasia (MG). Além deles, foram relacionados também alguns mensaleiros do PT (José Dirceu e José Genoíno) e assessores de governos estaduais e da Presidência da República.A conclamação foi feita no fórum Caravana Brasil, que aparentemente é frequentado por militantes do Anonymous.

Os primeiros posts foram feitos no dia 1º de junho, duas semanas antes do início da onda de protestos. A conclamação aos hackers, postada em inglês, aconteceu ente os dias 8 e 28. Logo na primeira mensagem (veja na reprodução abaixo), os militantes brasileiros afirmam que estão sendo oprimidos com brutalidade pela polícia e estabelecem os primeiro alvos: a Rede Globo, a ABIN e as polícias militares de todos os Estados. O autor da mensagem se refere à Presidente da República como “vadia corrupta” para pedir que seu e-mail seja aberto e  todos saibam seus “piores segredos”.

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A relação de alvos cresce na medida em que os protestos ganham as ruas. No dia 18 junho, data em que aconteceu a maior manifestação, o apelo é reiterado. Mas a relação surge ampliada, com os nomes dos quatro governadores, do ex-presidente Lula, dos mensaleiros petistas e de alguns assessores (veja no detalhe abaixo) . Além disso, o autor da mensagem anexou informações fiscais disponíveis no portal da Justiça Eleitoral para subsidiar a ação do hackers.

A Polícia Federal afirmou ao Blog do Pannunzio que a movimentação foi acompanhada pelo setor de inteligência e os autores das mensagens, identificados. Seriam militantes de um grupo criado no Facebook por iniciativa de estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais ligados ao Anonymous, grupo que esteve muito ativo na primeira safra de manifestações.

A Secretaria de Comunicação da Presidência da República disse ao Blog que não tem conhecimento de qualquer violação do e-mail de Dilma Rousseff. Para o presidente do Comitê de Direito Digital da OAB/SP, Coriolano Camargo, os autores da convocação aos hackers poderiam sofrer consequências graves caso tivessem conseguido seu intento. “Eles certamente seriam processados e estariam sujeitos a penas que podem chegar a até oito anos de prisão” assegura o advogado. “A soma das penas equipara esse tipo de violação à prática de crimes contra a vida como o homicídio culposo”.

Saiba o que é a Deep Web

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A despeito de constituir ainda hoje uma novidade para a maior parte dos internautas, a Deep Web é um ambiente virtual muito maior do que a web “aparente”. Ela é composta por arquivos e bancos de dados que não são indexados por mecanismos de buscas como o Google e o Yahoo. Estima-se que o volume de informações no subterrâneo da internet seja até 400 vezes maior do que o que está disponível para usuários comuns.

Para chegar até ela é necessário ter um programa que torna a navegação anônima ao trocar o endereço de IP do usuário por outro, definido por um servidor, que intermedia o fluxo de dados entre o computador do internauta a e os que ele acessa na internet. A aplicativo mais utilizado é o Vidalia. Também há necessidade de baixar um navegador compatível com arquivos que têm a extensão .onion (e não .htm ou .html).  O mais utilizado é o Tor Browser, uma versão adaptada do Firefox que dá acesso à Rede Tor. Ambos podem ser encontrados em links do Google e em serviços de download de arquivos.

Para iniciar a navegação, é necessário encontrar links para a um documento conhecido como Hidden Wiki, que contém os caminhos para se chegar aos conteúdos que se abrem a quem se aventura pelas águas turvas do lado escuro da web.

Ali pode-se encontrar qualquer coisa. Pode-se, por exemplo, contratar um assassino para eliminar, por US$ 50 mil, um político nos Estados Unidos, ou uma pessoa comum por apenas US$ 10 mil.

A malha de comércio ilegal que se formou tem como atividade proeminente o tráfico de drogas e armas. Em sites como o Silk Road é são vendidas cocaína pura, metanfetaminas ou maconha diretamente de fornecedores do outro lado do mundo. Nessa autêntica babel de criminosos, a legitimidade das ofertas é aferida apenas pelo ‘feedback’ de quem já comprou e conseguiu receber a encomenda.

A economia do porão da rede tem até uma moeda própria, o Bitcoin. Ela não existe fisicamente, mas é objeto de um intenso jogo de especulações que chega a criar reflexos no mundo real. Pode ser convertida em dinheiro por empresas que são verdadeiras casas de câmbio virtuais. Atualmente, a cotação do Bitcoin está por volta de US$ 105 dólares a unidade. Quando surgiu, em 2009, o valor era de apenas US$ ,05 (cinco centavos de dólar) por bitcoin. No primeiro semestre, graças à desconfiança gerada pelos bancos formais no auge da crise européia, a cotação chegou a US$ 266. Suspeita-se que o criador da unidade monetária seja apenas um personagem virtual que “desapareceu” no ano passado.

Quem se aventura a navegar pela Deep Web deve estar preparado para ser atacado por hackers, que exploram vulnerabilidades de seus computadores para roubar dados e disseminar vírus poderosos.

Mas atenção: não há garantia completa de anonimato. Ao navegar pelas páginas do inferno em rede, você pode acabar surfando na tela dos serviços de inteligência policial.

A rede, no entanto, também é utilizada para outros fins. Foi graças a ela, por exemplo, que eclodiram dois dos escândalos mais rumorosos da década: o Wikileaks e a denúncia de espionagem em massa do ex-agente da NSA Edward Snowden.

Se quiser conhecer a íntegra das mensagens postadas pelos ativistas brasileiros, que já saíram do ar, clique aqui.

Um ‘Black bloc’ sem máscara

marcelopinhoEste será meu último post no Facebook!E será justamente para explicar e me revelar como um dos mascarados que fazem parte do Black Bloc. Nós não somos quem fomos retratados, a mídia nos associa a vândalos e criminosos. Simplesmente compartilhamos os valores e princípios de liberdade, sua defesa e busca por ela. Nós somos pessoas comuns preocupados com o estado deste mundo. Somos seus vizinhos, seus amigos, sua família, seu carteiro, atendentes de loja, e etc. E unidos nós queremos mudança, uma mudança que pelo menos uma vez seja para atender os interesses do povo deste mundo. E por que escondemos os rostos? Ahhh, amigo! O Sistema cobra o seu preço e provavelmente cobrará de mim por me revelar.E como me tornei um?

Um dia acordei como qualquer outro dia. O despertador, o pequeno incômodo nas costas, o raio de luz atravessando a cortina. Foi como o dia anterior e o precursor de outro dia. Todos os dias eram exatamente iguais. Acordar, café, aprontar-se, sair para trabalhar. Gastar o dia todo no trabalho lidando com merda que eu não podia me preocupar menos, simplesmente para render algum dinheiro. Ir para casa, comer, duas horas de tempo livre, cama… tomar banho e repetir!

E foi assim que um dia foi diferente. Por que algo me atingiu. Reconheci para o que serve esse Sistema e para que ele existe, MERDA TOTAL! Identifiquei-me comigo sobre o que a vida deveria ser, ao invés do que é simplesmente aceito. Mas, por quê? Por que tantas pessoas desprezam aquela coceirinha profunda na alma, que chama por eles? Tentando relembrar-lhe o que a vida deveria ser…ou talvez eu deva enfatizar ainda mais minha crença dizendo como essa vida deveria ser.

Nós estamos realmente neste mundo para ser criados como crianças moldadas em conformidade? Ensinados sobre o que é “normal”, como pensamos, o que falamos, como viver? Nós começamos nossas vidas com constante doutrinação sob o pretexto de educação apenas para crescer com expectativas mais altas em meio a todo lixo que a sociedade joga em nossas mentes. Nossa obsessão por ídolos, entretenimento, celebridades, faz-nos tentarmos atingir riquezas e fama até que finalmente percebemos que a realidade esta batendo em nossa porta e é hora de colocar o terno e conseguir aquele emprego que todos sonham. E por que não? Talvez comprar uma casa legal, um carro bom, dinheiro suficiente para viver confortavelmente insensível ao mundo que nos rodeia… talvez um cachorrinho seria bom também. Sim, acho que sim…
Sony lançou uma nova TV grande?? Hum, eu tenho que tê-la…
Logo depois parcelar meu BMW.

Nós crescemos espelhados em “quem devemos ser”. Nós viramos aquela pessoa, e somos forçados a comprar, vestir e sermos felizes de acordo com o que falam. E se você não consegue ser feliz, bem, há remédios e drogas para ajudar. Então envelhecemos, talvez compramos uma casa na praia e por fim morremos…

É para isso que estamos aqui? Para ser moldado, ensinado a consumir até o dia em que seremos enterrados? Conformidade, corrupção, apatia, aceitação, opressão, violação de direitos humanos. Milhares de pessoas sofrendo, famintas, lutando. Mas, por que?? Por que isso acontece?? E como isso é aceitável?? Altos executivos estão vivendo uma vida luxuosa enquanto estupram a terra que nós compartilhamos e roubam nossa maneira de viver. Nossas culturas estão poluídas por suas pregações de capitalismo e consumismo. Nós realmente ainda nos conhecemos? Você gosta do que vê em sim mesmo? Você esta feliz com a vida que tem, a luta de seu cotidiano, e com as vidas dos próximos a você? Você pode justificar honestamente por que as coisas estão indo bem. Para você neste momento, nada precisa ser feito para mudar este mundo, acabando o sofrimento e dificuldade de milhões de pessoas? Para onde foi nossa compaixão? Onde está nosso amor à vida?

Quase metade do mundo, mais de 3 bilhões de pessoas vivem com menos de $2,50 por dia. 3 BILHÕES!!! Ao menos 80% da humanidade vive com menos de 10 dólares por dia e vivem em países onde as diferenças estão se alargando. 22 mil crianças morrem por dia graças a pobreza e 1 bilhão vivem na pobreza. Isso é 1 a cada 2 crianças no mundo. Enquanto trilhões são gastos em expensão militar e a lista de injustiças e corrupção no mundo não acabam… e agora eu pergunto de novo, como viemos a aceitar isso? Simplesmente por que é do jeito que é e foda-se?

Se nós humanos temos razão, lógica e compaixão então eu digo que aceitando o inaceitavelmente injusto é menos aceitável. Meu cérebro explodiu ligando os receptores e permitindo meu processo de pensamento para compreender estas coisas especificamente. Eu não posso mais aceitar essa insanidade só porque “é o jeito que é e foda-se”.

Hoje eu posso ver o Sistema antes de mim, suas engrenagens girando, cercando-nos de todos os ângulos enquanto a máquina engole todos nós. Meu coração e alma inflamaram com ideias que me tornaram um anarquista e consequentemente um Black Bloc. E agora nós devemos esclarecer as coisas. Nós somos um dentro de nossa causa e com liderança horizontal. Black Bloc não é uma associação ou grupo de vandalos e criminosos, Black Bloc é apenas a força oprimida do povo. Que defende a verdadeira liberdade, para um mundo livre de corrupção, opressão e tirania, onde nós podemos viver nossas vidas como verdadeiramente somos e sermos aceitos por isso. Um grupo que procura defender tais liberdades e seguir o caminho próprio no melhor interesse das pessoas desse planeta, ao invés de atender às contas dos bancárias de uma pequena porcentagem da elite rica, políticos corruptos e funcionários do governo. Ao compartilhar estas ideias, somos todos anarquistas e Black Blocs, espero que um dia seu cérebro e coração inflamem como o meu.

Lutar, criar, poder popular!

 

** Nota do editor: Marcelo Pinho foi um dos mascarados, a quem chamei de ‘anjos da guarda’, que intervieram em meu favor no dia em que fui cercado na Avenida Paulista. Ele não gostou da utilização de uma expressão de cunho religioso como metáfora dessa intervenção salvadora. Sou ateu praticante como ele. E agradeço o fato de ter me protegido da ira dos que queriam me expulsar na marra do meio da manifestação.

“Como você quer uma revolução no Brasil que seja feita com passeata ?”

Comentário do leitor  Anderson Alves da Silva

Olá, caro amigo Pannunzio; “acho que você deve ter uns quinze anos de idade. Ou então é um idiota completo. Fale lé com cré antes de sair por aí fazendo arruaças. Jornalismo da corrupção é a sua mãe”; ora, ora quanta rebeldia…. a mesma rebeldia que me inflama quando vou as manifestações.
Eu sou um estudante de 22 anos, passei em vestibulares como USP, UNICAMP, UNESP, UNIFESP; e ao contrário de muitos, sou pobre da Z/L de SP… pego metrô, trem, e ônibus onde tenho que ficar apoiado na porta da frente de tão lotado. Minha tia morreu em um hospital publico de Ermelino Matarazzo por descaso (falo com lágrimas nos olhos)onde o leito dela estava sujo de sangue de outra paciente, meu salário em inflação subiu cerca de 12% nos últimos anos, onde a tarifa de ônibus subiu cerca de 188% no mesmo período, comprei um pacote de arroz onde 85% dele era impostos, uma régua escolar tinha 97,5% de impostos, e poderia ficar citando vários outros exemplos. Sinto-me agredido todos os dias e nada posso fazer!!!!
“Se os que me agrediram me pedirem desculpa, podemos fazer as pazes. Mas não creio que isso vá acontecer”; por isso não acredito em mídia, política ou democracia.
“Você é um imbecil truculento. Vá se ferrar, babaca”.
Não é possível que um cara tão esclarecido como tu, não vejas o mal que é causado para o povo tanta farsa, mentira, hipocrisia, pacifismo e falso moralismo que é disseminado na mídia com tamanha cara de pau.
Você, estudado, assim como eu ( mesmo com pouca idade ) sabe que desde a Revolução Francesa, Russa, ou até mesmo a revolução silenciosa feita pelos romanos quando abdicaram de seus serviços para chamar atenção, nenhuma delas foi PACÍFICA!!!
Como tu queres que uma revolução no brasil ( sim, em minúscula ) ainda por cima seja feita com passeata, e não com protestos??? Você também deve saber a diferença de passeata, protesto, manifestação, vandalismo e desobediência civil.
Para mim vandalismo é queimar o carro do Seu João, roubar a lojinha da Tia Maria, apedrejar farmácia, saquear mercados, entrar em ônibus, metrô, trem lotado, morrer no hospital por falta de atendimento como minha tia, impostos mais caros do mundo, morar em um dos países mais corruptos do mundo ( senão o maior ).
Invadir, apedrejar, queimar (assim como a Queda da Bastilha), símbolos do poder, sonegar impostos em época de crise é caracterizado como desobediência civil. Espero que você tenha lido Henry David Thoreau , ou A revolução dos bichos alguma vez.
O que é demonstrado nas ruas, assim como na ditadura, é apenas uma reação legitima e instintiva de uma sociedade que vem sendo agredida, vandalizada, extorquida e assassinada á anos. Os atos de “vandalismo” dos Black Bloc são apenas o reflexo de uma realidade que com certeza você, seus filhos e sua neta não conhecem de perto.
“Poderia me dizer qual é a mentira do que eu acabei de escrever?”
E para terminar, ainda com tudo isso estudo, trabalho, sustento minha mãe e irmã honestamente com dois salários.
“E pode me dizer como eu vou criar meus cinco filhos, a minha neta e a minha enteada trabalhando honestamente ?”
Ops!!! Quer dizer que tu não trabalhaste honestamente??? Eu respondo:
Com caráter e dando a cara pra bater!!!!!! Espero que o Sr. leia. Obrigado pela atenção.

 

** AS frase que aparecem entre aspas são da lavra do editor deste blog.

Vamos conhecer os seguidores do Black Bloc

Há uma discussão muito boa sendo travada neste blog. Acho que ela abre uma oportunidade de conhecer  esses caras que vestem roupa preta, colocam máscaras e assumem seus ataques a símbolos do regime, do sistema, do Estado, das Instituições (entre elas a imprensa, que eu represento). Tenho recebido bons textos na área de comentários e gostaria de compartilhá-los com vocês.

A discussão às vezes é bem áspera, mas o conteúdo é sensacional. Como é um fenômeno novo no Brasil, a melhor forma de saber o que eles querem, conhecer suas justificativas, compor um quadro realista de sua base ideológica, política e moral é ouvi-los falar.

Como vocês sabem, as discussões travadas aqui são livres, mas eu faço a moderação. Censura, apenas para vitupérios e provocações injuriosas.

Espero que vocês aproveitem.

A resposta do Black Bloc às críticas do Blog

Fábio Pannunzio, sinceramente, não apoiamos agressões físicas contra ninguém, assim como não queremos ser oprimidos é um erro oprimir pessoas. E da nossa parte pedimos desculpas. Apoiamos sim, a resistência, nem que para isso tenhamos que usar a força contra a polícia que tenta nos reprimir sem motivo, existem diferenças que creio que até para alguns Black Blocs ainda é desconhecida e ser precisam aprendidas estas diferenças.

Acredito que o Black Bloc, principalmente em São Paulo deva aprender mais sobre a tática, ainda existem pessoas com muita energia mas pouco foco estratégico, e isso têm que ser analisado para uma melhor ação dentro dos protestos para conseguirmos resultados efetivos, no menor tempo, sem que hajam baixas entre nós e entre qualquer ser humano que está nas ruas protestando e/ou trabalhando.

Mas vamos aos pontos:

Primeiramente gostaria de rir de você, pelo artigo emotivo que escreveu, você não tem mais idade para deixar as emoções aflorarem rabiscando palavras enraivecidas assim em uma passiva folha de papel.

Segundo, apontar as páginas do Black Bloc como provocadores ou como manipuladores de massa, chega ser ridículo e patético, vindo de uma pessoa aparentemente esclarecida da vida real. Porém. não poderíamos esperar nada mais de um reacionário que possui o mesmo papo alienador que o Estado tenta enfiar goela abaixo de todos.

Retificando o que você disse, o provocador de toda esta raiva, são vocês, pessoas que exploraram, humilharam e alienaram o povo por todo este tempo. O Estado opressor, as corporações gananciosas e a mídia corrompida manipuladora a favor do Estado e das corporações…TODOS VOCÊS PSICOPATAS ENRUSTIDOS iniciaram isso, e são vocês que dia após dia inserem mais e mais combustível para abastecer ainda mais a revolta popular. Quando vocês oprimem, mentem, manipulam, exploram, obrigam, ignoram, o nosso combustível aumenta e focamos na vontade de mudanças drásticas no que está acontecendo. Nós estamos despertos, diferente do público que você costumava, e ainda costuma enganar, seja por falta de conhecimento; seja por falta de caráter você executa tal ato. Terminando, QUEM COMANDA NOSSAS PAUTAS SÃO VOCÊS PSICOPATAS DA SOCIEDADE! Cada ato psicótico que vocês executam contra nós, nós nos movimentamos contra! Você é um reacionário patético.

Mas, por fim, venho escrever esta resposta, não para defender as páginas, não para rir de você, mas faço isso para deixar claro de uma vez por todas, e contrariar a sua afirmação penosa (entre muitas outras) que nós do movimento Black Bloc não temos objetivos. Amigo…nós temos sim objetivos claros, e como disse acima ou você é muito ignorante e você como repórter não merece ser chamado por tal função, ou então é um cara extremamente tendencioso de acordo com seus interesses.

O Anarquismo visa a retirada do poder acima do povo, retirada do Estado e toda e qualquer forma de coerção.

Como sistema, é um objetivo distante, e muuuitos passos precisam ser dados antes de chegarmos a ele.

Sinceramente, não sabemos se a sociedade caminhará para isto, e na verdade, no momento não importa. Pois muitos pontos imediatos que queremos entram muito de acordo com a vontade de uma maioria esmagadora da sociedade oprimida atualmente.

Não somos nós que iremos falar o que o cada um do Black Bloc quer, pq não ousamos falar por ninguém, como vocês estão acostumados fazer de forma prepotente, mas independente das muitas motivações que muitos possuem para saírem às ruas na região que moram, creio que existam alguns pontos comuns, e peço desculpa e licença para todos do movimento para tomar a liberdade em falar, para acabarmos de uma vez por todas com estes comentários que tentam desmerecer o movimento.

Tomo a liberdade, com todo o respeito à todos, em dizer que queremos:

Um Estado sem corrupção, e iniciar pedindo que diminua e muito a corrupção; pedir o afastamento e punição dos corruptos já é um começo, mudando leis injustas que precisam ser mudadas e exigindo que as vigentes coerentes sejam de fato cumpridas.

Queremos igualdade social, nós vemos abundância aonde vivemos, mas não vemos esta abundância sendo usufruída por todos, somente uma pequena parcela goza com os excessos, e se fartarão por incontáveis vezes, enquanto outros só em seus sonhos mais impossíveis conseguirão vislumbrar os mesmos prazeres.

Outro foco, e é aqui que você entra, lutamos contra a mídia corrompida que é totalmente culpada pela alienação do povo, se aproveitando da inocência de muitos para poder jogar no lixo sua ética profissional e enriquecer e controlar de maneira sórdida o povo, escondem a verdade para lucrar com as mentiras! Ler o seu texto reacionário feito em lágrimas é um exemplo pequeno do que nós lutamos contra, neste ponto.

Lutamos por uma democracia muito mais participativa do que representativa, onde Estado nenhum irá se ver no direito de encostar a mão no cidadão que exige os seus direitos ou quer participar das escolhas que o Governo faz com o seu dinheiro. Neste ponto a polícia entra como o braço carrasco do Estado, então lutamos a favor da desmilitarização da polícia.

Hoje, não estamos lutando para que o anarquismo seja imposto, lutamos para que passos sejam dados para sairmos de um Estado ditador, para uma democracia de fato, onde o povo que quer participar das decisões políticas seja ouvida de forma alta, clara e, principalmente, seja atendido.

Espero ter sido claro o suficiente para que mentes reacionárias como a sua entendam.

Black Bloc São Paulo”
Espero que não censure…

Adeus, fascistas mascarados!

mascarados

Ontem fui destacado para cobrir a manifestação convocada pela página Black Bloc do Facebook. Estive com os manifestantes desde as cinco horas da tarde, quando eles começaram a se concentrar em frente à Prefeitura de São Paulo.

Acompanhei todo o trajeto da marcha até a Avenida Paulista. Vi quando um policial agrediu, sem nenhum motivo e de forma covarde,  pelas costas, uma manifestante que  subia a Brigadeiro Luís Antônio.

Anotei um fato importante, que deveria inspirar alguma reflexão por parte da entidade que comanda os jovens que, de rosto coberto, protestam contra… Contra o que, mesmo ?

Percebi que alguma coisa mudou radicalmente  desde o início da safra de protestos. Quando saiu do Centro, a manifestação tinha cerca de 500 participantes. Quando chegou à Paulista, tinha os mesmos 500.

Um bando de mascarados forma uma imagem bastante simbólica. Uma imagem forte, que atrai o olhar de quem passa ao lado.  Por isso, muita gente ao longo do trajeto parava sobre os viadutos, se debruçava sobre as fachadas dos prédios, para ver o cortejo.

Mas ninguém aderia. Não era como antes, quando o coro “vem pra rua, vem, você também”  funcionava como um catalisador e ia agregando milhares à multidão. Agora, os mascarados formam um grupo monolítico, hermético, impermeável à sociedade. Um grupo cuja beligerância mais afasta do que congrega. Por isso eles saíram e chegaram do mesmo tamanho.

Mais uma vez, houve muitas hostilidades contra jornalistas e técnicos das empresas de comunicação. A primeira vítima da ira dos arruaceiros foi o motociclista da equipe de moto-link da Band. Ele foi empurrado e derrubado. Ameaçaram linchá-lo e depredar seu equipamento. Isso só não aconteceu porque um grupo de manifestantes contrários à prática da violência (contra pessoas) interveio.

Logo adiante, eu mesmo acabei me transformando em alvo da ira daquela turba. Um grupo me cercou, tentou tomar meu microfone e passou a me atacar fisicamente. Deram cotoveladas, caneladas e chutaram meu joelho. É horrível ser cercado por uma alcateia raivosa, que baba de ódio de tudo e te enxerga como inimigo a ser eliminado.

Senti-me ultrajado com a intimidação. Não é possível que um jornalista não possa exercer seu ofício em plena rua de um País livre e democrático. Resolvi resistir ao expurgo, finquei pé e enfrentei os arruaceiros. O clima ficou péssimo. E só não foi pior porque, mais uma vez, alguns anjos-da-guarda mascarados vieram em meu socorro. Agradeço imensamente sua intervenção.

Mas ela só aconteceu depois que os vândalos já haviam danificado o microfone, impossibilitando a continuação do meu trabalho.

Quando me deitei, horas depois, a imagem daqueles pares de olhos de onde crispavam ofensas por detrás de capuzes e balaclavas não me saía da cabeça. Os gritos, as ameaças, a coação, as estocadas. A covardia de quem tapa o rosto para ganhar coragem de enfrentar o que não consegue enfrentar de cara limpa.

Sabe o que parece ? A Ku Klux Klan  vestida de preto. É isso que parece: a KKK pós-moderna – um grupamento fascista e antidemocrático que não tem nenhuma proposta construtiva. Destruir é a palavra-chave. Destruir os governos, as instituições, o capitalismo, a liberdade de imprensa. Para por o que no lugar ? Eles não sabem. Só querem destruir.

O que é o Black Bloc ? Uma “estratégia”, como essa gente se auto-define. Mas uma estratégia sem um objetivo. O meio sem um fim, sem um propósito que se possa vislumbrar.

Para mim, são apenas um bando de idiotas comandados por alguém que de longe inspira suas mentes. São robôs a serviço de uma página do Facebook, um exército de mentes vazias que atende prontamente ordens de comando vindas de uma entidade eletrônica incorpórea. Uma tropa sem general, um exército de Don Quixotes que confunde uma bacia de barbeiro da democracia com o Elmo de Mambrino do fascismo. E que vai compondo sua “Má Figura” como um mosaico assustador, que as pessoas têm medo de enxergar.

Quem é que constrói suas bandeiras ? Quem é que constrói a agenda que os pauta ? Eles mesmos não sabem. São uns robozinhos teleguiados pela internet fazendo arruaças niilistas.

Pois bem. Entendi, finalmente, que nós, jornalistas, não somos bem-vindos à República dos Mascarados. Nela, não vigora a nossa Constituição. Não existem as salvaguardas do Artigo Quinto. A liberdade é tão escassa quanto os negros e pardos.

Não é apenas a ordem jurídica e o sistema que eles querem suplantar. Se pudessem, revogariam a Lei de Talião, o Código de Hamurabi, o processo civilizatório. Em seu lugar, instaurariam um sociedade de bárbaros, uma colmeia de abelhas em que as operárias não trabalham, as soldados não combatem, as rainhas não põem ovos.

Por tudo isso, estou fora dessas manifestações.  É uma capitulação assumida. Falo isso com a autoridade moral de quem foi o primeiro jornalista a declarar apoio às manifestações do Movimento Passe Livre.

Desejo aos equivocados de boa-fé sorte na construção de seu projeto político, seja ele qual for. Não vou mais a essas marchas, nem como cidadão, nem como jornalista. Se não me querem, agora eu também não os quero mais.

E antecipo uma promessa: se um dia se saírem vitoriosos, hipótese que beira o absurdo, há de restar para mim um canto neste planeta imenso em que as pessoas não estejam suscetíveis a esse vírus fascista que se espalha pela internet para contaminar mentes humanas. Que reduz cérebros humanos a meras extensões de uma virtualidade deletéria, como se fossem HDs externos rodando um software alienígena.

Atenção passageiro: Depois do anúncio de demissões, clima está péssimo na TAM

Não poderia ser pior o clima entre funcionário de terra e tripulantes dos aviões da TAM desde que a companhia anunciou, no último dia 30, que iria dispensar ao menos mil tripulantes para equilibrar suas planilhas de custos. Em contato com o Blog do Pannunzio, pilotos e comissários alertam que isso pode implicar em problemas para a segurança de voo. A lista com os nomes dos funcionários que serão desligados ainda não saíram. Mas, a partir da divulgação das escalas de voo, já é possível saber quem será cortado, pois seus nomes foram excluídos dos voos a partir do próximo dia 26.

O estresse da tripulação é comprovadamente um dos fatores contribuintes mais importantes para a ocorrência de acidentes. No Brasil, esteve presente em pelo menos dois episódios que comoveram a opinião pública. O primeiro foi o que envolveu um cargueiro da Transbrasil em 1989. Cansada e desgastada, a tripulação cometeu um erro operacional — a abertura simultânea dos flaps e spoilers aerodinâmicos — que terminou por provocar a queda de um Boeing 707 cargueiro a três quilômetros da cabeceira da pista de Cumbica, em Guarulhos. Além dos tripulantes, 22 pessoas em terra morreram. Houve mais de cem feridos.

Outro acidente provocado por esgotamento foi o que vitimou a banda Mamonas Assassinas em 1996. Depois de uma jornada de mais de 18 horas, os pilotos do Learjet PT-LSD erraram no procedimento de aproximação. Ao arremeter, não entenderam as ordens do controle de tráfego, inverteram uma curva e bateram num morro da Serra da Cantareira.

“Não se pode pedir para que um piloto cumpra aviso prévio voando”, disse ao blog comandante da TAM. “O que está em questão são as vidas de dezenas de passageiros e de toda a tripulação.

A diretoria da TAM está reunida neste momento com representantes do Sindicato dos Aeronatuas. O blog vai acompanhar e atualizar assim que possível as informações.

 

Perfil do vândalo: arruaceiro médio, segundo a polícia, faz parte da elite

vandalismoFábio Augusto Morales Soares é mestre e doutor em em História Social pela USP. Tem 30 anos de idade, é solteiro e dá aulas como professor substituto na PUC de Campinas. A rigor, seu invejável curriculum não tem pontos de intersecção com o da massoterapeuta Diana Parisi Dias de Moraes, 28 anos, uma ativista social cujo perfil no Facebook é utilizado para a convocação à participação em atos de hostilidade à mídia convencional e em apoio aos moradores da Favela do Moinho, na Barra Funda, em São Paulo.

É possível que Natini Pérola de Barros Oliveira, uma estudante de 24 anos de idade, não conheça o professor Fábio Augusto nem a massoterapeuta Diana Parisi. Mas é certo que se relacione com Jorge Eduardo Hechert, 27 anos de idade, também estudante, igualmente solteiro, com quem divide um apartamento no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo. Mas todos eles estavam no mesmo lugar, na mesma hora e, segundo a Polícia Militar, fazendo a mesma coisa: depredando concessionárias de veículos, agências bancárias,  pichando prédios e ônibus, apedrejando policiais na Avenida Rebouças.

Os nomes dos quatro constam do boletim de ocorrência lavrado na noite do último dia 30 pelo Décimo-quarto Distrito Policial, em Pinheiros, São Paulo. Juntamente com os de 16 outras pessoas flagradas pela PM ‘vandalizando’ tudo o que estava ao alcance de suas mãos, martelos, pedras e latas de spray de tinta.

O grupo  era estimado em cerca de 200 pessoas por observadores da polícia. Os manifestantes atendiam a uma convocação da página do Black Bloc, que se autointitula uma estratégia anarquista que não dá suporte a nenhum tipo de bandeira política. Mas tem servido para a arregimentação de vândalos que migraram das redes sociais para as ruas, pagando carona nas manifestações.

A lista dos que depredaram patrimônio público e privado — e foram liberados depois de fichados — é composta por 15 nomes e permite construir um perfil médio desse novo persoangem. A primeira constatação possível é a de que não se tratam de alienados políticos, não se enquadram na categoria marxista do lumpemproletariado e bem poderiam ser classificados como “eites”– na acepção lulopetista do termo.

O arruaceiro médio tem 23 anos de idade, é branco, mora em um bairro central e, na maioria dos casos, já passou por alguma universidade. Todos se declaram solteiros — apenas o companheiro de Natini se diz “convivente”. Apenas dois declararam ter a pele parda. Nenhum é negro.

A maior parte do grupo de supostos vândalos é formada por estudantes sem qualquer outro tipo de atuação profissional. São seis casos entre os 15 detidos que foram autuados em flagrante e liberados em seguida. Mas há dois professores, um bancário, um empresário, um editor, um estoquista, um operador de telemarketing, a massoterapeuta e outro que não declarou em que trabalha.

Três dos 15 acusados de vandalismo têm curso superior completo. Outros nove declaram não ter ainda terminado o ensino superior. Os que já passaram por alguma faculdade, portanto, representam 75% dos que foram presos em flagrante. E metade mora em bairros ricos da cidade de São Paulo. Na relação de endereços fornecidos há bairros como a Vila Madalena, Vila Mariana e o Centro.

Quanto aos meios utilizados para a depredação, o personagem proeminente é justamente a massoterapueta Diana Parisi. Com ela foram apreendidos um martelo, um cabo de madeira, um rolo de fita adesiva e peças automotivas. A PM também apreendeu toucas ninjas, bandanas e latas de spray.

O blog tentou falar com as pessoas citadas neste post. O professor Fábio Augusto Soares e Diana Parisi não atenderam. Natini afirmou que não iria fazer comentários. O companheiro  dela, Jorge Hechert, ligou em seguida. Ele confirmou ter participado do protesto e disse que foi vítima de uma arbitrariedade, pois não esteve em nenhum ato violento.

Abaixo, você vai encontrar a relação de nomes e a qualificação dos indiciados. O Blog não vai divulgar a fac-símile do boletim de ocorrência para não devassar os endereços e telefones dos acusados, que constam do documento.

Nome Idade Estado civil Profissão Bairro cor da pele instrução
Antero Augusto Martins Filho 18 solteiro Estudante Tremembé branca segundo grau completo
Bruno Dias Ferreira 24 solteiro Vila Nova Cachoeirinha parda superior incompleto
Diana Parisi Dias de Moraes 28 solteiro masso-terapueta Belém branca superior completo
Diego Gonçalves da Silva 24 solteiro bancário Moóca parda superior incompleto
Fábio Augusto Morales Soares 30 solteiro Professor Parque das Uiversidades – Campinas branca superior completo
Fernando Correa de Sá 24 solteiro empresário Vila Dom Pedro branca superior incompleto
Guilherme Magalhães Chelles 18 solteiro Estudante Vila Galvão branca superior incompleto
Henrique Montezano Lopes 18 solteiro Estudante Jardim dos Bichinhos branca segundo grau completo
Jorge Eduardo Hechert 27 convivente Estudante Largo do Paissandu branca superior incompleto
Natini Pérola de Barros Oliveira 24 solteiro Estudante Largo do Paissandu branca superior incompleto
Raael Loureço de Albuquerque 19 solteiro estoquista Itaquera pardo primeiro grau completo
Rodrigo Ferreira Viana 20 solteiro Estudante Ermelino Matarazzo branca superior incompleto
Thiago Rosa Vignoto 23 solteiro Editor Vila Invernada branca superior incompleto
Victor Leite de Oliveira 21 solteiro Professor Vila Mariana branca superior incompleto
Wilson Fernandes Raposo 26 solteiro Operador de telemarketing Jardim Londrina branca superior completo