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O ataque às instituições e o jogral de vozes dissonantes em favor de Gurgel

 

– Vossa Excelência não tem condição alguma de dar lição de moral a ninguém.

– Nem Vossa Excelência. Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste País. Vossa Excelência não está falando com os capangas do Mato Grosso.

– Vossa Excelência me respeite.

Há pouco mais de três anos, quando esse diálogo áspero foi travado entre os ministro Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, a sociedade se escandalizou com o fosso que separava duas personalidades proeminentes do Supremo Tribunal Federal.

A partir do episódio, ninguém poderia supor que os dois titãs um dia estariam juntos, na mesma tribuna (a da imprensa), defendendo um mesmo ponto-de-vista.

Pois o que o fosso ideológico separou em 2009, os detratores das instituições brasileiras conseguiram reunir em 2012. Ontem, Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes formaram um jogral de vozes dissonantes entoando a defesa da honorabilidade do Procurador-Geral da República Roberto Gurgel.

“É um agente que goza do mais alto grau da independência funcional, o titular da ação penal. Ninguém mais detém essa prerrogativa”, afirmou Joaquim Barbosa. “Pescadores de águas turvas [a tropa de choque de José Dirceu e os demais mensaleiros do PT], pessoas que estão interessadas em misturar excitações, [querem] tirar proveito, inibir ações dos órgãos que estão funcionando normalmente”, acrescentou Gilmar Mendes, ao apontar  o julgamento do Mensalão como causa dos ataques. É, em síntese, o mesmo argumento utilizado na véspera pelo próprio Gurgel: medo do julgamento do Mensalão.

O que a prática processual e o embate ideológico desuniram, o ataque sistemático às instituições teve o condão de reaglutinar. É um sinal positivo dos tempos que se avizinham.

Hoje, tem-se como certo que o voto de Gilmar Mendes, até então considerado uma dúvida, será no sentido de condenar o chefe da quadrilha dos mensaleiros e seus quase quarenta comparsas.

As  manifestações, ao contrário do que fazem parecer, não realinham os dois gladiadores da Justiça. Mas os colocam na mesma trincheira em relação ao Mensalão.

Aos poucos, vai ficando claro que os ataques da BESTA e seus congêneres nas diversas Instituições provocam mais perdas do que ganhos para os que aceitaram a condição de gendarmes da corrupção petista.

Ruim para eles. Ótimo para o País.

Se a consequência é essa, bem-vinda a campanha infamante. Sempre que os detratores da democracia, da liberdade de expressão, do Judiciário e do ministério Público perdem, quem ganha é o cidadão brasileiro.

Comentários

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1 comment

Jotavê 11/05/2012 at 11:22

Também sou contra a ida do procurador-geral à CPI. Nestas circunstâncias, significa uma tentativa de desmoralização induzida pelo fato de ele ser o responsável pela acusação do PT no processo do mensalão. Mas, em alguma instância, de alguma forma, ele terá que explicar por que, afinal de contas, não abriu o processo contra Demóstenes Torres em 2009, e resolveu abri-lo quando a IMPRENSA tornou pública a participação do senador na quadrilha de Carlinhos Cachoeira. Que dados ele não tinha em 2009, que passou a ter agora?

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