Fernando Rodrigues A crise produzida pela deposição-relâmpago de Fernando Lugo no Paraguai, no mês passado, tem sido útil para a presidente Dilma Rousseff. Ajudou...

Fernando Rodrigues

A crise produzida pela deposição-relâmpago de Fernando Lugo no Paraguai, no mês passado, tem sido útil para a presidente Dilma Rousseff. Ajudou a tornar ainda mais evidente um problema gerencial grave no Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

O Itamaraty desenvolveu um defeito crônico: não informa ao Planalto de maneira eficaz nem rápida sobre o que se passa no mundo. Some-se a essa anomalia gerencial a má vontade da presidente quando tem de tratar com seus diplomatas.

Só depois de a Câmara dos Deputados do Paraguai já haver votado o impeachment de Fernando Lugo é que Dilma foi informada sobre o fato. O Brasil e alguns parceiros latino-americanos reagiram enviando uma comissão de ministros das Relações Exteriores a Assunção.

Passado algum tempo, sabe-se que foi um ato patético. Não foi pior porque os políticos paraguaios foram magnânimos e tiveram a grandeza de não humilhar os diplomatas estrangeiros em público.

Essa incapacidade de gerir informações no Itamaraty não é de hoje. Numa ocasião, o ex-presidente Lula comandava uma reunião na qual seria decidido se o Brasil concederia mais benefícios ao Paraguai pelo uso da energia de Itaipu.

Lula citou uma pesquisa na qual a imagem brasileira no Paraguai aparecia muito associada a Itaipu. Teria de ceder. O então ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, não conhecia o estudo. Indagou de onde era. E a resposta: da embaixada brasileira em Assunção.

É claro que há muita gente competente no Itamaraty. Mas esse preparo formal não tem se traduzido em bons resultados para o país.

O cenário fica mais grave, e até dramático, por causa do desprezo quase público que a presidente nutre pelos diplomatas. Ao agir assim, ela opta pelo caminho mais curto em direção a outras decisões temerárias na sua política externa.

Beba na fonte: Folha de S.Paulo – Opinião – Itamaraty à deriva – 04/07/2012.

Comentários

  • Takaká

    04/07/2012 #1 Author

    Tá a deriva de 01 de Janeiro de 2003.

    Só fizeram ca.

    Logo no começo da Era Lula, em uma das primeiras saidas (todas consideradas verdadeiros desastres) para o Oriente Médio – local onde elefante não entra em loja de cristais por motivos obvios, a nossa delegação soviética, ops, delegação diplamatica ignorou solenemente Israel e não visitou este país.

    O que causou a reação do ministro de relações exteriores israelense “Eu que acho que um país como o Brasil que deseja estar no Conselho de Segurança deveria se preocupar em ouvir os dois lados do conflito”.

    Nem vou entrar no mérito daquela visita a Israel, onde o educadíssimo e culto Lula limpou os pés nos protocolos diplomáticos, se comportando de forma desrespeitosa e grosseira com aquele país.

    Dava para escrever um livro, bem triste diga-se, sobre a enxurrada de coisas erradas da diplomacia petista.

    Um país da importancia do Brasil não poderia ser tão tacanha e cego na politica externa.

    Não adianta bater no peito que somos a 6a economia se nem conseguimos fazer Chavez, Evo e Correa se comportarem, esse é que é o ponto.

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  • MarceloF

    04/07/2012 #2 Author

    Despreza diplomatas, militares, cientistas e até políticos não amestrados. Vai dar m@#$%!
    Sds.,
    de MarceloF.

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    • Luciano Buisine

      04/07/2012 #3 Author

      Takaká,
      Se o Brasil jamais terá uma cadeira no Conselho da ONU devido às atrapalhadas dos nossos governantes, como foi o comportamento de Lula, quando foi ao Oriente Médio. Além disso, temos também, um ministério de Relações Exteriores que é uma pândega, onde a incompetência é a máxima.

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