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O lucro da selvageria

Bom, estive fora durante o fim-de-semana. Assisti à luta do UFC. Não mudei de opinião: aquilo é selvageria pura.

O arbítrio dos jovens que se lançam nessa vertigem de imitar os brutamontes bem-sucedidos não me parece ser maior do que o dos galos de briga. Na periferia das grandes cidades, há poucas escolhas possíveis para um garoto pobre: servir ao tráfico matando ou alistar-se como gladiador dessa nova modalidade esportiva.

Há também os virtuosos que conseguem se safar, encontram uma brecha na combalida educação e se tornam cidadão produtivos. Mas esse com certeza é um dos caminhos mais difíceis.

Agora, preciso confessar uma coisa: foi bom ver o Anderson Silva esbofeteando aquele xenófobo arrogante do Chael Sonnen. O cara é um lixo completo.

O que gostei de ver não foi a superação física, que sigo condenando. Mas certamente Chael Sonnen nunca mais dirá que não gosta de Anderson Silva porque ele e as demais crianças brasileiras estavam brincando na lama do Terceiro Mundo enquanto ele jogava videogame com os amigos numa cadeira confortável do Primeiro Mundo.

Desta vez, as pancadas tiveram o condão de repor a ordem na bagunça fascista dessa grande rinha chamada MMA. E Anderson Silva mostrou que, depois de espancar um adversário, pode ser cordial a ponto de puxá-lo pelo braço e pedir o fim das vaias.

Valeu, Anderson Silva. Apesar de eu não gostar do que você faz, adorei o que você fez!

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12 comments

Marcelo G 10/07/2012 at 15:00

Pannunzio, para mim, tudo isso foi um grande jogo de marketing que se deu ao longo dos 2 anos que precederam a luta. Das bravatas do americano à “ombrada” do brasileiro na foto oficial… tudo parte do show.
Pratiquei artes marciais a vida toda, fui professor de judô durante a faculdade e, para mim, aquilo nada tem a ver com a filosofia dessas artes. A joelhada que o americano levou, já caido, poderia tê-lo matado ou deixado sequelas graves. A explosão de socos que se seguiu não teria parado se o juíz não interrompesse a luta. Com toda sua aparente cordialidade, Anderson Silva, bem como qualquer lutador desse esporte, entra no octógono para, se necessário, matar seu adversário.

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Candango 10/07/2012 at 13:58

Venham administrar uma escola depois da massificação na divulgação desse esporte. Constatarão que crianças de cinco anos já elegeram seus “heróis”, aprenderam que uma joelhada é um golpe infalível e que o Anderson Silva é o máximo. Está difícil! Muito difícil controlar as crianças que teimam em mostrar como se faz uma imobilização. Então ficam as perguntas:

– Estariam os pais assistindo essa brutalidade na presença dos filhos?

– Os entusiastas e patrocinadores já consultaram os educadores para saber se esse “esporte” já chegou na escola?

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Humberto Guerra 10/07/2012 at 11:45

Caro Pannunzio,
Já lhe ocorreu que as provocações do americano, e mesmo os revides do Anderson, possam ter sido puro jogo de cena, incentivado espertamente pelos managers em busca de mai$ ibope (e executados por eles para justificar os cachês)? Já parou para pensar em quanto de público a menos essa luta teria angariado sem essas provocações? Mesmo no formato mais respeitoso dos revides do Anderson, isso para mim é muito suspeito: não é do feitio dele. Quando a luta acabou e o Anderson abraçou o americano, imagino que eles tenham ficado aliviados com o fim da farsa das provocações. Para mim, essa parte foi completamente artificial. Financeiramente, faz sentido.
Quanto à comparação com as rinhas, mesmo concordando com parte das suas críticas ao UFC, vejo um problema básico: os galos não entram ali voluntariamente.

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Marcelo G 10/07/2012 at 14:53

Concordo com cada palavra!

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José Carlos 10/07/2012 at 08:09

Quantos atletas das mais variadas modalidades chegam aos 37 anos, como Anderson Silva, no topo?
Raras as modalidades com tão longa vida esportiva!

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Xeno 09/07/2012 at 23:29

Rinha de briga de galo dá cadeia no Brasil. Mas “seres humanos” se matando dá dinheiro e ibope. Isso é coisa para animais. O que separa essa gente dos bárbaros são somente alguns séculos. Gostei da sua frase final: “Valeu, Anderson Silva. Apesar de eu não gostar do que você faz, adorei o que você fez!”

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Silvio Conde 09/07/2012 at 21:40

Uma modalidade de luta que não acha nada de mais que se massacre um adversário caído, não pode ter outro nome que não seja SELVAGERIA!

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Carlo Germani 09/07/2012 at 21:11

“O SER HUMANO É UMA EXPERIÊNCIA DA NATUREZA QUE AINDA NÃO DEU CERTO”.

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Ai se te pego 09/07/2012 at 19:04

Então ficamos assim.
Quem falar mal do patropi, a lindeza maior que Dê abençoou, terra de mulheres maravilhosas e recatadas, paraíso educacional e cultural dos trópicos tropicais, referência universal da honradez e do escrúpulo, maior produtor mundial de doctores honoris causae, berço da lisura e do equilíbrio nos três poderes da república, oásis a ser alcançado pelo brucutus parlamentaristas, Shangri-lá para quem quer se afastar dos defeitos humanos, criadouro de das virtudes, vereda onde os Gersons jamais serão beatificados, deve ser espancado. Onjásiviu?
E que fique claro para o xenófobo: no ritmo avançado em que caminhamos para a regressão, até atingirmos o objetivo final, a idade da pedra, é bom que você se atine. Apedrejar deve ser menos cansativo e doloroso que socar e desferir joelhadas, mesmo que inocentes.

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Sol 09/07/2012 at 17:17

UFC é um horror! Lutas, qualquer uma delas, é um horror! Primitivo! E não se fala mais nisso! Pelo amor de Deus! Aqui não, né?!

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Joao Florentino DaSilva 09/07/2012 at 17:07

Gostei muito da sua escrita a respeito da luta do Anderson, nao gosto da “troglodisse” do estilo e nem sou chegado a vingancas, mas d certa forma, cada vez que um arrogante cai parece que a alma de tupiniquim fica “lavada”.

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Marcjaguar 09/07/2012 at 16:41

Caro Pannunzio

Permita-me discordar da sua avaliacao.
Embora concorde em parte a respeito de seus dois artigos, tambem tenho que admitir que o MMA vem evoluindo de maneira a que a tecnica prevaleca sobre a chamada “brutalidade”.
O sangue que muitas vezes jorra nas lutas de MMA, via de regra, eh resultado de traumas superficiais nas regioes do rosto, que soa altamente vascularizadas e pouco protegidas pelo tecido epitelial.
Um fratura ou entorse de grau III durante uma partida de futebol nao gera sangramento, mas o trauma interno leva bem nmais tempo para se tratado.
A verdade eh que, qualquer esporte de contato pode produzir danos graves a saude de seus praticantes.
Que o diga o futebol americano, que eh o responsavel por traumas graves devido ao nivel de contato intenso e violento durante a sua pratica.
A prova disso eh que um jogador de futebol americano dificilmente chega aos 35 anos de idade em condicoes fisicas que se possa chamar de saudaveis.

Abraco, Pannunzio!

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