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Capitalização da PETROBRAS vai consumir um terço do potencial do Pré-Sal

A capitalização da PETROBRAS, estimada pelo governo em 5 bilhões de barris de petróleo, vai consumir um terço de todo o óleo que se espera extrair do Pré-Sal. A operação, confirmada ontem pelo presidente Lula e pela ministra Dilma Roussef, derrubou as ações da estatal e gerou dúvidas entre os acionistas.

“Claro, uma operação de capitalização quer dizer exatamente isso”, disse a ministra ao ser questionada sobre se a intenção da União era a de aumentar sua participação no capital social da estatal. “Nós vamos fazer uma chamada de capital. Se os acionistas minoritários não aderirem, é o que vai acontecer”, completou Dilma Roussef.

Em valores atuais, a capitalização representaria entre de R$ 50 bilhões e R$ 100 bilhões, a maior injeção de dinheiro da história do país. Mas o montante pode ultrapassar em muito a cifra. No ano passado, por exemplo, o barril de petróleo superou a casa dos US$ 150.

A operação, no entanto, será muito parecida com as apostas de alto risco do mercado de derivativos. O aporte será feito em até doze meses após a promulgação dos quatro projetos de lei que passarão a regular a extração de petróleo no Pré-Sal. O valor financeiro será arbitrado por uma auditoria independete. Um ano depois, será feita uma reavaliação, tendo como base a cotação do barril, que pode custar muito caro à PETROBRAS ou a seu sócio majoritário, a União.

“A engenharia impõe riscos enormes”, disse um economista ouvido pelo blog. “Imagine o que acontecerá se a PETROBRAS tomar recursos da União a US$ 50 o barril e tiver que restituir em meio a uma volatilidade como a do ano passado, em que a cotação bateu nos US$ 150. A empresa simplesmente quebraria”, disse a fonte. “Vai acontecer o mesmo que se passou com os exportadores brasileiros durante o pico da crise dos bancos americanos”.

Numa perspectiva otimista, as reserva localizadas até agora poderiam reverter 14 bilhões de barris de petróleo. É este o número que o governo vem alardeando publicamente. As estimativas oficiais, no entanto, não consideram outro fator que não a existência de óleo. Dificuldades técnicas para a extração, que podem frustrar as expectativas, não são consideras como risco.

O próprio presidente Lula assegurou, na cerimônia de apresentação do marco regulatório, que os riscos são mínimos, algo que variaria entre 13% e 0%. Foi por isso que o governo optou pela contratação de parceiros em sistema de partilha, e não de concessão, como vinha sendo feito até aqui. “Esta é a forma de a União se apropriar de uma parte dos resultados obtidos na exploração do petróleo do Pré-Sal”, disse a ministra.

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Fábio Pannunzio

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