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ONG da sacolinha “esconde” logo da Braskem

A ONG Greening, autora ideológica das chamadas “sacolinhas reutilizáveis” da gestão Haddd, escondeu em seu website o logo da Braskem, que até o mês passado estrelava sua galeria de ‘sponsors’. A mudança se seguiu à revelação de que essa ONG apresentou no dia 24 de novembro do ano passado, numa reunião na Secretaria de Serviços da Prefeitura, o layout das sacolinhas que a cidade só iria conhecer um mês e meio depois, quando o prefeito Fernando Haddad assinou o decreto que regulamentou a lei 13.374/11, de gestão Kassab.

A Braskem é a empresa fornecedora de toda a matéria-prima com que são feitas as sacolinhas. Supostamente, é a única a ganhar alguma coisa com a regulamentação dessa lei, que é inócua do ponto-de-vista ambiental. As novas sacolinhas, que custam três vezes mais caro do que as anteriores, são feitas do mesmo plástico. A diferença é que 49% da matéria-prima agora é obtida do bagaço de cana, e não do petróleo. Independentemente da origem da resina, no entanto, o material não é mais nem menos degradável do que as sacolas que vinham sendo distribuídas gratuitamente aos consumidores pelo comércio varejista.

greening1Até recentemente, a página da Greening na internet era exatamente como ser vista até hoje no mecanismo Waybackmachine. Para consultá-la, clique aqui. O que você vai ver é uma reprodução  do site (veja fac-símile à direita) como estava em outubro do ano passado, um mês antes da fatídica reunião na Secretaria de Serviços. Ali aparece com clareza o logotipo da Braskem, apresentada como “parceira” da Greening.

Agora, além de não exibir mais os patrocinadores, a Greening avisa apenas que seus “cases” serão conhecidos no futuro, sem precisar data.

A Prefeitura não nega a reunião na Secretaria de Serviços nem que o projeto tenha sido apresentado pela Greening. Diz, por meio de sua assessoria de imprensa, que isso não  constitui qualquer irregularidade. Também não tece comentários sobre o problema ético que se vislumbra em função de ter permitido que um preposto do maior interessado, a Braskem, tenha imposto o modelo de sacolas à população paulistana sem que o assunto fosse sequer discutido com a sociedade.

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2 comments

Klever Grabau 13/05/2015 at 21:02

Que vantagem Maria leva se a Braskem produz tanto o plástico verde como o fóssil?

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Fábio Pannunzio 15/05/2015 at 20:02

Simples, Klever. Pelo texto da lei (do Kassab), essas sacolinhas estariam banidas do comércio varejista em SP. Com o decreto do Haddad, elas voltam, disfarçadas de produto ambientalmente correto, o que efetivamente não são. E ainda por um preço exorbitante, quase três vezes mais caro.

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