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O perigo dos vice-presidentes

Um em cada 2,4 vice-presidentes chega ao Poder no Brasil desde a Proclamação da República. Tivemos desde então 24 vices no Brasil. Dez viraram presidentes. E das formas mais variadas. Pela renúncia do titular, morte, suicídio, golpe ou pela via do impeachment.

A casuística recomenda, portanto, que o titular fique de olhos bem abertos para o que seu substituto constitucional faz. O perigo está sempre à espreita de uma oportunidade.

Como se viu na última sucessão, bastou uma bobeada de Dilma Rousseff e o vice dela virou presidente da República. Portanto, não é crível Michel Temer, o vice que virou Presidente, vá se permitir qualquer descuido sequer em relação a isso. Ele sabe que o que um vice é capaz de fazer.

Temer não tem vice, mas tem Rodrigo Maia, um jovem político cuja ambição parece ser muito maior do que seu cacife eleitoral permite. Ele começou a carreira impulsionado pelo pai, Cesar Maia. Seu recorde de sufrágios foi de 235 mil votos em 2002 . Mas Maia vem se desidratando ao longo de sua carreira como político. Agora, está aquém do patamar de 100 mil votos.

Tome-se em consideração que, para ser eleito, um candidato a presidente precisa de cerca de 55 milhões de votos no segundo turno. Maia passa longe disso. Mas Michel Temer também nunca obteve mais do que 252 mil votos e é o atual ocupante da cadeira mais dileta e desejada do País.

As desconfianças que ambos negam, mas que todos dizem ser recíprocas, têm lá suas razões de ser na história e também no caminho que ambos percorreram para escalar o morro do Poder.

A trajetória de ambos passa pela Presidência da Câmara Federal, uma posição imprescindível para quem quer chegar a ser presidente sem um caminhão votos, ou para quem quer derrubar um presidente – que o diga Eduardo Cunha.

Não é por acaso que dois vice-presidentes deixaram saudade. Um deles é José Alencar, que esteve na retaguarda de Lula durante seus dois mandatos.  Absolutamente leal. Criticava um pouco os juros, mas isso fazia parte de sua mística.

O vice ideal era mesmo Marco Maciel. Não conspirava, não tramava, não escrevia cartas, não usava brocardos, não tuitava, não ambicionava mais do que ser o que ele era talhado para ser – um vice perfeito. E ainda tinha a vantagem de desparecer quando isso era necessário.

Magro demais, bastava virar de lado para se tornar invisível – e aplacar qualquer fuxico que a Corte casualmente viesse a nutrir.

Marco Maciel era de uma estirpe de vices que ambicionavam o Poder – mas não a cadeira de quem chegou lá pelo voto popular.

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