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A descontrolada e o capacho – o arranjo montado pela CNN para a entrevista de Regina Duarte

Uma entrevistada descontrolada e chiliquenta. Um repórter servil, pronto para intervir em favor da entrevistada com o objetivo de evitar o desconforto das perguntas dos colegas. E uma bancada impedida de exercer seu mister pelo representante da emissora em campo, o repórter Daniel Adjuto. Este foi o cenário em que se ambientou a vexaminosa entrevista de Regina Duarte à mais nova rede de televisão do País, a CNN.

A subserviência de Adjuto e o fascismo de Regina Duarte criaram uma das peças mais bizarras da história do jornalismo contemporâneo. Ela, por seu descontrole e pelo enaltecimento ao fascismo. Ele, porque literalmente passou pano para a entrevistada, impedindo que a bancada do programa fizesse perguntas. Não se sabe que acordo fizeram entrevistador e entrevistada, mas o resultado foi simplesmente deplorável.

Enquanto a secretária saudava e justificava a tortura, o repórter se esqueceu das normas éticas que deveriam reger a profissão. Adjuto quase não teve voz para contrapor argumentos às loas que a ex-atriz tecia à tortura (“todo dia morre gente”…, “na história, sempre houve tortura”). Na sequência, tentou desesperadamente encerrar a entrevista para evitar que a inquirição dos colegas do estúdio incomodasse o humor da colérica ex-namoradinha do Brasil.

O Código de Ética dos Jornalistas — os dois, o da FENAJ e o da ABI — diz expressamente que “é dever do jornalista opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

Não foi  o que ocorreu ali. Pensando mais no conforto espiritual da entrevistada do que no público que se escandalizava com a pior performance da vida de Regina Duarte numa emissora de televisão, o repórter tentou impedir que os colegas do estúdio fizessem perguntas. “Vou encerrar a entrevista por causa do estado de saúde da secretária”, disse o jornalista, tentando tirar Regina Duarte da cena em que ela própria se colocou.

Não cabe a um jornalista zelar pelo conforto do entrevistado. A pergunta da excelente Daniela Lima era absolutamente pertinente. Não deveria ensejar outra atitude do repórter que não insistir para que a secretária respondesse. Mas não foi o que aconteceu. A entrevista da CNN terminou de maneira melancólica. Se ficou ruim para Regina Duarte, não acabou melhor para a emissora.

O esforço do repórter em proteger a assessora de Bolsonaro não funcionou onde mais deveria: a extrema-direita brasileira. Uma das poucas vozes a se erguer em defesa da estrepitosa secretária foi a do General Villas-Boas, que dispensa apresentação. Ele disse, numa nota, que ficou “encantado pela demonstração de humanismo, grandeza, perspicácia, inteligência, humildade, segurança, doçura e autoconfiança” de Regina Duarte (Será que o general assistiu à mesma entrevista que eu?).

O ex-comandante militar, uma espécie de guru dos saudosistas do tempo das casernas, fez uma ressalva. Sentiu-se decepcionado pela “atitude desrespeitosa dos entrevistadores e âncoras da emissora, a quem faltou ‘honestidade intelectual’, sem especificar o que entende por honestidade intelectual. Como pode um jornalista ousar perguntar coisas a um funcionário de Bolsonaro? Que atrevimento dessa extrema imprensa, não é, general?

É claro que uma horda de robôs e milicianos apareceu prontamente para massacrar os jornalistas que se atreveram a ensaiar perguntas que o repórter não deixou Regina Duarte responder. Se você quer saber o que o rebanho bolsonarista achou desse arranjo da CNN, basta ler as críticas que se seguiram ao tuíte que mostrou o video que despertou o espírito animal de Regina Duarte.

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