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Voto impresso é a cloroquina do golpe

Toda essa polêmica em torno do voto impresso é conversa fiada. É mais um falso dilema que Bolsonaro enfia goela abaixo do País para justificar seu projeto golpista. Nem ele próprio acredita nessa cascata. O voto impresso está para o golpe assim como a cloroquina esteve para a pandemia.

A justificativa para a campanha movida pelo Genocida é de uma pusilanimidade ultrajante: impedir a eleição para salvar a democracia. É este o marketing em que ele embala a canetada com que promete romper as quatro linhas da Constituição.

Não há que se discutir a qualidade da segurança do voto. Ela está fora de questão e tem sido provada a cada pleito. O inimigo da democracia, todos sabem, não é a urna, é Jair Messias Bolsonaro. As objeções não partem de nenhuma suspeita real, e sim de uma antevisão aterradora: das urnas que ele tanto teme, fatalmente sairá derrotado no próximo pleito.

Nesta hipótese, Bolsonaro não perde apenas o Poder, perde também a imunidade processual. A conta do imenso passivo judicial vai chegar. Os crimes que ele comete diariamente vão lhe custar muitos anos de cadeia. Só o Superimpeachment tipifica 11 condutas delituosas. E ele segue firme em sua pródiga carreira de delinquente afrontando a democracia a cada dia.

E não é só isso. Bolsonaro criou o know-how das rachadinhas e enfiou os próprios filhos no reino das milícias. Fantasmas, laranjas e parentes ressentidos são esqueletos na parede cada vez mais fina do Bolsonarismo. Sem o escudo do chefe do clã, toda essa grande organização chamada Família Bolsonaro vai ruir e terá que acertar contas com a Justiça.

Bolsonaro também não odeia Barroso por causa da defesa óbvia do voto eletrônico. O que ele deplora são certas posições manifestamente progressistas do Presidente do TSE no campo dos costumes. É isso que faz com que eleja Barroso como o inimigo a ser combatido.

Ele amordaçou o Congresso ao subornar o Centrão; trancou a porta do impeachment empoderando Arthur Lira; instrumentalizou a Polícia Federal e a CGU; neutralizou o Ministério Público ao meter lá um capacho. Agora, mira sua artilharia contra aquilo que não tem como controlar — o Judiciário e a Imprensa.

É dali que sai gente que sai gente como uma Patrícia Campos Mello, que deu a Barroso os argumentos de que o TSE precisa para, se lhe convier, cassar a chapa que elegeu o Genocida. Ou uma Juliana Dal Piva, que tem dissecado as vísceras do milicianismo bolsonarista diante da incrédula opinião púbica brasileira.

No Judiciário há pessoas como Alexandre de Moraes, cujo espírito de xerife tem ajudado a conter o ímpeto fascista que anima o governo. É esse tipo de contendor, que não se dobra a ameaças, que não corre quando a fera mostra os dentes, que Bolsonaro realmente odeia.

O falso problema do voto impresso é apenas um disfarce para a armadilha institucional que ele prepara para aprisionar as instituições que ainda resistem a seu projeto de tirania. Portanto, vamos mudar logo de assunto.

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