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A física do Golpe

O Brasil de Jair Bolsonaro é um reator nuclear em processo de fissão descontrolada. A matéria radioativa que o líder fascista acrescenta todos os dias ao instável clima político fez ultrapassar a massa crítica do desvario ideológico e está prestes a criar uma Chernobyl institucional.

As instituições que, deveriam funcionar como piscinas de sódio para controlar a produção de energia deletéria, já não conseguem conter o bombardeio dos núcleos da democracia por partículas desestabilizadoras do nacional-populismo.

Os tribunais superiores tentam controlar a situação. Mas a cada vareta que os operadores Alexandre de Moraes e Luiz Roberto Barroso removem do reator da política, como fizeram com Daniel Silveira, Sara Giromini e Roberto Jefferson, outras ainda mais radioativas se somam ao núcleo fundente. Daí Sérgio Reis, Zezé Di Carmargo, Magno Malta, Malafaia, caminhoneiros, motociclistas, o parente cloroquiner do zap da família…

Enquanto a radiação tóxica aumenta, uma parcela da sociedade observa de longe a desagregação que se instala sem esboçar nenhuma reação, como se alguém pudesse permanecer imune à contaminação da sociedade pelos isótopos das ditaduras – tortura, banimento, censura, prisão sem mandado, dedo na cara, desaparecimentos e assassinatos.

Jejuna na física do golpe, essa parcela não sabe que são os nêutrons os grandes vilões das reações em cadeia, pois entram sorrateiramente nos núcleos atômicos antes de partí-los ao meio.

O sistema dá sinais de que já foi ultrapassado o ponto de máxima desagregação, e já não tem mais energia suficiente para se reorganizar. Isso se chama entropia, fenômeno descrito pela Segunda Lei da Termodinâmica. O ponto de não retorno, o ponto da irreversibilidade, pode ter sido superado.

E se isso de fato aconteceu, prepare-se, porque nós não escaparemos do caos que sobrevirá.

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