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A praga Bolsonaro vai matar seu hospedeiro, a democracia brasileira

Bolsonaro é um sujeito de pouca inteligência, assaltado por delírios de violência, com um universo intelectual do tamanho de uma concha. Dadas suas limitações, foi até longe demais, visto que chegou ao cargo mais importante de uma Nação com 212 milhões de pessoas.

Suas opacas qualidades foram suficientes para lhe permitir formar um grande patrimônio praticamente sem trabalhar e levar uma vida de fausto valendo-se, em boa medida, do desvio do salário de parentes nomeados como fantasmas nos gabinetes da família.

Educou os filhos conforme seus padrões. Ensinou-lhes o caminho das pedras (preciosas) e transferiu-lhes seus valores (alguns deles, em espécie). Resultado: criou varões à sua imagem e semelhança que rapidamente passaram a reproduzir o modus operandi do genitor e foram galgando posições.

A interação ente os membros do clã sempre sugeriu uma relação patológica. Ela ficou evidente quando Carluxo se aboletou no espaldar do banco traseiro do Rolls Royce presidencial para ‘proteger’ o pai da investida improvável de algum (outro) maluco durante o desfile de posse.

Eles se defendem mutuamente. Eles se bastam. O pai e os três primeiros-rebentos formaram um organismo único que passou a atuar como um sistema simbiótico em que laços de consanguinidade, negócios, proteção e proveito político constituem um método. A depender do ângulo que se observa, esse método desenha a plataforma de sucesso sobre a qual os Bolsonaro supostamente triunfaram.

O organismo simbiótico subiu a rampa do Planalto. Carluxo foi promovido a guarda-selos informal do governo. A Flávio coube o papel de guarda-costas congressual do pai. Eduardo foi escalado como valete e embaixador junto à extremíssima direita global. Jair Messias se encarregou da zeladoria dos segredos do grupo e se tornou garantidor da imunidade processual do esquema.

Como no dia do desfile de posse, o organismo bolsonarista continua se movimentando de maneira autóctone e hermética. Aos poucos, foi se transformando numa espécie de corpo estranho, um vírus que está a corroer o ecossistema democrático do qual se nutriu em sua origem.

As toxinas inoculadas por esse corpo estranho finalmente despertaram uma reação do sistema imunológico das instituições. Anticorpos produzidos pela atuação correta de parte da imprensa e por juízes como Alexandre de Moraes e Luís Barroso impuseram limite à sanha devastadora dos antígenos bolsonaristas.

Pessoas que privam da intimidade da família estão assustadas com a irascibilidade do patriarca nos últimos dias. Acuado por todos os lados – polícia, Justiça, Ministério Público, declínio de popularidade – o organismo reage tentando suplantar a imunidade institucional. E, ao que tudo indica, prepara um ataque massivo para o Sete de Setembro.

O metabolismo do parasita se nutre do ódio infundido ao País, do desprezo pela vida e, principalmente, do aguçado senso de proteção recíproca que serve como amálgama aos órgãos simbióticos que atuam para subjugar a democracia.

A energia que alimenta a infecção bolsonarista é filha do pavor do pai patológico pelo cenário que avulta no horizonte de seus delfins. Bolsonaro sabe que eles estão ao alcance dos juízes que odeia. E que, fora do Poder, provavelmente não terminem uma temporada sem experimentar os idílios de Bangu 8 ou do Presídio da Papuda.

Carluxo, que Bolsonaro diz ser seu marketeiro, é na verdade o comandante do Estado-maior da milícia digital criada para dar suporte à realidade paralela que elegeu e vem mantendo Bolsonaro no Poder.

Foi ele quem armou e botou para funcionar o esquema de impulsionamentos que transformou uma candidatura risível num mandato presidencial. A prisão de Carluxo imolará Jair Bolsonaro, que foi o tempo todo o grande beneficiário da estratégia do 04.

Importante perceber também que todo o passivo judicial enfrentado por Flávio Bolsonaro teve origem na cultura de prosperidade marginal criada por seu progenitor. Bolsonaro em pessoa já disse que era ele quem mandava em Queirós ao tempo em que Flávio roubava o salário dos fantasmas de seu gabinete para engordar o patrimônio, seguindo o exemplo do pai.

Agora, diante da antevisão da prisão dos filhos, o pai de Carluxo, Flávio e Eduardo inicia sua última investida contra o que o futuro lhes reserva: vai virar a mesa, calar os críticos, instaurar uma ditadura formal. Vai amordaçar o Judiciário e sufocar os parlamentares que não conseguiu comprar com o dinheiro do orçamento secreto e das emendas legítimas.

Vai transformar a liberdade de expressão em liberdade para detratar, enxovalhar, esculhambar, caluniar, fustigar jornalistas. E tudo isso para te tar salvar seu clã.

Em seu mundo delirante, bastam narrativas, ainda que desprovidas de verdade factual. O problema é que elas só funcionam até certo ponto. No mundo real há pandemias de verdade, investidores medrosos e gente que até simpatiza com o fascismo, mas acha que a toxicidade do bolsonarismo é alta demais para o ecossistema político.

E há também políticos, jornalistas e juízes que não se vendem por dinheiro, não habitam a Nibiru de onde veio a família Bolsonaro e não tergiversam diante de valores como democracia, liberdade e verdade.

Com a reação, o corpo estranho passou a produzir mutações cada vez mais deletérias e virulentas. As ameaças se multiplicaram em intensidade e frequência. Chegaram ao limite do insuportável.

Elas traduzem o desespero que habilita os néscios a agirem como o que são, néscios, por não lhes restar alternativa além da estupidez e da força desmesurada. E assim será porque, no contexto da família aturdida por suas próprias contradições, não há mais o que fazer para salvar pai e filhos da refrega.

É por isto que Bolsonaro está prestes a perpetrar o golpe que tem anunciado desde sempre. Só ele, no imaginário sociopata do candidato a ditador, pode salvar sua família do destino inexorável que lhes espera logo ali, no futuro imediato.

Bolsonaro vai torturar a democracia para tentar salvar a si mesmo. O vírus que corrói as instituições com inaudita voracidade está prestes a fazer a mais arriscada e estúpida de todas as jogadas que já fez: matar o hospedeiro sem saber que perecerá junto com ele.

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