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O demônio fake e o forno de micro-ondas

O diabo no forno de micro-ondas

Um tio que dedicou a vida ao estelionato político postou um vídeo em que um gaiato, com um magnetômetro na mão, ” prova” que forno de micro-ondas emite radiação.

O magnetômetro é um instrumento que não mede radiação, e sim o campo magnético que se forma em torno de fios e bobinas que todo eletrodoméstico tem. Não faz mal à saúde de ninguém. Mas a estória da “radiação do micro-ondas” calou fundo no seio da família aterrorizada pelas fakes do tio mau caráter.

Minha mãe, que é uma senhora lúcida e perspicaz, mordeu a isca. Nunca mais usou o forno de micro-ondas. Cuida de manter o plugue bem longe da tomada. O forninho jaz inútil sobre uma pedra fria da cozinha há anos.

Outro dia fui cozinhar nele um maço de brócolis. Correria geral na cozinha. A empregada entrincheirada atrás da mesa, minha mãe aturdida com a chegada iminente do juízo final. O medo era um sentimento palpável, era matéria sólida permeando o universo líquido de tantos temores e perigos.

O som do aparelho, aquele ‘mmmmmmmm’ vibrando 60 vezes por segundo, parecia mais ameaçador do que o estampido da bomba de Hiroshima. É claro que não aconteceu nada, ninguém morreu nem se feriu, e o brócolis ficou verdinho e tenro como eu queria.

Mas o sofrimento dos crédulos do magnetômetro e da radiação foi enorme durante os 30 segundo de cocção do maço de vegetais. Penitência amarga que chegou à mesa, foi para a pia depois do almoço e só se encerrou quando os restos da comida foram esquecidos no lixo.

O mesmo efeito levou muita gente a enveredar por uma tenebrosa espiral do silêncio; tirou velhinhos da fila da vacina; matou ao menos 200 mil brasileiros enganados por criminosos que transformaram remédios inúteis em panaceia contra a COVID.

Os crápulas e manipuladores que estão por trás desses processos sabem muito bem o mal que fazem. E este é justamente seu propósito. Porque pessoas desorientadas e apavoradas são muito suscetíveis ao malogro, ao engano e à fraude.

Por isto, só há um remédio contra esses vagabundos que criam a realidade paralela a mando dos verdadeiros canalhas, homens que contratam hordas de falsificadores da realidade factual em benefício de déspotas inescrupulosos.

O remédio é desmentir de maneira cabal as notícias falsas. Denunciar o parente que está a serviços das milícias digitais e isolá-lo do grupo. Mover uma cruzada para que os mais vulneráveis, normalmente os mais velhos, deixem esses grupos tóxicos e se reconectem ao mundo real.

O contrário disso, a ausência de resistência, implica aceitar q o eletrodoméstico infenso pode ser danoso para a saúde; que vacina é coisa do diabo; e que podemos ficar mais 4 anos sob o jugo do terror psicológico infundido por essa gente horrorosa que anda roubando nossa paz.

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