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DEM pede que Arruda se explique publicamente para evitar desgaste ao partido

Da Folha Online.

A cúpula do DEM se reuniu nesta segunda-feira para discutir as denúncias contra o governador Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), acusado de participar de esquema de pagamento de propina a aliados na Câmara Legislativa do DF.

Antes do encontro oficial com o governador, que ocorre à tarde, os democratas decidiram conjuntamente cobrar explicações de Arruda depois do desgaste na legenda provocado pelo caso –já conhecido com o mensalão do Distrito Federal.

A Folha Online apurou que a cúpula do DEM vai pedir que Arruda se explique publicamente sobre as denúncias, sem que o partido tenha que assumir o desgaste de dar explicações sobre o caso. Arruda vai apresentar sua versão dos fatos aos democratas antes de se manifestar em público sobre as acusações.

A única manifestação do governador a respeito do caso, até agora, foi a divulgação de nota oficial na qual rebate todas as acusações. Arruda diz que ele e o vice-governador do DF, Paulo Octavio (DEM), foram vítimas de uma “armação política” provocada pelo seu ex-colaborador Durval Barbosa –que gravou sigilosamente imagens de Arruda, integrantes do GDF e da Câmara Legislativa recebendo dinheiro do suposto esquema que alimentava o mensalão do DF.

O DEM teme que o episódio traga prejuízos à disputa eleitoral de 2010, já que Arruda chegou a ser cotado para a vice-presidência na chapa do PSDB ao Palácio do Planalto. Os democratas articulam a indicação do vice-presidente na chapa dos PSDB, que ainda não decidiu entre os governadores José Serra (PSDB)-SP) e Aécio Neves (PSDB-MG) para disputar a Presidência em 2010.

Oficialmente, a cúpula do DEM repete o discurso de que Arruda deve ser ouvido antes do partido tomar qualquer decisão relacionada ao governador. “Vamos ouvir o governador. Há um consenso que o partido tem que se defender. Como vamos fazer isso, só depois dele ser ouvido”, disse à Folha Online o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).

Participam do encontro com Arruda esta tarde o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), os líderes dos partidos na Câmara e no Senado, Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Agripino, assim como os senadores Heráclito Fortes (DEM-PI), Demóstenes Torres (DEM-GO) e o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA).

Pressionado pelo partido, Arruda constroi uma estratégia para se manter no cargo, conservando, assim, o foro privilegiado para ser investigado. No entanto, ele disse a interlocutores que não descarta renunciar caso a situação se agrave. Envolvido no escândalo de quebra do sigilo do painel do Senado em 2001, Arruda renunciou ao mandato. Antes de ser eleito governador, era deputado.

Protesto

Em frente à residência oficial de Arruda em Águas Claras, bairro do DF, um manifestante tenta desde o fim da manhã distribuir pedaços panetones para as autoridades que chegam ao local. Assessores de Arruda afirmaram que o dinheiro recebido pelo governador no vídeo em que foi flagrado em poder dos recursos seria utilizado para comprar panetones durante a campanha eleitoral de 2006 –o que motivou o protesto de Ivan Rodrigues, enfermeiro da Secretaria de Saúde do DF.

“Quem viola painel, rouba cofre. Estamos indignados com isso tudo. Há pessoas morrendo nos hospitais”, disse o enfermeiro, vestido com roupa de trabalho e nariz de palhaço.

Rodrigues tentou entregar pedaços de panetone aos integrantes da cúpula do DEM que chegaram à casa de Arruda, mas acabou barrado por seguranças.

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