Blog do Pannunzio

Câmara Legislativa de Brasília é a verdadeira Caixa de Pandora.

De novo o Barão de Itararé: “de onde nada se espera, daí é que não sai nada mesmo”.

É o caso da Câmara Legislativa do DF, que tem funcionado mais como uma redoma para proteger os ladrões de dinheiro público de Brasília — muito deles com mandato parlamentar — do que como uma instituição que deveria abrigar a cidadania e a decência.

A ordem para barrar os estudantes, que chegaram munidos de um salvo-conduto judicial para entrar no prédio, foi de uma estupidez lapidar. Alguém deu essa ordem, e não pode ser menos estúpido do que ela.

Para justificar a barreira humana que tentava impedir o Fora Arruda de acompanhar a sessão, a desculpa era a necessidade de fazer uma perícia na galeria.

Mentira. A galeria estava limpa. Não havia perícia nenhuma a ser feita, como se pode concluir quando o ingresso dos manifestantes foi finalmente “autorizado”, depois de uma hora de empurra-empurra desnecessário.

Impressiona o ritmo intenso com que os parlamentares se reunem no cafezinho. Se tomassem uma xícara a cada vez que debandam para lá, teriam uma overdose de cafeína. É lá que eles conspiram contra seus próprios eleitores.

O local só é acessível aos parlamentares, assessores e lobistas. Nesta terça-feira, por exemplo, enquanto os manifestantes apanhavam da segurança, lobistas da Federação das Indústrias se reuniam com os dóceis parlamentares que a seguir deveriam lhes dar um pacote improvisado de incentivos fiscais. No Cafezinho.

A falta de vocação para a vida pública é quase tão evidente entre os parlamentares quanto a voracidade pelo dinheiro do esquema do panetone. Foi graças a isso que a ínfima oposição quase conseguiu assegurar a convocação extraordinária de parte dos deputados para tocar minimamente o processo de impeachment do chefe Arruda.

Os deputados simplesmente não sabiam que bastava obter oito assinaturas e ler o requerimento de autoconvocação. Fora traídos por sua própria ignorância em assuntos regimentais.Achavam, muitos deles, que seria necessário votar o requerimento — e fatalmente derrotá-lo. Nesse caso, a ignorância falaria a favor da cidadania. Santa ignorância !

Com o equívoco, acabaram contrariando o chefe Arruda. Horas antes da confusão, a bancada governista (enrustida) saiu do armário e foi visitar o ainda governador em Águas Claras. Foram convocados para um almoço de emergência em que lhes foi comunicado que deveriam votar tudo o que estava pendente, apagar as luzes e sair de cena – ou melhor, de férias.

Entre outros que foram ter com o Chefe estava o corregedor. É o homem que vai opinar sobre a cassação. E os demais, que não sabem a diferença entre civismo e cinismo (uma letrinha muda tudo, não é ?), também não sabem o significado da palavra compostura. Como pode o corregedor ir almoçar com o investigado ? E os juízescom os réus ?

A ordem foi cumprida a termo. Um requerimento apresentado de última hora mudou a regra segundo a qual o pedido de autoconvocação não precisaria ser votado pelo plenário. Aí prevaleceu a ordem de Arruda, fechando a casa até 11 de janeiro. E por uma maioria expressiva: 16 X 6.

A Câmara Distrital é a verdadeira Caixa de Pandora. Dali não sairá nada de bom para a população de Brasília onde, hoje, tudo se confunde. E graças a tanta confusão é que o Barão de Itararé está tão vivo.

De onde nada se espera, daí é que não sai nada mesmo.

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