Blog do Pannunzio

Cyberbullying

Não sou usuário freqüente de redes sociais do tipo ORKUT, HI5, FACEBOOK, TWITTER e congêneres, mas nos últimos dias resolvi participar de uma comunidade no Orkut. Fiquei impressionado com a violência verbal, com as agressões que acontecem nas redes sociais. Obviamente a violência não é perpetrada por todos, mas por uns poucos, mas não deixa de causar espécie.
A destinação das redes sociais deveria ser de promover o debate democrático e o diálogo, no entanto, alguns não toleram as idéias que sejam antagônicas as suas. Tais pessoas, via de regra, escudadas por pseudônimos, desferem palavrões e ofensas pessoais aos que ousam discordar de suas idéias.
Um usuário do ORKUT, em relação a qualquer espécie de crítica, dizia que o autor da opinião discordante era F.D.P., bandido, criminoso, homossexual etc. Não havia debate de opiniões, mas apenas xingamento. Uma pessoa se destacava no quesito palavrões. Resolvi conferir a conta pessoal do cidadão. Lá, logo no início, uma frase cuja autoria era atribuída a Adolf Hitler. Aprofundando na conta do sujeito, vi que ele participa de comunidades que apregoam a tolerância. Ingressei na comunidade e percebi que ele se dedicava a ofender os que defendem a tolerância. Não era o único, outros exibem fotografias de Hitler juntamente com as fotografias pessoais.
É perceptível que as redes sociais liberam os freios inibitórios que devem estar presentes em qualquer pessoa. Não é preciso conter os impulsos, pode-se dizer e ofender da forma que bem entender. O hábito da intolerância é cultivado, incentivado e vai progressivamente aumentando. Chegará um dia que a má tendência extrapolará os limites da “vida virtual” e chegará ao mundo real, às ruas. Tal fenômeno acontece, nos EUA, com certa freqüência e acende a discussão a cada homicídio coletivo ocorrido em escolas e shoppings.
Pior, crianças e adolescentes, cujo caráter e personalidade ainda estão em formação podem acessar as comunidades de forma livre, tendo contato com os impropérios preconceituosos desferidos por alguns marginais que freqüentam as redes sociais, tentando fazer que crianças e adolescentes entendam que eles, os marginais, são os legais, os descolados, livres de amarras sociais e, por conseqüência, modelos a serem seguidos.
O fenômeno não é novo, conforme evidencia notícia veiculada em 2002 pela ONG mídia independente.  A internet é utilizada como território livre para ameaças e demonstrações de racismo e intolerância, especialmente para jovens que fazem parte de gangues. O portal Universo On Line – UOL –  veiculou interessante tópico sobre o tema, em que a pedagoga Cleo Fante afirma que o “cyberbullying tem potencial para fazer ainda mais vítimas que o bullying tradicional”, que se refere às agressões e ofensas praticadas repetidamente por jovens ou crianças contra outros com a intenção de humilhar e inferiorizar a vítima.
Os ofensores da internet já causaram tragédias.
Em 2006, o estudante de Educação Física, Thiago Arruda, 19, foi alvo de uma comunidade no Orkut, criada apenas para inventar boatos sobre os moradores da cidade de Ponta Grossa, no Paraná. Chamado de “homossexual e pedófilo” e agredido nas ruas por pessoas que acreditavam nas acusações, Thiago suportou quase um ano de humilhação até que, em março do ano passado, ele escreveu na internet que caso as agressões não parassem, ele se mataria. A resposta que teve dos membros da comunidade foi um incentivo ao suicídio, em que até mesmo o “melhor método” foi ensinado. No dia seguinte às mensagens, Thiago foi encontrado morto dentro do seu carro, estacionado na garagem de sua casa. Com uma mangueira no escapamento do automóvel, ele levou o fluxo de monóxido de carbono (gás que, quando inalado em grandes quantidades causa morte por asfixia) e morreu sufocado. Na época, a polícia do Paraná chegou a identificar alguns membros da comunidade, mas ninguém foi preso.
No Brasil, ainda não há uma lei específica para punir o cyberbullying. Praticado quase sempre por jovens e adolescentes que se escondem através de identidades falsas, acreditando na impunidade. A sensação é falsa, pois a polícia dispõe de métodos para identificar os usuários da internet. É preciso que os ofensores sejam denunciados à polícia. As denúncias de cyberbullying também podem ser feitas através da SaferNet Brasil, uma associação formada por diversos profissionais, que hoje é considerada como referência no combate aos crimes que violam os direitos humanos através da internet.
O assunto deve ser enfrentado por pais, autoridades e pela sociedade de forma geral. A internet é uma ferramenta indispensável na sociedade contemporânea, mas alguns abusos devem ser coibidos com energia, para que não cheguemos ao dia em que as vantagens da rede mundial de computadores sejam suplantadas pelos malefícios.
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