Blog do Pannunzio

A rotina do prisioneiro Arruda na cadeia da PF

É dura a vida do prisioneiro José Roberto Arruda na cela especial da Polícia Federal, em Brasília. Sem direito a televisão, telefone. internet e com o celular confiscado, ele passa o dia todo sem ter o que fazer a não ser conversar com seus advogados.

Arruda pode receber visitas apenas de familiares. Ainda assim, elas têm que ser pré-agendadas. Até agora somente a mulher, Flávia, tem ido visitá-lo. Cumpre a rotina de todo mulher de preso. Ontem, por volta de 11 horas, ela passou uma hora com o ainda governador. Levou o almoço para ele. Saiu de lá aparentemente chorando, da mesma forma como as mulheres de presos costumam encerrar as visitas aos maridos presos. Não  se sabe porque Flávia Arruda chorou.

A PF diz que o hóspede mais ilustre que de sua carceragem fica o tempo todo sob vigilância de pelo menos um agente. O policial fica lá plantado — inclusive quando Arruda recebe visita. “Mas ele não ouve as conversas. Não está sendo monitorado, apenas vigiado em tempo integral”, diz um assessor da Superintendência.

O governador-prisioneiro pode receber jornais e tem entre seus poucos pertences alguns livros. Costuma ler durante suas longas horas de ócio carcerário.

Dorme durante boa parte do dia, mas costuma ficar acordado a maior parte das noites. Ainda assim, segundo as pessoas que têm contato com ele, Arruda “está melhorando a cada dia”. Perguntado sobre o que isso significa, o assessor fez referência ao seu estado clínico, e não ao estado emocional.

Entre os direitos que assistem qualquer preso, Arruda até agora só desfrutou duas vezes do banho de sol. Desde de domingo ele pode sair durante 15 minutos, nos fins de tarde, e caminhar pelo pátio interno do prédio em que está preso. Poderia receber visitas íntimas. Mas ainda não solicitou o benefício.

A PF assegura ter retirado o aparelho de tv que estava na cela do governador. Retirou também o telefone. Se estivesse na Papuda, como desejam seus milhões de desafetos, talvez tivesse mais conforto. O presídio estadual tem tvs coletivas a que qualquer preso pode assistir. E também orelhões, que Arruda poderia utilizar para falar com quem bem entendesse.

Agora imagine o impacto disso para um homem que até a semana passada era reverenciado, bajulado, mandava e desmandava em tudo. E como deve ser difícil ouvir o “fica Arruda” que de vez em quando algum engraçadinho vai gritar em frente à janela da cela. Puro sofrimento, não é verdade ? É o que deveria acontecer o todos os políticos que, como Arruda, acham que estão além do alcance das leis e da Justiça.

A imagem das privações do ainda governador são devastadoras para os colegas de profissão que têm, pelo menos até agora, tido mais sorte do que ele. Muita gente ilustre por aí está perdendo o sono só de pensar que, a partir do que aconteceu no DF, talvez as coisas tenham começado a mudar neste triste país de ladrões travestidos de políticos.

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