Blog do Pannunzio

Depois de 20 dias no xilindró, Arruda ainda se aferra ao cargo de governador

Daqui a pouco, às 18 horas, a ínclita Câmara Legislativa do Distrito federal deve aprovar a admissão do processo de impeachment contra o presidiário José Roberto Arruda. É o começo do fim de uma das carreiras políticas mais hipócritas e desenrosas da história da República.

Do alto de sua cela, no entanto, Arruda ainda resiste a entregar as insígnias. A insistência em se manter com o título de governador vai além da razão e da teimosia. Tivesse ele concordado com a renúncia, que mais dia menos dia vai acontecer, talvez já estivesse fora da cadeia, gozando de todas as benesses que o dinheiro oriundo da corrupção pode proporcionar a quem, como ele, dedicou a vida ao crime.

A única vantagem aparente de sua renitência é o conforto de ter um cafofo privativo na Superintendência da PF de Brasília. O foro privilegiado, como se viu, tirou dele uma instância de recurso. O instituto criado para assegurar a políticos da estirpe dele a impunidade, desta vez, funcionou ao contrário.

O risco que ele corre é o de ter decretada a prisão por qualquer juiz de primeira instância se perder o cargo que tanto desonrou. Ora, mas ele já não está preso ? Porque, caso não advenha a renúncia, os amigos infiéis do parlamento vão lhe cassar o mandato no fim do jogo que começa hoje.

Se fosse pelo menos um pouco mais sensato, Arruda pouparia o distrito Federal de sua ascendência, sua própria mulher das idas e voltas ao presídio improvisado com marmitas na mão e a si mesmo do constrangimento de, a esta altura, ainda tentar salvar os anéis, quando já lhe amputaram os dedos.

Ao que parece, no entanto, o universo de valores desse sujeito é bem diferente do senso comum. É uma pena. Para nós, que somos aparentemente normais.

 

 

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