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Apesar de ter dívida de R$ 35 milhões, PT monta pré-campanha milionária para Dilma

Maria Lima

A uma semana de deixar o palanque oficial do governo, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, fechou na noite desta terça-feira, com o comando do PT, detalhes da megaestrutura que está sendo montada pelo partido para os três primeiros meses da pré-campanha à Presidência. Nessa primeira fase, antes do início da campanha oficial em julho, Dilma terá todas as despesas custeadas pelo PT, que ainda paga por mês cerca de R$ 700 mil da dívida de R$ 35 milhões, remanescente da campanha de 2006, renegociada recentemente. A receita do PT é formada por recursos do Fundo Partidário e pagamento da contribuição de filiados, além de doações para campanhas eleitorais.

As despesas com a pré-campanha incluem o aluguel de uma casa no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, por R$ 12 mil mensais, contrato com empresa de jatos executivos para deslocamento por todo o país, aluguel de carros e pagamento de seguranças, além de salários para a candidata e pelo menos mais cinco assessores que ela levará da Casa Civil para a campanha. Só com esses salários e o aluguel da casa, as despesas chegarão a mais de R$ 250 mil entre abril e final de junho.

O salário da pré-candidata ultrapassará os pagos aos dirigentes petistas, porque, além dos R$ 12.500 que ela recebe como ministra, o partido deverá incorporar mais R$ 5.300 que Dilma recebia como integrante do Conselho de Administração da Petrobras.

A cúpula do PT teme que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) crie obstáculo à incorporação do jeton da Petrobras – é sempre lembrado que o tribunal contesta o pagamento de despesas hospitalares que o partido fez ao ator Mário Lago, porque ele não era filiado ao PT. Mas a decisão do comando de campanha é incorporar. Como alegou o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, “a ministra não pode ter prejuízo”.

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, diz que não há regra no estatuto sobre despesas de pré-candidata porque Lula não as teve. Mas diz que isso é normal. E aponta para o governador tucano, José Serra, principal adversário de Dilma:

– O Serra disse que o PSDB não vai lhe pagar salário nem suas despesas na pré-campanha. A pergunta que não quer calar é: o Serra vai viver de quê? Ele é rico? Que eu saiba, não é. Quem vai pagar seu salário?

Dilma não se deslocará em avião de carreira com seu staff da campanha. O PT está fechando contrato com a TAM e/ou Líder Táxi Aéreo para que ela tenha à disposição, em tempo integral, jatinhos usados na caravana país afora nesses três meses. O contrato é mensal e com um número predeterminado de horas voadas, independentemente do destino. Se ultrapassar esse teto, o valor é ajustado.

Mas Dutra diz que ainda não tem o valor do contrato porque estariam “regateando” um desconto. A TAM oferece uma frota de aeronaves executivas que inclui 8 jatos Citation de última geração, com velocidade de cruzeiro e capacidade para 6 a 8 pessoas, além de salas vip e helicópteros.

Na campanha oficial, o contrato é outro, com estrutura maior.
– Nessa fase da pré-campanha, o gasto com aluguel, pessoal e deslocamento é “peanuts” (de pouca expressão). O grosso, 80% dos gastos são na campanha, com rádio/TV e material gráfico – diz Dutra.

Para se ter ideia dos custos de uma campanha presidencial com avião, o PT declarou ter gasto na eleição de Lula, em 2002, mais de R$ 1,2 milhão, ao longo de todo o período, com a principal empresa aérea que serviu ao candidato, a TAM.

O PT vai bancar o salário de cinco assessores, cada um com cerca de R$ 11 mil mensais. Irão com ela para a pré-campanha, nesta primeira fase, os jornalistas Ricardo Amaral e Oswaldo Buarim, a assessora especial da Presidência Clara Ant, o secretário-executivo adjunto da Casa Civil, Giles Carriconde Azevedo, e sua secretária Cleonice Dorneles – além de seguranças e empregados.

Ex-tesoureiro do PT, Paulo Ferreira disse que a dívida do partido remanescente da campanha de 2006, em dezembro de 2009, era de R$ 35 milhões. Renegociada, o PT paga por ano cerca de R$ 8 milhões, ou R$ 700 mil por mês com bancos, fornecedores e Coteminas.

Clique aqui para ler a íntegra no site do O Globo

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