Blog do Pannunzio

Um distrital para governador

Lilian Tahan

As regras para nortear as eleições indiretas ainda não estão definidas, mas a maioria dos distritais já tem um posicionamento quanto à candidatura de um dos pares. Treze dos 23 deputados — um deles está preso na Papuda — defendem a permissão para que um integrante da Câmara Legislativa concorra à vaga de governador tampão. E nove são contrários a essa autorização. Apenas um se diz indeciso. Assim, se o pleito fosse hoje, haveria forte tendência de os distritais escolherem um dos colegas para chefiar o Executivo. Entre os que opinam pela participação de um representante da Câmara no processo de sucessão, estão sete dos dez políticos investigados na Operação Caixa de Pandora.

Na avaliação da maioria dos deputados, não há motivos para impedir que a Casa lance um nome (veja quadro ao lado). “Impedir isso seria radical, colocaria todos na condição de suspeitos”, disse Rogério Ulysses (sem partido), um dos distritais citados no escândalo. “Não se discute opinião nesse caso, simplesmente não há impedimentos”, argumentou Eurides Brito (PMDB), que foi flagrada guardando dinheiro entregue por Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais. Para Benício Tavares (PMDB), também nominado no inquérito nº 650 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), trata-se de uma questão de experiência: “Sabemos lidar com o Executivo e com a política, é natural que tenhamos a oportunidade de ter um representante”.

Nomes da Câmara que surgiram como possíveis candidatos ou que se empenham para influenciar decisivamente na escolha do governador também se posicionam pela permissão. Alírito Neto (PPS), por exemplo, acha que qualquer parlamentar, seja ele deputado federal, senador ou distrital, deveria ter o direito a concorrer: “O que deve contar é a plataforma política, um programa de governo capaz de tirar a cidade da crise”. Além dele, Eliana Pedrosa (DEM) favorece o grupo dos que são a favor da candidatura de um distrital. Os dois políticos são lembrados como candidatos. Mas não confirmam a hipótese. Trabalham nos bastidores para participar do processo. Eliana Pedrosa, por exemplo, vem sondando algumas pessoas para a disputa, entre as quais, o ex-presidente do Tribunal de Contas do DF, Paulo César Ávila.

A tese dos distritais contrários à candidatura de um integrante da Câmara Legislativa é parecida. Eles acham que o movimento de afastar os políticos da Câmara evitaria uma contaminação eleitoreira do processo de escolha, já que em outubro haverá eleições direitas e quem assumir agora poderá se beneficiar do cargo para construir uma plataforma de campanha para o próximo pleito. Essa é a avaliação feita em conjunto pela bancada do PT. “A escolha de alguém de fora da Casa diminui as chances do escolhido de trabalhar em causa própria. O momento é o de se reconstruir a cidade e não de se tirar proveito eleitoreiro”. Para José Antônio Reguffe (PDT), “quando mais distante for o processo das eleições indiretas das colorações políticas, melhor será para a população”.

Clique aqui para ler a íntegra no site do Correio

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