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Perfil de Durval Barbosa: quase 40 processos

Guilherme Goulart

O homem-bomba por trás da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, tem perfil camuflado entre a coragem e a loucura. De delegado da Polícia Civil do Distrito Federal a chefias de cargos administrativos assumidos no primeiro escalão nos últimos governos de Joaquim Roriz (PSC) e José Roberto Arruda (sem partido), Durval Barbosa se especializou em comportamentos capazes de confundir tanto aliados quanto adversários. Foi assim que ele se tornou um dos principais protagonistas do escândalo responsável pela implosão da gestão Arruda.

Durval é o homem que entregou à polícia as escutas ambientais que deram início à investigação policial sobre o suposto sistema de pagamento de propina do Governo do Distrito Federal (GDF) em troca de apoio para deputados distritais da base aliada. Depois de anos à frente de contratos sem licitação com empresas de informática ao longo do governo Roriz e com poder mantido no governo Arruda, ele se ofereceu à Polícia Federal para gravar imagens do esquema de corrupção. Conseguiu, assim, entrar no Programa de Proteção à Testemunha do Ministério da Justiça.

Ex-colegas de Polícia Civil contaram ao Correio que o temperamento explosivo dele levanta dúvidas quanto às intenções de Durval. “Ele é um cara operacional, inteligente e competente. Tinha uma relação boa com os colegas, era leal, mas tomava determinadas atitudes que ficavam entre o corajoso e o louco”, explicou um agente da Polícia Civil do DF, que preferiu não se identificar. Segundo ele, o então delegado Durval ficava na linha de tiro, se preciso. Revelava um perfil de rua e de ação policial, jamais de escritório.

Enquanto esteve na corporação, Durval esteve à frente de pelo menos dois cargos importantes. Chefiou a 3ª DP (Cruzeiro) e a carceragem da antiga Companhia de Polícia Especializada (CPE), atual Departamento de Polícia Especializada (DPE). Tais posições serviram de argumento para que os advogados de um sobrinho condenado por assassinato pedissem a manutenção do acusado na unidade policial do Cruzeiro em 2004. Alegaram que o jovem sofreria violência de homens com inquéritos apreciados por parentes — o pai é delegado aposentado — e presos na Papuda.

Série de crimes
As ações de Durval no GDF começaram em 1999, quando até 2006, esteve à frente de contratos feitos sem licitação e operados por meio do Instituto Candango de Solidariedade (ICS). Por vários anos, enquanto foi presidente da Codeplan, manteve as contratações com o argumento de que a entidade era reconhecida como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). Mesmo assim, o Ministério Público do DF considerou o esquema criminoso. O órgão o denunciou em 12 ações penais, cinco de responsabilidade civil, duas populares, seis de improbidade administrativa e 12 civis públicas.

Clique aqui para ler a íntegra no site do Correio

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