Blog do Pannunzio

Os importantes projetos-de-lei do ficha-suja que quer prender os blogueiros

Heitor Diniz, editor do Blog Crônica Política

 

Primeiro, preciso apresentar a peça, pois será um ilustre desconhecido para a maioria dos leitores deste blog. O nome dele é José Riva, o capixaba mais mato-grossense que se tem notícia. Seu habitat (natural?) é a cadeira de presidente da Assembleia Legislativa do Mato Grosso, assento que ocupa pela quarta vez.

Pois bem, esse tal Riva, para quem também não sabe, acumula atualmente a função de caça-blogueiros. Talvez pelo fato de responder a nada menos do que 118 processos judiciais de toda ordem e qualidade que você possa imaginar, caro leitor, Riva esteja querendo socializar esse rastro com jornalistas, despejando suas demandas em franca oposição ao constitucional direito à liberdade de expressão e opinião. Ou seja, o expediente que usa não é o da reparação de eventuais abusos da imprensa, mas o da mordaça mesmo. O mais impressionante e preocupante é que ele consegue algum respaldo do Poder Judiciário.

Entre suas vítimas, Adriana Vandoni (do blog Prosa e Política) e o repórter Fábio Pannunzio, da TV Bandeirantes. Para Adriana, Riva quer 6 anos e 6 meses de prisão. Para Pannunzio, pede 15 anos (em regime fechado, diga-se de passagem), mais indenização de R$ 2 milhões (saiba mais nos links acima).

Enquanto isso, Riva segue com a batuta da Casa Legislativa do Mato Grosso, sugerindo e aprovando leis como, por exemplo, o Dia do Torcedor Mixtense (Lei 7.908/2003). Mas isso não seria justo com os torcedores do Operário Futebol Clube. Então, Riva mandou criar o Dia do Torcedor Operariano (Lei 7.909/2003). Mas isso não seria justo com os torcedores do Clube Esportivo Dom Bosco. Então, Riva mandou criar o Dia do Torcedor Dombosquino (Lei 7.910/2003). Mas isso não seria justo com os torcedores do Palmeiras de Cuiabá. Então, Riva mandou criar o Dia do Torcedor Palmeirense de Cuiabá (Lei 7.915/2003)… e assim ele vai tocando o barco… e a bola.

Isso é que é jogar para a torcida!

Paralelamente, a maioria dos projetos de lei de Riva pede a declaração de utilidade pública de um sem número de instituições, sobretudo ligadas a atividades maçônicas. Mas só o que Riva parece não ter conseguido ainda, do alto da sua cadeira, foi declarar de utilidade pública… seu próprio mandato.

 

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