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Riva demitiu parentes para ocultar nepotismo

A família do presidente da Assembléia Legislativa de Mato Grosso sofreu um duro baque em outubro de 2008. Três dos pelo menos seis parentes de José Geraldo Riva que tinham sinecuras no Poder Legislativo perderam o emprego. O primeiro a ser exonerado foi Carlos Antônio Azóia, genro de Riva. Logo depois foram exonerados, no mesmo ato, o sobrinho Carlos Priminho Riva e a cunhada Jaqueline gomes Ribeiro.Com as exonerações, a renda dos parentes de Riva foi reduzida em cerca de R$ 9 mil — um impacto que geraria preocupação em qualquer família de classe média alta brasileira.

A pressa para demitir os parentes de José Geraldo Riva era tão grande que seu genro Carlos Antônio foi exonerado duas vezes seguidas — a primeira no dia 8 de setembro, a segunda em 3 de outubro — sem que houvesse um ato de recontratação essas datas.

A demissão de tantos empregados de uma mesma família poderia ensejar suspeitas de uma monumental caças às bruxas movida por inimigos políticos poderosos de José Geraldo Riva. Mas, na condição de primeiro-secretário da Casa, é improvável que houvesse alguém mais poderoso do que ele. Além do mais, o próprio Riva assinou os atos exonerando os parentes.

Para entender as exonerações é preciso lembrar que o segundo semestre de 2008 marcou uma derrota do parlamento matogrossense perante o Movimento Contra a Corrupção Eleitoral (MCCE) e a ONG Moral, que recorreram à justiça para ter acesso ao lotacionograma da Assembléia, como prevê o Artigo 148 da Constituição do Estado de Mato Grosso.

A Mesa diretora tentou de todas as formas evitar a publicação dos nomes dos servidores. Em agosto daquele ano, o MCCE impetrou um mandado de segurança e pediu a concessão de liminar para ter acesso aos dados. A liminar foi concedida pelo Pleno do Tribunal de Justiça no começo de dezembro. E a relação foi finalmente entregue naquele incompleta, desorganizada e ininteligível.  Entre os nomes listados não estavam os dos parentes diretos de Riva, demitidos antes do fatídico mês de dezembro.

A coincidência de datas permite uma única conclusão: Riva mandou demitir o genro, o sobrinho e a cunhada antes da divulgação do lotacionograma para evitar que seus nomes aparecessem na relação de servidores comissionados, como de fato aconteceu.

A manobra conseguiu ocultar a prática de nepotismo por um ano e quatro meses. A identificação dos parentes do atual presidente da ALMT só foi possível depois que este Blog e o Prosa e Política reuniram em um banco de dados todos os atos de contratação e exoneração de servidores desde janeiro de 2007. O banco de dados está à disposição de qualquer pessoa que queira consultá-lo e pode ser baixado aqui.

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