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Eurides teria levado R$ 1,4 mi

Ana Maria Campos
Lilian Tahan

Durval Barbosa complicou, e muito, a situação da distrital Eurides Brito (PMDB). Até onde se sabia, por relatos do próprio ex-secretário de Relações Institucionais do GDF, a deputada havia recebido R$ 30 mil de propina. Cena que foi, inclusive, gravada e documentada como uma das evidências do esquema de corrupção relatado no Inquérito nº 650 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em novo depoimento, desta vez à Comissão de Ética da Câmara Legislativa, Durval acusa a parlamentar de ter recebido 48 parcelas de R$ 30 mil. Ou seja: R$ 1,4 milhão em espécie. Durval afirma que os repasses ocorreram de 2003 a 2006 e que no governo de José Roberto Arruda (sem partido) os pagamentos se mantiveram, mas ficaram sob a responsabilidade do ex-chefe da Casa Civil José Geraldo Maciel.

As revelações de Durval são uma resposta à defesa de Eurides, que alega ter recebido os R$ 30 mil flagrados em vídeo a mando do ex-governador Joaquim Roriz (PSC) com o objetivo de quitar dívidas de campanha. Boa parte das 51 páginas produzidas com o testemunho de Durval à relatora do processo de quebra de decoro contra Eurides, Érika Kokay (PT), são dedicadas a explicar a participação da distrital peemedebista no suposto esquema do mensalão. O delator do escândalo que deu origem à Caixa de Pandora afirma, por exemplo, que gravou uma ocasião do acerto de contas com a distrital, mas poderia ter feito o mesmo outras 40 vezes.

Perguntado sobre a origem do dinheiro pago a Eurides, o ex-secretário de Relações Institucionais é certeiro: “Corrupção”. E acrescenta que “seria o retorno em relação aos contratos”.

Segundo Durval, Eurides sabia da procedência dos valores entregues por ele em função da existência de contratos na área de educação. Segundo o relato à Comissão de Ética da Câmara, Eurides não era operadora do esquema, mas se beneficiava dele, tendo “pleno conhecimento do que ocorria”. A distrital sempre teve ingerência na área de Educação. No primeiro mandato de Roriz, foi a secretária dessa pasta e, mesmo depois de deixar o cargo e voltar à Câmara, continuava indicando os nomes para o setor.

Cara de pau
Na versão apresentada pelo pivô do escândalo do mensalão que derrubou o governo Arruda, Eurides ficava à vontade para gastar o dinheiro como bem quisesse. “Não necessariamente na campanha. Podia ser de caráter particular, podia ser de… podia empregar onde quisesse. Agora, eu acredito que, no período da campanha, ela tenha empregado para fomentar a campanha. Agora, esse período todo foi campanha? Eu não acredito”, disse o depoente à Érika Kokay.

Durval chegou a chamar Eurides de “cara de pau” e “mentirosa”. “Depois de velho, eu acreditaria que ela, na condição de evangélica, poderia pegar uma passagem da Bíblia onde diz que ‘A verdade vos libertará’. E ela não vai conseguir se libertar porque não disse a verdade.” Sobre a hipótese de a deputada ter promovido eventos de campanha para Roriz em 2006, Durval achincalha: ‘Só se foi despacho de macumba, porque não acredito que uma pessoa esteja trabalhando para um candidato e fazendo promoção para outro”.

Eurides Brito rebateu as acusações, reforçando a versão de que recebeu dinheiro enviado por Roriz por intermédio de Durval para pagar eventos de campanha. “Se eu devesse alguma coisa a alguém não enfrentaria esse processo. Se estou aqui é porque tenho segurança da minha inocência.”

Clique aqui para ler a íntegra no site do Correio

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