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Aposentados: mudanças aprovadas pela Câmara provocam gasto extra de R$ 4 bilhões/ano

Geralda Doca
Cristiane Jungblut

Além de uma deterioração nas contas do INSS, o impacto financeiro das medidas aprovadas pela Câmara nas contas da Previdência vai prejudicar o cumprimento da meta de superávit primário de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB). O abalo imediato do reajuste de 7,7% para aposentadorias acima do mínimo e o fim do fator previdenciário é de cerca de R$ 4 bilhões ao ano. No caso do fator, em três anos, a conta anual será de R$ 12 bilhões, porque o impacto é cumulativo.

A estimativa é feita por especialistas do setor e economistas. Com gastos em alta e recuperação lenta da arrecadação, a meta de superávit dificilmente será cumprida neste ano e em 2011, principalmente depois da derrota do governo na Câmara.

Para tapar o buraco da Previdência, cujo déficit é estimado em R$ 47,2 bilhões em 2010 – sem considerar as medidas aprovadas -, o governo terá de sacrificar áreas como educação, saúde e infraestrutura.

– Significa menos crescimento e mais desemprego para uma camada da população que está chegando ao mercado de trabalho e não tem poder de barganha – afirmou o especialista em contas públicas Raul Velloso.

Ele calcula um impacto a curto prazo de R$ 4 bilhões ao ano – média do orçamento do Ministério dos Transportes nos últimos 10 anos.

Já para José Cechin, ex-ministro da Previdência, o estrago é maior: de R$ 2,1 bilhões por ano só com a diferença do reajuste de 6,14% para 7,7%, além de uma despesa que pode chegar a R$ 4,39 bilhões ao ano com aposentadorias de segurados aos 53 anos de idade – o que será permitido com o fim do fator.

Segundo Cechin, caso seja confirmado o fim do fator, haverá crescimento de 30% nos pedidos de aposentadoria, porque não haverá mais o interesse de continuar na ativa com a expectativa de melhorar o benefício. O número de pedidos poderá saltar de 290 mil em 2009 para 376 mil em 2010.

Outro agravante do fim do fator é que os gastos serão cumulativos, podendo atingir R$ 12 bilhões no terceiro ano. Somente depois de 25 anos – média de sobrevida de uma aposentado com 55 anos – é que haveria estabilização dos gastos, na casa dos R$ 25 bilhões.

Clique aqui para ler a íntegra no site do O Globo

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