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Legislativo publica hoje ato que suspende o mandato de Eurides e convoca o suplente

Lilian Tahan

Eurides Brito está oficialmente afastada do cargo de deputada distrital. Um ato publicado na edição de hoje do Diário da Câmara Legislativa cumpre a liminar proferida pela Justiça na última sexta-feira, que determinou o desligamento da política do mandato enquanto durarem as investigações do processo por quebra de decoro parlamentar a que ela responde na Comissão de Ética da Casa. Mas, ontem, pode ter sido o último dia de Eurides como parlamentar, pelo menos nessa legislatura. O relatório produzido sobre o caso da deputada flagrada em vídeo recebendo dinheiro das mãos de Durval Barbosa deve pedir a cassação definitiva do mandato de Eurides. Enfraquecida politicamente, é muito difícil que ela consiga um placar a seu favor em plenário.

Eurides prestou na manhã de ontem depoimento à Comissão de Ética. A deputada afastada foi a última testemunha a ser ouvida no caso. Agora, a relatora Érika Kokay (PT) se dedicará a concluir o processo. O documento deve apontar uma série de contradições sobre a versão apresentada pela defesa da política (veja quadro). Uma das mais contundentes é o fato de Eurides sustentar que eventos da campanha dela em 2006 foram bancados pelo ex-governador Joaquim Roriz (PSC), antigo aliado da então candidata a distrital. A relatoria está convicta, no entanto, de que, justamente nessa fase, Eurides e Roriz estavam rompidos. A tese da defesa foi desconstruída a partir de um resgate dos acontecimentos em 2006, época em que o PMDB, de fato, vivia um momento de crise, que culminou com uma intervenção no partido. Além disso, depoimentos, entre os quais o do próprio Roriz, confirmam o entreveiro entre os dois políticos naquele período.

Possíveis contradições sobre datas e horários das reuniões que teriam sido custeadas com recursos pagos por Durval a mando de Roriz, segundo diz Eurides, também vão constar no relatório final sobre o caso. Há pelo menos uma situação considerada absurda a partir da comparação entre os relatos de duas testemunhas arroladas a pedido da própria distrital. Dois depoimentos relatam que os eventos de campanha citados pela deputada afastada teriam ocorrido no mesmo dia e horário. O problema é que ela diz que esteve nos dois.

O documento sobre o caso de Eurides também conterá um anexo com fotos de uma reunião ocorrida em 2006, quando aparecem no mesmo ambiente a então candidata e Roriz, que na época concorria ao cargo de senador. Anteriormente, Eurides havia afirmado à relatora Érika Kokay que o ex-governador nunca tinha participado de um dos eventos produzidos por ela, apesar de ele ser, segundo alega, o financiador dos encontros de sua campanha.

Clique aqui para ler a íntegra no site do Correio

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