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Lugo pediu a Lula para manter refugiados paraguaios no Brasil

furoO presidente do Paraguai, Fernando Lugo, pediu ao presidente Lula que não repatrie os três militantes paraguaios que aqui se encontram refugiados. O pedido foi feito durante o último encontro dos dois chefes-de-Estado em Ponta-Porã, MS, no último dia 3 de maio.

Juan Arrom, Anuncio Marti e Victor Colman são alvo de um processo de perseguição explícita movida pelo governo Lugo. Ex-militantes do Movimento Pátria Livre, que se opôs à ditadura Stroessner, os três foram acusados do sequestro de Maria Edith Debernardi, mulher de um dos empresários mais ricos e controvertidos do País.

Arrom, Marti e Cólman foram sequestrados por agentes de segurança paraguaios dois dias antes da libertação da Sra. Debernardi. Durante 14 dias foram sistematicamente torturados — e jamais confessaram qualquer tipo de participação no sequestro.

O local utilizado como cativeiro, a casa de um policiais militar, foi descoberto pelas irmãs de Juan Arrom. Dias depois de libertados, os três deixaram o país pela Ponte da Amizade e ingressaram em território brasileiro. Meses depois, por unanimidade, o CONARE concedeu a eles o status de refugiados políticos. Desde então o governo do Paraguai tentam convencer as autoridades brasileiras a repatriá-los para que sejam julgados segundo as leis paraguaias.

O refúgio político concedido pelo governo brasileiro tomou boa parte da agenda dos dois presidente durante o último encontro de ambos, no Mato Grosso do Sul. Contrariando a posição oficial de seu governo, Lugo deixou claro para Lula que a volta de Arrom, Marti e Colman não é prioridade de seu governo nem interessa a ele.

“Não será problema se eles (os refugiados) permanecerem no Brasil”, teria dito Lugo durante a reunião de trabalho. “Não se pode assegurar que um julgamento hoje (pela Justiça paraguaia) será justo e isento porque esse caso ainda desperta muitas paixões em Assunção”, reiterou o presidente da República vizinha diante de um Lula surpreso com a manifestação.

A iniciativa, confirmada por três fontes diferentes do governo brasileiro, deixa claro o antagonismo das posições emanadas de Assunção. De um lado, autoridades vinculadas a núcleos de poder remanescentes da ditadura Stroessner movem uma guerra diplomática contra o Brasil pelo repatriamento dos três militantes. De outro, o presidente, pessoalmente, se movimenta em sentido contrário, endossando o refúgio concedido pelo CONARE por unanimidade.

Dois ministros do governo Lugo tiveram uma importante participação na elucidação do processo de perseguição que os refugiados sofreram. Chegaram a assinar o laudo que atestou as sevícias das sessões de tortura impostas aos militantes do MPL.

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