Blog do Pannunzio

Por que os políticos continuam se lixando para a opinião pública?

 

A resposta não é fácil. Nos idos dos anos 30, quando as primeiras teorias do campo da comunicação começaram a ser elaboradas, estudiosos perceberam, com base em levantamentos estatísticos, que a mídia exerce um efeito muito limitado sobre a opinião e a vida das pessoas. A mensagem de massa, institucional ou publicitária, influencia pouco decisões de consumo, pontos-de-vista políticos, convicções religiosas ou ideológicas.

Nem sempre foi assim. Alguns pensadores contemporâneos, inspirados pelo brilhante Jurgen Habbermas, defendem que foi a difusão de valores da burguesia pelos jornais literários que determinou a ruína do sistema feudal e da nobreza européia. Influenciados pelos valores burgueses, os nobres mudaram até a arquitetura dos castelos antes de sucumbir à guilhotina iluminista.

Hoje, a imprensa nos países democráticos não tem nenhum caráter revolucionário. Seu papel é essencialmente conservador, até quando ela se apresenta aparentemente nervosa com o ambiente institucional. A consequência das denúncias é sempre a retro-alimentação de um sistema que, no plano ideal, é capaz de resolver e purgar seus próprios antagonismos.

Inquietamos a opinião quando dizemos que o ministro Fulano de Tal organizou uma quadrilha para amealhar caixa-dois. No dia seguinte, anunciamos a solução perfeita: uma CPI foi instalada e vai punir os quadrilheiros. Denunciamos as deformações do sistema para em seguida louvar mecanismos de correção. Para que as pessoas concluam que nada precisa mudar.

E quando finalmente noticiamos que a impunidade venceu, que os mecanismos de correção não estão funcionando a favor da emancipação e da cidadania, o clamor já se dispersou e o ânimo da sociedade amainou.

Compete ao jornalista manter vivo seu ideal de transformação. Ele é a mola-mestra da profissão, sem a qual é impossível cultivar a sensibilidade que permite perceber e selecionar fatos sociais que serão transformados em notícia. Apesar da frustração decorrente do fato de que muita gente já percebeu que, pelo menos em relação à exposição pública negativa, nem sempre os efeitos saneadores aparecem. Caso notório de presidentes que avalizam a apropriação do dinheiro do contribuinte em forma de passagens aéreas, mensaleiros que pretendem anistia ou reinserção no quadro partidário e parlamentares que se lixam e se reelegem.

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