Blog do Pannunzio

Saída do DEM deixa disputa ao governo ainda mais focada em Agnelo e Roriz

Lilian Tahan

A desistência do DEM de lançar candidatura-solo era o elemento que faltava para confirmar a principal característica do cenário eleitoral deste ano: a cidade volta a se dividir entre o azul de Joaquim Roriz (PSC) e o vermelho do PT, representado nesta disputa por Agnelo Queiroz. No último dia para as definições sobre alianças partidárias, o Democratas saiu de cena. O partido estava isolado e corria o risco de ter dificuldade para reeleger deputados distritais. Com a pressão dos parlamentares, Alberto Fraga declinou da disputa ao governo. E ganhou a vaga ao Senado na coligação de Roriz.

Até o último dia permitido pela legislação eleitoral para as composições partidárias, Fraga manteve a disposição de se candidatar ao Palácio do Buriti. Era tido tanto por Agnelo quanto por Roriz como uma ameaça. Não porque tivesse envergadura para ganhar a disputa, mas porque sua participação tinha potencial para encaminhar a eleição a um segundo turno. Nesse caso, assumiria papel de protagonista no desfecho da competição.

A estratégia, no entanto, poderia significar o sacrifício político de, pelo menos, três distritais que fazem planos de reeleição na Câmara Legislativa. Sem estar inseridos numa coligação, Eliana Pedrosa, Raad Massouh e Paulo Roriz poderiam perder nas urnas. Foi com base nessa conclusão que os parlamentares pressionaram para a retirada de chapa própria. E conseguiram. Os deputados contaram com o apoio do senador Adelmir Santana, que desejava abraçar a candidatura de Roriz. Ao lado do ex-governador, Adelmir imaginava ter chances de estender nas urnas o mandato que hoje ocupa na condição de suplente. Ele é o substituto do ex-senador Paulo Octávio, que em 2007 renunciou ao cargo para assumir a vice-governadoria do DF.

Escândalo
Adelmir cresceu na adversidade. Com o escândalo da Caixa de Pandora e a dissolução da executiva regional do DEM — como resposta do comando nacional à crise —, o senador acabou sendo nomeado o presidente da legenda no Distrito Federal. E ganhou a maioria dos integrantes do diretório local, argumento que até o fim da tarde o favoreceu na queda de braço com Fraga. Contra os votos da executiva, Fraga tinha o argumento das urnas. Na coligação de José Roberto Arruda em 2006, conquistou 95.514 eleitores, a melhor marca. A vantagem o tornou confiante. E o deputado federal desdenhou de colegas. Há alguns dias, provocou Osório Adriano e Adelmir ao chamá-los de a dupla “gagá e sem voto”

O ensaio de retaliação veio ontem durante as convenções. Fraga não conseguiu reunir a executiva em torno de seu nome para a indicação à chapa de Roriz. Desistiu da candidatura ao governo, mas queria ser escolhido para disputar o Senado na coligação do ex-governador. A briga pela vaga majoritária deu confusão na reunião do DEM. Fraga chegou emburrado à sede do partido, no Setor Comercial Sul, e saiu enfurecido do lugar, ao ser derrotado pelo diretório, que não chegou a usar a prerrogativa do voto, mas deixou claro que, se o fizesse, ele perderia.

A resistência a Fraga extrapolava seu partido. Roriz não gostou nem um pouco do comportamento do deputado nos últimos dias, período em que ele se permitiu atacar sem reservas a coligação encabeçada pelo ex-governador. Fraga chegou a dizer que não se juntaria a uma chapa com a ficha suja. Ele próprio sabia que poderia ter dificuldades para ser o escolhido, caso o assunto fosse mesmo submetido ao ex-governador. “Roriz não o queria nem para deputado distrital”, disse um estrategista de campanha que acompanhou as negociações. A candidatura de Fraga ao Senado, devidamente acomodada na chapa do ex-governador, demonstra que, em política, conta mais o pragmatismo em busca do poder.

Clique aqui para ler a íntegra no site do Correio

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