A julgar pelas reações dos assessores dos dois candidatos, ambos venceram o debate realizado esta noite pela Rede Bandeirantes. Os do PT deixaram o...

A julgar pelas reações dos assessores dos dois candidatos, ambos venceram o debate realizado esta noite pela Rede Bandeirantes. Os do PT deixaram o estúdio da emissora contentes com o desempenho de sua candidata. O curioso é que os do PSBD também ficaram satisfeitos com a estratégia adotada por Dilma Roussef.

José Eduardo Cardozo, Marco Aurélio Garcia e Antonio Palocci saíram saciados com a postua mais agressiva de Dilma Rousseff. Acham que a candidata conseguiu deixar claro que tem sido alvo de uma campanha construída com calúnias e difamações que ganharam a internet e, por intermédio dela, os cultos e missas de todo o País.

Serra foi pego de supresa pela estrégia de defesa. Depois do programa, ainda não havia conseguido entender o por quê de DIlma ter resolvido avocar os temas que lhe são espinhosos. A começar pelo aborto, tema que ela introduziu na seara do debate no início do primeiro bloco.

Dilma estava visivelmente nervosa. Por duas vezes perdeu a respiração. O curioso é que ela não foi provocada. Ao contrário, foi ela mesma quem decidiu elevar o tom e partir para o ataque.

Ao demarcar o território, Dilma deu a Serra a oportunidade de ressaltar aquilo que tem levado os eleitores a desconfiar da falta de coerência da candidata petista. Dilma se enrolou novamente ao tentar explicar sua posição sobre o aborto e ainda teve que ouvir de Serra que ela mudara recentemente de posição sobre sua própria religiosidade.

Nos dois primeiros blocos, que foram os de maior audiência, Serra estava mais tranquilo e pode manejar os temas propostos por Dilma com mais habilidade. Enquanto isso,a adversária, em seu esforço para demonstrar indignação com o que tem chamado de campanha caluniosa, subiu pelo menos uma oitava acima do tom que seria adequado. Parecia estar no limite entre o nervosismo e a raiva, agindo por impulso e de maneira pouco racional.

“A gente não sabe o que está por trás [dessa estratégia]”, declarou o governador Alberto Goldman, de São Paulo. “Mas ela parecia o Jim Jones, que se matou e matou todos os seus seguidores”, completou.

“Agora ela mostrou quem é”, comemorava o senador Sérgio Guerra, presidente do PSDB. “Não tem mais a Dilminha paz e amor, ela  finalmente mostrou a cara”.

Enquanto isso, os petistas pareciam muito animados com o desempenho da candidata.”Ela conseguiu mostrar sua indignação com as infâmias”, afirmou José Eduardo Dutra, presidente nacional do PT.

Do lado de fora do estúdio, onde cerca de 200 jornalistas se aglomeravam, assessores da própria candidata assistiam a tudo com um ar de estranhamento. “Precisavam ter dado um lexotan pra ela”, isse uma jornalista que torcia por Dilma, supresa com a estratégia e também sem entendê-la.

Para a maior parte dos jornalistas que cobriam o evento, Dilma tinha uma postura mais agressiva do que a situação recomendava. “Parece o Alkmin nas eleições passadas”, lembrou um deles. Era uma referência ao debate que abriu o segundo turno das eleições de 2006, quando o tucano, que havia feito até então uma campanha insossa, partiu para cima de Lula — mudança de postura que seus próprios eleitores não entenderam.

Para quem, como eu, assistiu ao debate na condição de observador privilegiado, ficou a impressão de que Dilma é quem está em desvantagem e, por isso, precisa atacar e desconstruir um adversário mais forte.

Uma única certeza permanece: O debate desta domingo talvez tenha sido o evento mais importante de toda a campanha. Ele pode ter definido quem governará o Brasil pelos próximos quatro anos.



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