O delegado de carreira Romeu Tuma chegou à chefia do Departamento de Ordem política e Social em plena ditadura militar. O temido DOPS, um... Vai-se Romeu Tuma, o delegado que sobreviveu à ditadura

O delegado de carreira Romeu Tuma chegou à chefia do Departamento de Ordem política e Social em plena ditadura militar. O temido DOPS, um dos porões do regime de exceção, era um dos locais mais temidos pelo presos políticos de então.

Ao assumir a diretoria-geral do DOPS, onde esteve lotado por cinco anos, Tuma acabaria se transformando no carcereiro de Luis Inácio Lula da SIlva. Àquela altura, ninguém sequer podia sonhar que aquele empolgante líder sindical se transformaria,  20 anos depois, no mais popular de todos os presidentes da República brasileira.

Desde então as relações entre Lula e Tuma são cordiais e respeitosas. Em uma das peças da última campanha do Senador, é Lula quem faz referência elogiosos ao período em que esteve sob a guarda de Tuma.

Assim como não há anjos em bordéis, tambem não houve anjos nos porões. Mas a julgar pelo que lhe imputaram, Tuma conseguiu sair praticamente ileso do acerto de contas com a história. Foi acusado pelo jurista Gofredo da Silva Teles de haver coonestado e ocultado a causa da morte de prisioneiros que morreram sob tortura.

A despeito disso, conseguiu construir uma sólida carreira política. Muito dela se deve ao prestígio adquirido com a prisão do mafioso italiano Tommaso Buschetta e à identificação da ossada do médico nazista Joseph Menghelle, que terminou seus dias de foragido em terras brasileiras.

Tuma dirigiu a Polícia Federal e a Secretaria da receita Federal. Fez um tipo de oposição quase imperceptível ao governo Lula. Prestou seus serviços a vários governos. Apesar das denúncias de envolvimento com doleiros, jamais foi chamuscado por qualquer condenação judicial.

No trato pessoal, o ex-delegado era afável e gentil. Apesar das frases curtas e da economia com as palavras, soube se fazer querido e respeitado por todos — inclusive pelos homens que trancafiou na condição de carcereiro da ditadura.

Não consta que tenha morrido rico, o que, num País com os vícios políticos do Brasil, pode ser considerado uma grande virtude.

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