Tiago Pariz – Depois de acertar que caberá aos petistas indicar o presidente da Câmara no primeiro biênio, o deputado Michel Temer (PMDB),... Senadores do PMDB tentam tirar o vice-presidente eleito do comando da sigla


 
Tiago Pariz –

Depois de acertar que caberá aos petistas indicar o presidente da Câmara no primeiro biênio, o deputado Michel Temer (PMDB), vice-presidente eleito, passa por uma tentativa de enfraquecimento dentro da própria legenda. Senadores peemedebistas angariam apoio à proposta de retirá-lo da linha de frente da negociação com a presidente eleita, Dilma Rousseff, sobre cargos no futuro governo.

O movimento começou no gabinete do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A meta é sacar Temer, que também acumula a presidência da Câmara, do comando da legenda e colocar o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) no posto. O argumento público a ser usado é que, como vice-presidente — o segundo maior cargo da República —, o deputado não contribui para ajudar a limpar a imagem de que a legenda só está interessada em cargos. “O Temer deve se colocar no posto de segundo homem da República, não pode fazer negociação de varejo e se apequenar no debate”, pregou um parlamentar da legenda.

Nos bastidores, no entanto, é uma jogada para enfraquecer o grupo da Câmara e pressionar Dilma a garantir duas indicações de senadores peemedebistas para a Esplanada. A primeira ocorreu ontem. A presidente eleita convidou o senador Edison Lobão a voltar ao Ministério de Minas e Energia. O segundo peemedebista, que vem da cota da Câmara, é Wagner Rossi, que já ocupa a pasta de Agricultura. A expectativa é de que ambos sejam anunciados hoje, ao lado de Antonio Palocci (PT), para a Casa Civil; de Gilberto Carvalho (PT), para a Secretaria-Geral; e de Alexandre Padilha, para as Relações Institucionais. Dilma pode oficializar também os petistas José Eduardo Cardozo, na Justiça; e Paulo Bernardo, nas Comunicações.

Afago
A decisão de antecipar a indicação de Lobão e Rossi faz parte de uma tentativa da presidente eleita de contornar a insatisfação do PMDB com a oferta de participação no próximo governo. Dilma ofereceu à legenda as pastas da Saúde e das Cidades, além da Agricultura e das Minas e Energia. Como na Saúde a indicação de Sérgio Côrtes partiu do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, os peemedebistas recusaram a oferta dizendo que era cota pessoal de Dilma, colocando, no mesmo balaio, a Defesa. O ministro Nelson Jobim é do PMDB, mas não faz parte das nomeações partidárias. A outra ponta da negociação passa por uma compensação e um agrado.

Especula-se sobre a possibilidade de Dilma oferecer ao PMDB a Previdência, que seria coordenada por um senador. O mesmo grupo que quer apear Temer do posto também rejeita o ministério, reclamando que é um posto técnico, sem projeção política e só com problemas. Os dois peemedebistas nomeados pelo presidente Lula para a cadeira — Amir Lando (RO) e Romero Jucá (RR)— tiveram passagens rápidas. Jucá durou apenas quatro meses.

Num gesto de afago, a presidente eleita fez um recuo estratégico na indicação de Sérgio Côrtes. Ela emitiu sinais de que não está nada certa a nomeação, numa tentativa de convencer o PMDB a encampar o nome do secretário de Sérgio Cabral. Fontes do partido admitem que, dependendo da evolução das conversas, esse cenário é possível. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, buscou tratar como natural as reivindicações do PMDB. “Todos os partidos têm legitimidade de postularem participação no governo em função da colaboração que têm dado e que vão continuar dando por conta de sua representatividade”, disse o petista.

Acordo
Nesse complexo xadrez de montagem de governo, o PMDB e o PT encontraram espaço para pelo menos um acerto. As legendas concordaram que caberá aos petistas indicar o nome do futuro presidente da Câmara no primeiro biênio e apoiar o nome do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) para 2013 e 2014. O pacto foi selado em conversa entre o presidente petista, José Eduardo Dutra e Temer, na quarta-feira.

Participam também dos diálogos Alves e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), favorito a ser indicado pelo PT para o terceiro cargo mais alto da República. O acordo prevê ainda que o PT desiste de buscar rodízio no Senado.

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