Blog do Pannunzio

Em Brasília, a arte contraria a vida. E tem gente que trabalha, sim senhor!

Alguns deles trabalham em mais de uma companhia, espetáculos stand-up e eventualmente se apresentam em palcos inusitados como o do Bar Poizé, na 305 Norte, onde um palco foi montado entre mesas de sinuca no salão principal.
Quem for lá nas segundas-feiras vai encontrar no palco os atores Fernando Booyou e Edson Duavi em performances sempre inéditas de meia-hora. O que pouca gente sabe é que a produção dos textos e os ensaios tomam todas as manhãs da dupla, de segunda à sexta-feira. Mas a preparação e a apresentação são apenas parte da extensa relação de compromissos de ambos.
Duavi mantém desde 2002 um curso de atores na Oficina Circo Íntimo. Há duas turmas em formação – uma de Introdução ao Teatro, outra de Teatro de Improviso, o chamado Teatro Esporte. O curso ocupa as tardes das segundas e quartas e as manhãs de sábado.
Além disso, dirige os ensaios da companhia Dose de Teatro, que estreia a peça “Eu Não Conseguia te Ver” na semana que vem. E ainda participa do elenco de uma produção dos Anônimos da Silva. “Eu vivo exclusivamente de arte”, conta Duavi, que abandonou a licenciatura em artes cênicas na UNB por falta de tempo para estudar.
A Companhia Anônimos da Silva, precursora do Teatro Esporte em Brasília, é outro retrato da dinâmica desse mercado cultural. A cada 15 dias ela encena o game-show de improvisoQual é o Seu Pedido”. Quatro dos seus seis atores atuam também na Cia. de Comédia Setebelos, que mantém em cartaz há pouco mais de um mês “O Segredo para o Sucesso”. São pelo menos duas apresentações a cada fim-de-semana., com plateias sempre lotadas.
Os atores-dublês dos dois espetáculos são Leônidas Fontes (o Herói Surfista de Brasília), Daniel Villas Boas, Saulo Pinheiro e Lucas Mol. Embora não esteja no palco, Abaetê Queiroz atuou como iluminador em “O Segredo para o Sucesso”.
Com cerca de 100 apresentações agendadas para este ano, eles começam a ter outro tipo de preocupação: quando vão conseguir entrar de férias. “As namoradas reclamam bastante, mas nossa vida é assim mesmo”, conta Lucas Mol, que sonha com um fim-de-semana livre, ainda sem espaço na agenda pessoal.
A agitação do novo mercado cultural de Brasília está gerando reflexos estruturais. Há uma nova economia emergindo nos bastidores das artes cênicas. O empresário Fernando Farias e a mulher dele, Rafela Cabral, são dois casos típicos.
Dois anos atrás, o então relações-públicas Fernando trocou a segurança do emprego em uma grande cooperativa pela perspectiva de se tornar produtor teatral. Criou a Feijão Comunicação. A iniciativa deu tão certo que há alguns meses Rafaela também abandou um bem-remunerado emprego de assessora parlamentar para ajudar a tocar o negócio da família.
Hoje, trabalhando juntos, Fernando e Rafaela cuidam da produção de duas peças e têm vários projetos em fase de implementação. “É um bom negócio”, resume o produtor, que diz ter aprendido muito com esse novo mercado. “O público brasiliense é consumidor ávido dos espetáculos e há várias outras portas abertas para quem se aventurar a desbravar as oportunidades que estão surgindo no mercado da cultura”.

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