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Parlamentares gastam em fim de legislatura mais do dobro do ano passado

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A liberalização do uso da verba para despesas relativas ao mandato dos deputados resultou em gastos exagerados no fim do ano. Cinquenta parlamentares gastaram, no último mês de atividade, em média mais do que o dobro da cota mensal, que fica em torno de R$ 30 mil. Seis deles torraram mais de R$ 100 mil em apenas um mês, a maioria com divulgação da própria atividade. O campeão de gastos foi o deputado José Mendonça Bezerra (DEM-PE), que usou R$ 133 mil em dezembro, sendo R$ 120 mil na confecção de outdoors para divulgação do Programa do Livro no interior do estado. Parece pouco, mas a verba seria suficiente para atender 5 mil pessoas com o benefício do Bolsa Família.

As mudanças nas regras do uso da “cota para o exercício da atividade parlamentar” vieram, em maio do ano passado, como resposta à farra das passagens aéreas. Como havia muita sobra na verba para passagens, os deputados compravam bilhetes para familiares e apadrinhados. A Câmara cortou 30% dessas despesas e unificou todas as cotas. A antiga verba de gabinete somava R$ 180 mil por ano, mas ninguém podia gastar mais do que R$ 90 mil por semestre. A cota cobria gastos com divulgação, consultorias, combustível, aluguel de carros e aviões, escritórios nos estados e alimentação.

José Mendonça Bezerra (DEM-PE) se irrita ao ser questionado sobre um exagero nos gastos em dezembro. Ouça

Com a unificação, foi criado o “cotão” e incluídas as despesas com passagens aéreas, correios e telefonia. Deixou de existir o limite por semestre. Em média, os deputados dispõem de R$ 360 mil para gastar ao longo do ano. O número varia de estado para estado. Levantamento feito pelo Correio mostra que os gastos com passagens caíram de R$ 80 milhões para R$ 30 milhões ao ano. Com tudo isso, sobrou muito mais dinheiro para os deputados direcionarem as despesas. Alguns torraram em aluguel de aviões, principalmente no período eleitoral e pré-eleitoral. Outros já haviam abusado nos gastos com divulgação até março, prazo limite para essa despesa. Um terceiro grupo deixou para queimar o estoque no último mês do ano.

Marketing e viagens

Até novembro, José Mendonça Bezerra tinha gasto em média R$ 19,7 mil por mês com despesas da atividade parlamentar. Neste fim do ano, ele tinha um estoque de R$ 158 mil. Gastou R$ 133,7 mil em dezembro. O deputado afirma que já planejava esse gasto, tanto que empregou R$ 80 mil com a mesma despesa em dezembro do ano passado. Nos dois anos anteriores, entretanto, quando ainda não existia o cotão, ele utilizou apenas R$ 15 mil da verba em dezembro. Naquela época, não sobrava dinheiro no fim do ano. Ainda assim, ficou indignado com as perguntas sobre a sua despesa: “Eu passei 32 anos na Câmara e nunca fui envolvido em sacanagem nenhuma. E agora vocês vêm fazer um negócio desses comigo, pô!”.

O parlamentar não tentou a reeleição. Mas cita com orgulho a eleição do herdeiro político, José Mendonça Bezerra Filho (DEM-PE). Se estivesse em vigor a regra anterior, em que a sobra do primeiro semestre não poderia passar para o segundo, ele não poderia ter gasto tanto no fim do ano. Dos R$ 375 mil disponíveis, ele usou R$ 224 mil no segundo semestre, bem mais do que os R$ 90 mil disponíveis no modelo antigo.

Francisco Rodrigues (DEM-RR) também estourou a cota no segundo semestre, embora isso agora seja permitido. Foram R$ 209 mil, sendo R$ 112 mil em dezembro. Gastou R$ 52,6 mil em divulgação e mais R$ 52 mil em fretamento de aeronaves para deslocamentos a cinco cidades do interior do estado. Em novembro, ele já havia utilizado R$ 41 mil para contratar o instituto de pesquisas Caleffi.

Cleber Verde (PRB-MA) manteve uma despesa média de R$ 13,2 mil de julho a novembro. Chegou ao fim do ano com uma sobra de R$ 130 mil. Gastou R$ 112 mil em dezembro, sendo R$ 102 mil com divulgação. O empresário Eduardo da Fonte (PP-PE) também economizou muito no segundo semestre. Tocou o gabinete com uma despesa média de R$ 7,7 mil. Dos R$ 127 mil que restaram, utilizou R$ 106 mil em dezembro, sendo R$ 76 mil em serviços postais. A reportagem telefonou para o aparelho celular dos deputados citados, mas só Bezerra atendeu.

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