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Ah, que bom que é ser secretário (quando ladrões invadem a sua casa) …

Fatima Souza ( para o site www.spagora.com.br ) Antes de tudo, nossos respeitos ao Secretário dos Transportes, Saulo de Castro Abreu Filho, sua esposa e filha, que, como muitos paulistanos, ficaram à mercê de cinco bandidos armados, que invadiram a casa do Saulo, no alto de Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo. Saulo, que já foi Secretário de Segurança, no outro governo do Geraldo, sabe agora como é ter sua casa invadida, ficar na mira dos bandidos, ser humilhado (tendo que ficar deitado de cara para o chão) e ser roubado pelos bandidos. Muitos de nós, paulistanos, sabemos o que é passar por isso. E pudemos também, com este assalto, ver como os bandidos estão ousados e não estão nem aí para quem é a vítima. Tiveram a cara de pau (e de rosto descoberto) de invadir a casa de um Secretário, homem de confiança do Governador, e que já foi Secretário de Segurança da maior cidade do país.

Me lembrou o episódio de situação parecida e até mais grave pela qual passou meu querido sobrinho, quando bandidos invadiram a casa dele, o amarraram em uma cadeira, o ameaçaram e fizeram roleta russa, só “para brincar um pouquinho”. Graças ao bom e sempre presente Deus a única bala que havia na arma, depois de dois apertos no gatilho, não disparou e os bandidos desistiram de brincar, deixando a salvo o jovem assustado. Uma cena que ficará marcada para sempre, dentro dele e de nós, família e amigos. Foram embora os loucos assaltantes, levando o que podiam, deixando o coitado do sobrinho amarrado. Ficou assim durante quatro horas até que a mãe chegou do trabalho.

No bairro em que moramos também trabalham seguranças, que de dia e de noite, passam em suas motinhas cinquenta cilindradas, apitando pelas ruas. O fato com meu sobrinho, ocorreu há cerca de três anos. E eu não me lembro de nenhum delegado geral ter se importado e nem de ouvir na delegacia os seguranças do bairro. Muito menos em criticar a falta de preparo dos seguranças de rua e exigir que a partir de então fizessem cursos preparatórios, se reciclassem, tivessem que tirar autorização e outros quetais.

Ah! Mas o meu querido e assustado sobrinho não é Secretário de nada de nenhum governo. Se ele fosse o Saulo… Ah! Se ele fosse o Saulo… Ganharia manchetes de jornais e viria a polícia se empenhar tanto em encontrar os malditos ladrões (que, no caso do meu sobrinho, nunca foram nem procurados e nem encontrados pela polícia)… Teria visto o próprio delegado geral “descobrir” que os seguranças da rua falharam e que eles precisam fazer cursos e a partir de agora ter que serem “autorizados” pela polícia a trabalhar e blá, blá, blá…

É isso mesmo: o delegado geral da polícia civil de São Paulo mandou ouvir os seguranças da rua da casa do Saulo e disse que eles foram incompetentes e não trabalharam direito senão a casa não teria sido invadida e muito menos roubada! A culpa não é do descontrole da violência pelo Estado, há anos e anos… É do coitado do segurança da rua do Saulo, que ganha menos de mil reais por mês. Não era a polícia que tinha que ficar de olho nos bandidos: eram os tais seguranças da rua do Saulo. Confesso que gosto muito e admiro demais o Delegado Geral, Doutor Marcos Carneiro, pessoa da maior qualidade e profissional do maior gabarito. Fiquei muito feliz quando ele foi escolhido para ser o Delegado Geral. Mas, muitas vezes, pessoas que a gente gosta também nos decepcionam. E fiquei perplexa e sem palavras quando soube que o Marcos Carneiro veio com esta balela. Beleza: os profissionais de segurança que trabalham nas ruas de São Paulo precisam mesmo de cursos de reciclagem, precisam aprender a profissão, etc, etc, etc… Mas porque só agora? Ah! Porque é o Saulo? Porque o governo deixou que a segurança particular crescesse tanto, sem cuidados, acompanhamentos ou fiscalização? Antes tarde do que nunca sei que vou ouvir alguém me dizer. Só queria tanto que todas estas “providências” tivessem sido tomadas depois da invasão a casa do meu sobrinho e a de tantos sobrinhos que passaram pelo que o Saulo e família passaram. Ah! Também quero perguntar ao Marcos Carneiro se além de blá, blá, blá, já prenderam os bandidos…

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