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Obama na favela

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O cenário não é estranho ao atual presidente dos Estados Unidos. Falta de saneamento, casas sem reboco e crianças calçando sandálias de borracha. Tudo muito parecido com o que o menino Barack Obama conheceu em Jacarta, na Indonésia, para onde se mudou com a mãe depois que ela se casou pela segunda vez, em 1967.

Obama, no entanto, é um completo estranho para a comunidade da Cidade de Deus, a favela que visitou na manhã deste domingo no Rio de Janeiro.

Os moradores vestiram as melhores roupas. Improvisaram placas de boas-vindas com folhas de caderno e caneta hidrográfica. ensaiaram um coro em inglês com apenas duas palavras: “Welcome Obama!”. Só isso. O inglês da galerinha, por enquanto, chega apenas até aí.

O mesmo cuidado tiveram as autoridades do estado e da prefeitura, que mandaram fazer uma boa faxina nas ruas e becos da comunidade para receber o visitante.

Antes da chegada de Obama, uma entourage de policiais do Serviço Secreto americano e assessores chegou à Cidade de Deus. Os jornalistas esperavam desde as oito da manhã dentro de um microonibus contratado pelo Consulado dos Estados Unidos para transportar 20 repórteres, cinegrafistas e fotógrafos brasileiros. O ponto-de-encontro foi um terminal rodoviário próximo à Cida de da Música. A caminho do evento, o motorista se perdeu e foi preciso parar três vezes para pedir informações.

Os jornalistas foram mantidos fechados dentro da cozinha da FIA, a Fundação da Infância e Adolescência, sucessora da temível FUNABEM, instituição que terminou seus dias estigmatizada pelas denúncias de aplicação de castigos físicos aos menores por ela abrigados.

Os convidados, entre eles o governador e o prefeito do Rio, também tiveram que chegar cedo e augardar pacientemente por  Obama. Ninguém reclamou. A não ser do rigor na revista, igualmente aplicado em todos os casos. O procedimento em nada difere da rotina da segurança em solo americano, mas por aqui sempre há reclamações.

Como é praxe, o briefing sobre os procedimentos foi detalhista e muito demorado. Os assessores americanos adoram fazer longas perorações, normalmente para estabelecer os limites do que pode e do que não pode ser feito. A informalidade das relações entre brasilerios deixa os seguranças desnorteados.

Não adiantou explicar às crianças, por exemplo, que os atiradores uniformizados não eram a reencarnação do Rambo. Eles passaram o tempo todo rodeados de pirralhos que, não raro, pulavam para abraçá-los e tentar um autógrafo.

Obama chegou pontualmente às 11 horas. Os repórteres não o viram entrar na quadra coberta da FIA porque continuavam trancados na cozinha. Na ausência de quem fizesse um café, serviram água. Mas aí também não houve privilégios para ninguém, do governador ao vigia.

A família do presidente norte-americano compareceu em peso. A filha mais nova, Mallia, estava enfadada. Sorriu apenas duas vezes e parecia não se interessar pelas acrobacias dos capoeiristas-mirins que tanto treinaram para impressionar o pai dela. A sogra de Obama também denotava aborrecimento com aquela imersão no grotão sulamericano.

Houve duas apresentações. A primeira, de um grupo de percussão. Era mesmo um jogral escolar, aquela coisa chata em que a presença de crianças deve agradar mais do que a atividade que estão desenvolvendo.

Obama e Michelle, ao contrário do restante da primeira-família, estavam bem entusiasmados. Depois das apresentações, levantaram-se para cumprimentar as crianças. Nesse instante, os jornalistas foram novamente confinados na cozinha.

É por isso que não há nenhum registro dos passes que Obama ensaiou com um time de futebol dente-de-leite da comunidade. Os meninos disseram que o presidente bate um bolão. O treinador, um sargento do Corpo de Bombeiros, assegurou que, se treinar, ele dará um bom beque, talvez até um artilheiro, porque tem a habilidade de chutar com os dois pés. Anotação muito importante por tratar-se de um homem nascido num país cuja bola mais popular é eliptica, e não redonda.

Mas o que a garotada gostou mesmo foi da limpeza das ruas. “O Obama podia passar uma vez por semana aqui no bairro”, disse um dos baixinhos. “Eles deixaram tudo tinindo”, falou outro.

Bom, então quer dizer que é preciso vir um presidente estrangeiro aqui para limparem as ruas ?

“A gente não sabe se precisa, mas sabe que quando ele ficou de vir, apareceu uma tropa de choque para fazer o serviço”, contou outro jogador-mirim.

 

 

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