Dados de abril confirmam acomodação na indústria Os sinais de que a economia brasileira passa por um processo de acomodação do ritmo de crescimento...

Dados de abril confirmam acomodação na indústria
Os sinais de que a economia brasileira passa por um processo de acomodação do ritmo de crescimento ficaram mais fortes em abril. Enquanto fabricantes de bens de consumo ainda registraram encomendas fortes em março e abril, setores importantes de produção de bens intermediários, como aço e papelão ondulado, começaram a rever, para baixo, suas projeções para o crescimento do ano. Ao mesmo tempo, sindicatos relatam negociações salariais mais difíceis. Com database em abril, trabalhadores têxteis de Brusque, importante polo catarinense do setor, fecharam acordo só com a inflação dos últimos 12 meses.
O Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) informa que em abril a entrega de mercadorias foi 12% inferior a de março e 1,5% menor que a de igual mês do ano passado, situação que fez o setor reestimar de 15% para 12% o crescimento do ano. “Mas o consumo total doméstico não deve crescer”, diz Carlos Loureiro, presidente do Inda, explicando que as usinas brasileiras estão recuperando terreno perdido para as importações. Em papelão, a projeção de um 2011 4% maior deve ser revista para 3% diante da alta dos juros e da restrição ao crédito. (Págs. 1, A3 e A5)

Rumos da economia
No 11º aniversário do Valor, grandes especialistas analisam no caderno Rumos da Economia questões para o país: inflação, crescimento, governabilidade, política externa, infraestrutura, capital humano e combate à pobreza.

Claudia Safatle
O desafio da presidente Dilma Rousseff é combater a inflação (que não é apenas de “commodities”, mas também de descasamento entre oferta e demanda) sem destruir tudo o que foi feito nos últimos quinze anos.

Marcos Nobre
Segundo o amplíssimo pacto herdado do governo Lula a sustentação da coalizão de poder depende de um ritmo de crescimento econômico semelhante ao da média dos anos Lula, em torno de 4%.

Michael Reid
Talvez a pergunta mais desconcertante para o mundo exterior é: o que quer o Brasil? Será que o país se vê fundamentalmente como um poder
“ocidental” ou do Hemisfério Sul?

Delfim Netto
É fundamental reconhecer que a inflação brasileira tem, sim, outras especificidades:
1º) uma longa memória inflacionária que ensinou os agentes como defender-se;
2º) um resíduo institucional de indexação de toda a natureza.

Ricardo Paes de Barros
Não dá para a gente ensinar a pescar ao cara que não comeu o peixe, que não se alimentou, certo? Então, a estratégia é dar o peixe para o cara ficar bem alimentado e então lhe ensinar a pescar.

Cláudio Frischtak
A medida que o tempo passa e a equação financeira não fecha, o setor público será impelido a tomar riscos cada vez maiores, até porque tanto no caso da Copa quanto dos Jogos foi assumido um compromisso soberano pelo Estado brasileiro.

Flávio Cunha
O país necessita de uma política que coloque em atuação um sistema educacional que esteja preparado para sanear, no momento correto, os déficits de desenvolvimento que aparecem ao longo de todo o processo de formação capital humano. (Págs. 1 e Caderno Especial)

Brasil compra mais da China que dos EUA
A China ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o maior fornecedor de produtos comprados pelo Brasil no primeiro trimestre deste ano, por uma diferença pequena, de apenas U5$ 19,8 milhões. O mais novo item na pauta das importações brasileiras vindas da China e que contribuiu para o avanço dos chineses sobre os americanos são os automóveis. O Brasil importou US$ 26,4 milhões em carros chineses nos primeiros três meses de 2011. No mesmo período do ano passado essas importações foram desprezíveis – somente US$ 16,1 mil. A China já é o destino mais importante dos embarques brasileiros e as vendas para o país asiático crescem em ritmo muito acelerado, mais de 50% no primeiro trimestre. (Págs. 1 e A2)

Inflação, ameaça na América do Sul
Com exceção de Colômbia e Equador, a inflação tornou-se uma das principais ameaças macroeconômicas em toda a América do Sul. Na Bolívia e no Paraguai, o índice acumulado em 12 meses voltou a dois dígitos. Em outros três países – Chile, Peru e Uruguai -, assim como no Brasil, pode ser ultrapassado o teto da meta estipulada pelos bancos centrais, que já promoveram várias rodadas de elevação das taxas de juros. Com distorções macroeconômicas mais sérias, Argentina (25%) e Venezuela (26%) disputam o título de maior inflação do mundo, segundo levantamento do FMI.
Em todos os países há uma inflação de commodities, por pressões internacionais. “Mas os bancos centrais não podem fechar as portas e sair de férias” adverte Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs.
“Como a região é exportadora líquida de commodities, o processo de aumento de renda alavancou o consumo e, por esse canal, ainda vai pressionar a inflação pelo lado da demanda.” (Págs. 1 e A11)

Foto legenda: Dia do Trabalho
Cerca de 1,7 milhão de pessoas participaram da comemoração do 1º de Maio da Força Sindical, em São Paulo: autoridades públicas aproveitaram para criticar o imposto sindical (Págs. 1 e A6)

A milionária disputa da CSN em Nova York
Benjamin Steinbruch, presidente da CSN, e o ex-diretor financeiro da empresa Lauro Rezende travam batalha na Justiça americana e de Belize para definir quem é o dono da International Investment Fund (IIF), firma aberta em Belize em 1999. Desse ano até 2002, a IFF adquiriu 7,8% das ações da MRS Logística, patrimônio hoje avaliado em R$ 500 milhões.
Rezende se diz dono da empresa, está de posse das ações ao portador e recebeu dividendos da MRS de US$ 18 milhões em uma conta em Nova York, dinheiro hoje bloqueado. A CSN sustenta que ele se valeu da posição de diretor financeiro e furtou documentos dos arquivos da companhia. Entre as provas do processo, Rezende incluiu carta de um advogado suíço de nome Franz Karsten, que nunca foi encontrado e que a CSN diz não existir. O juiz que preside o caso, Harold Baer Jr., concluiu que Rezende cometeu fraude nesse episódio e o condenou a ressarcir US$ 638 mil a CSN por despesas com investigações e advogados. (Págs. 1, B8 e B9)

Ética e lucros nem sempre andam juntos
É frequente ouvir-se, hoje, que ser ético agrega valor. Em certos casos, é verdade. Só que não podemos inferir que sempre a ética é bom negócio. Sobretudo, não deve ser negócio. Não há ética sem o risco do prejuízo e do fracasso. Quando pregamos que a ética é vantajosa ou mesmo rentável, esquecemos que muitas vezes ela não o é.
Combater a corrupção para melhorar o ambiente econômico é muito bom, mas não basta. Prometer a jovens um mundo ao mesmo tempo lucrativo e decente é correr o risco de não fortalecer sua fibra moral. Terão a coragem necessária para enfrentar o prejuízo que a decência, por vezes, exige? (Págs. 1 e A6)

Sílvio Santos se estrutura para fase sem banco
Quando o PanAmericano quebrou com rombo de R$ 4,1 bilhões, o Grupo Silvio Santos deu sinais de que seus negócios podiam ser insustentáveis. Afinal, cerca de 90% do lucro líquido do grupo vinham dos resultados fictícios do banco. Passados três meses, o grupo tenta ficar na história como um dos raros casos de companhias que sobreviveram após a quebra de seu principal negócio. Para isso, Sílvio Santos contratou o consultor John Davis, um dos maiores especialistas americanos em gestão e sucessão de empresas familiares. A missão de Davis é propor um novo estilo de gestão, com critérios de controle rigorosos e planejar a sucessão de Silvio, que tem 80 anos. (Págs. 1 e B1)

Empresários temem mudanças de regras de indexação (Págs. 1 e A4)

Especialista prega o fim do sigilo de documentos públicos no Brasil (Págs. 1 e A14)

Mercado potencial
Pesquisa da empresa holandesa Newzoo mostra que o Brasil é o quarto maior mercado global em número de usuários de jogos digitais. Apesar disso, o segmento de games ainda tenta se organizar como uma indústria de fato no país. (Págs. 1 e B2)

Inovação
Grandes grupos nacionais e estrangeiros que atuam no setor de tecnologia inauguraram recentemente ou planejam implantar centros de desenvolvimento e pesquisa no Brasil. “Objetivo é desenvolver produtos globais que serão a base do crescimento da empresa”, diz Marcelo Monteiro, da Totvs. (Págs. 1 e Caderno Especial)

Algodão pressiona tecelagens
Disparada dos preços do algodão obrigou algumas empresas do setor têxtil a reduzir a produção e até a paralisar parcialmente as atividades em Santa Catarina. A situação deve melhorar no segundo semestre, com a previsão de safra recorde de pluma. (Págs. 1 e B10)

Compensações de Belo Monte
O BNDES também vai financiar as obras de compensações socioambientais que o consórcio Norte Energia terá de fazer nos 11 municípios impactados pela construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. (Págs. 1 e B11)

Trigo perde área
Desanimados com preços baixos do trigo, os produtores devem, mais uma vez, reduzir área plantada. A primeira previsão da consultoria Safras & Mercado indica retração da ordem de 11%, para 1,988 milhão de hectares. (Págs. 1 e B14)

Vaca louca ainda incomoda
Problemas de rastreabilidade do gado e questões econômicas ainda fazem o Brasil enfrentar constrangimentos por conta da vaca louca, embora jamais tenha registrado casos da doença. (Págs. 1 e B14)

Bolsa na lanterna
Entre os principais mercados mundiais, a bolsa brasileira apresenta um dos piores desempenhos neste ano. Analistas atribuem a performance ruim à persistência da inflação e à falta de clareza na política monetária. (Págs. 1 e D2)

Ideias
Gustavo Loyola
Imperfeições na formação das expectativas não invalida que o BC deva considerá-las na execução da política monetária. (Págs. 1 e A13)

Ideias
Gino Olivares
As ações convencionais de política monetária combatem melhor a inflação persistente. (Págs. 1 e Al2)

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