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Fim de férias: Tuma Jr. resiste a pedir demissão

Vannildo Mendes

O delegado Romeu Tuma Júnior, licenciado da Polícia Civil de São Paulo, não deve retornar ao cargo de secretário nacional de Justiça, o segundo mais importante do Ministério da Justiça, quando terminarem suas férias na segunda-feira, 14.

Desgastado com a denúncia de envolvimento com a máfia de contrabando de produtos eletrônicos comandada pelo chinês Li Kwok Kwen, conhecido como Paulo Li, preso em setembro pela Polícia Federal, Tuma Júnior teve seu destino selado nesta sexta-feira, 11, em reunião de quase uma hora entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto.

A forma do afastamento, porém, ainda está sendo negociada com o próprio secretário. Temperamental, o delegado resiste à ideia de pedir demissão, porque no seu entendimento seria uma confissão de culpa.

Bombeiros do governo passaram a tarde tentando convencer o secretário e evitar o constrangimento de ser demitido por ato administrativo. Lula autorizou Barreto a negociar uma saída não traumática com Tuma Júnior, fiel à sua praxe de não punir antecipadamente auxiliares enredados em inquéritos, sem condenação judicial.

Investigação. Gravações telefônicas e e-mails interceptados pela PF durante a Operação Wei Jin, desencadeada no ano passado, revelaram ligações estreitas entre Paulo Li e o secretário, conforme série reportagens publicada pelo Estado.

As interceptações da PF mostraram o secretário encomendando produtos eletrônicos ao contrabandista e acertando com ele providências para legalização de imigrantes chineses que chegam ao Brasil irregularmente em grande quantidade todos os anos. Sob o comando de Tuma Júnior, o governo concedeu no ano passado anistia a 42 mil imigrantes ilegais, procedentes de 130 países. O segundo lugar no ranking ficou com os chineses (5.492), superados apenas pelos bolivianos (16.881).

Um inquérito desmembrado a partir da operação revelou indícios de que Tuma Júnior transformou seu gabinete num balcão de negócios, a partir de assessores colocados por ele em postos-chave da Secretaria, entre os quais o Departamento de Estrangeiros e o Departamento de Recuperação de Ativos. O secretário é suspeito de atos de corrupção passiva, advocacia administrativa e formação de quadrilha, crimes que, cumulativamente, somam mais de 12 anos de prisão.

No início deste mês, a PF fez o cópias do HD do computador usado pelo delegado em seu gabinete. A diligência atingiu também o gabinete do diretor do Departamento de Estrangeiros, Luciano Pestana. A PF informou que depende agora de autorização judicial, já solicitada, para acessar o conteúdo e analisar as novas provas colhidas.

Clique aqui para ler a íntegra no site do Estadão

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