Pannunzio Comunicação – Blog do Pannunzio

Serra sobe o tom e Dilma foge do confronto

Alana Rizzo
Denise Rothenburg
Flávia Foreque
Vinícius Sassine

Sentindo-se literalmente “em casa” durante o encontro dos presidenciáveis na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o candidato do PSDB, José Serra, aproveitou para subir o tom das críticas em relação ao governo e, por tabela, chamar os concorrentes para um debate. Serra criticou a falta de planejamento do governo, de investimento em infraestrutura, a ausência de uma política de concessões nessa área e, ainda, a proposta de reforma tributária defendida por Lula, que “consagrava a isenção de ICMS das importações” e provocou risos na plateia: “Essa é do Peru. Cria emprego, só que em outros países”, disse Serra, solto e descontraído, dizendo-se ainda ávido para chegar ao governo para cortar. “Tem uma obesidade que dá gosto”, disse, esfregando as mãos.

A crítica(1) não é nova. O pré-candidato já tinha condenado o loteamento das agências reguladoras do governo, da Infraero e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no governo Lula. Desta vez, o tucano foi mais incisivo e cobrou a participação da sociedade e da opinião pública numa “ofensiva” contra o apadrinhamento político. A receita, segundo Serra, está em Minas. “É gastar menos com a máquina e mais com a população”, disse, repetindo o bordão do ex-governador Aécio Neves, cotado para vice na chapa do PSDB.

Serra, que admitiu ter cometido “erros” na pré-campanha, falou logo depois da candidata do PT, Dilma Rousseff, e antes da senadora Marina Silva (PV). Dilma, que, apesar de ter no seu palanque o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto (PTB), como candidato ao Senado em Pernambuco, não estava tão à vontade. Ela optou por um discurso focado nas ações do governo Lula, em que defendeu a política macroeconômica, mas, ao mesmo tempo, classificou o sistema tributário de “caótico”. Citou a reforma tributária como a “reforma das reformas” e se referiu aos governos anteriores ao de Lula como um período de “apagão do projeto básico”.

Alfinetadas
Marina Silva procurou demonstrar familiaridade com um setor em que é muito pouco conhecida e não dispensou alfinetadas nos dois concorrentes. “Em São Paulo, leva-se três meses para criar uma empresa. Em Minas Gerais, 19 dias. Não faltam boas ideias no Brasil que podemos adotar para desenvolver e criar empregos”, afirmou a candidata. Disse ter ficado triste com o fato de Ciro Gomes (PSB) ter sido “interditado” como candidato e comentou que, no primeiro turno, deve-se votar com o coração, com quem considera melhor, e “no segundo, a gente se desvia do pior”, afirmou, aplaudidíssima, ao se despedir dos empresários.

Cada candidato levou a sua claque. Dilma, por exemplo, contou com o apoio do ex-ministro da Fazenda deputado Antonio Palocci; do ex-prefeito de Belo Horizonte; Fernando Pimentel; do deputado Rocha Loures (PMDB-PR); a líder do governo no Congresso, senadora Ideli Salvatti (PT-SC); do líder do PT, Fernando Ferro (PE). Serra também não estava sozinho. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), citado com um possível nome para compor a chapa, ficou na primeira fila. Por ali, estavam ainda o ex-líder do DEM Ronaldo Caiado; o presidente do PPS, Roberto Freire; a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que, nos bastidores, levou a filha para tirar fotos com o candidato. Marina estava acompanhada de deputados do partido e do ex-presidente do Ibama Basileu Margarido.

Cada um achou que o seu presidenciável foi melhor, mas os empresários deixaram claro que dificilmente vão mudar de candidato depois das exposições de ontem. Um deles disse que Dilma não propôs nada de novo, se surpreendeu com Marina Silva, mas, reservadamente, disse que Serra é visivelmente mais preparado. Outro disse que a chapa perfeita era Marina como vice do tucano. Já Monteiro Neto foi mais contido: “Ele levou vantagem porque falou depois de Dilma e tem mais conhecimento entre os empresários. No geral, todos se saíram bem”, concluiu.

Clique aqui para ler a íntegra no site do Correio

Share the Post:

Join Our Newsletter